ISSN 0370-6583 RODRIGUÉSIA Revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro Volume 37 Número 62 Janeiro/Junho 1985 NORMAS PARA PUBLICACAO DE TRABALHOS I) INSTRUÇÕES AOS AUTORES a) As revistas editadas pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro (Rodriguésia, Arquivos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Boletim do Museu Kuhlmann, Estudos e Contribuições e Publicações Avulsas) aceitam para publicação trabalhos que dizem respeito à Biologia Vegetal ou ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro, devendo ser de preferência, originais e inéditos. b) Os manuscritos devem ser encaminhados à Comissão de Publicações do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, no seguinte endereço: Jardim Botânico do Rio de Janeiro Rua Jardim Botânico n.° 1008 22.460 — Município do Rio de Janeiro Rio de Janeiro — BRASIL c) A aceitação dos trabalhos dependerá da aprovação da referida comissão, que respeitará a ordem da data de recebi- mento dos mesmos, pelo protocolo da secretaria da comissão. d) Os artigos serão publicados em português, ou em inglês, espanhol, francês e alemão, quando a comissão julgar conve- niente. e) Os originais devem ser entregues em três vias, sendo um original e duas cópias, datilografadas em espaço duplo, em papel ofício de boa qualidade, de 21 a 22 cm de largura, 29,5 a 33,5 cm de comprimento, com uma margem do lado esquerdo de 2,5 a 3,5 cm e do lado direito de no mínimo 1 ,0 cm, ou com medidas aproximadas a estas. As ilustrações (figuras, fotos, tabelas), deverão ser numeradas progressivamente em caracteres ará- bicos, sendo os detalhes assinalados com letras minúsculas e as ilustrações referidas no texto (as estampas serão denominadas de figuras); serão apresentadas à tinta nanquim em papel de desenho branco, em páginas separadas, obedecendo às propor- ções para redução, ou deverão ter as mesmas dimensões do corpo impresso na página, ou fração, vindo sempre indicadas, a escala ou a fonte de onde foi copiada. Quando da correção das provas, os originais não poderão ser mais modificados pelos autores, sob qualquer pretexto. f) Os trabalhos a serem apresentados, deverão, sempre que possível, obedecer ao seguinte roteiro: — Título; — Nome do(s) autor(es); — Resumo; — Abstract; — Introdução; — Material e métodos; — Resultados e discussão; — Agradecimentos; — Referências bibliográficas Título — deverá ser conciso e objetivo, traduzindo de maneira clara o conteúdo do trabalho. Deverá ser escrito com letra inicial maiúscula, as demais letras minúsculas, com exce- ção dos nomes próprios; os subtítulos obedecerão à mesma regra. Exemplo: Anatomia floral de Asclepias curassavica L (Asclepiadaceae). Nome do(s) autor(es) — os nomes devem ser escritos com letra inicial maiúscula e as demais letras minúsculas. Abaixo destes a indicação de suas instituições com os respectivos endereços (com exceção de catálogos, ou bibliografia de bi- bliografias, pois somente os editores ou coordenadores, ou principais autores deverão fornecer os endereços). No caso de haver instituições financiadoras ou do(s) autor(es) ser bolsista, isto deverá ser indicado em nota de rodapé. Resumo — não deverá exceder a 90 palavras e os nomes científicos genéricos e infragenéricos deverão levar dois grifos. Abstract — não deverá exceder a 90 palavras e os nomes dos táxons genéricos e específicos, ou abaixo destes, deverão levar dois grifos. Introdução, Material e métodos. Resultados e discussão — deverão obedecer às normas dos trabalhos científicos em geral, podendo ser omitidos em trabalhos curtos sobre a descri- ção de táxons novos ou mudanças nomenclaturais. Agradecimentos — deverão ser restritos a poucas linhas e nos trabalhos taxonômicos não serão enumerados os nomes dos herbários, cujos encarregados cederam material por emprésti- mo, sendo suas siglas indicadas nas relações do material estu- dado. Referências bibliográficas — estas deverão seguir às se- guintes normas: 1) No caso de livros e outras publicações avulsas, citar o sobrenome do autor em caixa alta, prenome ou demais nomes abreviados; no caso de três autores citar os 3, e no caso de mais de 3 autores, citar o primeiro seguido da expressão et ai; data seguida de ponto (somente o ano da publicação); título completo sublinhado ou no caso de obras clássicas de trabalhos taxonô- micos, apenas a 1 . a parte do título, seguido de três pontos(. . .); número da edição, se houver; local da publicação (cidade); nome do editor(a); número do volume sublinhado, quando houver; parte ou fascículo, quando houver; número de páginas e es- tampas ou figuras. No caso de dúvidas, seguir-se-ão as especifi- cações aplicáveis da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Exemplos: CUTTER, E. G. 1 978. PlantanatomyPart I. Cellsand Tissues. London, E. Arnold, 315 p., il. ENGLER, H. G. A. 1878. Araceae. In: Martius, C.F.P. von; Eichler, A. W. & Urban, I. Flora Brasi/iensis. . . München, Wien, Leipzig, v. 3, part 2, p. 26-223, est. 6-52. 1930. Liliaceae. In: Engler, H. G. A. & Plantl, K. A. E. Die natürlichen pflanzenfamilien. . . 2. Aufl. Leipzig (Wilhelm Engelmann), v. 15a, p. 227-386, fig. 1 58-1 59. SASS, J. E. 1 951 . Botanical microtechnique. 2. ed. lowa, lowa State College Press, p. 228. URBAN, I. 1903. Smilax. In: . Symbolae antillanae seu fundamento, florae indiae occidentales. Leipzig, v. 4, p. 149-150. YOUNGKEN, H. W. 1951. Tratado de farmacognesia. Mé- xico, Editorial Atlante, 1376 p. 2) No caso de artigos de periódicos, citar, autor(es) do artigo (prenome e outros nomes abreviados; demais observações ver item 1) no caso de livros. . .); ano da publicação seguida de ponto; título completo do artigo; título do periódico abreviado SciELO/ JBRJ, 3 14 15 16 17 18 19 2 ^ y.W 33 ^VEM ARlc _ ÚN °°. 222. 962-5 cm 123456 2 .4" - cí>X 74 RODRIGUÉSIA Revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro Volume 37 Número 62 Janeiro/Junho 1985 Sumário Carta do editor 3 Lista preliminar das angiospermas ocorrentes no Raso da Catarina e arredores, Bahia Rejan R. Guedes 5 0 gênero Chloris Swartz (Gramineae) no Rio Grande do Sul Silas Costa Pereira Ismar Leal Barreto 9 Revisão taxonômica do gênero Coutoubea (Gentianaceae) Elsie Franklin Guimarães Vera Lúcia Gomes Klein 21 Contribuição ao estudo dos mixomicetos do Estado do Rio de Janeiro Katia Ferreira Rodrigues 46 0 gênero Lentinus Fr. (Tricholomataceae) no Estado do Rio de Janeiro Fátima Maria Amaral Barbosa 48 Morfologia dos frutos e sementes dos gêneros da tribo Mimoseae (Leguminosae-Mimosoideae) aplicada à sistemática Marli Pires Morim de Lima 53 Pauilinia carpopodea Camb. (Sapindaceae). Anatomia foliar Carmen Lucia de Almeida Ferraz Cecília Gonçalves Costa 79 Estrutura das madeiras brasileiras de dicotiledôneas (XXVII). Humiriaceae Paulo Agostinho de Matos Araújo Armando de Mattos Filho 91 Rodriguésia Rio de Janeiro v.37 n.62 p. 3-114 jan. jun. 1 985 SciELO/ JBRJ, 14 15 16 17 18 19 20 Publicação trimestral do Jardim Botânico do Rio de Janeiro — Administração: Coordenadoria de Editoração — Rua Jardim Botânico. 1 008 - CEP 22460 - Rio de Janeiro - telefone: (021 ) 274-4346 — Editor-Científico: Graziela Maciel Barroso (Jardim Botânico do Rio de Janeiro e Projeto Radam-Brasil — Coordenador Editorial: Cícero Silva Júnior — Projeto Gráfico e Edição de Arte: Pedro Paulo Del- pino Bernardes (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico — CNPq) — Copidesque: Maria Inês Adjunto Ulhoa — Fotografia: Cyntia Kremer e Mário da Silva — Circulação: Maria Lúcia Monteiro Guilhermino — Comissão Permanente de Publicações do Jardim Botânico: Ariane Luna Peixoto (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro); Carmem Lúcia Falcão Ichaso (Jardim Botânico do Rio de Janeiro — IBDF); Cecília Gonçalves Costa (Jardim Botânico do Rio de Janeiro — IBDF); Cordélia L Benevides de Abreu (Jar- dim Botânico do Rio de Janeiro — IBDF); Dorothy S. Dunn de Araújo (Departamento de Conservação Ambiental — FEEMA); Haroldo Cavalcante de Lima (Jardim Botânico do Rio de Janeiro — IBDF); Honório da Costa Monteiro-Neto (Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Jardim Botânico do Rio de Janeiro — IBDF); Margareth Emmench (Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro — UFRJ); Raul Dodsworth Machado (Universidade Federal do Rio de Janeiro — UFRJ); Wanderbilt Duarte de Barros (IBGE/Departamen- tode Análise de Sistemas de Recursos Naturais) — Presidente da Comissão de Publicações: Graziela Maciel Barroso (Jardim Botânico do Rio de Janeiro — IBDF) — Presidente do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal — IBDF: Mauro Silva Reis — Diretor do Jar- dim Botânico do Rio de Janeiro: Carlos Alberto Ribeiro de Xavier — Composição e Impressão: Editora Lidador Ltda. — Rua Hilário Ribeiro, 1 54 — Praça da Bandeira — telefones: 284-7594 e 284-7685 — Rio de Janeiro, RJ. Carta do editor Em qualquer país, qualquer que seja a condição de seu desenvolvi- mento e, também, qualquer que seja a circunstância de um evento, é sempre oportuno acentuar-lhe o sentido quando for ele referente à pesquisa científica. De modo maior, esse caráter deve ser melhor signifi- cado desde que indague de modo mais consistente quanto aos conheci- mentos pertinentes a elemento ou a elementos das ciências naturais. Tais investigações podem oferecer conclusões enriquecedoras, que levem ao aproveitamento da potencialidade das plantas ou dos animais, das águas ou dos solos, da meteorologia ou dos climas, da energia dos ventos, por exemplo, ou da economia organizada do ecossistema. Porconseqüência, a utilização dos resultados da inteligência medra- da com indagação metodizada, é claro, deve ser valiosa não apenas a parte do segmento trabalhador que na sociedade atua sobre a área com que a inquisição ocorreu. Isto é, transcende, com certeza, aos interesses do estamento profissional que, sistemática ou cartesianamente, põe sua preocupação na análise da área estudada. A busca ultimada, ou às vezes até apenas insinuada como linha metodológica, deve ganhar amplitude, tornada acessível a maior número de eventuais interessados. Esse último aspecto pode ser, aliás, bem identificado com o reaflorar das preocupações pelos valores das plantas medicinais; pelo significado estimado pelo conteúdo de determinados alimentos vegetais, mais que outros, in natura; pelo aproveitamento da beleza de árvores, arbustos, ervas e lianas na composição de parques e jardins ou na ornamentação da casa. Ainda, exemplificando melhor, na realidade do papel que os elemen- tos naturais — onde o próprio homem sobressai como criador, destruidore reconstrutor da ecologia. Debaixo de tais perspectivas, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, tem feito, com a possível regularidade, a publicação de trabalhos que os técnicos da instituição concluem, analizando os mais diversos fatos e condições da vida vegetal. 0 objetivo básico desse gênero de divulgação atende a uma trivalên- cia. De um lado, tornar público o rumo e os resultados das pesquisas, seja pura, seja aplicada, a respeito da biologia, da fisiologia, da morfologia, da cm l SciELO/JBRJ, 14 15 16 17 18 19 20 sistemática de vegetais, alcançado, tantas vezes, certas sendas sofisti- cadas como a genética e a citogenética, a ecologia, a etnobotânica, a paleobotânica. De outro lado, provocar ou acentuar a curiosidade pelo estudo do mundo das plantas. E, de um terceiro ângulo, abrir caminhos ou sustentá-los, se for o caso, pelo melhor estímulo aquele que faz do estudo da botânica nesta instituição a razão de ser de sua profissão. Rodriguésia e Arquivos atendem, cada uma revista com característica própria, ao objetivo de comunicação específica. Rodriguésia permite cumprir, assim, mais uma etapa com o número que entra em circulação. 0 texto ora editado, contemplado por contribuições, atende à pro- posta enunciada em parágrafo desta carta, e abrange anotações fitogeo- gráficas, revisões taxiológicas, observações de anatomia e referenciais de ocorrências fitológicas. 4 cm 1 SciELO/JBRJ, 14 15 16 17 lí 19 20 Rejan R. Guedes * * Bióloga, Jardim Botânico do Rio de Ja- neiro. Seção de Botânica Sistemática. Bolsista do CNPq. Agradecimentos Consignamos nossos agradecimentos à equipe de ornitólogos na pessoa do Dr. Helmut Sick. pela doa- ção do material coletado ao herbário do Jardim Botâ- nico do Rio de Janeiro (RB); ao zoólogo L Pedreira Gonzaga pela preocupação em documentar a flora local e pelas informações adicionais que nos cedeu sobre a região visitada; à Dr.* Graziela Maciel Barroso e à botânica Lúcia Freire de Carvalho pela orientação durante a execução do trabalho; ao Pe. Raulino Reitz pelo envio da listagem do material de Bromeliaceae por ele determinado. Rodriguésia, Rio de Janeiro. 37(62): 5-8, jan./jun. 2 3 4 5 6 7 Lista preliminar das angiospermas ocor- rentes no Raso da Catarina e arredores, Bahia. É fornecida uma listagem de espécies ocorrentes na região do médio rio Vaza- Barris, Bahia, acompanhada de notas sobre a floração, frutificação e denominação popular de cada planta. Introdução Em janeiro e julho de 1979, durante pesquisas sobre a arara Anodorhynchus leari Bonaparte no nordeste da Bahia (Sick, Teixeira Et Gonzaga, 1 979), uma equipe de ornitólogos do Museu Nacional do Rio de Janeiro esforçou-se em documentara flora da região, até então pouco explorada, tra- zendo às nossas mãos material que foi estudado e incorporado ao herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB). 0 material de Bromeliaceae, que aqui tam- bém citamos, foi remetido pela equipe ao herbário Barbosa Rodrigues (HBR). Neste trabalho pretendemos divulgar essa pequena amostra do potencial florís- tico da região, parte da qual (Estação Eco- lógica do Raso da Catarina) encontra-se sob proteção da Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA) desde 1976. Estações de coleta 0 Raso da Catarina "sensu stricto" é uma chapada de arenito que remonta ao Cretáceo, situada no nordeste da Bahia, entre 9 o e 10° de latitude sul.e 38° e 39° de longitude oeste. É delimitado ao sul, a grosso modo, pelo rio Vaza-Barris. O clima dominante é o Bsh (semi-árido quente) da classificação de Kõppen, caracterizado pe- 1985 la escassez de chuvas e grande irregulari- dade em sua distribuição, temperaturas elevadas e forte evaporação. Os exemplares coligidos, bem como as informações fornecidas pelos coletores, permitem-nos caracterizar a formação ve- getal dominante na região como a caatinga arbustiva com suculentas (Rizzini, 1979), composta de arbustos muito ramificados, frequentemente espinhosos, atingindo a altura de 2 a 3 metros, ao lado de cactáceas e bromeliáceas terrestres. Plantas de porte arborescente são raras, destacando-se principalmente o facheiro (Cereus). A coleção feita em janeiro provém do Raso da Catarina, do Brejo do Chico e da Estaca Zero, estação situada um pouco mais ao sul, junto à rodovia BR 116. Em julho, o material foi coletado nas proximi- dades de Cocorobó, em acidente de ter- reno que os moradores locais denominam Toca Velha, em Juá e em Brejo do Burgo (Fig. 1). A seguir relacionamos, em ordem al- fabética, as famílias representadas em ca- da estação de coleta, acompanhadas de dados referentes à floração e frutificação e dos nomes populares anotados pelos cole- tores. 5 SciELO/JBRJ, * 14 15 16 17 lí 19 20 cm Raso da Catarina Annonaceae Annona sp.-"Araticum" — fruto Bignoniaceae Anemopaegma goyasensis Sch. — "Relógio" — flor e fruto Anemopaegma sp. — "Cipó-de-caiti- tú" — flor Arrabidaea tuberculata DC. — "Cipó- branco" — flor e fruto Cuspidaria sp. — "Cipó-de-rêgo" — flor Tecoma sp. — flor e fruto Bromeliaceae Aechmea aquilega (Salisb.) Gris. — "Gravatá" — flor Bromelia laciniosa Mart. ex Sch. — "Macambira" — flor Hohenbergia catingae Ule — "Grava- tá" — flor Capparaceae Colicodendron jacobinae (Moric.) Hutch, — "lcó-de-cavalo" — flor e fruto Compositae Eupatorium ballotaefolium H.B.K. — flor Convolvulaceae Evolvulus elegans Morich — "Vassourinha" — flor Evolvulus sericeus Sw. — "Vassourinha" — flor Euphorbiaceae Croton grevioides Baill. — "Catinga- de-cheiro" — fruto Euphorbia comosa Linn. — "Tingui"' flor Hydrophyllaceae Hydrolea sp. — flor Leguminosae Caesalpinioideae Bocoa mollis (Benth.) Cowan. — "Chocalhinho" — fruto Caesalpinia microphylla Mart. — "Catingueira-premprenha" — flor e fruto Cassia açuruensis Benth. — "Pau-de-besouro" — flor e fruto Cassia glandulosa Linn. — flor e fruto Cassia sp. — fruto Crotalaria sp. — "Pau-de-besouro" — fruto Cynometra glaziovii Taub. — "Coração-de-nêgo” — flor Leguminosae Faboideae Aeschynomene sp. — "Muleque-duro" — flor Leguminosae Mimosoideae Acacia sp. — "Espinheiro-branco" — fruto Piptadenia obliqua (Pers.) Macbr. — "Quipé" — flor Pithecelobium dumosum Benth. — "Muleque-duro" — flor Malpighiaceae Byrsonima gardneriana Juss. — "Murici" — flor e fruto Malvaceae Pavonia andrade-limae H. Mont. — "Tampa-cabaça" — flor Sida spp. — "Vassoura" e "Melosa" — flor Passifloraceae Tetrastylis sp. — "Maracujá-de-boi" — flor e fruto Rutaceae Esembeckia sp. — "Pau-chumbo" — flor Solanaceae Solanum sp. — "Gangorra-de- cachorro" — : flor Turneraceae Turnera chamaedrifolia Camb. — "Vassoura-preta" — flor Verbenaceae Stachytarpheta dichotoma Va hl. — flor Toca Velha Bromeliaceae Bromelia laciniosa Mart. ex Sch. — "Macambira" — flor Hohenbergia utriculosa Ule — flor Capparaceae 6 Rodriguésia, Rio de Janeiro. 37(62): 5-8. jan./jun. 1985 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 cm Colicodendron yco (Mart.) Hutch. — "Icó" — fruto Compositae Eupatorium ballotaefolium H.B.K. — flor Wedelia sp. — flor Convolvulacéae Aniseia spp. — flor Evolvulus pterocaulon Moric. — flor Ipomoea sp. — fruto Labiatae Hyptis dilata Benth. — flor Raphiodon echinus — (Nees et Mart.) Sch. — flor e fruto Leguminosae Caesalpinioideae Cassia angulata Vog. — flor e fruto Cassia chamaecrista Linn. — flor e fruto Cassia tetraphylla Desvaux var. tetraphylla — flor e fruto Leguminosae Faboideae Cratilia mollis Mart. — flor e fruto Hymenaea martiana Hayne — fruto Loranthaceae Struthanthus flexicaulis Mart. — flor Malvaceae Pavonia humifusa Juss. — flor Rubiaceae Diodia barbeyana Hub. — flor Sterculiaceae Waltheria ferruginea St. Hil. — flor Turneraceae Piriqueta duarteana (Camb.) Urb. — flor Verbenaceae Lippia thymoides Mart. & Sch. — flor Estaca Zero Anacardiaceae Spondias tuberosa Arruda — "Umbu" — fruto Asclepiadaceae Ditassa sp. — flor Boraginaceae Cordia sp. — flor Bromeliaceae Billbergia porteana Brong. ex Beer Hohenbergia utriculosa Ule Neoglaziovia variegata (Câmara) Mez. — "Caroá" Capparaceae Colicodendron yco (Mart.) Hutch. — "Icó" — fruto Convolvulaceae Evolvulus sericeus Sw. — flor Jacquemontia sp. — flor Euphorbiaceae Jatropha pohliana Muell. — "Pinhão" — flor Jatropha vitifolia Muell. — "Cansanção-de-vaqueiro" — flor Jatropha sp. — flor Leguminosae Faboideae Dioclea sp. — "Mucunã" — fruto Malpighiaceae Stigmatophyllum sp. — flor Malvaceae Pavonia andrade-limae H. Mont. — flor Passifloraceae Tetrastylis sp. — "Maracujá-de- papôco” — flor Solanaceae Solanum panicu/atum Linn. — "Jurubeba" — flor Solanum spp. — "Serroteiro" e "Jurubeba” — flor Sterculiaceae Melochia tomentosa Linn. — flor Verbenaceae Lantana canescens H.B.K. — "Camará" — flor Vitaceae Cissus ternata Baker — flor Juá Solanaceae Nicotiana glauca Gr. — "Corta-febre" — flor e fruto Brejo do Burgo Loranthaceae Phoradendron rubrum (L.) Gris. — "Enxêrco" — fruto Brejo do Chico Leguminosae Mimosoideae Anadenanthera macrocarpa (Benth.) Brenan — fruto Summary List pf plants collected in the Ecologi- cal Station Raso da Catarina and neigh- bouring parts in the northeast of Bahia State, Brazil. Referências bibliográficas RIZZINI, C. T., 1979. Tratado de fitogeo- grafia do Brasil. Aspectos sociológicos e florísticos. São Paulo, Hucitec, Edusp, v.2. SICK, H„ D. M. TEIXEIRA & L. P. GONZA- GA, 1 979. A nossa descoberta da pá- tria da arara Anodorhynchus teari. An. Acad. Brasil. Ciênc. 51 (3):575-576. Adenda Em agosto de 1985, excursionando pela mesma região, o ornitólogo L Pedreira Gonzaga coletou uma nova amostra de material botânico que listamos a seguir. Raso da Catarina Capparaceae Cleome aculeata L — "Moçambê" — flor Celastraceae Maytenus imbricata Mart. ex Reiss. — flor Convolvulaceae Jacquemontia bahiensis ODonell — flor e fruto Jacquemontia confusa Meiss. — flor Leguminosae Mimosoideae Piptadenia obliqua (Pers.) Macbr. — "Quipembe" — fruto Passifloraceae Passiflora foetida L — flor Toca Velha Acanthaceae Harpochilus phaeocarpus Ness — flor e fruto Amaranthaceae Pfaffia aff. denudata Kunt. — flor Apocynaceae A/lamanda blanchetii A.DC. — fruto Bignoniaceae Cuspidaria sp. — flor Boraginaceae Cordia leucocephala Moric. — flor Bromeliaceae TiHandsia loliaceae Mart. ex Sch. — flor e fruto Tillandsia recurvata (L.) Lin. — fruto Tillandsia streptocarpa Baker — fruto Compositae Eupatorium prasiifolium Griseb. — flor Convolvulaceae Aniseia nitens Choisy — flor e fruto Aniseia sp. — "Jitirana" — flor e fruto Evolvulus glomeratus Nees et Mart. — flor Evolvulus pterocaulon Moric. — flor Ipomoea Martii Meiss — flor Jacquemontia bahiensis O Donell — flor e fruto Euphorbiaceae Acalypha sp. — flor Krameriaceae Krameria tomentosa St. Hil. — flor e fruto Labiatae Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37(62): 5-8, jan./jun. 1985 7 SciELO/JBRJ, 14 15 16 17 18 19 20 cm Eriope hypenioides Mart. ex Benth. — flor Hyptis martiusii Benth. — flor Hyptis sa/zmanii Benth. — flor Leguminosae Caesalpinioideae Bocoa mollis (Benth.) Cowan — fruto Cassia angulata Vog. — flor e fruto Cassia glandulosa L — flor e fruto Cassia tetraphy/la Desvaux var. tetraphylla — flor Leguminosae Faboideae Cratylia mollis Mart. — flor e fruto Periandra mediterrânea (Vell.) Taub. — flor e fruto Stylosanthes viscosa Sw. — flor e fruto Leguminosae Mimosoideae Mimosa lewisii Bar. — flor e fruto Loranthaceae Psittacanthus cordatus (Hoff.) Blume — fruto Struthanthus flexicaulis Mart. — flor Malpighiaceae Banisteriopsis muricata (Cavan.) Cuatr. — fruto Banisteriopsis sp. — fruto Byrsonima sp. — "Salsa-caroba" — flor Malvaceae Gaya gracilipes K. Sch. — flor e fruto Pavonia andrade-limae H. Mont. — flor Pavonia humifusa A. Juss. — flor Melastomataceae Leandra sp. — flor e fruto Polygalaceae Monnina insignis Benn. — flor e fruto Polygala pseudohebeclada Chod. — flor Portulacaceae Portulaca hirsutissima Camb. — flor Rubiaceae Diodia barbeyana Hub. — flor e fruto Sapindaceae Ulvillea ulmacea Kunth. — flor e fruto Sterculiaceae Helicteres sacarrolha St. Hil. — flor e fruto Waltheria ferruginea St. Hil. — flor Trigoniaceae Trigonia nivea Camb. var. pubescens (Camb.) Lleras. — flor e fruto Turneraceae Piriqueta caroliniana Urb. var. jacobinae Urb. — flor Piriqueta duarteana (Camb.) Urb. — flor Verbenaceae Lippia thymoides Mart. & Sch. — flor Stachytarpheta dichotoma Vahl. — flor 8 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37(62): 5-8, jan./jun. 1985 SciELO/ JBRJ: 3 14 15 16 17 18 19 20 0 gênero Chloris Swartz (Gramineae) no Rio Grande do Sul cm Silas Costa Pereira * Foram constatadas e estudadas 1 1 espécies do gênero Chloris no Rio Grande do Sul — Ismar Leal Barreto * * Brasil, sendo seis pertencentes à seçãoChloris e cinco à seção Eustachys. Apenas uma das entidades (Ch. gayana) é exótica, sendo cultivada como forrageira. Três espécies resultaram inéditas para a bibliografia Sulriograndense e outras quatro, anteriormente citadas para o Estado não foram confirmadas. Foram elaboradas chaves analíticas para a identificação do gênero Chloris e para a separação de suas espécies, confirmadas e consideradas prováveis para o Estado. Foram fornecidas descrições ilustradas das espécies constatadas, complementadas com sinonímias, notas criticas, distribuição geográfica e observações ecológicas e agronômicas. * Engenheiro Agrônomo — Professor Ad- junto do Departamento de Biologia da Escola Superior de Agricultura de La- vras — MG. * * Engenheiro Agrônomo, Livre Docente da Faculdade de Agronomia da Univer- sidade Federal do Rio Grande do Sul — Porto Alegre — RS. 1. Introdução O conhecimento da flora agrostoló- gica é especialmente importante para o Rio Grande do Sul, onde a exploração pecuária, uma de suas principais fontes de renda, está na dependência direta da pro- dução de suas pastagens naturais, que correspondem a 96,27% do total da área de pastagens (Valls 1973). Dentre as gramíneas gaúchas a serem estudadas, estão as pertencentes à tribo Chlorideae, na qual, segundo Valls (1973b) são incluídas 5,2% das espécies ocorrentes no Estado. 0 gênero Chloris se destaca nesta tribo por ser o que apresenta maior número de espécies, estando entre elas o Capim de Rhodes (Ch. gayana Kunth) de grande interesse forrageiro. Em vista disto, constitui objetivo prin- cipal deste trabalho, o estudo das espécies de Chloris ocorrentes no Rio Grande do Sul, sendo que para tanto, são considera- dos aspectos taxonômicos e ecológicos, através de observações feitas a campo e estudo de material herborizado. 2. Revisão bibliográfica 2.1 Histórico da Tribo Chlorideae ATribo Chlorideae, que tem em Chloris cruciata (L.) Swartz sua espécie tipo, foi descrita pela primeira vez por Kunth 1 ' 1 , em 1 81 5, tendo desde então sua posição sis- temática modificada através do tempo, por diversos autores. Humboldt, Bonpland & Kunth (1815) dividem as gramíneas em 10 se- ções, sendo a V a das Chlorideas. Nees (1829) e Herter (1939) dão-lhe trata- mento de família sob a denominação Chlo- ridaceae. No sistema de Benthan Et Ho- oker (1880) no que se refere às gramí- neas, a tribo faz parte da subfamília Festu- coideae. Também Arechavaleta (1894), Bews (1 929), Hubbard (1 959) e Hitchcock (1 951 ) entre outros, a incluem nesta sub- família, baseando-se em seus caracteres exomorfológicos. Prat (1932, 1934) a considera su- bordinada às Panicoideae pelos seus ca- racteres anatômicos e epidérmicos. Pilger em 1 954 descreveu a subfamí- lia Eragrostoideae na qual inclui a tribo Chlorideae, dando-lhe um sentido amplo, reconhecendo 27 gêneros a ela subordi- nados. Weymar (1967) posteriormente a (1) Citado por Caro Cr Sanchez (1971). Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37(62): 9-20,jan./jun. 1985 9 SciELO/JBRJ 5 14 15 16 17 lí considera como subfamília. Atualmente, com base em caracteres exomorfológicos e anatômicos, a inclusão proposta por Pi I- ger (1 954) é aceita pela maioria dos auto- res, como Prat (1960), Parodi (1961), Gould (1 963) e Caro & Sanchez (1971), Parodi (1961, 1964) ao tratar das gramíneas argentinas, cita os seguintes gêneros dentro da tribo: Bouteloua, Chlo- ris. Ctenium, Dactyloctenium. Diplachne, Eleusine, Gymnopogon, Leptochloa, Mi- crochloa, Schedonnardus, Spartina, Tri- chloris, Tripogon e Willkommina. Esta de- limitação é aqui considerada como a mais natural, porém com a exclusão do gênero Spartina, que pela caducidade de suas glumas é melhor considerado como per- tencente à tribo Spartineae, como já foi proposto por Hubbard (1 954), Stebbins & Crampton (1 961 ) e Sanchez (1 971 ). Rosengurtt et alii (1970), ao tratar das gramíneas uruguais não usaram a cate- goria de subfamília, dividindo-as em 13 tribos, entre as quais incluem as Chlori- deas, citando 12 gêneros uruguaios a ela subordinados. Para o Rio Grande do Sul, Valls (1973b) relaciona os seguintes gê- neros de Chlorideas: Bouteloua, Chloris, Cynodon, Diplachne, Eleusine, Gymnopo- gon, Leptochloa, Microchloa, Spartina e Tripogon. 2.2. Histórico do Gênero Chloris Swartz A primeira citação do gênero Chloris, foi feita em 1 788 por Swartz que descre- veu as espécies Chloris ciliata e Chloris pe- treae como novas e baseou-se em Agrostis radiata L, Agrostis cruciata L. e Andropo- gon polydactylon L, para estabelecer as novas combinações Chloris radiata (L.) Sw„ Chloris cruciata (L.) Sw. e Chloris poly- dactyla (L) Sw. As descrições menciona- das são bastante sucintas e com poucas ilustrações. Desvaux, em 1810, descreveu o gê- nero Eustachys transferindo para ele Chlo- ris petreae Sw. Desde então tem havido divergências entre os diversos autores, so- bre a aceitação de Eustachys Desv. como gênero independente de Chloris. Hum- boldt, Bonpland & Kunth, em 1815, consideraram o gênero dividido em duas seções, sendo a primeira de "Spiculis bi- floris" e a segunda de "Spiculis multifloris”; nesta seção os autores fazem a observa- ção: "An genus destinctum?", sem entrar em detalhes. Dos autores do século pas- sado, verifica-se a aceitação da divisão proposta por Desvaux, por Nees, em 1 829 e Nash, em 1 898. Dentre os autores recentes que acei- tam Eustachys como gênero independente de Chloris, cita-se Herter (1939), Fischer (1939), Chippindall (1955), Clayton (1967), Caro & Sanchez (1971), Sanchez (1971), Lazarides (1972) e Anderson (1969, 1974). Sanchez (1971) estudando a ana- tomia foliar das Chlorideas argentinas, apresenta certas diferenças anatômicas entre os dois grupos. Estas diferenças, juntamente com outras de caráter examor- fológico, foram publicadas resumidamente por Caro &• Sanchez (1971) num quadro comparativo. Também Anderson (1974) compara os dois grupos, baseando-se em caracteres vegetativos, tipo de inflorescência e carac- teres de espiguetas. As diferenças apenas exomorfológi- cas não são consideradas suficientes para a aceitação de Eustachys a nível de gênero. Como neste trabalho não são incluídos estudos anatômicos, pois sua principal fi- nalidade é a caracterização simples e obje- tiva das espécies, torna-se conveniente considerar Eustachys subordinado a Chlo- ris. Também é levado em conta o fato de que são consideradas apenas as espécies ocorrentes no Rio Grande do Sul, que cor- respondem a cerca de 20% do total mun- dial, que tem maior concentração em re- giões tropicais. Ressalta-se que esta tomada de posi- ção quanto à inclusão de Eustachys em Chloris poderá vir a ser modificada, com a ampliação da área de estudos e comple- mentação dos mesmos com dados anatô- micos. Eustachys é também considerado su- bordinado a Chloris, como subgênero ou seção, pelos seguintes autores: Doell (1878/83), Benthan & Hooker (1880), Hackel (1 887, 1 904, 1 908, 1 909), Ekmann (1911), Parodi (1919, 1953), Hitchcock (1930, 1951), Rosengurtt et alii (1970) e Burkart (1 969). Arechavaleta (1894), Pilger (1954), Hubbard (1959), Bor (1960), Potztal (1964) e Cabrera (1970) estão entre os autores que não consideram Eustachys ao se referirem a Chloris. Além de Eustachys, outros gêneros foram propostos, a partir de espécies de Chloris, tais como Babdochloa, por Beau- vois em 1812, no qual inclui Chloris cru- ciata (L.) Sw. Schultesia, por Sprengel em 1813/15, incluindo Chloris petreae Sw. e Phacellaria, por Steudel em 1 840, contendo Chloris submutica H.B.K.; ne- nhum destes gêneros é aceito atualmente estando em sinonímia com Chloris. Em 1949, Camus propôs o subgê- nero Monanthochloris, descrevendo Chlo- ris perrieri, como espécie tipo. Segundo Anderson (1974) Chloris perrieri A. Ca- mus é sinônimo de Daknopholis boivinii (A. Camus) Clayton. Em 1957, Camus elevou o subgênero Pterochloris de sua autoria, para gênero, descrevendo Pterochloris humbertiana (A. Camus) A. Camus, como única espécie do novo gênero. Ander- son (1974), matém em Chloris esta es- pécie, própria do Madagascar. 3. Material e método Para a realização deste trabalho, utili- zou-se o método clássico de pesquisa ta- xonômica, incluindo revisão de herbários, viagens de coletas, consultas à bibliografia clássica e específica para a área em estudo, confecção de chaves analíticas e descri- ções ilustradas das espécies. 4. Resultados e discussão 4.1. Descrição e Separação de Chloris dos Gêneros Afins Chloris pode ser separado dos demais gêneros de Chlorideas que lhe são afins, através da seguinte chave: 4.1.1. Chave para determinação dos gê- neros sulriograndenses de Chlorideas, afins a Chloris. A — Espiga solitária, unilateral, terminal. Plantas com até 20 cm de altura. Microchloa AA — Mais de uma espiga ou racemo es- peciforme por inflorescência. B — Racemosespiciformesumou bilaterais, paniculados. C — Lema com uma só aris- ta. Racemos especi- formes bilaterais. Gymnopogon CC — Lema tri-aristada. Ra- cemos especiformes unilaterais. Bouteloua 10 Rodriguésia, Rio de Janeiro. 37(62): 9-20,jan./jun. 1985 cm 1 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 BB — Espigas ou racemos especi- formes uni ou bilaterais, digi- tadas ou fasciculados. C — Um só antécio estéril, rudimentar, mútico, si- tuado no ápice da rá- quila. Lema fértil tam- bém mútica. Espigas unilaterais. Cynodon CC — Um ou mais antécios estéreis, desenvolvi- dos, com exceção de Ch. pycnothrix, cujo antécio estéril possui lema rudimentar, po- rém com longa arista. Lema fértil em geral aristada ou mucrona- da. Racemos especi- formes uni ou bilate- rais. Chloris Outros gêneros, como Eleusine, Di- plachne, Leptochloa e Tripogon, embora pertencentes à mesma tribo, se separam facilmente de Chloris por possuírem mais de um antécio fértil por espigueta. 4.1 .2. Descrição do Gênero Chloris Swartz Chloris Swartz — Prod. Veg. Ind. Occ. 25. 1788. Eustachys Desvaux — Nov. Buli. Soc. Philon. Paris 2:188. 1810. Ftabdochloa Beauvois — Ess. Agrost. 84, 158, 176, 1812. Schultesla Sprengel — PI. Pugill. 2: 17. 1815. Phacellaria Willdenow ex Steudel — Nom. Bot. ed. 2. /:353. 1840. Pterochloris Camus — Buli. Mus. Hist. Nat. (Paris). Ser. 2. 29: 349. 1957. Espécie tipo: Chloris cruciara (L.) Swartz. Plantas perenes, raramente anuais [Chloris pycnothrix), cespitosas a estolho- sas, às vezes rizomatosas, com altura va- riando desde 1 0 cm até cerca de 2 metros. Lâminas com 2 mm a 1,5 cm de largura, conduplicadas ou convolutas. Inflorescên- cia em espigas ou racemos especiformes bilaterais ou unilaterais, agrupados em número de 2 a 35, em disposição digitada ou verticilada; espiguetas sésseis ou pedi- celadas, em geral densamente imbricadas, com apenas o antécio basal fértil e um ou mais antécios apicais menores e estéreis; glumas persistentes, menores que o anté- cio fértil, desiguais entre si; lema fértil carenada, glabra ou com cílios de tamanho variável, no dorso e nas margens, mútica ou aristada; pálea bicarenada, pouco menor que a lema fértil; lemas estéreis aristadas ou múticas; três estames, anteras alonga- das, relativamente pequenas, dois estile- tes com estigmas plumosos, duas lodícu- las; cariópse livre, castanha, fusiforme a ovóide, de seção triangular. São consideradas duas seções para o gênero Chloris: Seção Chloris e Seção Eustachys, cujas características são expos- tas na chave apresentada a seguir. Cerca de 60 a 70 espécies amplamen- te distribuídas nas regiões tropicais e sub- tropicais do globo. No Rio Grande do Sul ocorrem representantes do gênero Chloris em todas as regiões fisiográficas. 4.2. Chave para Determinação das Espé- cies do Gênero Chloris Ocorrentes no Rio Grande do Sul A — Gluma superior aguda, mútica ou mu- cronada. Espiguetas com um a quatro antécios. Primeiro antécio estéril e lema fértil aristados. Prefoliação ge- ralmente convoluta. (Seção Chloris). B — Espiguetas com um só antécio estéril; plantas estolhosas. C — Lema estéril reduzida, com até 1 mm de com- primento. Lema fértil de 2,0 a 2,8 mm de com- primento, de margens glabras ou com cílios curtíssimos no épice. Ch. pycnothrix CC — Lema estéril com 1,3 a 2.0 mm de comprimen- to. Lema fértil de 3,5 a 4,5 mm de comprimen- to, com cílios submar- ginais que nos 2/3 su- periores atingem até 1 ,8 mm. Ch. orthonoton BB — Espiguetas com mais de um antécio estéril, plantas esto- lhosas ou cespitosas. C — Lema fértil de dorso gla- bro, com arista de 1 ,5 a 4.0 mm de comprimen- to. Planta estolhosa ou cespitosa. Ch. gayana CC — Lema fértil de dorso ci- liado. Plantas cespito- sas, raramente estolho- sas. D — Lema fértil de 3,0 a 3.5 mm, com cílios submarginais e dorsais semelhantes, de 2,0 a 2.5 mm. Ch. grandiflora DD — Lema fértil com cílios submarginais 2 a 3 ve- zes maiores que os dor- sais. E — Inflorescência em race- mos especiformes, gru- pados em número de 8 a 25. Lema fértil de 1,8 a 2,5 mm. Lâmina foliar com 6 a 1 2 mm de lar- gura. Ch. po/ydactyla EE — Inflorescência em race- mos especiformes agru- pados em números de 2 a 7 (em geral 4). Lema fértil de 2,5 a 3,5 mm. Lâmina foliar com 1 a 5 mm de largura. Ch. canterae AA — Gluma superior bilobada ou biden- tada, em geral obtusa e aristulada entre os lóbulos ou dentes. Espigue- tas com um só antécio estéril, sem- pre mútico (às vezes mucronado). Prefoliação conduplicada. (Seção Eustachys). B — Lema fértil com cílios dorsais e submarginais, às vezes mui- to ralos e curtos. C — Lema fértil com calo ciliado, e cílios sub- marginais e dorsais desde a base, com comprimento de 0,6 a 1 ,0 mm. Ch. bahiensis CC — Lema fértil com calo Glabro. D — Lema fértil de dorso pronunciadamente gi- boso, com pequenos cílios de 0,1 mm de comprimento na parte superior. Antécio es- téril de 1 ,0 a 1 ,5 mm, 1 ,5 a 2,0 vezes maior que a ráquila que o su- porta. Ch. uliginosa DD — Lema fértil de dorso não giboso, com cílios submarginais estendi- Rodriguésia. Rio de Janeiro, 37(62): 9-20.jan./jun. 1985 11 cm 1 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 dos nos 2/3 superio- res, com 0,3 a 0,5 mm de comprimento; os dorsais menores. An- técio estéril 4 a 7 ve- zes maiorque a ráquila que o suporta. Ch. b revi pita BB — Lema fértil de dorso glabro e com grandes e abundantes cílios submarginais. C — Antécio estéril lan- ceolado, de 1,6 a 2,2 mm. Racemos es- peciformes, flexuo- sos, agrupados em nú- mero de 1 0 a 35 de 8 a 15 cm de compri- mento. Antécio fértil de 2,5 a 3,0 mm. Plan- ta de 0,70 a 1 ,40 m de altura com base dísti- ca e geralmente arro- xeada. Ch. distichophylla CC — Antécio estéril trunca- do, de 1 ,0 a 1,8 mm. Racemos especifor- mes, agrupados em número de 4 a 1 2, de 4,0 a 1 0,0 cm de com- primento. Antécio fér- til de 1,8 a 2,5 mm. Planta de 0,30 a 0,80 m de altura. Ch. retusa 4.3. Enumeração e Descrição das Espécies 4.3.1 Chloris bahiensis Steudel (Fig. 1 a, b, c e d.) Chloris bahiensis Steudel, Syn. PI. Glum. 1 :208. 1 854. Sinonímia: — An- dropogon capense Houttyn, Plant Syst. 1 2 1. 93, 7. 3, 1 785. Ch. caribaea Sprengel, Syst. Veg. 1 :295, 1 825. Ch. capensis (Houttyn) Thellung, Fedde Repert. Sp. Nov., 10:289. 1912. Eus- tachys caribaea (Steudel) Herter, Rev. — Sudam. Bot. 6 (5-6): 147. 1940. Eustachys bahiensis (Steudel) Herter, Fl. II. Ur. 1. 85. f. 339. 1941. Ch. capensis var. bahiensis (Steudel) Pa- rodi, Rev. Arg. Agron. 20:26. 1953. Iconografia; Rosengurtt et alii, Gram. Urug. p. 236 f. 95. 1970. Planta perene, cespitosa, com colmo ereto, glabro, comprimido, de 2 a 4 nós, atingindo 0,1 5 a 0,80 m de altura quando florescido. Lâminas foliares, eretas, gla- bras, lineares, obtusas. Racemos unilate- rais agrupados em número de 4 a 1 2 (-1 5), de 4 a 1 3 cm de comprimento; espiguetas com um antécio estéril; gluma inferior lanceolada, com 1,0 a 1,4 mm, a superior maior, com 1 ,8 a 2,4 mm, bidentada, aristu- lada entre os dentes; lema fértil oval, de 2,0 a 2,5 mm de comprimento, com pequeno múcron no ápice e cílios dorsais e submar- ginais; calo ciliado; lema estéril mútica, glabra, tubulosa, pouco menor que a fértil, sustentado por um breve pedicelo de 0,4 a 0,5 mm. Ocorre com maior frequência na re- gião da Campanha, principalmente em lu- gares altos e secos. Floresce desde outu- bro-novembro até março-abril. Principal Material Examinado Brasil — Bahia — Salzmann 2442. (BAA) — 'Clastotipo. Rio Grande do Sul — Santo Angelo, S. C. Pereira 76 (ICN, BLA); Uruguaiana, Valls Et Barce- los 2487 (ICN); Pelotas, Sacco 137, 236 (PEL); Santa Vitória do Palmar, Swallen 7417 — (PEL). Uruguai — Artigas — Paso Campa- mento, N. Garcia Zorrom 1094 (MVFA). Soriano — Mercedes, Her. Pare. Experimentales 80, 83, 184 (BAA). Argentina — Corrientes — Monte Ca- seros E. Nicora 4910 (BAA); ENTRE RIOS — Concórdia E. Cios. 844, Bur- kart 823, Parodi 839 — (BAA). 4.3.2. Chloris brevipila Roseng. Et Izag (Fig. 2a, b, c, e d). Chloris brevipila Roseng. Et Izag., Bolet. Soc. Bot. 1 2:1 20. 1 968. Icono- grafia: — Rosengurt, B. Et Izaguirre de Artício, P„ op. cit. p. 121. f.2. 1 968. Planta perene, cespitosa, com colmo ereto, comprimido, glabro, atingindo 0,20 a 0,50 m de altura quando florescido. Lâ- minas foliares, glabras, agudas no ápice. Racemos unilaterais, agrupados em núme- ro de 3 a 7, de 2 a 6 cm de comprimento; espiguetas densamente imbricadas, com um antécio estéril; glumas lanceoladas, a inferior de 1 ,0 a 1 ,5 mm e a superior de 1 ,5 a 2,0 mm de comprimento, mucronada; lema fértil navicular, de 1,8 a 2,4 mm, mútica ou com múcron subapical de até 0,3 mm; dorso com cílios de até 0,2 mm na parte mediana; cílios submarginais de até 0,5 mm nos 2/3 superiores, lema estéril glabra, truncada, de 1 ,5 a 2,0 mm de com- primento, sustentada por um pequeno pe- dicelo de 0,2 a 0,3 mm de comprimento. No Brasil, esta espécie é restrita ao Rio Grande do Sul, sendo mais freqüente na região da Campanha. E forrageira de pouca produtividade, vegetando nos campos vir- gens, com florescimento de dezembro a março. Principal Material Examinado Brasil — Rio Grande do Sul — São Borja, Araújo 309 (BAA):Alegrete, Porto 901 (ICN); Uruguaiana, Simas (BLA 4311, 6580, 6581 ), Araújo 108 (BLA), Porto 919 (ICN); Pelotas, Swallen 7155 (PEL). Uruguai — Salto — Parodi 8426 (BAA), Puta 31 km 24. M. Carambulha 2741 (MVFA). Rio Negro — Arroyo Matan- zas, Rosengurtt B-463 (MVFA). 4.3.3. Chloris canterae Arech. (Fig. 3a, b e c) Chloris canterae Arechavaleta, Las Gram Urug. 1:325. 1896. Sinonímia: Ch. polydactyla f. pauciradiata Kurtz, Boi. Acad. Nac. Cienc. Córdoba, 16: 257. 1900. Ch. ciliata var. Texana Parodi, Rev. Fac. Agr. y Vet. Bs. Ayres, 2:277. 1919, non Vasey. Iconografia: Burkart, A., in Fl. II. de Entre Rios, p. 257. f. 98. 1969. Planta perene, cespitosa, de colmo ereto, muitas vezes ramificado na base e com nós glabros e escuros, atingindo 0,50 a 1 ,0 m de altura, quando florescido. Lâmi- nas foliares estreitas, acuminadas, convo- lutas, glabras ou com cílios dispersos pró- ximos da base. Racemos especiformes, bilaterais, agrupados em número de 2 a 7 (emgeral4), de5a 14 cm de comprimento, espiguetas com 2 ou 3 antécios estéreis; glumas glabras, de margens hialinas, lan- ceoladas, assimétricas, a inferiorcom 1 ,5 a 2,5 mm e a superior com 2,5 a 3,5 mm de comprimento; antécio fértil de lema elípti- ca a lanceolada de 2,5 a 3,5 mm de com- primento, bidentada no épice, com cílios submarginais sedosos, de 1 ,5 a 3,0 mm de comprimento, 2 a 3 vezes maiores que os dorsais; calo ciliado; arista de 2,0 a 4,0 mm de comprimento. Antécios estéreis trun- cados, glabros, o 1.° com arista de 1,2 a Rodriguésia. Rio de Janeiro. 37(62): 9-20,jan./jun. 1985 cm 1 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 3,0 mm, o 2.° mútico e o 3.° quando existe, rudimentar. Espécie de ocorrência generalizada no Estado, com maior incidência nas vizi- nhaças do Uruguai. Apresenta boa produti- vidade e adapta-se bem em solos compac- tados, florescendo de novembro a abril- maio. Principal Material Examinado Brasil — Rio Grande do Sul — Ere- xim, Kappel (BLA 4603); São Borja Valls et alii 2702 (ICN); Uruguaiana. Araújo 105, 310 (BLA, BAA); São Je- rônimo, Barreto (BLA 838); São Ga- briel. — Barreto (BLA 1033), Rambo 25. 567 (PACA). Paraguai — Chaco, J. Ramirez 35 (BAA); Sastre, J. Ramirez 5 — (BAA); Ponde- re. J. Ramirez 193 (BAA). Uruguai — Artigas — Bella Union, Del Puerto 1958 (MVFA). SALTO Espinil- lar, Del Puerto 1874, Izaguirre 2125 (MVFA). Montevideo — Montevi- deo, Brescia Et Rodrigues (MVFA 9921). Argentina — Chaco — Dept.° Chaco, A. G. Schutz 1298 (BAA). Corrientes — la Cruz, Parodi 12.373, 12.621 (BAA); Bella Vista, A. Schinini 5321, 6544 (BAA), Las Toscas. C. Quarim 107 (BAA). Cordoba — Hunziker 8090 (BAA). 4.3.4. Chloris distichophyUa Lag. (Fig. 4a, b, e c.) Chloris distichophyUa Lagasca, Gen et Spec. Plant, 4. 1 81 6. Sinonímia: Ch fasciculata Schrader, in Schulyez, Mant. 2,339. 1824. Eustachys dis- tinchophylla (Lag) Nees, Agrost. Bras. 418. 1829. Iconografia: Burkart, a., in Fl. II. de Entre Rios p. 261 f. 100. 1969. Planta perene, cespitosa, de colmo ereto, glabro, achatado, atingindo 0,70 a 1,40 m de altura quando florescido. Bai- nhas abertas, dísticas, comprimidas, gla- bras, formando na base um "leque" típico, de cor arroxeada; lâmina foliar, linear, lisa, obtusa, glabra. Racemos unilaterais, agru- pados em número de 1 0 a 35, de 8 a 1 5 cm de comprimento; espiguetas densas, nu- merosas, com um antécio estéril; gluma inferior lanceolada, com 1 ,0 a 1,4 mm; a superior bilobada, aristulada entre os lóbu- los e com 1,8 a 2,5 mm de comprimento; lema fértil oval-lanceolada, mútica ou mu- cronada, glabra no dorso e amplamente ciliada nas margens; lema estéril glabra, tubulosa, obtusa no ápice com 1,6 a 2,2 mm de comprimento. Ch. distichophyUa teve ocorrência confirmada em todas as regiões fisiográfi- cas gaúchas. Trata-se de forrageira de boa produtividade, com folhagem abundante e tenra, sendo resistente ao frio. Seu flores- cimento ocorre de novembro a março. Principal Material Examinado Brasil — Rio de Janeiro — Itaipuassú Brade 14.164 (RB); São Paulo — Jaraguá Fl. Ludenvaldt(RB4461 ); RIO Grande do Sul Erexim, Kappel & Valls (BLA 4560); Santo Augusto Kappel (BLA 6768); Giruá, S. C. Pereira 98 (ICN); Caxias do Sul, S. C. Pereira 131 (ICN); Arroio do Meio, Barreto (BLA 1653). Bolívia — Dept.° Tarijá, Arce, T. Meyer 21.673 (BLA). Argentina — Jujuy — Leon, Parodi 1 4.606 ( BAA); Losano Cabrera 1 4.326 (BAA). 4.3.5. Chloris gayana Kunth (Fig. 5a, b e c) Chloris gayana Kunth, Rev. Gram. 1.89. 1829. Iconografia: Burkart, A. in Fl. II. de Entre Rios p. 252, f. 96. 1969. Planta perene, geralmente estolhosa, às vezes cespitosa, de colmo ereto, com- primido, atingindo 0,80 a 1 ,50 m de altura quando florescido. Lâmina foliar, áspera, linear ou acuminada. Racemos unilaterais, agrupados em número de 10 a 20, de 7 a 1 2 cm de comprimento; espiguetas den- samente imbricadas, com 2 ou 3 antécios estéreis; glumas lanceoladas, agudas, es- cabrosas; a inferior de 1,3 a 2,5 mm e a superior de 2,2 a 3,2 mm de comprimen- to; lema fértil lanceolado, de 2,5 a 3,6 mm, com arista de 1,5 a 4,0 mm, de ápice bidentado e pubescência variável nas mar- gens, onde apresenta em geral, um tufo de pêlos maiores junto ao ápice; dorso glabro; calo ciliado; primeiro antécio estéril, múti- co ou aristado, glabro, em geral estamina- do; os demais, progressivamente menores. Espécie de origem africana, introduzi- da e de amplo cultivo nos países de clima tropical e subtropical do mundo. No Rio Grande do sul é cultivada em quase todas as regiões fisiográficas, sendo conhecida vulgarmente por "Capim de Rhodes". Principal Material Examinado Brasil — Minas Gerais — Lavras. A. Chases 8757 (RB), Heringer — 265 (ESAL), S. C. Pereira 1 24 (ICN, ESAL). Rio Grande do Sul São Leopoldo, Dutra 598 (ICN); Porto Alegre, Nor- mann (BLA - 7387), S. C. Pereira 1 1 9, Valls 231 (ICN); Pelotas, Sacco 4 (PEL). Kenya — T. Mac Donald 990 (MVFA). 4.3.6 Chloris grandiflora Roseng. & Izag. (Fig. 6a, b e c) Chloris grandiflora Roseng & | za g„ Boi. Soc. Arg. Bot. 12:124. 1968, Si- nonímia: Ch. canterae var. grandiflora (Roseng. & Izag.) Anderson. Brighan Young — Un. Sc. Buli., Biol. serv. 1 9(2): 32, f. 1 3. 1 974. Syn. nov. Iconografia: Rosengurtt, B. & Iza- guirre de Artúcio, P„ op. cit. p. 1 25. f. 3 1968. Planta perene, cespitosa, de colmo ereto, atingindo 0,15 a 0,50 m de altura quando florescida. Lâminafoliarconvoluta, de até 4 mm de largura, com cílios compri- dos, esparsos e caducos. Racemos bilate- rais. agrupados em número de 3 a 5 (2-7), raramente flexuosos de 2 a 5 cm de com- primento; espiguetas com 3 ou 4 antécios estéreis; glumas lanceoladas, agudas, gla- bras; a inferior de 1 ,2 a 2,0 mm e a superior 2,0 a 3,5 mm de comprimento; lema fértil aguda, de 3,0 a 3,5 mm, com cílios sub- marginais de 1 ,5 a 3,0 mm e cílios dorsais um pouco menores; arista subapical de 1 ,5 a 2,5 mm; calo ciliado; os demais antécios estéreis, múticos, glabros e progressiva- mente menores. Espécie restrita ao Uruguai e Sul da Argentina e do Brasil. No Rio Grande do sul ocorre quase que exclusivamente na região da Campanha. Apresenta baixo valor forra- geiro, vegetando principalmente em solos pobres de campos degradados. Floresce de novembro até abril-maio. Principal Material Examinado Brasil — Rio Grande do Sul — Mon- tenegro, Araújo 1 04 (BAA); Uruguaia- na Araújo 84 (BLA), Barreto (BLA 1589) Porto 91 8, 1 472 (ICN), Swallen 7656, 7679 (PEL). Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37(62): 9-20,jan./jun. 1985 13 cm i SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 Uruguai — Artigas — Ruta 30 km 5, Rosengurtt B- 7341 (MVFA). — FLO- RES — Estância de Quinteros, Rosen- gurtt B-506 (MVFA). — Soriano — Estância Zabalua, Izaguirre 256 (MVFA). SAN JOSÉ Ptaya Kiyúa, Iza- guirre 2661, 2663 (MVFA). 4.3.7. Chloris orthonoton Doell (Fig. 7a, b, c.) Chloris orthonoton Doell, in Martius, Fl. Bras. 2 (3): 64. 1878. Iconografia: Anderson, D., Brighan Young Un. so. Buli. Biol. Serie, 19 (2): 71. f. 40. 1974. Planta perene, estolhosa de colmo ereto, estriado, comprimido, atingindo de 20 a 50 cm de altura quando florescido. Lâmina foliar linear, aguda, glabra, com 2,5 a 1 5 cm de comprimento. Racemos unila- terais, agrupados em número de 4 a 8 (-1 1 ), erguidos, flexuosos, de 4 a 1 2 cm de com- primento, espiguetas com um antécio es- téril; glumas lanceoladas, acuminadas, glabras, a inferior com 1,8 a 2,2 mm e a superior com 3,0 a 4,0 mm de comprimen- to; lema fértil de 3,5 a 4,5 mm, bidentada no ápice, com arista subapical de 7,5 a 20 mm de comprimento, dorso glabro ou com pêlos brevíssimos e ralos, cílios sub- marginais nos 2/3 superiores, tendo os mais próximos do ápice, 1 ,0 a 1,8 mm de comprimento; calo ciliado; antécio fértil cuneiforme, glabro, de 1 ,3 a 2,0 mm, com arista de 5 a 10 mm de comprimento. As poucas coletas de Ch. orthonoton no Rio Grande do Sul, são provenientes do município de Torres, que parece ser o limite Sul de sua dispersão. Seu floresci- mento ocorre de novembro a março. Principal Material Examinado Brasil — Rio Grande do Norte — Natal, Swallen 4773 (RB). Minas Gerais — Lavras, Black 887-B, 2000-B (ESAL). Rio de Janeiro Rio de Janeiro (Botafo- go) J. G. Kuhlmann (RB 16.242), (Le- me) Berro 2 (MVFA). Rio Grande do Sul — Torres Araújo 583 (BAA), 61 3 (BLA). 4.3.8. Chloris polydactyla (L.) Swartz (Fig. 8a, b, c e d.) Chloris polydactyla (L) Swartz, Prod. Veg. Ind. Occ. 26, 1788. Sinonímia: Andropogon polydactylon Linnaeus, Sp. PI. ed. 2.2:1483. 1 763. Andropo- gon barbatum Linnaeus, Syst. Nat. ed. 10.2: 1305. 1759. Non A. barbatus Linnaeus 1 771 . Ch. barbata (L.) Nash, Buli Torrey Bot. Club. 25:443. 1898. Non Ch. barbata ( L) Swartz, 1 797. Ch. dandyana C.D. Adans, Plytologia 21: 408. 1971. Syn. Nov. Iconografia; Anderson, D. — Bri- ghan Young Un. Sc. Buli. Biol. Serie, 19 (2):35. f. 15. 1974. Planta perene, cespitosa, raramente estolhosa, de colmo ereto, atingindo 0,70 a 1,50 m de altura quando florescido. Lâ- mina foliar convoluta, acuminada, glabra, de 20 a 40 cm de comprimento. Racemos bilaterais, agrupados em número de 8 a 25, digitados, flexuosos, de 7 a 16 cm de comprimento; espiguetas com 2 a 3 anté- cios estéreis; glumas lanceoladas, a infe- rior com 1,5 a 2,5 mm e a superior 2,5 a 3,5 mm de comprimento; lema fértil elíp- tica, de 1 ,8 a 2,5 mm de comprimento, de ápice bídentado, amplamente ciliada, com cílios submarginaís de 1 ,5 a 3,0 mm, 2 a 3 vezes maiores que os dorsais; arista de 2,0 a 4,5 mm; calo ciliado; primeiro antécio estéril cilíndrico, obtuso, glabro, de 1,0 a 1,8 mm, com arista de 1,3 a 3,0 mm; segundo antério estéril achatado, fino, mú- tico, glabro, de 0,5 a 1,0 mm de compri- mento; o terceiro quando existe é rudimen- tar. Além da América do Sul, Ch. polydacty- la é referido para a Jamaica, Ilhas Bahamas e Sul dos Estados Unidos. Há representan- tes brasileiros desde o nordeste até o sul do país, tendo-se comprovação de sua ocor- rência na maioria das regiões fisiográficas gaúchas. Espécie freqüentemente associada à vegetação secundárias, habitando campos altos e secos. Seu porte indica boas possi- bilidades de aproveitamento para produ- ção de forragem. Floresce de novembro a março. Principal Material Examinado Brasil — Minas Gerais — Lavras, Black 1 644-B, 1 645-B (ESAL). Santa Catari- na — Piratuba, Valls 3093 (ICN). Rio Grande do Sul — Santa Rosa, S.C. Pereira 93 (ICN); Porto Mauá, S.C. Pereira 95 (ICN); Bento Gonçalves. S.C. Pereira 1 26 (ICN); Venancio Aires, Barreto (BLA 966); Taquara, Barreto (BLA 665, 673); Santa Maria, Camargo 24 (PACA). Osório (Xangrilá), Valls et alii 3293 (ICN). Jamaica — Gordontow (Rochy Hillside), A.S. Hitchcock 656 (BAA). Peru — Cuzco — Quillabamba, C. Var- gas 1103 (BAA). Argentina — Jujuy — San Pedro, Fa- bris 2987 (BAA). Salto — Cabrera & Marchioni 12.762 (BAA), Parodi 831 (BAA). SANTA FÉ Dep.° Rosário, Lewis Et Collantes (BAA), Dept.° General Obligado, Villa Ana, C. Quarim 840 (BAA). 4.3.9. Chloris pycnothrix Trinius (Fig. 9a, b e c.) Chloris pycnothrix Trinius, Gram. Unifl. 234. 1824. Ch. beyrichiana Kunth, Rev. Gram. PI. 56. 1 830. Ch. radiata var. beyrichiana (Kunth) Hackel, in Stuckert, Anales Mus. Nac. Hist. Nat. Bs. Aires. 6:489. 1 906. Cymnopogon radiatus var. beyrichiana (Kunth) Pa- rodi, Physis 4:174. 1918 Gymnopo- gon haumani Parodi, Physis 4:183. 1918 . Iconografia: Trinius, C.B. — op. cit. pl. 313. 1824. ANDERSON, D.. Bri- ghan Young Un. Sc. Buli. Biol. Serie 19 (2):1 12. f. 75. 1974. Planta anual, estolhosa, de colmo ere- to, estriado, com até 0,45 m de altura quando florescido. Lâmina foliar linear, de ápice obtuso, glabra ou com cílios disper- sos na base; as inferiores com 4 a 9 cm de comprimento e as superiores menores, iso- ladas ao longo do colmo. Racemos unilate- rais, agrupados em número de 4 a 9 (-1 1 ), de 3 a 8 cm de comprimento; espiguetas com um antécio estéril; glumas lanceola- das, agudas, purpúreas, a inferiorcom 1 ,0a 1 ,5 mm e a superior com 1 ,8 a 3,0 mm de comprimento; lema fértil elíptica, de 2,0 a 2,8 mm, bidentada no ápice, glabra ou com pêlos curtíssimos nas proximidades do ápice, com arista de 1 2 a 25 mm de com- primento, em geral purpúrea; calo ciliado; antécio estéril elíptico, glabro, com arista de 4 a 8 mm, de lema muito reduzida, em geral com até 1 mm de comprimento, de ápice bidentado e sustentada por um pedi- celo de 0,8 a 1 ,3 mm. Chloris pycnothrix é largamente dis- tribuído na África e América do Sul, princi- palmente na região Centro Sul do Brasil. Todas as regiões fisiográficas gaúchas lo- calizadas no norte do Estado, apresentam representantes desta espécie. Suas quali- 14 Rodriguésia, Rio de Janeiro. 37(62): 9-20,jan./jun. 1985 cm 1 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 cm dades forrageiras são consideradas razoá- veis, sendo de baixa produtividade. Vegeta principalmente em solos modificados, flo- rescendo de novembro a março-abril. Principal Material Examinado Brasil — Maranhão — Carolina, Swallen 3951 (RB). Espírito Santo — Alegre A. Chase 10055 (BAA). Minas Gerais — Viçosa Black 853 — B, 77-B (ESAL). Lavras, S.C. Pereira 61, 120 (ICN, ESAL) Paraná — Curitiba, A. Mattos (PEL 7266); Rio Grande do Sul — Irai, Rampp 123 (PEL); Caxias, Kappel Et Barreto (BLA 3848); Taquara, Barreto (BLA 644); Montenegro, Rambo 32769, 33.022 (PACA; Porto Alegre Porto et alii (ICN 25.461), Valls 149 (ICN), Araújo 20 (BLA), Boldrini (BLA 8402). Paraguai — Chaco — Pto. Casado, Rosengurtt B- 5849 (MVFA). Argentina — Dept.° Capital — Rio Salí, S. Venturi 765 (BAA). 4.3.10. Chloris retusa Lag. (Fig. 1 0a. b e c.) Chloris retusa Lagasca, Gen. et Sp. Nov. 5. 1816. Sinonímia: Ch. disticho- phylla var. argentina Hackel ex Stu- ckert, An. Mus. Nac. Bs. Aires, 11:113, 1904. Ch. argentina (Hackel) Lillo et Parodi, Physis4:1 80, 1 91 8. Ch. argen- t/nensis (Hackel) Herter, Rev. Sud. Bot. 6 (5-6): 1 46, 1 940. Eustachys argenti- na (Hackel) Herter, Rev. Sud. Bot. 7 (6- 8): 196. 1943. Iconografia: Cabrera, A., in Fl. de la Prov. de Bs. Aires, v. 2, p. 41 5, f. 1 07. 1970. Planta, perene, cespitosa, de colmo ereto, atingindo de 0,30 a 0,80 m de altura quando florescido. Lâminas foliares, ere- tas, lineares, obtusas, glabras, sendo as inferiores de 5 a 1 0 cm de comprimento e as superiores isoladas, bastante reduzidas ou nulas. Racemos unilaterais agrupados em número de 4 a 1 2 (-1 6), dispostos em fascículos, de 4 a 1 0 cm de comprimento; espiguetas com um antécio estéril; gluma inferior lanceolada, aguda, com 0,80 a 1 ,0 mm; a superior bilobada, aristulada entre os lóbulos, com pêlos ralos e com 1,5 a 1 .8 mm de comprimento; lema fértil oval- lanceolada, aguda, com 1,8 a 2,5 mm, mútica, glabra no dorso e amplamente ciliada nas margens; lema estéril cunei- forme, retusa (truncada) no ápice, glabra, de 1 ,0 a 1 ,8 mm de comprimento. Ch. retusa, que ocorre nos Estados da região sul do Brasil, foi constatado em todas as regiões fisiográficas gaúchas. Sua resistência à seca e folhagem tenra, indi- cam boas qualidades forrageiras. Vegeta principalmente em campos altos e secos, florescendo de novembro a março. Principal Material Examinado Brasil — São Paulo — Campinas, Irina Schemtschuschmkowa 63 (PEL), J. Santoro 9328 (MVFA). Paraná — Caiobá, Herter (RB 125-797). Rio Grande do Sul — Cerro Largo, F. Friederichs (PACA 26.772); Tupanci- retã, Kappel (BLA 3776), Araújo (BLA 5501), Normann 603 (BLA); São Leo- poldo, Dutra 545, 636 (ICN), Ritter (PACA33.457), Theiken (PACA7450), Rambo 59.170 (PACA); Osório, Kap- pel Et Froner (BLA 3070), Valls 2635, 2658 (ICN); Tramandai, Longhi 11 (ICN); Rio Pardo, Barreto (BLA 729, 730, 731), Aldo Pinto (BLA 2509); Rosário do Sul. Barreto (BLA 91 1 ), A. Krapovickas et alii 22.799 (BAA); Pelo- tas Swallen 7202, 9259 (PEL), Sacco 356, 508 (PEL, BAA, RB), Barreto (BLA 1 540). Uruguai — Rivera — Cerro Aurora, Arrilaga et alii 1154 (MVFA). Maldonado — Punta Ballena, Rosengurtt B-4677 (MVFA, BAA). Argentina — Jujuy — Yala, Parodi 1 4.660 (BAA). Corrientes — La Cruz, Parodi 12551 (BAA); Cordoba — Cardoba, Parodi 747 1 . Canal, G. Niedfeld 1114 (BAA); Buenos Aires — Sladillo, Bur- kart 334 (BAA). 4.3.11. Chloris uliginosa Hackel (Fig. 1 1 a, b e c) Chloris uliginosa Hackel, Fedde Rep. 7:320, 1909. Sinonímia: Ch. dusenii Ekmann, Arkiv For Botanik 10:26. 1911. Eustachys uliginosus (Hackel) Herter, Rev. Sud. Bot. 6 (5-6):86, 1 940. Iconografia: Rosengurtt et alii, Gram. Urug. P. 236. f. 95. 1970. Planta perene, cespitosa, de colmo ereto, estriado, comprimido, atingindo de 0,30 a 0,90 m de altura quando florescido. Lâmina foliar glabra, lanceolada. aguda, de 10 a 30 cm de comprimento. Racemos unilaterais, agrupados em números de 5 a 1 4, verticilados, erguidos, flexuosos, de 8 a 14 cm de comprimento; espiguetas casta- nho-claras a escuras, com um antécio esté- ril; glumas ligeiramente vilosas, a inferior naviculada, aguda, mútica, de 1 ,2 a 1 ,6 mm de comprimento, a superior aristada, lan- ceolada, de ápice bidentado ou truncado, com 1,9 a 2,1 mm de comprimento; lema fértil de 1,8 a 2,1 mm de comprimento, gibosa, com cílios de até 0,1 mm sobre a giba, cílios submarginais um pouco maio- res e mais densos; ápice arredondado, mútico ou mucronado; lema estéril cilíndri- ca, glabra, mútica, de 1 ,0 a 1,5 mm de comprimento, sustentada por um pedicelo de 0,5 a 0,9 mm. Ch. uliginosa é próprio da América do Sul, já tendo sido constatado no Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. Habita os estados sulinos do Brasil, especialmente o Rio Grande do Sul, onde apresenta ampla distribuição. Sua folhagem abundante in- dica boas qualidades forrageiras, tendo demonstrado boa resistência ao frio. Flo- resce de novembro a março-abril. Principal Material Examinado Brasil — Paraná — Pirai do Sul Araújo 74 (BAA); Porto Amazonas, Gurgel 16.209 (RB). Santa Catarina — Caçador, Smith Et Klein 10.927, R. Klein 3503 (HBR) Rio Grande do Sul — Nonoai, Rambo 28259 (PA- CA); Santa Rosa, S.C. Pereira 110 (ICN); Vacaria. Valls 2428 (ICN), Barre- to (BLA - 1 101, 1 108), Normann 767 (BLA); São Leopoldo, Dutra 501 (ICN); Rio Pardo, Valls Et Porto 2159 (ICN); Porto Alegre, Perelló (ICN 26.771), São Gabriel, Aldo Pinto (BLA 3160, 3172), Valls 2727 (ICN); Pelotas, A. Bertels (ICN 1 9.728); Sacco 203 (PEL, ICN, PACA), Swallen 7112, 7115 (PEL). Uruguai — Flores — A.° Matanzas, Rosengurtt B-573 (BAA); MONTEVI- DEO — Montoro 505 (BLA). Argentina — Corrientes — Dept.° San Martin. La Cruz, Parodi 1 2. 562 (BAA); Monte Caseros, E. Nicora 5054 (BAA). 5. Conclusões 1 . Com base nos caracteres exomorfoló- gicos utilizados neste trabalho, consi- derou-se o gênero Chloris subdividido nas seções Chloris e Eustachys. Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37(62): 9-20,jan./jun. 1985 15 SciELO/JBRJ 5 14 18 2. Foram constatadas onze espécies do gênero no Rio Grande do Sul. Destas, apenas Chloris gayana é exótica e cul- tivada, sendo as demais indígenas. 3. Todas as entidades estudadas são pe- renes, exceto Chloris pycnothryx, que apresenta-se anual. 4. Das espécies encontradas, oito já ha- viam sido citadas anteriormente para o Estado: Chloris bahiensis, Ch. canterai, Ch. distichophylla, Ch. gayana, Ch. orthonoton, Ch. polydactyla. Ch. retusa e Ch. uliginosa. 5. Três das espécies resultaram inéditas para a bibliografia Sul-rio-grandense: Chloris b revi pi ia, Ch. grandi flora e Ch. pycnothryx. 6. Quatro entidades citadas para o Rio Grande do Sul, não tiveram sua ocor- rência confirmada: Chloris berroi, Ch. ciliata, Ch. glabrescens e Ch. radiata. Porém, as três primeiras juntamente com Ch. calvescens são de ocorrência provável, por habitarem regiões de cli- mas semelhantes aos de determinadas áreas do Estado. 7. As proposições para Chloris dandyana e Ch. canterae var. grandiflora, são consideradas inconsistentes, sendo proposta a sinonimização dos mes- mos, mantendo-se portanto os epíte- tos Ch. polydactyla e Ch. grandiflora. 8. Chloris argentina, Ch. duzenii, Ch. ca- pensis e Ch. caribaea, também citados para o Rio Grande do Sul, já haviam sido considerados sinônimos poroutros au- tores; os dois primeiros, respectiva- mente de Ch. retusa e Ch. uliginosa e os dois últimos de Ch. bahiensis. 9. Chloris distichophylla, Ch. retusa e Ch. uliginosa se destacam por serem as espécies de maior distribuição no Es- tado, sendo também, dentre as nativas, as que apresentam melhores caracte- rísticas forrageiras. Chloris grandiflora e Ch. brevipüa praticamente restritos à Campanha são ao contrário, as de me- nor valor forrageiro. 1 0. Chloris orthonoton, encontrado no mu- nicípio de Torres, é a espécie de ocor- rência mais restrita. Summary Were found 1 1 species of the Genera Chloris Swartz ( Gramineae ) in the State of Rio Grande do Sul, Brasil. Descriptions, ilustrations and key for determinacion are given. 7. Referências bibliográficas ANDERSON, D.E. 1969. The grass genus Chloris and its relatives. In: Interna- tional Botanical Congress, 1 1.°, Seat- tle, Abstracts. p. 3. . 1974. Taxonomy of the genus Chloris (Gramineae). Brighan Young University Science Bulletin, Biological series, 1 9 (2): 1 -1 33. ARECHAVALETA, J. 1894. Las gramineas uruguaias. Montevideo, Oriental, p. 322-31. BARRETO, I.L. & KAPPEL, A. 1 964. Princi- pais espécies de gramineas e legumi- nosas das pastagens do Rio Grande do Sul. In: Congresso da Sociedade Botâ- nica do Brasil, 15.°, Porto Alegre. Anais. . . p. 281 -94. BEAUVOIS, P. 1812. Essay d'une nouvelle agrostographie. Paris, Chez 1'auteur. BENTHAN, G. & HOOKER, J.D. 1880. 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Chloris distichophylla Lag. a. planta florescida X 0,62, Valls 2436 (ICN); b. detalhes da espigueta X 12, S. C. Pereira 131 (ICN); c. mapa de distribuição geográfica. Figura 3 Chloris canterae Arech. a. planta florescida XO, 62; b. detalhe da espigueta X 12; c. mapa de distribuição geográfica Valls et Barcellos 2477 (ICN). Chloris gayana Kunth. a. planta florescida X 0,62; b. detalhes da espigueta X 12;c. mapa de distribuição geográfica. S. C. Pereira 1 1 9 (ICN). 18 Rodriguésia. Rio de Janeiro. 37(62): 9-20,jan./jun. 1985 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 Ch/oris grandiflora Roseng. et Izag. a. planta florescida X 0,62; b. detalhes da espigueta X 0,44; c. mapa de distribuição geográfica. Barreto (BLA 1331), paratipo. Figura 8 Chloris polydactyla (L.) Sw. a. planta florescida X 0,62; b. detalhes da espigueta X 1 2; c. antécíos estéreis X 1 2; d. mapa de distribuição geográfica. S. C. Pereira 1 1 8 (ICN). Figura 7 Chloris orthonoton Doell. a. planta florescida X 0,62; b, detalhes da espigueta X 1 2; c. mapa de distribuição geográfica. Araújo 61 3 (BLA). Chloris pycnothrix Trinius. a. planta florescida X 0,62; b. detalhes da espigueta X 5; c. mapa de distribuição geográfica. S. C. Pereira 61 (ICN). Rodriguésia. Rio de Janeiro, 37(62): 9-20,jan./jun. 1985 19 cm 1 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 cm Figura 10 Ch/oris retusa Lag. a. planta florescida X 0,62; b. detalhes da espigueta X 12; c. mapa de distribuição geográfica. Valls 2658 (ICN). Figura 1 1 Ch/oris u/iginosa Hackel. a. planta florescida X 0,62 b. detalhes da espigueta; c. mapa de distribuição geográfica. 20 Rodriguésia. Rio de Janeiro. 37(62): 9-20,jan./jun. 1985 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 cm Revisão taxonômica do gênero Coutouhea Aublet (Gentianaceae) Elsie FrankHn Guimarães** No presente trabalho, é feita a discussão taxonômica do gênero Coutoubea Aubl. Vera Lúcia Gomes Klein * ocorrente na faixa neotropical. São mencionadas 5 espécies e duas variedades para as quais foi elaborada uma chave dicotômica. Além das descrições e ilustrações salientam-se após as diagnoses a distribuição geográfica e considerações sobre os binômios estudados. A maioria das espécies é conhecida pelos nomes vulgares de 'Arabú", "Papai Nicolau", "Diambarana" "Baracuare", "Raiz Amargosa", "Gentiana do Brasil", "Boca de Sapo", " En/a-de-Bicho ", "Alfinetes", e "Fel-da-terra". C. reflexa Benth., da Guiana Britânica e C. minor H. B. K., da Venezuela, tem a sua ocorrência registrada pela primeira vez para o Brasil. * Bolsista do CNPq./JB Pesquisadora em Ciências Exatas e da Natureza do JBRJ e Bolsista do CNPq. Agradecimentos Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Cien- ,lf 'co e Tecnológico (CNPq), pelas bolsas outorgadas às autoras. A Bióloga Luciana Mautone pela confecção dos Tspas de distribuição geográfica. Aos Curadores dos herbários das Instituições C| tadas no texto, pelo empréstimo de suas coleções. Introdução Este trabalho teve como objetivo a revisão taxonômica do gênero Coutoubea Aublet, representante da tribo Helieae (Mart.) Gilg, da familia Gentianaceae. Este estudo surgiu da necessidade de fixar os taxônios do gênero, pois nem sempre as espécies estão bem identifica- das nos herbários consultados e, não raro, muitas solicitações têm sido feitas no sen- tido de determinar aquelas suspeitas de toxidez para o gado. Através de pesquisa bibliográfica evi- denciou-se que, até o momento, no Brasil, não foi realizado um estudo mais detalhado sobre a família em pauta, à excessão de uma revisão do gênero Deianira Cham. et Schlecht. (Guimarães, 1977.). Histórico 0 gênero Coutoubea foi criado origi- nalmente por Aublet, (1775), com duas espécies, C. spicata e C. ramosa, designa- das respectivamente, como "La Coutoubée Blanche" e "La Coutoubée Purpurine" em alusão ao nome Coutoubea como conheci- do pelos índios "Galibés", tribo indígena da margem esquerda do rio Uaça. H.B.K. (1818) redescreveram su- cintamente o gênero Coutoubea Aublet. colocando Picrium Screb. em sinonímia, descreveram, C. minor e redescreveram Coutoubea spicata. Martius (1827) descreveu o gênero Cutubea com detalhes colocando em sino- nímia, Coutoubea Aublet e Picrium Schreb. Classificou C. densiflora, da qual fez uma descrição detalhada e apresentou uma es- tampa bastante elucidativa. Shlechtendal (1833) seguiu Martius quanto ao nome genérico e teceu conside- rações sobre as espécies descritas até então, atribuindo a autoria de Cutubea a Aublet. Grisebach (1838) seguiu Aublet e apresentou uma reduzida diagnose do gênero. Endlicher (1838) colocou pela pri- meira vez Cutubea Martius como sinôni- mo. Grisebach (1839) redescreveu o gênero de Aublet, considerando entre ou- tras características que o mesmo apresen- tava flores não apenas 4-partidas mas tam- bém 5-partidas. Considerou o gênero divi- dido em 3 grupos com seis espécies a Rodriguésia, Rio de Janeiro. 37(62): 21-45, jan./jun. 1985 21 SciELO/JBRJ, 14 15 16 17 lí 19 20 saber: 1 — Amnue spicatae (C. spicata Aubl. e C. densiflora e C. minor H. B. K); 2 — Frutescentes racemosae (C. ramosa Aubl. e C. racemosa Meyer); 3 — Volubilis, flore pentamera (C. volubilis Mart.). Foi o pri- meiro autor a agrupar as espécies baseado no porte, no tipo de inflorescência e no número de segmentos da flor. Grisebach (1845) continuou agrupan- do as espécies de acordo com seu trabalho publicado em 1839. Incluiu ainda, a espé- cie C. reflexa, totalizando, portanto, 7 es- pécies para o gênero. Progel (1865), redescrevendo o gênero, seguiu Grisebach no que diz respeito ao número de segmentos do cáli- ce e da corola e considerou apenas as duas espécies mencionadas por Aublet. C. spicata e C. ramosa. Na primeira sinoni- misou 6 espécies ( Coutoubea densiflora Mart., Coutobea lutea Steud, Coutoubea ternifoUa Cav., Exacum spicatum Vahl, Pi- crium spicatum e Exacum ternifohum R. et Sch.) e na segunda classificou 3 varieda- des: a recemosa, P vulgaris e y longifolia. Bentham et Hooker (1876) redes- creveram o gênero, seguindo o autor origi- nal quanto ao número de segmentos do cálice e da corola — e consideraram 3 espécies para a América. Baillon (1889) seguiu Aublet ao des- crever o gênero Coutoubea. Gilg (1895) considerou o gênero de Aublet como possuidor de cálice e co- rola 4 partido e mencionou 4 espécies: C. spicata Aublet., C. ramosa Aublet, C. re- flexa Benth e C. scandens Spr). Knobl. Jonker (1937) descreveu o gênero em apreço citando 4 espécies distribuídas no Brasil, Venezuela, Guiana. Panamá, Co- lômbia e Ilhas das índias. Para o Suriname, mencionou 2 espécies C. spicata e C. ramosa esta última com duas formas: f. vulgaris Benth e f. racemosa Benth. Sandwith (1939) descreveu para a Guiana Inglesa mais uma espécie. C. hu- milis. Material e Métodos Para o estudo taxonômico foi utilizado material herborizado depositado nas cole- ções de Instituições Nacionais e Estrangei- ras gentilmente cedido por empréstimo ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Para observação dos padrões de ner- vação foliar e demais caracteres ligados ao assunto seguiu-se o trabalho de Klein e Costa (1 982). Os desenhos das partes flo- rais foram obtidos ao microscópio este- reoscópico equipado com câmera clara em diferentes escalas de aumento. Resultados Tratamento Taxonômico Posição Aublet (1775) descreveu de mo- do sucinto o gênero Coutoubea, colocan- do-o em Tetrandria, Monogenia. Mencio- nou que o gênero apresentava cálice 4- partido, com lacínios oblongos, agudos; corola, monopétala, gamopétala com o tu- bo curto, limbo 4- fendido, com lobos oblongos; estilete longo espessado, es- tigma bilamelado; cápsula subarrendon- dada com 2 valvas, sementes numerosas, muito pequenas, afixadas nas placentas. Aublet situou este gênero entre dois outros da família — Exacum Vahl. e Tachia Aubl. Humboldt, Bonpland e Kunth (1818), ao tratarem das Gentianaceae Juss., colo- caram Coutoubea Aublet entre Erythraea Realm e Lisianthus Linn., dos quais difere principalmente por ter 4 escamas na base dos filetes e as flores dispostas em espigas providas de 3 brácteas. Grisebach (1838) incluiu Coutoubea entre os gêneros Helia Mart. e Prepusa Mart. no grupo A de sua chave "Aestivatio corollae dextrorsum contorta. Albumen ca- vum seminis explens", no sub grupo II "Placentae 2, 4 suturales, hinc denuem li- berae (menquam placenta denuim unica, centralis, libera; Capsula 1. 1 locularis 1. valvalis introflexis bilocularis 1. semi 2-4 locularis — Corolla absque corona", no item C "Apparatus glandulosus in fundo corollae O” e nos subitens CC e B respecti- vamente "Stigmata 2 bilamellata 1. bicru- ria, stylo imposita" e "Corola denuem circa capsulam marcescens, varisseme decí- dua". Mencionou em sua redescrição, que os filetes eram lateralmente bi-dentados. Endlicher (1838) ao tratar da ordem Gentianeae, colocou Cutubea Mart. e Picrium Schreb. como sinônimos de Coutoubea incluiu o referido gênero na Subordo I, Gentianeae Verae que se carac- teriza pela prefloração torcida-dextrosa da corola e pelo albumen que preenche a cavidade da semente e na tribus/ — Chiro- nieae Endl., caracterizada pela cápsula uni- locular ou pseudo-bilocular pela intromis- são das placentas. Seguiu Grisebach colo- cando Coutoubea entre os gêneros Helia Mart. e Prepusa Martius. Grisebach (1839) situou Cou- toubea na tribo III Hippieae Griseb. pelo fato deste gênero apresentar prefloração da corola torcida, estilete bem formado, caduco, lóculos das anteras opostos provi- dos de conectivos, sementes com funícu- los e inflorescência centripeta. Este mes- mo autor elaborou uma chave das tribus da família Gentianaceae, separando Coutou- bea dos gêneros Hippion Spregel. e Eni- costema BI., por apresentar cálice calicu- lado, corola rotacea e estigma bilamelado. Posteriormente (1 845:38), modificou a ca- tegoria subordem I Gentianeae Endl. para tribus I Gentianeae, por seus elementos apresentarem prefloração da corola dex- trosmente torcida, testa da semente mem- branacea e por serem ervas terrestres ou raramente arbustos, esporadicamente pa- rasitas com folhas opostas, rarissimamen- te alternas, de margens inteiras. Nesse trabalho, o autor considerou 4 sub- tribos: 1 — Sub. tribo I Chironieae; Sub. tribo II Chlorese, caracterizadas pelasante- ras providas de conectivo com estilete bem formado e caduco; Sub. tribo III. Lisian- theae e Sub. tribo IV Swertieae. Atribuiu à Sub. tribo II Chloreae, duas divisões — Divisio I Sabatieae, que apresenta anteras tardiamente caloso-recurvadas e a Divisio II Erythraeaceae cujas anteras são dispos- tas em espiral ou torcidas. Situou o gênero Coutoubea na sub. tribo Chloreae, Divisio II, entre os gêneros Enicostema e Schul- tesia Mart., colocando pela primeira vez. Exacum Vahl. na sinonímia do gênero em apreço, juntamente com Picrium Schreb. Progel (1865) seguiu Grisebach, elaborando uma chave para distinção genérica, incluindo Coutoubea no item caracterizado pelos estames inseridos no tubo da corola. Aproximou o referido gêne- ro de Octopleura Spruce, Dejanira Cham et Schlecht., Xestaea Griseb e Schultesia Mart. dos quais se distingue pelo cálice tribracteolado e filetes bidentados. Mante- ve Coutoubea na sub tribo Chloreae (Gris.) Grisb. entre Xestaea Griseb e Octapleura Spruce e colocou Picrium Schreb. e Exa- cum Vahl. em sinonímia. 22 Rodriguésia. Rio de Janeiro, 37(62): 21-45, jan./jun. 1985 SciELO/JBRJ Bentham et Hooker (1876), ao tratar da ordem Gentianeae, considera- ram 4 tribos e localizaram Coutoubea na tribus II Chronieae Edl., baseados nos ca- racteres já mencionados pelos autores an- teriores, incluindo na sub tribus II Ery- thraeae (Griseb.) Benth. et Hook., caracte- rizada por apresentar estigma bilamelado, anteras freqüentemente eretas, ovário uni- locular, placentas pouco ou quase intrusas, estilete freqüentemente caduco, sendo erva anual ou raramente perene e no item "xxx", com flores sub-sésseis, axilares em espi- gas e não em cimeiras ou pedunculadas, como nos demais. O gênero em questão ficou situado entre Neurotheca e Eustoma Salisb., este último da sub tribus III Lisian- theae Griseb. Baillon (1889) considerou 4 sé- nes, situando Coutoubea entre os gêneros Schultesia Mart. e Neurotheca Salisb, na série II Chironieae (Endl.) Baill. e sinoni- mizou Picrium Schreb., Exacum Vahl e Cutubea Mart. Gilg (1895) situou Coutoubea na subfamilia I Gentianoideae e na tribo 3 Helieae (Mart.) Gilg., não só por apresentar °s caracteres próprios da subfamilia — grão de pólen isolados ou em tetrades (quando isolados, oblongos, oviformes ou as vezes curvos, nunca comprimidos de um lado); corola torcida ou raramente imbrica- da, nunca enrolada nas margens e mais ou menos valvares; folhas opostas e decus- sadas, raramente subopostas, como tam- bém aqueles que identificam a tribo — polem em tetrades, grãos esféricos sempre providos de três poros de germinação, as tetrades às vezes aglomeradas. Em sua chave, colocou Coutoubea entre Schul- tesia e Chelonanthus, separando-o do pri- meiro pelas inflorescências e do segundo, Pelo pólen. Wagenitz (1964) seguiu Gilg, nao c 'tando o gênero Coutoubea em seu sistema, entretanto levando em considera- Çao que o mesmo apresenta o pólen em tetrades, fica subentendido que se acha •ncluído na tribo Helieae. Verificou-se que estes dois últimos autores discordaram na denominação das ca tegorias, visto que Gilg considerou em seu sistema duas subfamilias — Gentia- n oideae e Menyanthoideae (Endl.) Gilg enquanto Wagenitz estabeleceu apenas n os, uma vez que a sub-fami'lia Menyan- thoideae foi desmembrada para constituir uma família a parte. Todos os autores, desde Grisebach até Baillon seguiram a mesma filosofia do sistema de Endlicher, discordando apenas, nas denominações das categorias, que ora são apresentadas como grupos, ora como subgrupos, ora como subordens, tribos ou séries. Gilg e Wagenitz têm conceitua- ção diferente de seus antecessores, pois além de usarem as características já co- nhecidas, para a separação do taxon, põem em relêvo os diferentes tipos de grãos de pólen e caracteres anatômicos para algu- mas subtribos. Neste trabalho foi adotado o sistema de Gilg por ser considerado mais completo no estudo da família Gentianaceae. O gêne- ro Coutoubea, segundo Gilg é mais afim de Schultesia Mart. e Chelonanthus Gilg que se caracterizam respectivamente: o primei- ro pela inflorescência e cálice alado e o segundo, pelo número de segmentos do cálice e da corola, além das anteras recur- vadas. Descrição do Gênero COUTOUBEA Aublet Aublet, PI. Guyan. Fr. 1:72. tab. 27 1 775. Kunth. Nov. Gen. Sp. PI. 3:1 79.1 81 8; Grisebach, Observ. Quaedam Gent. Fam. Charact. 35.1838; Endlicher, Gen. PI. 8:604. n.° 3553.1838; Grisebach, Gen. et Sp. Gent. 1 30.1 839 et/7i A. P. De Candolle Prodr. 9:66.1845; Progel/7? Mart. Fl. Bras. 6(1 ): 21 0.1 865; Bentham et Hooker. Gen. PI. 2:812.1876; Baillon, Hist. PI. 10:137. 1 889; Gilg in Engler et Prantl, Natur Pflan- zenfam. 4(2):98. 1 895; Lemmé 2:348. 1930; Jonker, in Pulle Flora of Suriname 4(1). Mede. Kol. Inst. Amst. 30(11): 404. 1932-1937. Cutubea Martius, Nov. Gen. Sp. PI. 2:1 12. tab.1 85.1 827. Ervas ou subarbustos, anuais, glabros. eretos, pouco ou muito ramificados, com raízes pouco ou profusamente ramificadas; variando de 0,5-20 cm de comprimento, espessas ou delgada; caule cilíndrico ou subquadrangular, fistuloso com ramifica- ção dicotômica; folhas sésseis ou pecio- ladas, raramente semi-amplexicaules; la- mina linear, lanceolada, obtusa, aguda ate- nuada na base; padrão de nervação misto acródomo-broquidódromo; terminações vasculares livres, simples ou ramificadas; epiderme em vista frontal, com paredes anticlinais levemente curvas, na face ada- xial e acentuadamente curvas onde ocor- rem estômatos de vários tipos, predomi- nando, entretanto, o tipo paracítico. Inflo- rescência terminal ou axilar disposta em espigas multifloras densas ou não que va- riam de 1 -40 cm, em cimeiras ou racemos, longo ou curto pedunculada; flores alvas ou róseas; bracteolas 3, uma inferior e 2 supe- riores dispostas na base do cálice; botões de ovado-lanceolado a lanceolado, geralmen- te agudos ou acuminados no ápice; cálice persistente, do mesmo comprimento do tubo da corola ou às vezes menor, actino- morfo, campanulado profundamente 4 — partido, espessado desde a base até o ápice dos lacínios, pela presença de feixes vasculares acompanhados por traqueí- deos; lacínios lanceolados, ovados, agudos de margens escariosas, variando de 4-10 mm de comprimento: corola hipocrateri- morfa, marcescente, com tubo curto ou longo, cilíndrico com 4 lobos abertos, lan- ceolados, agudos, abruptamente agudos, eretos ou reflexos, providos de 1 5 nervuras. Estames 4, alternipétalos exsertos, aderen- tes na porção inferior do tubo, livres e providos na parte superior de alas membra- náceas; anteras eretas ou curvadas para trás, oblongas, lineares, sagitadas ou cordifor- mes na base, basifixas, ditecas, rimosas; grão de pólen em tétrades; ovário lanceola- do oblongo, bicarpelar, com placentas pro- fundamente projetadas no interior do ová- rio; estilete filiforme ultrapassando ou não os estames, provido de duas lamelas car- nosas no ápice profusamente papilosas. Cápsula bi-valvar, ovado- lanceolada, ovada, ou suborbicular, com margens enroladas que trazem placentas; sementes muitas, polimorfas, com testa foveolada. Espécie Genérica, Lectotypus: Cou- toubea spicata Aubl. Distribuição Geográfica: México, Gua- temala, Honduras, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Zona do Canal. Colômbia, Vene- zuela, Trinidad, São Vincent, Guiana Britâ- nica, Suriname, Guiana Francesa, Peru. Brasil; Roraima, Rondônia, Amapá, Ama- zonas, Pará, Maranhão, Piauí, Pernambu- co, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás. Das duas espécies de Coutoubea classificadas originalmente por Aublet. C. spicata foi aquela que o autor apresentou Rodriguésia, Rio de Janeiro. 37 ( 62 ): 21 - 45 . jan./jun. 1985 23 cm 1 SciELO/ JBRJ, 14 15 16 17 18 19 20 cm maiores detalhes com referência a toda planta. Embora não tenha descrito minucio- samente "la Coutoubée purpurine", apre- senta as características que a diferenciam de C. spicata, demonstrando desta forma a análise de C. ramosa. Pelas estampas elucidativas das es- pécies em pauta, verificou-se que a de C. spicata contém detalhes dos verticilos florais, que adicionados a descrição do autor, mais concordam com a diagnose do gênero, o que a fortalece com o Lectótipo do gênero. Chave para espécies A. Flores com lobos reflexos 1 . C. reflexa AA. Flores com lobos eretos B. Folhas pecioladas . . . 2.C. humilis BB. Folhas sésseis b. Planta pequena com até 1 8 cm de comprimento, inflorescên- cia terminal, de 1 -6 cm de com- primento 3. C. minor bb. Planta robusta além de 18 cm de comprimento, com inflores- cências terminais ou axilares c. Flores em espigas congestas 4. C. spicata cc. Flores em racemos ou cimei- ras 5. C. ramosa 1 . Coutoubea reflexa Benth. (Est. 2, 3, 4) Bentham in Ann. Nat. Hist. 2:442. 1 839; Grisebach in De Candolle. Prodr. 9:66.1945; Bentham in Flook Journ. 6: 198.1854. Subarbusto 1 8-90 cm de altura; raízes lenhosas ramificadas; caule cilíndricode2- 5 mm de diâmetro; entrenós, ora muito próximos (0,5 cm) ora distantes (3 cm). Folhas opostas, decussadas, lanceoladas, coriáceas, agudas na base, nervura media- na na face dorsal saliente, na ventral visível, imersa 3,5-1 0 cm de comprimento e 0,5- 2 cm de largura: Inflorescências de 4- 38 cm de comprimento, disposta em espi- gas, com flores esparsas, opostas ou de- cussadas; botão floral lanceolado, agudo no ápice; flores alvas cremes ou róseas, 1 3- 18 mm de comprimento; bractéolas sub- coriáceas, ovadas de ápice agudo 2,5- 3,0 mm de comprimento, 1 -1 ,5 mm de lar- gura. Cálice coriáceo, carinado com as margens escariosas, 8-10 mm de compri- mento, lacínios lanceolados agudos, 0,4- 0,5 mm de comprimento, 0,1 -0,2 mm de largura, do mesmo comprimento do tubo da corola ou levemente menor; corola hi- pocraterimorfa, marcescente 13-18 mm de comprimento 3-5 mm de diâmetro; lobos de início eretos e mais tarde reflexos, ova- dos, abruptamente agudos, 7-10 mm de comprimento e 3,5-4 mm de largura; esta- mes com filetes alvos; anteras sagitadas obtusas no ápice 0,5 mm de comprimento e 0,2 mm de largura. Ovário ovado ou lanceolado, atenuado em direção ao ápice 4-5 mm de comprimento e 1,5-2 mm de largura; estilete carnoso com 3 mm de comprimento e 0,2 mm de diâmetro, igual ou menor ao comprimento dos filetes, bi- lamelado no ápice, lamelas carnosas, côn- cavas, agudas com 1 ,5 mm de comprimen- to; cápsula ovada, aguda no ápice, supe- rando o comprimento do cálice persistente com 0,8-1 ,1 cm de comprimento com 0,5- 0,7 cm de diâmetro; septicida, bivalvar, glabra com paredes coriáceas muito proje- tadas onde se inserem as placentas. Se- mentes muitas, multiformes, faveoladas, ora achatadas ora côncavas, variando de 0,1 -0,2 mm de diâmetro. Isotypus: British Guiana, Schomburgk 1060, GOET. Distribuição Geográfica: Venezuela, Guiana Inglesa e Brasil nos estados de Roraima e Amazonas. Espécie encontrada em altitudes que variam de 300 a 1 220 m.s.m. florescendo nos meses de agosto, outubro, novembro e frutificando em abril. Ocorre em caatinga seca, alagável ou próximo a afluentes de rios, seu nome refere-se a disposição dos lobos da corola e deriva-se do latim "re- flexus", apresentando as flores, quando abertas, com lobos reflexos. Material examinado VENEZUELA: Estado of Bolivar — Gran Sabana, between and Uaduaraparú in valley of Rio Kukenam, South of Mouth Roraima, altitude 1065-1220 m, leg. J. A. Steyarmark 59078 ( 1 -X- 1 966) F; ibidem. Rio Karuai. camp. between Kavanayen and Ptaritepui, cerca 1 000 m de altura, leg. H. E. Moore, Jr. D. Ambrose, R. E. Dietz et al 9675 (1 1 -VIII-1 970) UC; ibidem, large savanna, vicinity of Uriman, leg. J. A. Steyermark 75285 (30-IV-1 953) F. Puerto Ayacucho. Shallow wet sandy soil outcrop behind, Hotel Amazonas leg. B. Maguire, R. S. Cowan, John J. Wurdack 29244 (24- X-1950) US. GUIANA INGLESA: Water shed bet- ween Rupununi and Kuyuwin Rivers Para- buru Savana: lat. about 2 o LO'N, leg. A. C. Smith 3060 (15/17-11-1938) GH, F, US, MO, S e U; Waeni River, North west District lat. 8 o 20 N, long. 59° 40' W., leg. J.S. De La Cruz 3705 (3/1 8-IV-1 923) F, GH, UC; Rich Schomburk 1060 (s.d.) GOET (isoty- pus). BRASIL: RORAIMA: Territory of Ro- raima. Serra da Lua, leg. G. T. Prance, J. R. Steward, J. F. Ramos et L G. Farias 9205 (1 2-1-1 969)S, U. AMAZONAS: R Xeriuini, caatinga seca, alagável, leg. J. M. Pires, P. B. Cavalcante, H. Magnago et M. T. Silva (1 5-IV-1 974)RB, U; Rio Curicuriary aflu. R. Negro, leg. A. Ducke s.n. (20-XI-1 936) RB. Originalmente C. reflexa foi descrita por Bentham (1839) com base no ma- terial coletado por Schomburk na Guia- na Britânica. Embora este autor apresente uma sucinta diagnose determina com pre- cisão as características marcantes da es- pécie. Grisebach (1845) trabalhando com o mesmo material seguiu a conceitua- ção de BENTHAM. Analisando material oriundo dos dife- rentes herbários verificou-se que C. reflexa é uma espécie muito peculiare se distingue das demais, por ser uma planta robusta, com folhas coriáceas ou subcoriáceas, com inflorescências espiciformes e flores vistosas, esparsas, rarissimamente con- gestas, com lacínios da corola sempre re- flexos na flor adulta. Trata-se de uma nova ocorrência, para o Brasil, pois até agora, só havia sido men- sionada para a Guiana Inglesa e para a Venezuela. 2. Coutoubea humilis Sandwith (Est. 5,6) Sandwith, Buli of Misc. Inform. 1:17.1939. 24 Rodriguésia, Rio de Janeiro. 37(62): 21-45, jan./jun. 1985 SciELO/ JBRJ, 14 15 16 17 18 19 20 Erva variando de 6-1 7 cm de compri- mento, raízes longas delgadas pouco rami- ficadas; caule tetragonal com 2 mm de diâmetro 1 -6,5 cm de comprimento; folhas pecioladas, membranáceas, lanceoladas ou lanceolado-elíptica aguda ou acumina- da, decorrente no pecíolo 3-10 mm de comprimento, 1-2,3 cm de largura; Inflo- rescência em racemos terminais 0,5-2 cm de comprimento com flores congestas e alvas, bracteola ovada, aguda, botão agu- do, 5-7 mm de comprimento. Cálice 3,7- 3,9 mm de comprimento; sépala ovado- lanceolada, 4-8 mm de comprimento, 2 mm de diâmetro com lobos eretos, agu- dos as vezes obtusos 2,7-3 mm de com- primento, 0,7-0,9 mm de largura. Estames com filetes de 2-2,5 mm de comprimento, anteras exsertas 1,3-1 ,5 cm de compri- mento. Ovário ovado 1 ,3-1 ,5 mm de com- primento, 1 ,3 mm de largura, com estilete de 2,0 mm de comprimento, dilatando-se no estigma bilobado com lobos que variam de 0,6-0, 8 mm de comprimento. Cápsula ovada ou eliptica 3,5-4mm de comprimen- to com ápice agudo. Isoparatypus: Potaro River, Waratuk Portage, leg. N. Y. Sandwith 1 509 (1 937)U. Distribuição Geográfica: Guiana Britâ- nica. Espécie encontrada em altitudes que atingem 1400 pés. Material examinado GUIANA; leg. R. S. Cowan et T. R. Sodestrom, 1774 ( 6- 1 1 - 1 962) U S, ibi- dem, Potaro River, Waratuk portage, leg. N. Y. Sandwith 1509 (1937) Isoparatypus U. 3. Coutoubea minor H.B.K. (Est. 7. 8, 9) H.B.K. Nov. Gen. Sp.3:1 79.1 81 8; Die- tdch, Synop. Plant. 1:440.1939; Grise- dach, Gen. Sp. PI. Obs. 131.1 839 et/7? DC. Pr °d, 66.1845. — Exacum minus Willd ex Roem et Schult. Mant. 3:98.1827. = Exacum strictum Willd. Herb. ex Ap. R. et Schult. entrenós de 1-3 cm. Folhas lanceoladas, filiformes 5-1 7 mm de comprimento e 0,5- 3 mm de largura; ápice e base agudos. Inflorescência terminal variando de 1- 6 cm de comprimento espiciforme, con- gestas ou laxas; quando congestas geral- mente as flores são imbricadas e dirigidas para cima quando laxas geralmente apre- sentam-se patentes; flores alvas, 9- 1 1 mm de comprimento; bracteolas lan- ceoladas, agudas, escariosas, delica- das, variando de 2-3 mm de comprimento, não atingindo 0,5 mm de largura. Cálice membranáceo 4-7 mm de comprimento, levemente carinado, com lacínios iguais, lanceolados 3-4 mm de comprimento, acuminados no ápice com espessamento na porção mediana, escamoso na margem, ultrapassando o comprimento do tubo da corola; corola hipocrateriforme, marces- cente 8-11 mm de comprimento, 1- 1 ,2 mm de diâmetro; lobos eretos, lanceola- dos agudos, 6,8-7 mm de comprimento, 1 .1 -1 ,5 mm de largura; estames com filetes 3-3,5 mm de comprimento, anteras oblon- gas, cordadas na base, obtusas ou emar- ginadas no ápice. 1-1,5 mm de compri- mento, 0,3-0, 5 mm de largura; ovário elíp- tico com 2,5-3 mm de comprimento, 1- 1 .2 mm de largura, estilete ultrapassando o comprimento dos estames, filiforme, com 4 mm de comprimento, bilamelado no ápice; lamelas não côncavas lanceoladas agudas; cápsula oblongo-lanceolada, ul- trapassada pelo cálice, persistente, septi- cida, bivalvar, glabra, com 3,5-4 mm de comprimento. Sementes angulosas, muito pequenas. Holotypus: "Crescit in humidis Orinoci, prope cataractum Atturensium" Herbário Humboldt, Bonpland et Kunth. Fototypus F, MO. Distribuição Geográfica: Venezuela. Brasil, no estado de Amazonas. Esta espécie foi encontrada em altitudes que variam de 100-300 m.s.m., frequente em savanas, florescendo nos meses de maio, setembro, novembro e janeiro. Seu nome está relacio- nado, com o porte da planta. Material examinado Erva glabra delicada ereta, ramificada °u não no ápice 7-25 cm de altura; raízes ramificadas 0,5-7 cm de comprimento. Cá- lice 0,3-1 mm de diâmetro, tetragonal, com alas muito delicadas hialinas que se alar- 9am a medida que se aproximam do ápice VENEZUELA: Herb. H.B.K. 37454 Fo- totipo F, MO, Holotypus; Santa Rosa Savan- na, leg. B. Maguire et al 27305 (17-XI- 1948) F, S; Estado Bolivar, Rio Orinoco. Cerro San Borja. Elevation 100-300 m leg. J. J. Wurdack et J. V. Monachino 39835 (1 2-XII-1 955) US; Carretera Puerto Aya- cucho Sanaripo, alredores dei empalme con la carretera a Coromota, en bosque deciduo y sabana, leg. George S. Buting 4234 (28-XII-1 969)U; Crystalline laja 1- 1.5 km east of Hotel Amazonas, Puerto Ayacucho, leg. Basset Maguire, J. J. Wur- dack and G. S. Buting 36032 (7-XI-1 953)S; 12.5 km S of Puerto, Ayacucho; between road and the Rio Orinoco, leg. Gerrit Davidse 2813 (1-XI-1971) M0; Puerto Ayacucho, Fed. terr. Amazonas alt. 1 24 m., leg. L. Williams 13803 (1942)F, US; State of Apure; Puerto Paez, leg. J. A. Steyermark 58537 (1 2-IX-1 944)F. BRASIL: AMAZONAS; Sanaripo lado sul de Rio Ventuari, lat. 4°5'N long. 66'50' W., leg. J. A. Steyermarky Parker Redmond 112800 (28-XII-1 976)F; ibidém, leg. J. Silverio Levei 79 (1 1 -V-1 954); ibidem, leg. J. A. Steyermark 58435 (8-IX-1 944)F. Humboldt. Bonpland et Kunth (1818) com base em exsicata coletada na Venezuela "Crescit in humilis Orinoci, prope Caractam Aturensum" elaboraram uma detalhada diagnose de C. minor in- formando entre outros dados a época da floração. Roemer et Schultes (1827) ao tratarem do gênero Exacum L, colocaram Exacum minus Willd próximo a Exacum spicatum, tomando por base a diagnose de Humboldt e Bonpland. Grisebach (1839) trabalhando com material, do herbário de Kunth colo- cou C. minor no grupo de plantas anuais que apresentavam inflorescências em es- pigas. De Candolle (1845) considerou C. minor como espécie válida, colocando-a no grupo "Annuae, spicatae, tetrandra". Ao analisar os fototipos de C. minor do Herbário de H.B.K. cedidos respectiva- mente pelo Field Museum e Miss. Bot. Garden manteve-se a validade da espécie em questão, por se tratar de uma planta muito característica, não só pelo seu porte, delicado, como pelas folhas lanceoladas ou filiformes, além das inflorescências espi- ciformes e curtas. Espécie muito próxima de C .spicata, da qual difere principalmente pelo porte, tamanho das flores, inflores- cências e folhas. Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 ( 62 ): 21 - 45 , jan./jun. 1985 25 cm 1 SciELO/JBRJ. 14 15 16 17 18 19 20 cm 4. Coutoubea spicata Aublet (Est. 10, 1 1, 12) Aubl. PI. Guyan. Fr. 1 :72.1 775; ill. 3:t. 27.1775; Meyer. Fr. Esseq. 87.1818; Kunth Nov. Gen. 3:140.1818; Martius (1827); Grisebach Gen. Sp. Gent. 130.1839; Dietrich. Syn Plant. 1:440. 1839; Grisebach Gent. in DC. Prodr. 9:66.1845; Bentham/n Hookers Journ. of Bot. 6:198.1854; Progel, in Mart. Fl. Bras. 6(1 ):21 0.1 865; Pulle Enun, Vasc. Plants. Surinam. 375.1 906. Jonker, in Pulle. Flora of Surinam 4(1). Mede. Kol. Inst. Amst. 30(1 1):405.1 937. = Coutoubea alba Lam. Enc. Meth. 2: 162.1786. = Coutoubea densiflora Mart. Nov. Gen. 2:12. tab. 185.1827 = Coutoubea Lutea Steud. in Fl. 26. 765. 1843. = Coutoubea spicata Aublet var. densiflora Miq. Linnaea 19.137.1845 = Exacum spicatum Vahl. Symb. Bot. 3: 17.1794. Erva ou subarbusto ereto, variando de 20 cm a 1 m de altura; raízes longas, ramificadas, delgadas ou robustas, lenho- sas de 3-18 cm de comprimento; caule fistuloso, cilíndrico com 2-6 mm de diâme- tro; entrenó variando de 1 ,5-8 cm de com- primento; folhas decussadas às vezes ver- ticiladas, sésseis, membranáceas, lanceo- ladas, lanceolado-ovadas, obovado- oblongas, agudas no ápice e semi-ample- xicaules na base, com 3-1 2 cm de compri- mento 0,5-3 cm de largura. Inflorescências disposta em espigas, terminais ou axilares variando de 3-30 cm de comprimento. Flores ora laxas ora congestas, alvas ou amarelas. Os exemplares, que apresentam flores laxas geralmente, têm as flores da base da inflorescência opostas e as supe- riores verticiladas; aquelas, que apresen- tam as flores congestas são geralmente verticiladas desde a base até o ápice; botão floral lanceolado agudo, acuminado, do mesmo comprimento ou quando próximo a antese mais curto bracteolas 3, a inferior lanceolada, aguda e as laterais aderentes ao cálice lanceolado-ovadas. Cálice varian- do de 6-8 mm de comprimento, com lacínios agudos ou acuminados, coriáceos na porção mediana e hialinos na margem, do mesmo comprimento ou às vezes, ultra- passando o tubo da corola; corola campa- nulada, marcescente de 1,2-1, 6 cm de comprimento, 2-3 cm de comprimento, 2- 3 mm de diâmetro, lobos eretos, lanceola- do-ovados, na flor em estágio de envelhe- cimento reflexos, com 5-8 mm de compri- mento e 2-3 mm de largura. Estames com filetes 4-6 mm de comprimento ou do mes- mo comprimento ou às vezes mais curtos; anteras oblongas, obtusas 2-3 mm de com- primento; ovário elíptico ou lanceolado, 2,8-3 mm de comprimento, estreitando-se em direção ao ápice estilete filiforme 3- 4 mm de comprimento, dilatando-se no estigma bilobado, lanceolado ou ovado com lobos eretos, carnosos, profusamente papilosos; cápsula tão longa quanto o cáli- ce; elíptica, lanceolada, coriácea, aguda no ápice, com estiletes persistentes e só caducos muito tarde. Flolotypus "Flabitat in viis e ad ripas rivulo Rum Caiennae Guianae" P. Distribuição geográfica: México, Gua- temala, Flonduras, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Venezuela, Trinidad, São Vicente, Guiana Britânica, Suriname, Guiana Francesa, Peru, Brasil: Roraima, Rondônia, Amapá, Amazonas, Pará, Ma- ranhão, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais e Goiás. Espécie encontrada em altitudes que variam de 20-1400 m.s.m., crescendo em savanas, capoeiras, em solos argilosos, à margem dos babaçuais, terrenos rochosos, sendo também frequente em terrenos ala- gadiços. As flores apresentam coloração alva, às vezes providas de manchas róseas. No Brasil a especie é conhecida pelos nomes vulgares de "Papai Nicolau", "alfi- netes'', "raiz amargosa", "Gentiana do Bra- sil", "boca de sapo", "erva de bicho", "Fel da terra" (Bahia), "Arabú" no estado do Pará. Na Colômbia popularmente identifi- cadas como "Diambarana" e "Baracuare". A raiz e a folha são empregadas, sob a forma de decocto e infusão, como estomá- tica, febrifuga, anti-helmíntica, contra as obstruções das víceras e infecções intes- tinais. Material examinado MÉXICO: Sabana Palenque, leg. E. Matuda 3745 (9-14-39)F, MEXU, GH; Edo. Vera Cruz 3-4 kmal surdeTancochapa, leg. L. Nevling y A. Gomez Pompa 1424 (9-VII- 1 970)MEXU, GH; About 25 km of Huima- guillo, leg. F.D. Barlow 30/132 (28-V- 1963)UC, MEXU, BM; Santo Domingo de Palenque, Chiapas, leg. Caec. et Ed. Seler 5521 (442) (24-1 11-1 91 1 )GH; State of Vera Cruz, leg. Warren Douglas Stevens 1109 (23-VI-1 971 )M0; Laguna de Catazaja near the high way between Villa Harmosa leg. D.E. Breedlove 34938 (9-V-1 973)MO. GUATEMALA: Dept.° Alta Verapaz: between Sachaj and Sacacac, alt. 150- 180 m, savanna on south sede of Cerro Chinajá, leg. Julian A. Steyermark 45144 (20-111- 1 942)F; Dept.° Izabel, between Mil- la 49.5 and Cristina, alt. 65-70 m, leg. J. A. Steyermark 38398 (30-111-1 940)F. HONDURAS: S/Ln.° 171, BM; Distrito of Belize, leg. Al Gentry 857 2 (23-VI-1 973) F, MO; Institute of Jamaica — Distrit. Stann Creek near junction of All Pines road et Southern Highway, leg. George R. Proctor 35704 (14-IV-1 976)F, MO, BM; ibidem, leg. R. Liesner et J. Dwyer 1420 (18-1- 1974)GH, MO; ibidem, near Manatee, leg. Percy H. Gentle 3462 (1 6-XII-1 941 )GH; ibidem, in Wooded island, Colonel English Pine ridge, Belize Cayo Road, leg. Percy H. Gentle 9489 (31 -XII-1 957)F; 19 km from Belize on Roaring Creek road, 2 m elev. leg. H.S. Mckee 11402 (1 8-11-1 964)F; Lower Belize River, leg. Samuel J. Record s.n. (II- 1 926) GH; Belize, leg. J. D. Dwyer 1007 1 (5-VII-1 972)MO; ibidem, leg. D. Spellman, J. Dwyer et al 284 (26-VII-1 971 ) MO; About 30 miles Southwest of Belize on road to Roaring Creek, leg. R. L. Wilburetal. 1 1 407 (1 970) MO; ibidem, leg. J. Dwyer, T. Elias et al 34 (1 5-111-1 967)MO; ibidem, leg. Tho- mas A. Croat 24062 (9-VI-1 973)MO; ibi- dem, leg. R. Wunderlin, J. Dwyer, D. Spellman 367 (27-VII-1 971 ) MO; Stann Creek, leg. J. Dwyer, T. Elias 441 (21-111- 1 967JMO; Belize internacional airport, leg. J. Dwyer 91 11 (8-VIII-1 968)MO; Belize, leg. thor Arnason 1 7843 (25-X-1 977)MO; Western Highway 12 1/2 miles west from Belize, leg. J. R. Willey 198 (10-VIII- 1970)M0; Toledo District., leg. Percy H. Gentle 7756 (20-IX-1 952)US, F, GH; ibi- dem, Swasey Branch, Monkey River, leg. Percy H. Gentle 3897 (28-1-1 942)F, GH, MO; plants of Yucatam Península British Honduras, Maskall, leg. Percy H. Gentle 1 2 51 (14-IV-1 934)F; Stann Creek District, leg. Percy H. Gentle 8056 (6-XI-1 953)F. GH; ibidem, Railway, leg. William A. Schipp. 446 (1 3-XI-1 929)F, BM, Z, MO, GH, UC; ibidem, leg. J. B. Kinloch 1 80 (7- XII-33) F; ibidem, leg. David R. Hunt 301 (25-1-1 960)US, BM; Honey Camp, orange walk, leg. C. L. Lundell 138 (XII-1 928)F; Pineridge near manatee Lagoon, leg. M. E. Peck 1 9 (9-VI-1 905)GH. NICARÁGUA: Department of Zilaya 1 /4 meter north of, leg. Steven A. Marshall 26 Rodriguésia, Rio de Janeiro. 37(62): 21-45, jan./jun. 1985 SciELO/ JBRJj 14 et David A. Neill 6567 (1 8-XI-1 973)UC, BM. COSTA RICA: Leg. H. Pittier 4497 (1891)US; Buenos Aires, Lanton de Osa. Alt. 480 metros, leg. M. Valerio 819 (26- X 1 1 - 1 9 3 3 ) F; Forest between Quebrada Grande and Quebrada quajiniquil near Buenos Aires, leg. Antonio Molina R., W. Burger, A. Jimenez et B. Wallenta 18129 (1 - 1 11-1 966) F, GH; B. Aires, at 500 m orless B. Honduras at Brasil 925. PANAMÁ: Leg. Grisebach (1 857)MO; Leg. Nees, F; Cerro Ancon, leg. B. Heriberto 133 (26-X-1 921 )GH, US; ibidem, leg. B. Celestine 58 (5-XII-1 91 2)US; ibidem, pa- raíso Development, leg. John D. Dwyer 71 57 (29-XI- 1 966) G H, MO; ibidem, Ancon Hill, alt. 1 00-200-meters. leg. Ells- WOr th P. Killip 12058 (1 7-X-1922)GH, Phil; ibidem, Grassland and savana, vicinity and seof Panama City aiport, leg. Hugh and Carolyn lltis 1650 (1 9-1-1 963)UC; ibidem, Power line trail n.w. of Madden Wye, leg. Thomas B. Croat 11211 (1 2-VII-1 970) F, MO; Adjacent Panamá, in Government íorest along Las Cruces Trail, 75 m, leg. A. A - Hunter and P. H. Allen 751 (25-11- 1935JF, MO; ibidem, Along the old Las Cruces Trail, between Fort Claylton and Corozal, leg. Paul C. Standley 291 6 9 (31 - XII-1923)US; ibidem, C2 east of Fort Caylton. leg. Dorothy R. Harvery 51 12(11- 1 7 /7 5) F; Cerro Campana, leg. John E. Ebinger 921 (1 7-VIII-1 960)US, MO; ibi- dem, leg. W.G. D Arcy 9564 (12-XI- 1 975)MO; Santa Cruz, leg. Otilia Arroyo V. 22 (9-XI-1 973)F; Cerro Azul, leg. John D. Dwyer 1 398 (VIII-1 961 )UC. GH; Tocumen, le 9 Generoso Atencio 7 (4-XII-1 971 ) F, MO, Along road toward top of Corro Cape- na ' leg. J. a. Duke 5957 (22-X-1962) GH, MO; 7-6 miles from Tocumen Circle on Cerro Azul Road, leg. Al. Gentry 21 60 (1 8- X-1 971 )F, MO; 1 miles S. Wolf Goofy Lake, 'eg. R. E. Weaver et R. L. Wilbur2246 (1 9-1- 1970)F, MO; Herrera, Roadsides in hills between las Miras and Pesé. Alt. 900-1 200 ft., leg. d. Burch, R. L. Oliver et K. R. Bobertson 1339 (25-XII-1 966)MO, GH, DS, UC, K; ibidem, weedy hillsides and dry thickets about 1 mile north of Las Minas and 1 4 miles south of Ocú, leg. R. L Wilbur, J - L. Luteyn et P. A. Armond 12111 (1 -VI- 1 970) GH; 5 roots and quart of water boild- ed togetherm and decoction drunk from hme to time as a febrifuge San Francisco, Veraguas. leg. G. W. Powell s.n. (II- I924)US; Tobogã Island, leg. Gerrit S. Miller Jr. 1853 (27-11-1 937)US, MO; ibi- dem, leg. J. Francês Macbride 2841 (26/7- 11-1 937)F; Vicinity of Bella Vista, leg. C. V. Piper 5393 (21 -11-1 923JGH; Sabinas, leg. B. Paul 101 (VII-1 932)US; Province of Co- cle, leg. Thomas B. Croat 9581 ( 1 3- IV- 1970JM0; ibidem, leg. S. Mc. Daniel 1 4839 et R. Cooke (4-1 -1 971 )M0; ibidem, leg. J. A. Ducke et H. W. Mussel 6599 (4- VI 1 1-1 963)MO; ibidem, leg. Al. Gentry 5838 (1 0-XI-1 972)MO; ibidem, leg. Al. Gentry 291 2(11 -XII-1 971 )MO; ibidem, El Valle, on road to, leg. John E. Ebinger 1 1 00 (28-VIII-1 960)F, MO; Province ofChiriqui, leg. Thomas Croat 1 0720 (31 -V-1 970)MO; Guadalupe provenit et etiam in istmo pa- namensis, leg. P. Duchassay GOET; LE; San Jose Island, Gulf of Panamá, leg. Ivan M. Johnston 293 (25-1944)BM, GH; ibidem, Perlas Archipelago, Gulf of Panamá, leg. Ivan M. Johnston, 884 (24-XII-1 945) GH; ibidem, Islet off shore on point between Playa Grande and Mango Beach, idem, 1 302 (2-11-1 946)GH; ibidem, Plain at Cho- carra, Basalt area, leg. C. Earle Smith, Jr. et H. Morgan Smith 3454 (5-1-1 958)US; Co- marca San Blas-M inland Point opposite, Isla Mosquito, leg. J. A. Ducke 8974 (1 9-X- 1 966)US, MO; Calzado Largo P. R., leg. D. Sucre 12 ( 1 7-IX- 1 960) R B; Province of Colon, leg. M. Nee9094(30-XII-1 973)MO; Province of Veraguas, leg. R. L. Wilbur 15468 (29-XII-1 971 ) et al. MO; ibidem. leg. M. Nee 10154 (25-11-1 974)MO; ibi- dem, just. below San José, leg. W. G. D Arcy 10254 (5-XII-1 975)MO; ibidem, leg. Edwin L. Tyson 6071 (28-XII- 1 968) MO; ibidem, leg. P. H. Allen 178 (8- 11-1937) MO; ibidem, leg. M. Nee 8206 ( 1 9-XI-1 973) MO; ibidem, leg. P. H. Allen 1053 (24-XI-1 938)MO; ibidem, leg. Kurt E. Blum 660 et al (1 9-IX-1 965)MO; Province of Panamá roadside on way to cerro Cam- pana, 1 /4 mi. from highway, leg. Thomas B. Croat 12028 (1 0-IX-1 970) F, MO; ibidem, leg. Paul C. Standley 25903 (4-XII- 1 923) US; ibidem, weedy area S of Tocu- men airport, leg. W. G. D Arcy 9668 (1 5-XI- 1975)MO; ibidem, leg. J. A. Ducke 9501 (28-1-1 967)MO; ibidem, leg. J. A. Ducke 5568 (1 1 -XI - 1 962)MO; ibidem, along road between Babloa and Chamé. leg. C. W. Dodge et al 16741 (2-XII-1 934)M0; ibi- dem, Isla Taboga ca 186 m, leg. R. E. Woodson 1460 (23-24-VII-1 938)MO; ibi- dem along R. Tecuman, north of Chepo road, leg. A. A. Hunter, P. H. Allen 223 (27- 1-1935) MO; ibidem, along road between Panamá and Chepo, leg. C. W. Dodge 16656 (29-XI-1 934)M0; ibidem, Isla Ta- baguila, leg. J. A. Ducke 5902 (20-X- 1 962)MO; ibidem, near Calzada Larga, leg. Thomas B. Croat 12388 (27-XI-1 970)MO; ibidem, leg. Mireya, D. Corrêa 430 et al (7- XI- 1 967)MO; Zona do Canal: Around Cule- bra, alt. 50/1 50 m, leg. H. Pittier2234 (4-1 - 1911 )BM; ibidem, leg. J. A. Ducke 3965 (26-IX-1 961 ) UNCC, MO; ibidem, leg. J. M. Greenman et M. T. Greenman 5083 (13-1- 1 922) MO; ibidem, leg. J. Kallenki 202 (20- 1-1 975)MO; ibidem, sabanas along R. Azo- te Caballo, leg. C. W. Dodge et al 1 6836 (7- XII- 1 934)MO; ibidem leg. H. W. Lewis 1 834 et al (1 - VI- 1 967)MO; ibidem, leg. K. E. Blum 2062 (1 1 -1-1 966)MO; ibidem, Fort Clayton, leg. E. L. Tyson et al. 2845 (21-1- 1 966)MO. COLÔMBIA: Leg. Linden (1842)BM; Leg. Cyril 630 (1924)MO; Santa Marta, leg. Herbert H. Smith 2275 (LX-1 898-1 901 ) LE, BM, US, L, F, MO, PHIL Cordillera Oriental, Departamento Norte de Santander, region dei Sarare; El Banco, confluência de los rios Cibugón y cobaria, 320 m de alt., leg. J. Cuatrecasas 13178 ( 1 5-XI-1 941 )US; CORD, COL La Jagua, Dept.° Magdalena alt. 1 00 m, leg. Oscar Haught 3558 (20-VI- 1943)F, LIL, COL; Departamento de San- tander, leg. Jean H. Langenheir 3270 (9-7- 1953JUC, COL; Stander, San Gíl, leg. H. Antonio Miguel 99 (1945)GH; Depart- ment of Cundinamarca, Melgar, leg. Fran- cês W. Pennell 2907 (4/5-XII-1 91 7)US; S.A. Cordillera Oriental-Uribe, Int. de Me- tra, leg. F. R. Fosberg 19451 (20-XII- 1942)US, COL; Los Llanos, Rio Meta Ca- buyaro; alt. 235 metros, leg. J. Cuatrecasas 3608 ( 1 4-X- 1 938) F, COL; Herbário Co- lombiano 493 US; Prov. N. Granada, leg. L Linden 1 1 47 (1 843) LE, F, BM; ibidem, Voya- ge L Schlin 195 (1886)BM; Bogotá, HB. Apolinar — Maua US; Meta 15 k este de San Martin, leg. Willmar Schwabe, 67/1 1 1 (1 967)COL Casanare, leg. L Uribe 3544 (28-XI-1 960)C0L' ibidem, Norte de Tau- ramence, entre el Jaquito y Coyoa, leg. Uribe 3914 (2-1961) COL; La Serra- nia leg. J. Cuatrecasas 7814 (20-XI- 1939)COL' Santander, Bucaramanga leg. L Uribe 6138 (4-VIII-1 968)COL; Dept.° Tolima, leg. S. Galen Smith 1288 (28-VII- 1 950) US, GH. UC. MO, COU ibidem, Pra- do. 800-1400 m, leg. F. C. Lehmennianae in Colômbia et Equador 6381 (l-ll) F, GH, PHIL ibidem, leg. M. Schneider477 (29- XI I - 1 947) S, COL; ibidem, Mariquita al Fresno, rio Guali 210-500 m alt., leg., H. Garcia Barriga 08201 (29-XI-1 939JCOL VENEZUELA: State of Bolivar, Mori- chal el Guayabal, leg. Felix Cardona 675 (VI- 1 943)US; ibidem, Rio Paoand El Cristo, Bodriguésia. Rio de Janeiro, 37(62): 21-45, jan./jun. 1985 27 SciELO/ JBRJj 14 alt. 1 00-300 m.s.m., leg. F. P. Killip 37257 (4-IV-1 943)US; ibidem, La Paragua, alt. about 285 meters, leg. E. P. Killip 37600 (22-IV-1 943)GH; ibidem, 8 km of Rio Cau- ra, between Carcara, leg. G. Davise, 4464 (24-XI-1 973)MO; ibidem, 61 km SE of Upa- ta, leg. G. Davidse 4636 (2-XII-1 973)MO; ibidem, leg. F. Velez 2534 ( 23- IV- 1946)US; Island of Margarita — San Juan, leg. J. R. Johnston 123 (6-VII- 1 903)F, GH, US; ibidem, Ed. Nueva Espar- ta, leg. Croizat s.n. (3-1 5-IX-1 948)F; ibi- dem, leg. J. R. Johnston 650 (6-VII- 1903)F; Esmeralda, Upper, Orinoco, Fed. Ter. Amazonas, Alt. 143 m, leg. Llewelyn Williams 15409 (15-V-42) F, US; Zulia, Perija, leg. Herman Gines 1 566(3-1-51 )US. TRINIDAD: Leg. F. H. Hart 361 0 L M; leg. D. Hummel (XI 1-1 957)GB, G0ET; leg. A. Fendler 1 008 (1 877-1 880) BM; leg. W. E. Broadway 7686 (3-XI-1 929)BM; idem, 7776 (1 2-X-1 929)MO, BM, S; idem, 1908 (6-XI-1 907)M, L, Z, US; Mayara, Guaya- guayare, leg. Barnard Jones et Cranes 293 (26-VII-1 976)RNG; St. Andrew, Cumuto, leg. Barnard, Jones, 367 et al. (23-VI- 1976JRNG; ibidem 353 (26- VI I- 1976)RNG; ibidem, leg. H. S. Mckee 10571 (1 6-VI 1 1-1 963) US; Trinidad and adjacent islands, leg. R. A. Howard 1 031 0 (23-11-1 950)BM; St. George Co., Trinidad, between Mt. St. Benedict and the St. Joseph. leg. W. A. Hekking 1285 (1-11- 1 962)A, U, F; British West Indies, leg. N. L. Briton et T. E. Hazen et Walter Mendelson 662 (1 7-11-1 920)GH; Tobago, west Indies, leg. W. E. Broadway 3846 ( 1 4- V I - 1 91 0) F, L, BM, Z; ibidem, idem (8-XI- 1932)A, MO; ibidem, herbarium Otto Kuntze, 1026, F; ibidem, leg. N. L. Britton, E. G. Britton, T. E. Hanzen 396 (8/9- III- 1 920)GH; ibidem, leg. N. L. Britton et. E. G. Britton 2472 (21 -111-1 921 ) GH, US; ibidem, N. L. Britton, W. E. Broadway et T. E. Hanzen 306 (5-111-1 920)GH; Aripo Sa- vanna, open moist, white-sand savanna 20 m elev, leg. Richard S. Cowan, 1 1 52 (23- 1 1 1- 1 959) US; Flora von Wessintiem, in prasis at Caroni, leg. V. Eggers 1 148 (IV- 1 884) UC, E, B, U JE, HBG, Z, M, CORD. SÃO VICENTE; Leg. H. H. et G. W. Smith 684 (111-1 890JGH, BM; In sylvis months Montrose Hi lis., leg. H. Eggers 6609 (1889JGH, US, L Charlott parish, Montreal in cultivated area at 1450 feet elevation, leg. George R. Cooley 8290 (3- 11-1 962)GH. GUIANA BRITÂNICA: Basin of Ru- pununi River. Karenambo, lat. about 3 o 45' N, leg. A. C. Smith 21 90(9-1 3-X-1 937)US, F, GH, MO, S; ibidem, rupununu Northern savanna, leg. R. Goodland et R. Persaud 793 (1 8-IX-1 963)US; Upper mazaruni ri- ver, long. about 60° 1 0 ' W„ leg. J. S. De la Cruz 2336 (22-IX-6-X-1 922)F, PHIL, MO, UC, GH; Mackenzie, opposite Wismar, lat. 6 o N„ leg. A. S. Hitchcock 17456 (11-1- 1 920)GH, US; Leg. R. H. Schomburgk 1 52 ( 1 837) E, UPS; Leg. A. Pulle 503 (XI- 1 933) U; Leg. A. Caaper333 (1 973)U; Leg. Poiteau, LÊ. SURINAME: Leg. J. G. Wessels Boer 772 (24- 11-1 963) U; ibidem, leg. B. W. ( 1 9 1 4) U; ibidem, leg. J. F. Hulk 21 2 (29-1- 1 91 1 )U; ibidem leg. A. M. W. Mennega, 1 2 (1 2-IX-1 954)U; ibidem, leg. J. T. Wild- schut 11462 (26-VIII-1 967)U; ibidem, 1031, U; ibidem, leg. J. T. Wildschut et P. A. Teunissen 1 1 603 (2- IX- 1 967)U; ibidem, leg. Focke 373, L ibidem, Forest of Zan- dery, leg. J. A. Sammueles 249 (31 -V- 1916JL, GH; ibidem, leg. Hostman s/n, L ibidem, leg. Hostman 184, BM; ibidem, leg. Hostman F. W. 645 (1 842-3)BM, GH, U, MO; ibidem, leg. Wullschlagel 740, GOET; ibidem, leg. Hostman, L Sipaliwini savanna area on Brasilian frontier, leg. F. H. F. Olden- burger, R. NordeeJ. P. Schulz ON 81 2 (21 - 1-1 969)U; ibidem, leg. Voltz, U; ibidem, leg. Col Indig. 216 (1 91 0)U; ibidem, along margin of savanna, common, kayser air- strip 25 km above confluence with Licie Rivier, 270 meters, leg. B. Maguire, J. P. Schulz et al 53940 (30-VI-1 963)U; ibidem, leg. D. C. Geyskes (2-V-1952JU; ibidem, warra-savanne aan de westoever vam Marataka., leg. J. P. A. Florschutz 1 950 (7- IV- 1 951 )U; ibidem, Para Districh, prope Berlin, leg. went 370 (1 901 )U; ibidem, open savanne, leg. P. J. M. Maas et J. A. Tawjoeran 3309 (28-V-1 965)U; ibidem, savanne, leg. P. C. Heyligers 40 (1956)U; ibidem, Tibiti, savanne, leg. J. Lanjow et J. C. Lindeman 1634 (6-1-1 949)U; ibidem, leg. J. J. M. Maas, J. Tawjoeran 3256 (10- V- 1 965)U; ibidem, leg. Went478 (1 901 )U; ibidem, leg. Forest Bureau (191 4)U; ibi- dem, Coesewijne, savanna, leg. J. Van Donselaar 632 (1959)U; ibidem, Kleisa- vanne, leg. J. Lanjouw et J. C. Lindeman 203 (5-IX-1 948)U; ibidem, J. Lanjouw et J. C. Lindeman 3335 (1 6-111-1 949)U; ibidem, leg. P. H. van Doesburg Jr. 84 (23-IV- 1960)U; ibidem Brinckhill savanna Nature reserve, leg. J. T. Wildschut et P. A. Teu- nissen et al. 11502 (29-VII I- 1 967) U; ibi- dem, leg. R. Jansma LBB 15602 (28-111- 1976)U; ibidem, Lobin-savana inter Zan- derig et Hannover, leg. J. et W. A. E. Donsellar 412 (1958)U; ibidem, leg. J- Kmyper21 (X-1911JU; ibidem, leg. A. M. W. Mennega e J. Koek Noorman 892 (14- XI-1974)U; ibidem, Sipaliwini savanna area on Brasilian frontier, leg. F. H. F. 01- denburger, R. Norde et al. 79 (IX-1968JU; On clay savanna near Kopi, Kaswinika Creek, Burned every september, distr. Commewijne., leg. J. C. Lindeman 4266 (1 5-VII-1 953)A, U; Brownsweg, ad viam ferream prope km 1 1 5-1 1 6 (districto Bro- kopondo), leg. K. O. Kramer et H. A. Hek- king 3226 (6-IV-1 961 )GH, U; Zuid River 3 o 20' N„ 56° 49' W. 3 o 10', 56° 29W. margin of Kayser Airstrip, 45 km above confluence with Lucie River, 270 m, leg. H. S. Irwin, G. T. Prance, T. R. Soderstrom. Noel Hoemagren 57521 (23-IX-1 963) RB, MO. GUIANA FRANCESA: 366, 362 UPS; leg. Melinon 289 (1942) L; Leg. Poiteau, LE; leg. W. E. Broadway 364 (31 -V- 1 921 )US, GH; Vicinity of Cayene, leg. W. E. Broadway 430 (6-VI-1 921 )GH; ibidem, leg. W. E. Broadway 1 69 (1 1 -V-1 921 )GH, G. F; St. a Laurent-du-Waroui4223(7-948)U; km 23 Cayenne Crique Anguille W. of R- due Tour de TILE low savanna with many Cyperaceae and few Gramineae inundated, leg. A. J. M. Leeuwenbwerg 1 1 678 (31 -I- 1 978)U; lie de Cayenne, leg. De Granvelle 271 (1 9-X-1 969)U. PERU: Pampas bei Tarapoto leg. E. Ule ( IX- 1 902)HBG; ibidem, leg. Ule 6420 (IX- 1 920)L BRASIL Leg. Duchass., LE; leg. Sellow L; Glocker, (1842)BM; leg. Sellow KW (foto). RORAIMA: Foz do Rio Branco., leg- DobereineretTokarnia (Sap-64 A)s.n. (VII- 1 969JRB. RONDÔNIA: Território do Guapo- ré, Porto Velho, Fazenda Milagre, várzea de campo artificial, leg. G. A. Black e E. Cor- deiro 52-145 07 (26-V-1 952)U; Plants of Brasilian Amazonas; Território of Rondonia basin of R. Madeira-Mamoré railroad near Abunã. Capoeira, leg. G. T. Prance, E. Fo- rero, B. L Wrigley 5996 (1 4-VII-1 968)U, M, COL, S. AMAPÁ: Leg. J. Murça Pires 5221 9 et al (1 9-VII-1 962)S. AMAZONAS: Rio Negro, M; Manaus and vicinity. Rio Negro Between Manaus and igarapé taru- mã, leg. G. T. Prance 2656 et al (14-X- 1 966)U, M, S, COL PARÁ Leg. Burchel, 9410 GH, L; Igarapé, S. Felippe, leg. Shut- zelburg 20469 (IX-1 927)M; Distrito Belém Castanhal, Fazenda de Setenta e Dois, leg. 28 Rodriguésia. Rio de Janeiro, 37(62): 21-45, jan./jun. 1985 cm 1 2 3 4 5 6 7 SciELO/ JBRJj 14 15 16 17 18 19 20 Vnes Mexia 5907 (29-VI-1 931 )F. GH, PHIL, 2. MO, S, GB, UC, BM, U, A; Apeu-Belém- Brasília, leg. A. P. Duarte 9801 (5-V1I- 1966)RB; Belém., leg. Tte. Alvarenga s. n. (10-VII-55)RB; Reserva UtingaÁgua Preta, ca. represa ca. Belém., leg. A. Lourteig 1 779 (1 2-VI-1 966)US; Campo Alto de Arroyol- los - leg. A. Ducke s. n. (29-IV-1 923)RB; Sandy denuded areas 2 km-south. Vigia. Ie 9- Francls Drouet 2123 (18-VII- 1 935)GH; Município de Ananindeua, Esta- ção de Experimentação Agropecuária., leg. J- P. Fontella 1 59 G (1 5-VI-1 966)RB; João Coelho, leg. Edm. Pereira 4956 (26-VIII- 59) LP, F, B; Ilha do Mosqueiro, near Pará., Ie 9- E. P. KillipetA. C. Smith30454(3/9-IX- 1 929)US; Est. de Ferro Bragança., leg. J. G. Kuhlmann 5 (1 0-VIII-1 923)RB; Santarém, prov. Pará, leg. R. Spruce (1849) Kiew, LE; Pará, in savannis arenosis, leg. F. L Splitz- berger 965 (1838)L; Belém, leg. Danil Austin 4227 (24-VI-1 969)MO. MARA- NHÃO: São Luiz, Anil, capoeira, leg. H. Snethlage 136 (26-VII-1 923)F; ibidem, ls- land of São Luiz, leg. R. Froes 11874 (1940) LI L; Município de Miranda, Cas- tanheda, a mais ou menos 90 m de altitude, le 9- D. Sucre et J. F. da Silva 9382 (27-IV- ? 2)RB. PERNAMBUCO: Rio Formoso-Paca- v ' r a, leg. J, |, A. Falcão, W. A. Egler et E. Pereira 924 (3-IX-1 954)RB; Pernambuco, ' e 9- Vasconcellos Sobrinho, 261 (XII- 1 936)RB; Usina Tiuma, leg. Jayme Coelho de Moraes 1812 (20-X-56)RB; leg. Gardner 1066 (XII-1 837)GH, E, BM. ALA- GOAS: Maceió, Fazenda Boa Vista, leg. C. Pamanho Campeio 1510 (27-XI-1 974)RB. SERGIPE: São Cristovão, à 2 km da Br. 10 - leg. Marcelo Fonseca 87 (20-XI- 1 974)RB, CONDESE (Herbário do Conse- lho de Desenvolvimento de Sergipe). BA- H| A: Leg. Da Cunha 16484 (12-V- 1 943)LIL; leg. J. G. Kuhlman 2209 (21 -V- 524) RB; leg. J. G. Vinha 74 et R. S. Pinheiro 221 (9-VIII-1 967)RB; Ondina, leg. Dmorá R - Espinosa 18 (1 0- 1 1 1-954) R B; Saída de Santo Amaro ao entroncamento de Valen- Ça Rod. BR 1 01 , leg. J. A. de Jesus (348) et T - S. Santos (397) (7-V-1969) CEPEC; "béus, leg. Blanchet LE; F; ibidem, leg. Wawra e Maly 285 (1 859-60); leg. G. Don (herb. John Miers 18.156)BM; leg. Blan- chet 14(1 839) BM; leg. Lockhart. BM; leg. Salzmann (1 831 )E, MO; leg. Gardner 1 066 (1838JE; leg. Blanchet (1832)GOET; Ca- rna tnu, mata litorânea, 2919 (25-11- 1 975)RB. MINAS GERAIS: Habitat in cam- P's editis ad Serra Grão Mogol, leg. Martius 5^3 M; leg. Martius 944 U. GOIÁS: Nor- thern Goiás. Cut-over Woods, ca. 1 5 km S. °1 Araguaiana, Goiás, leg. H. S. Irwin, H. MaxWelI, DC. Wasshausen 21267 (1 6-111- 1 968)F, S. Aublet (1775) descreveu C. spi- cata como uma erva anual com raízes fibrosas, caules cilíndricos, com folhas opostas sésseis, às vezes verticiladas, flores dispostas em espigas; informou que toda a planta é de gosto amargo e cresce na orla dos caminhos, em depressões, nas terras firmes da Guiana e margem dos riachos e dos rios. A planta representada em sua tabula mostra as flores dispostas em espigas opostas na base relativamente laxas e a medida que se aproximam do ápice apresentam-se decussadas, ternadas ou verticiladas. Lamarck (1786) tratou de C. al- ba caracterizando-a como uma espécie de folhas oblongas, agudas e flores dispos- tas em espigas, a chamou vulgarmente de C. alba. Comentou ainda em sua descrição que às vezes as folhas podem ser ternadas. Colocou em sinonímia as espécies C. spicata Aublet e mencionou como aquele autor tratar-se de uma Gentianaceae pró- pria de horta. Va hl (1794) ao tratar de Exacum spicatum colocou Coutoubea spicata Aúbl., em sinonímia. Meyer (1818) redescreveu a es- pécie de Aublet colocando C. spicata e Exacum spicatum Willd como sinônimos. Kunth (1818) fez uma descrição mais detalhada que aquela apresentada pelo autor anterior. Colocou C. alba Lam. e Exacum spicatum Vahl. em sinonímia da espécie em apreço. Martius (1827) classificou e fez ampla diagnose de Cutubea densifiora. apresentando uma belíssima estampa com detalhes da inflorescência, das peças flo- rais, cápsula e sementes. Chamisso (1833) não descreveu C. spicata mas identificou material coleta- do por Sellow como C. spicata HBK. Men- cionou ainda que tal exemplar correspon- deria a C. densifiora Martius por apresentar folhas sésseis, subamplexicaules de base arredondada. Grisebach (1839) ao colocar C. spicata no grupo das plantas anuais com inflorescências em espigas, fez curta diag- nose, colocando C. alba Lam. na sinonímia da espécie em questão e considerou C. densifiora Martius como espécie válida. Dietrich (1839) mencionou Coutou- bea spicata, e seguiu Kunth quanto à sino- nímia. Grisebach (1845) considerou C. spicata distinta de Cutubea densifiora Mart. aquela diferindo desta porapresentar folhas lanceoladas acuminadas em ambos os lados, espigas com flores verticiladas aproximadas. Manteve a sinonímia de seu trabalho anterior. Bentham (1854) caracterizou C. Spi- cata como uma planta com folhas de base cordada, amplexicaule com inflorescência disposta em espigas e flores laxas ou den- sas. Colocou C. densifiora na sinonímia desta espécie. Miquel (1847) considerou C. densi- fiora Mart. como uma variedade acrescen- tando que não havia percebido com clareza as diferenças entre a espécie de Martius, C. reflexa Benth e C. luteum Steudel. Progel (1865) descreveu C. spi- cata e colocou seis outras como sino- nímia da espécie em apreço. Mencionou ainda, a variabilidade das inflorescências ora com flores densas ora laxas. Hensley (1882) sem tecer maiores comentários apenas relacionou C. spicata como ocorrente na América Tropical. Jonker (1937) ao fazer uma sucinta descrição de C. spicata seguiu Progel no que diz respeito à sinonímia. A análise do fototypus, da bibliografia, do material estudado, permitiu concluir que C. spicata Aublet apresenta variabili- dade, principalmente no que se relaciona às inflorescências, ora laxas ora densas, curtas ou às vezes muito longas. Silva et al (1974) comunicam a alta toxidade de C. spicata para bovinos infor- mando que a planta administrada por ingestão forçada provoca a morte do ani- mal. Após 8 a 10 horas, há sintomas de inquietação, paralisia do rumem além do aumento da frequência respiratória a car- diáca. Esta espécie às vezes é citada em etiqueta como Coutoubea capitulata, pro- vavelmente devido à forma da inflorescên- Rodriguésia. Rio de Janeiro, 37 ( 62 ): 21 - 45 . jan./jun. 1985 29 SciELO/ JBRJj 14 15 16 17 18 19 20 cia que em espécimes do Herbário de Leningrado é curta e congesta. 5. Coutoubea ramosa Áublet Aublet Plant. Guian. Fr. 1 :74.1 775; ed. 3:t.28; Martius. Nov. Gen. Sp. PI. 2:212. 1827; Grisebach, Gen. Sp. Gent. Obs. 132.1839; Dietrich Synopsis PI. 1:440. 1839; Grisebach, in AP. De Candolle, Prodr. 9:67.1845; Grisebach in Linnaea 22:33.1849; Bentham in Hook Journ. of Bot. 6:198.1854; Progel in Mart. Fl. Bras. 6(1 ):21 1 .1 865; Jonker in Pulle, Flora of Suriname 1(4): Mede Kol. Inst. Amst. 30(1 1):404. 1932-1937. = Coutoubea purpurea Lam. Encyc. Meth. 2:1 62.1 786; ill. t. 79. Grisebach in A. P. DC. Pro. Syn. = Exacum ramosum Vahl. Symb. Bot. 3: 17.1794; Grisebach loc, cit. pro. Syn. = Coutoubea ramosa Aublet var. Vulgaris Benth, Hook Journ. of Bot. 6:1 98. 1 854; Progel. I. c. fig. 5; = Coutoubea ramosa f. vulgaris Jonker, I. c. 406. = Coutoubea ramosa Aublet var. latifolia Grisebach, Linnaea 22:33. 1849. Subarbusto ou erva variando entre 15- 90 cm de altura, ereto, ramificado desde a base ou no ápice; raizes longas, ramifica- das, lenhosas 5-20 cm de comprimento; caule cilíndrico, subcilíndrico, subtetrago- no, 1-1,5 cm de diâmetro; entrenó 0,5- 5 cm de comprimento; Folhas lanceoladas, membranáceas, agudas ou acuminadas no ápice; atenuadas na base; nervuras salien- tes na face dorsal, imersas na ventral, 3-1 1 cm de comprimento, 0,2-2, 8 cm de largura. Inflorescência em racemo terminal ou axi- lar, cujo comprimento dos ramos inferiores às vezes se igualam com os dos ramos terminais, dando um aspecto corimbifor- me, variando em comprimento de 2-22 cm. Flores alvas ou róseas; pedúnculo 1- 4,5 mm de comprimento com bracteas foliáceas ou espiniformes; botões lanceo- lados, ovados ou agudos 4-13 mm de comprimento; cálice coriáceo, carinado com lacínios iguais ou pouco menores que o comprimento da corola, acuminados, ovado-acuminados, variando de 3-6 mm de comprimento, escarioso na margem; corola hipocrateriforme ou campanulada, constrita ou não, próximo aos lobos, mar- cescente, 6-1 6 mm de comprimento, 1 ,5- 3 mm de diâmetro, lobos eretos, elípticos, lanceolados, agudos, acuminados 4- 1 0 mm de comprimento, 2-3 mm de largu- ra; estames excertos ou inclusos, iguais, mais curtos ou ultrapassando o compri- mento do estilete; anteras sagitadas, oblon- gas, eretas, apiculadas, levemente curvas na abertura, 1 -3 mm de comprimento; ová- rio elíptico 1,8-3, 5 mm de comprimento, 0,8-2, 1 mm de largura; estilete filiforme 1, 7-4,2 mm de comprimento, alargando- se em direção ao ápice em estigma bi- lamelado, truncado ou triangular variando de 0, 3-0,7 mm de comprimento. Cápsula superando o comprimento do cálice, coriá- cea ou membranácea, ovada, elíptica ou lanceolada, atenuada ou aguda com a coro- la marcescente constricta no ápice e o resto de estilete superando o comprimento da corola; sementes muitas, multiformes, angulosas, muito pequenas 0,1 -0,5 mm de diâmetro. Aublet (1775) descreveu C. ra- mosa, baseado no material coletado nas Guianas "in sylvis sinemariensibus et ad ripas rivulorum", mencionou que a espécie tem folhas estreitas, acuminadas e flores purpúreas. Este autor apresentou uma es- tampa destacando as flores axilares com pedicelos curtos ou não, providos de brac- teolas na base as vezes ultrapassando o comprimento das flores, além disso a de- signou como Coutoubee purpurine. Vahl (1794) colocou C. ramosa na sinonímia de Exacum ramosum fez uma sucinta diagnose e mencionou tabula 28 do trabalho de Aublet. Lamarck(1 786) ao tratar de Cou- toubea purpurea colocou C. ramosa Aubl. em sinonímia, faz referência não apenas a sua diferença em relação a C. alba como também seu emprego em medicina. Martius (1827) fez uma curta diagnose para C. ramosa descrevendo-a como divaricato-ramosa, com folhas oblongo-lanceoladas, acuminadas nas ex- tremidades; inflorescências em espigas la- terais e terminais providas de flores decus- sadas com duas brácteas foi iáceas na base, colocando-a em sinonímia de Cutubea ramosa (Aublet) Mart. Dietrich (1839) fez uma diagno- se sobre C. ramosa bastante resumida, mencionou como sinônimo C. purpurea Lam. Grisebach (1839) colocou C. ra- mosa no grupo das plantas arbustivas com inflorescências racemosas, apresen- tando uma descrição mais rica em detalhes e colocando C. purpurea Lam. e Exacum ramosum (Aublet) Vahl como sinônimos. Este mesmo autor (1845) manteve a espécie em pauta no grupo de inflores- cências racemosas. Grisebach (1849) descreveu su- citamente a variedade latifolia para a Vene- zuela, diferenciando-a da típica por ter as folhas mais largas. Bentham (1854) classificou em Coutoubea ramosa três variedades: C. ramosa Aublet y racemosa, C. ramosa Aublet P vulgaris e C. ramosa y longifolia a primeira distinta das demais porapresentar racemos alongados e flores maiores; a va- riedade vulgaris por apresentar racemo com folha na base e flores menores, en- quanto a variedade longifolia. caracteriza- se porterfolhas longas lineares — lanceo- ladas que ultrapassam o comprimento das inflorescências. Progel (1865) seguiu Bentham na conceituação das variedades informan- do que se trata de uma planta polimorfa, cujas variedades são unidas por mais for- mas intermediárias. Jonker (1932/1937), ao tratar das Gentianaceas da Flora do Suriname, distinguiu duas formas para Coutoubea ramosa, Coutoubea ramosa f. vulgaris Benth. e C. ramosa Aubl. f. racemosa Benth., separando a primeira da segunda pelas brácteas inferiores largas, semelhantes às folhas. Pela análise do fototypus e da estampa de Aublet, das variedades do abundante material examinado, verificou-se que C. ramosa é uma espécie polimorfa com gran- de número de formas intermediárias. Nos exemplares que apresentam flo- res com brácteas foliáceas' existem uma grande variabilidade na forma e consistên- cia das folhas além de uma diversidade nas inflorescências, às vezes longas de flores menores, existindo exemplares inter- mediários que dificultam uma concei- tuação precisa sobre estas formas, que em síntese constituem C. ramosa Aubl var. ramosa. A análise dos isosyntypi da variedade C. ramosa var. vulgaris permitiu verificar a semelhança desta variedade com a típica e por esta razão foi sinonimizada. Entretanto aceita-se a conceituação de Bentham 30 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37(62): 21-45, jan./jun. 1985 SciELO/ JBRJj 14 15 16 17 18 19 20 cm (1 854:1 98) para as variedades racemosa e longifolia distinguíveis pelos caracteres abaixo. A — Flores do ápice com brácteas muito pequenas semelhantes à espinhos. Racemos variando de 12-22 cm de comprimento com flores maiores de 11- 1 6 mm .... 5b C. ramosa var. racemosa. AA — Flores do ápice e da base provi- das de brácteas foliáceas. Ra- cemos que variam de 5-1 1 cm de comprimento com flores menores de 7-1 1 mm. a. Folhas ultrapassando o comprimento das inflores- cências. . . 5c. C. ramosa var. longifolia aa. Folhas não ultrapassando as inflorescências. . . 5a. C ramosa var. ramosa. 5a. Coutoubea ramosa Aublet var. ramosa (Est. 13. 14, 15) Subarbusto com 1 5-80 cm de altura, ra- mificado desde a base; raízes longas, robus- tas ' lenhosas, profusamente ramificadas, P 2 cm de comprimento; caule fistuloso, Cl| inarico. ramoso em direção ao ápice, com esmias ou levemente tetrágono, entre- n ° 4-5,5 cm de comprimento, variando de ^•5-1 ,5 cm de diâmetro; folhas lanceola- des, membranáceas de ápice agudo, ate- nuadas na base, nervura mediana saliente na face dorsal, imersa na ventral 4,5-1 1 cm de comprimento, 1-2,8 cm de largura; ln- florescência em racemo terminal ou axilar Cu io comprimento dos ramos inferiores às v ezes se igualam com os dos termi- na| s, dando um aspecto corimbiforme, va- r| ando de 2-12 cm de comprimento. Elores alvas e rosadas, esparsas, opos- tas cruzadas; pendúnculos de 1-4,5 mm comprimento, com brácteas foliáceas 9ue variam de 1 ,5-3,5 cm de comprimento; botão floral lanceolado, ovado ou agudo 4-6 mm de comprimento com o cálice atin- ado o comprimento do tubo da corola, na an tese com 6-9 mm de comprimento; brac- féolas ovadas, agudas, coriáceas, 1,5- 1-8 mm de comprimento, 0,4-0, 5 mm de largura; cálice 4, 3-4, 5 mm de comprimen- to, coriáceo, carinado, com margens esca- riosas, campanulado, não atingindo o comprimento do tubo da corola ou do mesmo comprimento; lacínios ova- dos, agudos, escariosos na margem com 1 ,8-2,2 mm de comprimento e 0,7-0, 9 mm de largura. Corola campanulada, marces- cente, 6-9 mm de comprimento 1 ,5-2,2 mm de diâmetro; tubo 4-5 mm de comprimento, lobos eretos, elípticos, agudos com 4-5 mm de comprimento e 2-2,2 mm de lar- gura; estames com filete de 1 mm de comprimento atingindo a altura do estilete; anteras oblongas apiculadas, 1 -1 ,7 mm de comprimento e 0,1 -0,9 mm de largura; ovário elíptico 2, 7-3, 5 mm de comprimen- to e 1, 2-2,1 mm de largura com estilete carnoso 1 ,7-2,0 mm de comprimento, dila- tando em direção ao ápice em estigma bilamelado, ora truncado ora triangular va- riando de 0,3-0, 5 mm de comprimento; cápsula membranácea ou coriácea, lan- ceolada ou suborbicular, aguda em ambas as extremidades ou ovada, superando o comprimento do cálice que atinge a porção mediana ou pouco abaixo da mesma, 8-9 mm de comprimento e 3-5 mm de largura, paredes dos carpelos projetadas. Semen- tes muitas, multiformes, foveoladas, angu- losas, muito pequenas 0,1-0, 3 mm às vezes achatadas em uma das faces ou côncovas em uma ou várias faces não raro elípticas, trigonais. Holotypus: "Habitat in sylvis Sinera- riensibus, e ad ripas rivulorum" P.; Distribuição geográfica: Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Fran- cesa, Peru, Brasil, Roraima, Rondônia, Amapá, Amazonas, Pará, Mato Grosso e Piauí. Espécie encontrada em altitudes que variam de 40 a 500 m.s.m., crescendo em terrenos alagadiços, em solos arenosos de terra firme, em locais sombrios de ilhas fluviais, sendotambém muito frequente em várzeas e nas margens dos campos culti- vados. As flores apresentam coloração que variam de alva a purpúreas ou às vezes, alvas com manchas violáceas; floresce fre- qüentemente no mês de outubro e frutifica durante o mês de abril. No Pará, esta espécie é conhecida vulgarmente como "Diambarana". 0s indí- genas da Colômbia, quando vão ao baile, utilizam esta planta para perfumar-se, usando-a junto ao corpo porque a mesma, em contacto com o suor, desprende um odor agradável. Material examinado COLÔMBIA: Dept.° Santander, Puerto Wilches and vicinty, alt. 1 00 meters, leg. E. P. Killip et Albert C. Smith 14814 (28-XI-2- XII-1 926JGH, F, US; Camisaria dei Vaupes, alto dei Vaupés, la tirisa y sus alredore, leg. G. Gutierrez V. et R. E. Schultes 569 (9-1- 1944JGH; ibidem, riberas dei Rio Inirida (Longitud 69° 45' W), sítio "Raudal Alto" o Wariapiri. margem derecha, alt. 1 80 m (en la orilla dei rio) leg. A. Fernandes 21 22 (3- 1 1-1 953) F, US, C0L, US; ibidem, San José de Guaviare, sabana, 240 m alt., leg. J. Cuatrecasas 7718(1 3-XI-1 939) COL Vici- nity of barranca Bermeja, Magdalena Valley, between sogamosao and Colorado rivers; alt. 100-500 meters, leg. 0. Haught 1588 (7-V-1 935)GH. COL, F; Rio Metica, Puerto Lopez, alt. 380 meters, leg. J. Cua- trecasas 3578 (1 4-X-1 938)US; Departa- mento Boyacá leg. O. Haught 2640 (28-11- 1932)GH, S, COL Depart. dei Chocó car- reteraquibdoguayabal, orilla dei Rio Duatá, leg. E. Forero 1206 (25-IV-1 975) COL, U; Camisaria dei vichada: carretera a Puerto Carreno, Hato el tigre, margem dei cãno e tigre alt. 180 m., leg. P. Pinto et C. Sastre 1251 (14- II 1-1 971 )C0L. G0ET; Meta, 2 km of Puerto Gaitan in the flood plain of Rio Manacacias, leg. G. Davidse 541 9 (31 -XII- 1 973) COL, MO; Calamar, rio Umlla, 240 m alt., leg. J. Cuatrecasa 7319 (30-X-1939) COL; Caquetá, leg. Mariano Melendro 1 (20-1-1965) COL VENEZUELA: Rio Carrao, Alto Caroni, guayana Venezolana, alrededores Salto Hacha lat. N. 6° 1 5’, long. W. 62° 51 ’, leg. F. C. Puig 2963 (111-1 954)US; In tickets near bank of Rio Caura, la Umón, Edo, Bolivar, alt. 80 m, leg. L Williams 11210 (1 1 -11-1 939)F, US; ibidem, leg. L. Williams 11227 (1 3-11-1 939)US; ibidem, El Mato, Bajo Caura, Edo. Bolivar, alt. 100 m, leg. L. Williams 1 1723 (1 0-IV-1 939)US, S; Boli- var, Rio Torono, Indian Camp above function with Rio Paragua, alt. 280 meters, leg. E. P. Killip 37428 (1 1/1 2-IV-1 943)US; ibidem. Rio Paragua, Guaiquinina, alt. 285 meters, edge of forest along river 37445 (14-1 5-IV-1 943)US; Apure, distrito Pedro Camejo, banks of the Rio Capanaparo, between canos and La guardia, leg. G. Davidse, A. C. Gonzalez 12766 (6-V- 1977)MO; ibidem, distr. S. Fernando, banks of the Rio Arauca. leg. Gerrit Davidse e A. Gonzalez 1 341 8 (1 8-1 9-V-1 977)MO; Bodriguésia. Rio de Janeiro. 37 ( 62 ): 21 - 45 , jan./jun. 1985 31 SciELO/JBRJ, p 14 15 16 17 18 19 20 Near the border between estado Bolivar and território Delta amacuro, leg. J. A. Steyamark 4984 (1 2rlll-1 966)U; Serra Imataca, Rio Toro between Rio La reforma and Puerto Riconorth of El Palmar, alt. 200- 250 m (14-XII-1 960)U; Território Delta Amacuro, leg. A. Steyamark 87687 (20-XI- 1 960)C0U Plants of lower Orinoco, Vene- zuela, (sucupana), leg. Rusby et Squires 30 (IV-1 896)UC, GH, US, F, BM, Z, PHIL, MO, E. M; ibidem, Delta Carro dei gunipa, leg. Francis E; Bond et al 97 (31-3-11- 191 1)PHIL; Rio Lora, nearcamp. 2 of Perija Exploration Co. Leg. H. Pittier, 10921 (12- XI I- 1 922) G H, US, S, MO. GUIANA: Schomburgk 152 (1837)F; idem n.° 30 (1841)BM, isosyntipi var. vulgaris Benth; Plants of the Serra Aca- rai region, leg. Nicholas Guppy 640 (6- XII-1 952)U; In graminosis paramaribo, leg. F. L. Sphitgerber 231 (1837)U Wanana river, north west district, lat. 7 o 45' Nlong. 60° 15' W leg. J. S. de La Cruz 3979 ( 1 0/23- V- 1 923) F, GH, US, MO, PHIL; Kamakusa, Upper Mazaruni river, longitu- de about 59° 50' W, leg. J. S. de La Cruz 4181 (1 1/22-VI-1 923)MO, F, UC, US, GH, PHIL - Penal settlement. leg. A. S. Hitch- cock 17055 (3/9-XI 1-1 91 9) GH, US; Parika, 18 miles west of Gorgetown, on Essequibo river, leg. A. S. Hitchcock 16749 (1 4-XI-1 91 9)GH, S; Vicinity of wismar, on the demerara river, lat. 6 o N„ leg. J. S. De La Cruz 2466 (12/16-X- 1922JUS, F, GH, MO; In and about the village, Tumatumari, leg. H. A. Gleason 327 (18-VI, 8-VII-1 921 )GH; ibidem, leg. T. G. Tutin 542 (24-VIII-1 933)US, BM; Assa- katta, north west district, lat. 7 o 45' N. long. 59° 5' W., leg. J. S. de La Cruz 4371 (1 8/28-IX-1 923)F, GH, UC, MO, PHIL; Waramuri mission, Moruka river, Pome- room district, leg. De La Cruz 2498 (23/27- IX- 1 922)F, US, GH, UC, MO. PHIL ibidem, idem, 2550 (23/27-X-1 922)GH. SURINAME: N.° 217 (1926)U; Leg. Hostman 370, isosyntipi var. vulgaris Benth, BM, GH, U; Leg. Lindeman 610 (1 958) U; Leg. C. Ureden 14756 (1974)U; Leg. Hostman 7976 (1846)KW, foto; Leg. Pulle 1 94(1 903) U; Leg. Soeprato39 E(26- VI-1 91 3)U; Leg. Hostman 586. a (1 933)U; Leg. Wullschlágel 742, GOET; Leg. J. P. Schultz 9027 ( 1 96 1 ) U; Leg. A. D’Angre- mond ( 191 2)Z; Leg. Boldwgh 3820 (1 909) U; Leg. J. F. Hulk 390 (XII-1 91 0)U; Leg. A. M. W. Mennega 1 85 (3-X-1 954)U; Leg. F. Bureau 3470 (1 3-XII-1 91 7)U et 5271 (7-VII-1 921 )U; Leg. A. M. E. Jonker 457 (14-1-1 956)U; Leg. Pulle 430 (5-IX- 1 920) U; Leg. H. S. Irwin 57626, G. T. Prance et al (26-IX-1 963)U; Leg. Lanjow et J. C. Lindeman 3034 (22-IV-1 949)U; Leg. Fresling 52 (1968)U; Leg. H. E. Rombouts 352(1 936)U; Leg. J. Lanjow et J. C. Lindeman 536 (20-IX-1 948)U; idem 610 (IV-1 958)U; Leg. J. Lanjow etJ.C. Lindeman 205 (5- IX- 1 948) U; Brokopondo Lacke on drift-wood leg. J. Van Donselaar 2585 (1 8-VIII-1 965)F; ibidem, near village Bro- kopondo, leg. J. van Donselaar 281 8 (20- XII-1965)UC, A, U; Paramaribo, leg. I. Bol- ding3020(X-1 909)U; Fluv. Litani, leg. H. E. Rombouts 849 (2-X-1937)U; ibidem, leg. J. Lanjow et J. C. Lindeman (5-IX-1 948)U; Kabolebo, R. Near Avanavora — falis, leg. Forestry-Bureau, 4583 (21 -111-1 920)U; Marowiyne, inf. prope alvina, leg. Went 430 ( 1 901 )U; Near Kabelstation, leg. J. Lanjow 1313 (XI-1933JU; ibidem, leg. J. Lanjow et J. C. Lindeman 536 (28- IX- 1948)U; ibidem, leg. I. Bolding 39181 (1 91 1 )U; ibidem, leg. H. E. Rombouts 449 (2-11-1 936)U; fluv.Saramaca inferior, jari- kaba-kreek, leg. K. V. Kramer et W. H. A. Hekking 2162 (25-XI-1 960)Z; ibidem, leg. Pulle 1 5 (1 902)U; ibidem, Toekoemoetoe- kreek, leg. A. G. H. Daniels et F. P. Jonker 1314 (1 2-X-1 959)U; ibidem, leg. P. H. Doesburg 65 (1 8-IV-1 960)U; Near mouth of Victoria creek, leg. J. C. Lindeman 373 (1 9-XII-1 962)U; Flum. Gonini, leg. G. M. Versteeg, 1 10 (1903)U; Silvi prope Pocle- bantje leg. Kegel 605 (17-1-94) Cottica river, near moengo, leg. J. Lanjow 396 (9- VIII-1 933)U; In montibus inter flum. kala- bebo, leg. P. A. Florschutz et P. J. M. Maas 2406 (1 5-XII-1 964)U, COL. GUIANA FRANCESA: 367, 369 UPS; Leg. Wachenheim 475, U; Ajapock, leg. H.C. Rothery 190 (1844) BM, LIU Maroni, leg. Sagot 1116 (1897) BM; Fleuve Approuague, rivière arataye, Sant Pararé, leg. C. Sastre 5675 (1 5-VIII-1 977)U; Ri- viere Camopi (affluent de 1° oyapock à roche Jose, clairiere dans la forêt, leg. Oldeman 2594 (7-XII-1 967)U; Riv. Marra Sant Iguissi, leg. Francis Halle 719 (29- VIII-1 962)U; Caienne coll. Gravelle B. 3688 (5-IX-1 970)U, G, F; Fleuve Kourou, au Sant Leodate leg. Oldeman BI 380 (23-IX- 1967); G. F., Pompidon Papichton, forma- tion secondaries, leg. C. F. Sastre et C. Moretti 4027 (29-IV-1 975)U. BOLÍVIA: Leg. Th. Herzog 402 (VIII- 1 907)Z. BRASIL: Herb. Florae 1051 M, L isosyntipi C. ramosa var. B. vulgaris Benth' Leg. Glocker 370 BM; Leg. Martius (1 864) M, L; ibidem. (1865)M. TERRITÓRIO Dí RORAIMA: Rio Apiau 20 km, from mouth River bank, leg. G. T. Prance, E. Forero et al 4136 (28-1-1 967)F, GH, U, S. RONDÔNIA Margem do R. Urupá, leg. M. R. Cordeiro 508 (1 0-VIII-1 975)RB, IPEAN,U;Vila Ron- dônia, leg. N. A. Rosa 41 3 (2-VIII-1 975JLI. AMAPÁ: Rio Oiapoque, in dense low vegetation at edge of water cachoeira Cacheri, 3 o 43' N, 51° 57' W, leg. H. S. Irwin 47544 (VIII-1 960)U; ibidem, leg. H- S. Irwin, J. M. Pires et L. Y. the Westra 48349 (1 8-IX-1 960)F, U; ibidem, Coastal region, in varzea at borde of Rio Calcoene, vic. Sete Ilhas, 2° 30' N — 50° 55' W, leg- J. Murça Pires et Paulo B. Cavalcante 52583 (22-VIII-1 962)F; S, U, COL; ibidem, Rio Araguari, leg. E. Pereira 3373 et Egler 648 (30-X-1 957) RB, F, LP, HB; ibidem, leg. J. M. Pires 50720 et al (4-IX-1 961 )U; colônia do Torrão, leg. J. Murça Pires et ?■ Cavalcante 52673 (29-VIII-1 962)U. ACRE: Maitá, Rio Moa, leg. G.T. Prance, B.S. Pena, J. F. Ramos 2888(26-X-1 966)S. AMA- ZONAS: Open area secondary vege- tation on north west of edge of San Carlos de Rio Negro, leg. Ronald Liesner 3880 (26-XI-1 977) MO, U; Rio Negro. Ilha Providencia to Ilha Arara, leg. G. T. Prance, J. Maas et al 16227 (1 0-XI-1 971 ) U; ibi- dem, between Manaus and Igarapé Taru- mã, leg. G. T. Prance. B. S. Penna (14-X- 1966JU; Rio Purus, leg. G. T. Prance, J- Maas 14396 (1 7-VII-1 971 )U; Rio Curu- quete, Caxoeira República, leg. G. T. Pran- ce, P. J. Maas 14564 (24-VII-1 971 )U; Uapes, Rio apoporis Raudal jirijirimo (below mouth of Kananari) leg. R. E. Schul- tes et I. Cabrera 14941 (21-1-1952) US, BM; Uaupés, Miriti, cerca de la maloca, pr. Mitu, 200 m alt. leg. J. Cuatrecasas 6926 (20-IX-1 939)F; Território Amazonas, Puer- to Aiyacucho, al margem de la laja imedia- tamente al norte de la ciudad. Elevation 100 m. leg. George S. Bunting4277 (30- XI I- 1 969) F; Caracahy, leg. Kuhlmann 131 (XI 1-1 91 2)RB. PARÁ: Districto Acará, Tho- mé Assú, Santa Maria, roadside in open alt. 40 m, leg. Y. Mexia 6058 (6-VIII-1 931 )US, MO, UC; A, GH. F, BM, GB, Z, U; Road BR 22, Capanema to Maranhão, leg. G.T. Pran- ce etT. D. Pennington 1 892 (1 -XI-1 965) F, S, U, B, M; ibidem, km 80, leg. G. T. Prance et N. T. Silva 58778 (21 -VIII-1 964)F, M, U; Rio Tapajoz, estrada das cachoeiras infe- riores na areia, leg. A. Ducke s. n. (23-XII- 1 91 9)RB; ibidem. Boa Vista, leg. R. Mon- teiro da Costa 30 (1 931 )F; ibidem, leg. A. 32 Rodriguésia. Rio de Janeiro, 37(62): 21-45, jan./jun. 1985 cm l SciELO/ JBRLT 14 15 16 17 lí 19 20 cm Ducke (23-XII-1 91 9) RB; Estrada Belém- Brasi lia, próximo a Ipixuna, leg. B. G. S. Ribeiro 1127 (20-IX-1 975)RB, IPEAN; Near on varzea land, leg. Antonio Lemos 5885 a (24/25- VI 1 1- 1 934)GH, U; vicinity of Igarapé Natal varzea, leg. G. T. Prance P25406 et al (1 5-XI-1 977)U; In pratis ad Para, leg. Martius ob. 2589 (VII) M; Parque "tdigena do Tumucumaque, Rio Parudo Oeste, Missão Tyrijo, leg. P. Cavalcante 2440 (20-11-1 970)S. PIAUÍ; Leg. Gardner, 572 (1 839)E, BM, F, US (Isosyntipi de C. ramosa var. vulgaris Benth.). BAHIA: Rio das Fêmeas, leg. Lutzelburg 663 (1 91 3)M. MINAS GERAIS: Santa Terezinha, Ituiu- ta ba, leg. A. Macedo 2533 (27-VIII- 1 950)S; ibidem, leg. 0. Vicent 4947 (XI- ^91 7) L. GOIÁS: Chapada do Rio Preto, leg. Pb. Lutzelburg 1 305 (1 91 3)M, RB; Prox. a ' ha do Bananal, leg. E. Meleski 247 (26- ll| -78)RB. MATO GROSSO: Leg. Spencer Moore 302(1 891 -92)M; Ao redor do Centro ientificode Aripuanã, leg. J.B. de Andrade 3343 (5-IX-1 976) UEC; Sandy east bank of Rio Aripuanã, north of Humboldt Campus 59° 21 ' N 1 0 o 1 2' S, leg. G. T. Prance, C. C. Berg, W. C. Steward, J. F. Ramos et O. P. Monteiro 18316 (9-X-1 973)F, MO, S, U, F; CUYABA leg. Gust. Malme 1708 (12-VI- 1902)UPS; R; Chavantina, 46 km north of J-havantina, Rio Vau, leg. G. T. Prance e N. P Silva 59384 (1 1 -IX-1 964)RB, NY, GH, F, 0. S, U; Margem do Araguaia, leg. O. Machado 448 (1 9-VIII-1 945)RB; Barra Ita- p,ra Pé, leg. O. Machado 269 (1-X- ^945)RB.; Cáceres, leg. F. C. Hoehne 45 °2. R; ibidem, idem, 449(VIII-1 91 1 )R. 5.b Coutoubea ramosa Aublet var. racemosa (G. F. W. Meyer) Ben- tham. (Est. 16, 17, 18) Bentham in Hookers Journ. of. Bot. 6:198.1854. " Coutoubea racemosa G. F. W. Meyer. Fl. Bsseq. 86. 1818; Grisebach Gen. Sp. Gent. obs. 1 32. 1 839; Dietr. Synop. PI. 1 : 440.1839; Grisebach, 1. c. 67.1845; Grisebach in Linnaea 22:33.1 849; Garcke __ in Linnaea 22:64.1849; " Coutoubea ramosa f. racemosa (Ben- fham) Jonker in Pulle Flora of Suriname 1(4): Mede. Kol. Inst. Amst. 30(11): 404.1932-1937. " Exacum racemosum Roem et Schult. Mant. 3:99.1827. Subarbusto 30-90 cm de altura, ereto c °m pouca ramificação que se origina de 8 Cr n ou a partir de 20 cm da base; raízes rar nificadas 5-20 cm de comprimento; caule sub-cilíndrico às vezes levemente tetrágono, variando de 0,5-1 cm de diâme- tro na base; entre-nó variando de 0,5- 5 cm de comprimento; folhas lanceoladas, obovadas, membranáceas, agudas com margem espessa, reflexa, atenuada na base. Inflorescência 12-22 cm de com- primento disposta em racemos, laxos, axi- lares e terminais, com brácteas foliáceas na base, lanceoladas 4-6,6 cm de compri- mento, 0,2-0, 4 cm de largura; pedúnculos 1 -2 mm de comprimento, brácteola seme- lhante a espinhos, Ianceolada0,5-1 mm de comprimento. Botões lanceolados, estrei- tos, agudos, 5-13 mm de comprimento, 2,0-2, 2 mm de largura; cálice coriá- ceo, 6-7 mm de comprimento, carina- do, espessado na base; lacínios ovados acuminados, de 3 mm de comprimen- to, iguais ou pouco menores que o com- primento do tubo da corola; corola alva hipocrateriforme, marcescente, constrita ou não na altura dos lobos 11-16 mm de comprimento com 2-3 mm de diâmetro; lobos eretos, lanceolados, acuminados com 6-7 mm de comprimento e de 2-3 mm de largura; estames exsertos, filetes 5- 6 mm de comprimento, atingem ou ultra- passam o comprimento do estilete ou às vezes mais curtos; anteras sagitadas, api- culadas, eretas, levemente curvadas para trás na abertura, 2,7-3 mm de comprimen- to 0,7-0, 9 mm de largura, ovário elíptico 1 ,8-2,2 mm de comprimento, 0,8-1 ,1 mm de largura; estilete filiforme 3-4,2 mm de comprimento, alargando-se no ápice, la- melas lanceoladas 0, 5-0,7 mm de compri- mento, Cápsula coriácea, ovada ou elíptica, atenuada ou aguda com a corola marces- cente constricta no ápice e resto de estilete superando o comprimento da corola; pare- de do carpelo papiráceo e projetada para o interior. Sementes muitas, foveoladas, an- gulosas, poligonais 0, 2-0,5 mm de diâme- tro. Isosintypi: Guiana Inglesa; Banks of the Rupunony (Schomburgk 152) E, Z. L, BM. Pará: In vicinibus Santarém prov. Pará, leg. A. Spruce 952 (XI-1842). BM, M, E. Distribuição geográfica; Colômbia, Ve- nezuela, Guiana Inglesa, Suriname, Guiana Francesa. Brasil: Roraima, Amazonas, Pará, Maranhão. Variedade encontrada em altitudes de 20 à 300 m.s.m., frequente em várzeas, elevações de areias de rios, em savanas, locais arenosos ou úmidos. Caracterizada pelos racemos longos, eretos com as flores apresentando variável coloração, alvas, ró- seas às vezes alvas com manchas arro- xeadas. A floração geralmente ocorre nos meses de outubro à fevereiro e a frutifica- ção é mais frequente no mês de março. É conhecida vulgarmente como "Cadena". Na Colômbia recebe a denominação de "Piei de Pescado”. Experimentos levados a efeitos por C.H. Tokarnia e Dobereiner (1981:55) mostram que esta espécie é tóxica para bovinos. Os animais que inge- riram a planta fresca apresentavam anore- xia e andar lerdo, dores abdominais movi- mentos do rúmem diminuídos além de taquicardia chegando finalmente à morte. Material examinado COLÔMBIA: Comisaria dei Vichado, raudal sam Borja. Ventanos, marger izquierda de Rio Orinoco, a orilla de selva de galeria al lado de la sabana alt. ca. 100 m, leg. P. Pinto E. etC. Sastre 1 3 09 (17-111- 1971)US, COL; ibidem, Puerto Carreno, Bosque de Galeria, rio Orinoco, leg. J. Alvarez et H. Suarez s. n. (11-1 965)COL VENEZUELA: Bolívar: Laguna los Francos, leg. T. Koyama et Getúlio Agostin 7214 (1 9-11-1 967) F, COU La union, medio caura, alt. 80 m, leg. L Williams 1 1271 (15- 11-1 939)F, GH; ibidem. Rio Guaraquito, sur de palenque, Edo Guarico, leg. Francisco Fernandez Yepez 984 (19-I-958)F, U; ibi- dem, vicinity on the Orinoco, leg. L. H. Bailey and E. Z. Bailey 1688 (11-1 921 )US, GH; ibidem, cristalline laja 0,5 km above mouth of Rio Pargueni, elevation 100- 1 50 m, leg. J. J. Wurdack et J. V. Mona- chino 39766 (1 0-XII-1 955)US, U, UC; Porto Ayacucho, Terr. Amazonas, alt. 88 m, leg. L. Williams 13102 (24-V-1 940)F, US, UC; ibidem, La Paragua, leg. L Williams 1 261 0 (1 8-V-1 940) F; ibidem, 70 m de alt., leg. L Williams 1 2667 (20-111-1 940)F, US; ibidem, 285 m. s. m., leg. E. P. Killip 37599 (22-IV-1 943)F, GH, S; E. do Apare, leg. I. Velez 2217 (29-111-1 946)US; ibidem, arredores dei morical dei rio Tabaxa mais ou menos 20 m.s.m., carretera, ma- turin barrancas, Edo Monagas, leg. Car- men E. Benitez de rojas 825 (26-111- 1 970)F; Along Cuyuni river near Anacoco, frontier with Guyana, leg. Al Gentry, Gil- berto Morillo et B. de Morillo 10722 ( 1 8-1 II- 1 974) MO; Apure, distrito Pedro Camejo 1 1 km directly (in strainght line) E of Passo de San Pablo and ca. 2 km ENE od Funde Picachón along the banks of the Rio Cananaparo, leg. Gerrit Davidse et Rodriguésia, Rio de Janeiro. 37 ( 62 ): 21 - 45 , jan./jun. 1985 33 SciELO/JBRJ, 14 15 16 17 18 19 20 Angel C. Gonzalez 12, 939 (8/9-V- 1977)MO; ibidem, Distrito Pedro Camejo, 2-5 km upstreamfrom the mouth of the Rio Capanaparo at its junction with the Rio, Orinoco directly west of Isla La urbane, leg. Gerrit Davidse et Angel C. Gonzalez 12, 645 (5-V-1 977)MO; ibidem, Distrito San Fernando, mouth of the Rio Arauca at its intersection with the Rio Orinoco, leg. Gerrit Davidse et Angel C. Gonzalez 13,245(1 4/1 5-V-1977)MO; Raudal Ou- rainia, leg. Basset Maguire 331 53 (16/1 9- 1-1 952)S. República da Guiana: Herb. Henschelia- num, leg. Lehombiofts.n. L; Leg. B. Othmer 2070 (18-1-1 904) M; Banks of the Ru- punoony, leg. Schomburgk 152 (1837) E, Z, L, BM; (isosintypi de C. ramosa var. racemosa); ibidem, leg. Schomburgks.n. L: Kaiteur Falis Demeruru C. Appin (1872) BM; Mazaruni River, leg. G.S. Jemnan 5427 (VI 1 1- 1 889) F, BM, US, UG; ibidem, leg. A. S. Hitchock 16970 (27-XI-1 919) GH; ibidem idem, 17092 (3-IX-XII- 1919)GH; Mazaruni Forest Station, leg. B. Maguire et D. B. Fansshawe 23576 (23-V- 1944)U; Pomeron District, Moruka River, leg. J. S. De La Cruz 1243 (12-VIII- 1 921 )GH, PH; Leg. Jemman 5692 (X- 1 889)US; ibidem, vicinity of Bartica, on the Essequibo River, leg. J.S. De La Cruz 2024 (3-XII-1 922)US; ibidem Rupununi, leg. J. G. Meyer 3456 (1932)US; ibidem, leg. H. Field (1-1 944) F; ibidem, junction of Mazu- runni and Creyuni Rivers, leg. E. H. Graham 216 (VI 1-9-1 924)US; Rupununi savanna, in directionem borealem de montibus kanaku, maurisiekreekdak a. d. voet v. d. Manakaparuheuvels Z. O. van Donselaar t. B. H. 764 (1 4-11-1 959) U; Basin of Rupununi river: Karenambo leg. A. C. Smith 2190 (9/1 3-X-1 937)U; S. Bartica, soil sand. leg. K. R. Roberston et D. F. Austin 237 (1 5-VI- 1967)MO; Essequibo, leg. Rich. Schom- burgk 299 (XI 1-41 )GOET; Waini, river, north west district, leg. J. S. De La Cruz 3705 (3/1 8-IV-1 923)UC, F, GH, PH, MO; Savannah au Caroni, leg. B. Othmer 2010 (18-1-1 904)M. SURINAME: Leg. Hostm. et Kapples 797 b, MO; Leg. Wielfall 741 GO ET; Leg. Hostman, pp., L; Leg. R. F. Hohenacker 1 574 (1 845) MO; Raleighvallen nabij lollo- pasie leg. Dawson L. B. B'1 461 0 (27-VIII- 1 972)U; Surinamun Misit Ministercolonia- rum, leg. Kappler 1 62 (1 862)L, U; Forest of Zandery, leg. J. A. Samuéis 65 27 ex. A (3 1 - V-1916)S, B, US; Surinami, juxta flumen Para, leg. W. F. R. Suringer s, n. (1/2-1- 1 885) L; Savannah near Brownseg, leg. J. Lanjow 1 237 (1 1 -XI- 1 933)U; Upper Mara- takka, leg. Foresttry-Bureau 955 (14-11- 1 91 5)U; Via secta ab moego tapoeadgrote zwiebelzwamp Langs Wane — kreek bij kamp. leg. J. Lanjow et J. C. Lindeman 609 (1-X-1948)U; Republiek leg. J. Kuyper23 ( 1 1 -X- 191 1 ) U; Flumer Maracagne, leg. Kapples 1 56 U; Corantyne R. nearwonoto- bo, leg. Forestry-Bureau 3517 (14-X- 1 91 6)U; Banks of Maratakka river, 100 km upstream of saparra creek; rather rare, leg. P. J. M. Maas et I. Taujoeron 1 0762 (1 2-V- 1965)U; Fluv. Cappename sup. leg. Boon 1125 ( IX- 1 901 ) U; AD flumen marawyne leg. Kappler 2092(IX)G0ET, LE. GUIANA FRANCESA: Leg. Sophiem- burg S; Ex. Herb. Mus. Paris s. n. L; Leg. Poiteau, LE; Hb. Meyer, Goet (holotypus C. racemosa Meyer); Crique Gabrielle, trilou- tary right bank lower Marary R. 4.43 N. 52. 1 7W. riverine forest. open place, leg. A. J. M. Leeuwenberg 1 1699 (2- 1 1- 1 978) U; Guyane Gabrielle, en amont de la Crique Gabrielle, 28-30 km au S. de Cayenne, leg. A. R. Roques 19836 (1 3-1-1 978)U, G, F. BRASIL: Nordbrasilien, Serra da Lua, campos, trocken, leg. Ph. v. Luetzelburg 21 295 (XI-1 927)M; Nordbrasilien, leg. Ph. v. Luetzelburg 20418 (IX-1927)M. RO- RAIMA: Rio Murupu 28 km of Boa Vis- ta road to taiano, leg. G. T. Prance et al 91 1 6 (8-1-1 969) F, GH, U, S; Faz. Sumaré, leg. Dob/Tom 1092 (5-1-1 976)RB; Mar- gem do Rio Branco, fazenda Bom Intento 40 km da cidade de Boa Vista, leg. Herinjer Borges. 10069 (15-II-65)S. RONDÔNIA: Próximo ao aeroporto de P. Velho. leg. M. R. Cordeiro, 664 (29-08-75)U. AMAPÁ: Macapá, margem do Rio Araguari, arredo- res de Porteo Grande, leg. N. A. Rosa et M. dos Santos 999 (1 3-X-1 976)RB. AMA- ZONAS: Manaus, leg. G. T. Prance et al 3024 (9-XI-1 966)F, U, S; ibidem, leg. Kulhmann 38 (X-1902)RB; Ponta Ne- gra, leg. J. P. Lanna 305 et Castellanos 23672 (23-1-1 963)RB, GUA, GH; ibidem, leg. E. Fromm 1389, E. Santos 1411, J. Saco 1646 et Z. A. Trinta 315 (22-1- 963)UC; HB, BM, M; ibidem, base Serra Jacanum, leg. R. Evaws Schultes et F. Lopes9749a(27-lll-1 948)US, GH; ibidem, vicinity of Manaos and Ponta Negra, leg. G. T. Prance et al 9092 (1 8-XII-1 968) GH, F, S, U; ibidem, An sumpfigen itellen, BI. Rosa, Marajó leg. E. Ule 5376 (1-1 901 )L, HBG; ibidem, leg. R.L. Froés 22877 (17-XI- 1947)U; ibidem, between Manaus and Igarapé Tarumã, leg. C. K. Allen, G. T. Prance, B. S. Pena et J. F. Ramos2656 (14- X- 1966)U, S; ibidem, leg. Caol Laro et G. Hubner 136 (11- IV- 1 932) B; ibidem, Leg- Dr. Martius s. n. (s. D.)M; Yavita, Fed. Terr. Amazonas alt. 128 m„ leg. L Williams 13972 (24-1-1 942)F, US; ibidem, Playa near mouth of rio Paru, leg. R. S. Cown et John Wurdack 31563 (1 9-11-1 951 )F; Rio Curuquetê, vicinity of cachoeira Santo An- tônio, leg. G. T. Prance et al 1 4345 (1 5-VII- 1 971 )U; Tarumã Grande, 1 km N. from the junction of Rio Negro and Igarapé Tarumã, 3 o 2' S, 60° 8' W. white sand, black watef igapó, leg. S. Keel and L. F. Coelho 241 (1- XI- 1 977)U; Maués, Capoeira alagável, leg- J. M. Pires 143 (30-XI-946)C0L; Rio Orinoco 100 meters, leg. E. G. Holt et W- Gehringer 23 ( 1 2/24-1-1 930)G H, US- PARÁ: In vicinibus Santarém prov. Pa- rá, leg. A. Spruce 952 (XI- 1 849) isosintypi de C. ramosa var racemosa, BM, M, E; Lago do Faro, praia de Porto Rico, leg. G. A. Black et. P. Ledoux 50-10642 (1 0-11-1 950)UC; Estrada Belém-Brasília, leg. A. P. Duarte 6548 (5-X-962)RB; Ex. Herb. Collegi H- Trin., dublin (esp B)GH; Rio Trombetas nearcachoeira Porteira, leg. D. G. Campbell et al P 22379 (28-V-1 974)U; BR 1 63, km 1131, vicinity of Igarapé Natal, leg. G. T. Prance etal P25406 (1 5-XI-77)MG; Mara- jó ad Natal, leg. Schwack III 106 (6-XII- 1 882)GOET. MARANHÃO: Maracassumé river region, on varzea, (along river Maca- seira) leg. Fróes 1928 (8-X-1 932JUS, F, GH, U, A, BM, MO. Meyer (1818) ao classificar C. ra- cemosa fez uma detalhada diagnose, evi- denciando o porte arbustivo, folhas opos- tas lanceoladas com a base e o ápice agudos, inflorescências em racemos com flores opostas desde a base. Grisebach (1839/1845) seguiu Meyer quanto a conceituação espe- cífica, colocando esta espécie no grupo das plantas arbustivas, com inflorescên- cias racemosas, dotada de brácteas muito pequenas e apresentando o estilete exser- to. Bentham (1854) considerou Coutoubea racemosa como uma variedade de C. ramosa, dando para a mesma as características mencionadas pelo seu an- tecessor. Progel (1865) seguiu Bentham e caracterizou a variedade em questão por apresentar caule cilíndrico, racemos alon- 34 Rodriguésia. Rio de Janeiro, 37(62): 21-45, jan./jun. 1985 SciELO/ JBRJj 14 15 16 17 18 19 20 gados, brácteas muito pequenas e as flores maiores que as das outras variedades. Jonker (1932/1937) conside- rou a variedade de Bentham como uma forma de C. ramosa Aublet. Pela análise dos isosyntipi de C.ramo- sa var. racemosa verificou-se tratar-se de uma variedade característica principal- mente pelos racemos alongados com flo- res esparsas maiores, opostas desde a f^se, providas de bractéolas muito peque- nas. 5 c Coutoubea ramosa Aublet var. longi folia Benth. (Est. 19, 20) Benth. in Hook Journ. of Bot. 6:198. 1854; Progel in Mart. Fl. Bras. 6(1): 211. 1865. Erva ou subarbusto de 28-76 cm de altura, ereto com ramificação geralmente Presente no ápice; raizes variando de 7- 2 cm de comprimento, profusamente ra- mificadas; caule cilíndrico ou subtetrágo- uo, variando 0,5-5 cm de comprimento; °mas lanceoladas, membranáceas, agu- das ou acuminadas, atenuadas na base, Com nervura saliente na face dorsal, imersa na ventral, 3-1 1 cm de comprimento e 2- 8 mm de largura; Inflorescência racemo curto variando de 3-8 cm, ou flores axilares 'soladas, bracteadas, botões agudos; cálice coriáceo, carinado com lací- ni0s acuminados variando 3-6 mm de comprimento; corola alva com lobos eretos, ■10 mm de comprimento; lobos agudos, e stames inclusos, mais curtos ou do mes- m ° comprimento do estilete; anteras oblongas 1-1,5 mm de comprimento; cápsula não observada. Isotypus: Rio Uaupes, leg. Spruce 28 67 i n December, 1852 BM. Distribuição geográfica: Venezuela, Guiana Britânica, Brasil no Estado do Ama- zonas. Material examinado BRASIL S. L, leg. D. Vicent4947 (XII- 1 91 5)L VENEZUELA: Estado Bolivar, Guaya- Pa. strand der Laguna von Canaima, 500 m, e 9- B. Oberwinkleret H. Hertel 1 5201 (28- H'1 969)M; ibidem, Canaima, leg. L Schnee 1 732 (30-111-1 968)U; ibidem, Rio Paragua, Guaiquinima, alt. 285 meters, leg. E. P. Killip 37445 (1 4-1 5-IV-1 943)F, US; ibi- dem, Rio Torono, Indian camp above junction with Rio Paragua, alt. 280 meters, leg. E. P. Killip 37428 (11/1 2-IV-1 943)US. GUIANA BRITÂNICA: Leg. B. Maguire, D. B. Fanshawe 23576 (23-V-1 944)U. AMAZONAS: Prope Panuré ad Rio Uaupés, leg. R. Spruce 2867 (X/l- 1 852/ 1 853JBM (isótipo). BENTHAM (1854) ao examinar material coletado por Spruce em "inunda- ted places at the cataracts of Panuré on the Rio Uaupés, en December, 1852, classifi- cou a variedade longifolia como distinta das demais. Posteriormente PROGEL (1865) manteve a variedade em questão mencio- nando como referência o mesmo material examinado, por Bentham. Ao proceder-se a análise do isótipo enviado pelo B. Museum, bem como de outros exemplares, seguimos a conceitua- ção de Benhtam para a variedade em ques- tão, concluindo-se que é muito caracterís- tica principalmente porterfolhas lanceola- do-lineares, que superam as inflorescên- cias dispostas em racemos curtos. Conclusões O gênero Coutoubea Aublet pertence à subtribo Helieae (Mart.) Gilg. subfamília Gentianoideae e está situado entre os gê- neros Schultesia Mart. e Chelonanthus Gilg. Apresenta espécies estreitamente re- lacionadas, sendo exclusivo da faixa Neo- tropical, ocorrendo freqüentemente em várzea, locais úmidos e arenosos, em ma- tas de terra firme e, às vezes, nas margens dos rios, campos cultivados e rupestres. As características mais importantes para identificação de suas espécies, estão relacionadas principalmente ao porte, ao tipo de inflorescência e ao comprimento das flores, além das dimensões das brac- téolas. São conhecidas pelos nomes popula- res de "Arabu, Papai Nicolau, Diambarana, Baracuare (na Colômbia), Raiz amargosa e Genciana do Brasil”. Dada uma certa variabilidade no que se refere à forma e tamanhos foliares muitas vezes no mesmo exemplar e, não raro a existência de formas intermediárias, há dificuldade para uma caracterização precisa sobre algumas variedades, razão pela qual foram sinonimizadas as vulgaris e la ti folia. Das cinco espécies descritas para o gênero, quatro são encontradas no Brasil, uma delas com duas variedades. Não raro C. spicata e C. ramosa são mencionadas em manuscritos respectivamente como C. capitulata, C. axilliflora, da mesma maneira C. ramosa var racemosa é citada como C. ramosa var. stricta. C. reflexa e C. minor são dadas para o Brasil como nova localidade. Através de bibliografia consultada fo- ram registradas que as espécies C. spicata e C. ramosa são tóxicas para os bovinos, que apresentam sintomas de inquietação, paralisia do rúmen além de problemas na frequência respiratória e cardíaca. Informa o coletor M. Melendro que esta última espécie, na Colômbia, "segun- do la creencia popular en el Caquetá es venenosa y causa la muertedelosanimales que pastam en los protreros". Sabe-se que as características anatô- micas e morfológicas têm servido para evidenciar a relação entre os grupos de angiospermas. Assim, porte, pecíolo, inflo- rescência e distribuição geográfica foram os caracteres que nos pareceram mais conclusivos para os taxa analisados, a fim de especulações sobre certos aspectos evolutivos das espécies e variedades estu- dadas. Kubitsky (1975) com base em dados morfológicos e fitoquímicos assinalou a correlação entre caracteres primitivos e tamanhos das áreas de distribuição geo- gráfica, considerando, que espécies de áreas restritas são mais primitivas. Hickey and Wolfe (1 975) do mesmo modo, consi- deram o padrão broquidódromo como o mais primitivo. Ao se tomar por base as características morfológicas e a distribuição geográfica do gênero Coutoubea Aublet verificou-se que C. reflexa, C. humi/is e C. minor foram aquelas com menor distribuição geográfi- ca, as demais apresentam ampla área de Rodi Mguésia, Rio de Janeiro. 37(62): 21-45, jan./jun. 1985 35 cm 1 SciELO/JBRJ, 14 15 16 17 18 19 20 distribuição. C. humilis e C. minor foram as espécies de menor porte do grupo, en- quanto C. reflexa apresenta-se robusta com tendência a subarbusto. No que diz respeito a inflorescências C. reflexa se apresenta disposta em espi- gas laxas e longas enquanto C. minor e C. humilis são providas de rácemos relativa- mente curtos e congestos. Pelo exame do material verificou-se que C. spicata e C. ramosa são as espécies subarbustivas com maior área de distribui- ção. A primeira, ora com inflorescências em espigas laxas com as flores basais opostas e verticiladas em direção ao ápice, ora congestas com as flores verticiladas desde a base; a segunda com inflorescên- cias racemosas longas ou curtas. Assim, ao analisar-se as espécies acima mencionadas nos aspectos aborda- dos, verificou-se a existência de um inter- relacionamento referente aos caracteres, o que torna difícil uma indagação nesta área, principalmente quando a variação morfo- lógica do grupo é reduzida e não definida. Deixa-se em aberto a questão, aos estudio- sos em fitoquímica e anatomia entre outros para que possam fornecer subsídios a fim de se delimitar o que seria mais primitivo ou derivado no gênero Coutoubea Aublet. Abstract The authors present a study of the five species and two varieties which make up the genus Coutoubea Aublet, which occurs in neotropical area. This work includes descriptions and details of each species and the varieties. It also includes a dichotoms key for the iden- tification of their geographic distri- bution and synonimezes varieties. The majority of the species are known by the vulgar names of "Arabú", "Papai Nicolau", "Diambarana", "Baracuare", "Raiz Amargosa", "Gentiana do Brasil", "Boca de Sapo", "Erva-de-Bicho", "Alfinetes" and "Fel-da-Terra". C. reflexa Benth., from Republica of Guiane and C. minor H. B.K., from Venezue- la, are mentioned for the first time, as they are now known to occurring in Brazil. índices dos coletores, seus números e espécies correspondentes ALLEN, P. H. 1 78, 1 053. C. spicata. ALLEN, P. H. et HUNTER; A. A. 223. C. spicata. ALLEN, C. K. et alii. 2656. C. ramosa var. racemosa. ALVARENGA, T. s. n. C. spicata. ALVAREZ, J. et SUAREZ, H. s. n. C. ramosa var. racemosa. ANDRADE, J. B. 3343. C. ramosa var. ra- mosa. ARNASON, 17843. C. spicata. ARROYIO O. 22. C. spicata. ATÊNCIO, G. 7 C. spicata. AUSTIN, D. 4227. C. spicata. BAILEY, L. H. et BAILEY, E. Z. 168. C. ramosa var. racemosa. BAR LO W, F. D. 30/132. C. spicata. BARRIGA, H. G. 08201. C. spicata. BLACK, G. A. et LEDOUX 50-10642. C. ramosa var. racemosa. BL4NCHET, J. 14, s. n. C. spicata. BLUM, K. E. 2062. C. spicata. BLUM, K. E. et alii. 660. C. spicata. BOER, J. G. W. 772. C. spicata. BOLDING, I. 39181, 3020, 3918a. C. ra- mosa var. ramosa. B0LDWGH, 3820. C. ramosa var. ramosa. B0ND, F. E. et alii. 97. C. ramosa var. ramosa. BOON, H. 1 1 25. C. ramosa var. racemosa. BREEDLOVE, D. E. 34938. C. spicata. BRITTON, N. L et BRITTON, E. G., s. n„ 2472. C. spicata. BRITTON; N. L et alii. s. n„ 662, 396, 306. C. spicata. BR0ADWAY, W. E. 364, 1 69, 1 908, 7686, 7776, 3846, 430, s. n. C. spicata BUNTING; G. S. 4277. C. ramosa var. ra- mosa-, 4234. C. minor. BURCHELL, W. 9410. C. spicata. BUREAU, F. s. n. C. spicata-, 2472, 3470, 5271, 4583. C. ramosa var. ramosa; 955, 351 7. C. ramosa var. racemosa. CAMPBELL; D. G. et alii. P. 22379. C. ramosa var. racemosa. CAMPEL0, C. R. 1510. C. spicata. CARDONA, F. 675. C. spicata. CAVALCANTE, B. P. et alii. 52583. C. ramosa var. ramosa. CELESTINO, B. 58. C. spicata. C00LEY, G. R. 8290. C. spicata. CORDEIRO, M. R. 508. C. ramosa var. ramosa-, 664. C. ramosa var. race- mosa. C0RREA, M. D. et alii. 430. C. spicata. COWAN; R. S. 1 1 52. C. spicata. C0WAN, R. S. et alii. 1 774. C. humilis. COWAN, R. S. et WURDACK, J. J. s. n. C. reflexa ; 31563. C. ramosa var. race- mosa. CROAT, T. B. 9581, 12028, 11211. 24062, 1 0720, 1 2388. C. spicata. CROIZAT, s. n. C. spicata. DANIEL, S. Mc. et COOKE, R. 14839. C. spicata. DANIELS, A. G. H. et JONKER, F. P. 1314. C. ramosa var. ramosa. D ANGREMOND, A. s. n. C. ramosa v at- ra mosa. D ARCY, W. G. 9564, 10254, 9668. C. spicata. DAVIDSE, G. et G0NZALEZ, A. C. 13418, 12766, C. ramosa var. ramosa-, 12, 939, 1 2-645, 1 3.245. C. ramosa var. racemosa. DAVIDSE. G. 2813. C. minor, 5419. C ramosa var. ramosa-, 4464, 4636. C. spicata. DAWSON, L. B. B’14610. C. ramosa var. racemosa. DOBEREINER et TOKARNIA 1092. C. ra- mosa var. racemosa: s. n. C. spicata. D0DGE, G. W. 16656. C. spicata. D0DGE, G. W. et alii. 1674, 16836. C. spicata. DON, G. s. n. C. spicata. DROUET, F. 2123. C. spicata. DUARTE, A. P. 9801 . C. spicata: 6548. C. ramosa var. racemosa. DUCHASS s. n. C. spicata. DUCKE, A. P. s. n. C. ramosa var. ramosa: s- C. reflexa: s. n. C. spicata. DUKE, J. A. 5957, 8974, 9501, 5565, 5902, 3965. C. spicata: s. n. C. ramosa var. ramosa. DUKE, J. A. et MUSSEL, H. W. 6599. C. spicata. DWYER, J. D. 1 398, 7 1 57, 35704, 10071, 9111. C. spicata. DWYER, J. D. et alii. 284, 34, 411. C spicata. EBINGER, J. E. 1 100, 921. C. spicata. EGGERS, H. F. A. 6609, 1 1 1 48. C. spicata. EGLER, 648. C. ramosa var. ramosa. ESPINOSA, D. R. 18. C. spicata. FALCÃO, J. I. A. et alii. 924. C. spicata. FENDLER, A. 1008. C. spicata. FERNANDEZ, A. 2122. C. ramosa var. ra- mosa. FLORSCHUTZ, J. P. A. 1950. C. spicata. 247. C. ramosa var. ramosa. FLORSCHUTZ, J. P. A. et MAAS, p. J. M- 2406. C. ramosa var. ramosa. FOCKE, H. C. 373. C. spicata. FONSECA, M. 87. C. spicata. FONTELLA, J. P. 159 G. C. spicata. F0RER0, E. 1 206. C. ramosa var. ramosa. FOSBERG, F. R. 1 9451 . C. spicata. 36 Rodriguésia, Rio de Janeiro. 37(62): 21-45, jan./jun. 1985 cm 1 SciELO/ JBRJj 14 15 16 17 18 19 20 cm FRANCIS, G. W. s. n. C. ramosa va r. ramosa. FRANCISCO, 984. C. ramosa var. race- mosa. FRESLING, 52. C. ramosa var. ramosa. FROMM, E. 1389 et alii. C. ramosa var. racemosa. FROES, R. L. 1 928, 22877. C. ramosa var. racemosa: 1 1 874 C. spicata. GARDNER, G. 2672. C. ramosa var. ramo- sa; 1066. C. spicata . GENTLE, P. H. 9489. 7756, 3897, 1251, 8056, 3462. C. spicata. GENTRY, A. 21 60, 8572, 5838, 291 2. C. spicata. GENTRY, A. et alii. 10722. C. ramosa var. ramosa. Q ERRIT, DAVIDSE et GONZALEZ, A. 1 341 8. C. ramosa var. ramosa. GEYSKES. D. C. s. n. C. spicata. GINES, H. 1566. C. spicata. GLEASON. H. A. 327. C. ramosa var. ra- mosa. GLOCKER, E. F. 1 842, s.n. C. spicata; 370. C ramosa var. ramosa. G00DLAND, R. et PERSAUD, R. 793. C. spicata. GRAFIM, E. H. 216. C. ramosa var. race- mosa. GRANVELLE, DE. 271. C. spicata. GREENMAN, J. M. et GREENMAN, M. T. 5083. C. spicata. GRISEBACH, H. R. A. s. n. C. spicata. GUPpy, im. 640. C. ramosa var. ramosa. GUTIÉRREZ, G. et SCHULTES. 569. C. ramosa var. ramosa. h ALLE, F. 719. C. ramosa var. ramosa. FIAR!, f. H. 3610. C. spicata. HARVERY, D. R. 51 12. C. spicata. HAUGHT, O. 1 588, 2640. C. ramosa var. ramosa ; 3558. C. spicata. FIEKKING, W. H. A. 1285. C. spicata. REKKING, W. H. A. et KRAMER, K. O. 3226. C. spicata. RERIBERTO, Bro. 133. C. spicata. HENRINJER, B. 10069. C. ramosa var. racemosa. h ERZOG, Th. 402. C. ramosa var. ramosa. h EYLIGERS, P. C. 40. C. spicata. FRTCHCOCK, A. S. 1 7055, 1 6749. C. ramo- sa var. ramosa: 1 6970, 1 7092. C. ra- mosa var. racemosa: 1 7456. C. spica- ta. FIOEHNE, F.C. 449, 4502 C. ramosa var. ramosa. ROFIENACKER, R. F. 1 574. C. ramosa var. racemosa. nOLT. E. G. et GEHRINGER, W. 23. C. ramosa var. racemosa. h 0STM et KAPPLES. 797. C. ramosa var. racemosa. HOSTAMAN, F. W. 370, 586a, 797b. C. ramosa var. ramosa: 645, s. n., 1 84. C. spicata. HOWATD, R. A. 10310. C. spicata. HULK, J. F. 21 2. C. spicata: 390. C. ramosa var. ramosa. HUMMEL, D. s. n. C. spicata. HUNT, D. R. 301 . C. spicata. HUNTER, A. A. et ALLEN, P. H. 751. C. spicata. ILTIS, C. et alii. 1650. C. spicata. INDIG, 216. C. spicata. IRWIN, H. S. 47544. C. ramosa var. ramo- sa. IRWIN, H. S. et alii. 48349, 57626. C. ramosa var. ramosa: 2.\2.fàl , 57521. C. spicata. JANSMA, R. 15602. C. spicata. JENMAN, G. S. 5427, 5692. C. spicata. JESUS, J. A. 348 et SANTOS, T. S. 397. C. spicata. JOHNSTON, I. M. 884, 293, 1302. C. spicata. JOHNSTON, J. R. 123, 1302, 650. C. spicata. JONES, B. et alii. 293, 367, 352. C. spicata. JONKER, A. M. E. 457. C. ramosa var. ramosa. KALLENKI, J. 202. C. spicata. KAPPLER, A. 162, 156, 2092. C. ramosa var. racemosa. KEGEL, H. 605. C. ramosa var. ramosa. KEEL, S. et COELHO, L. F. 241 . C. ramosa var. racemosa. KILLIP, E. P. 37428. C. ramosa var. ramo- sa; 285, 37445, 37599, C. ramosa var. racemosa: 12058, 37600, 37257. C. spicata. KILLIP, E. P. et SMITH, A. C. 30454. C. spicata; 14814. C. ramosa. KINLOCH, J. B. 180. C. spicata. KOYANNA, T. et AGOSTIN, G. 723,7214. C. ramosa var. racemosa. KRAMER, K. V. et HEKKING, W. H. A. 3226. C. spicata: 2162. C. ramosa var. ramosa. KRUKOFF, B. A. 1 1 874. C. spicata. KUHLMANN, J. G. 5, 2209. C. spicata: 131. C. ramosa var. ramosa: 38. C. ramosa var. racemosa. KUYPER, J. 21 . C. spicata: 23. C. ramosa var. racemosa. LANGENHEIN, J. H. 3270. C. spicata. LANJOUW, J. et LINDEMAN, J. C. s. n„ 3034, 536, 610, 205, 536. C. ramosa var. ramosa. LANNA, J. P. 305 et CASTELUANOS, A. 23672. C. ramosa var. racemosa. LARO, C. et HUBNER, G. 136. C. ramosa var. racemosa. LEEVWENBERG, A. J. M. 1 1 699. C. ramo- sa var. racemosa: 1 1 678. C. spicata. LEHMENNIANAE. F. C. 6381. C. spicata. LEMOS, A. 5885a. C. ramosa var. ramosa. LEVEL, J. S. 79. C. minor. LI ESN ER, R. et DWYER, J. 1420. C. spica- ta. LINDEN, L 1147. C. spicata. LINDEMAN, J. C. 4266. C. spicata: 610, 536, 373. C. ramosa var. ramosa. LOCKHART, D. s. n. C. spicata. LOURTEIG, A. 1779. C. spicata. LUNDELL, C. L 138. C. spicata. LUTZELBURG, Ph. von. 1305, 663. C. ramosa var. ramosa: 21 295, 2041 8. C. ramosa var. racemosa. MAAS, J. P. et Th. WESTRA. 4082. C. ramosa var. ramosa. MAAS, J. P. et TAUJOERON, J. A. 1 0762. C. ramosa var. racemosa: 3256, 3309. C. spicata. MAAS, H. et MAAS, J. P. 477. C. ramosa var. racemosa. MACBRIDE, J. F. 2841. C. spicata. MACEDO, A. 2533. C. ramosa var. ramosa. MACHADO, 0. 448, 269. C. ramosa var. ramosa. MAGUIRE, B. 331 53. C. ramosa var. race- mosa. MAGUIRE, B. et alii. 27305, 36032. C. minor: 29244. C. reflexa: 53940. C. spicata. MAGUIRE, B. et FANSHAWE, D. B. 23576. C. ramosa var. racemosa. MARTI US, K. F. P. von. s. n. C. ramosa var. racemosa: 943. C. spicata: s. n. C. ramosa var. ramosa. MATUDA, E 3745. C. spicata. MCKEE, H. S. 10571, 11402. C. spicata. MELESKI, E. 247. C. ramosa var. ramosa. MELENDRO, M. 1 C. ramosa var. racemo- sa. MELINON, 289. C. spicata. MENNEGA, A. M. W. 1 2. C. spicata ; 1 85.C. ramosa var. ramosa. MENNEGA, A. M. W. et NOORMAN, J. K. 892. C. spicata. MEXIA, Y. 6058. C. ramosa var. ramosa: 5907. C. spicata. MEYERS, J. G. s. n. C. ramosa var. ramosa: 3456. C. ramosa var. racemosa. MIGUEL. H. A. 99. C. spicata. MILLER, G. S. 1853. C. spicata. MOLINA, A. et alii. 18129. C. spicata. MONTEIRO, R. et COSTA, R. M. 30. C. ramosa var. ramosa. MOO RE, S. 302. C. ramosa var. ramosa. MOORE, H. E. et alii. 1 67, 9675. C. reflexa. MORAES, C. J. 1812. C. spicata. NEILL, D. A. et alii. 6567. C. spicata. NEE, M. 9094, 10154, 8206. C. spicata. NEES, s. n. C. spicata. 8°driguésia, Rio de Janeiro, 37(62): 21-45, jan./jun. 1985 37 SciELO/JBRJ, 14 15 16 17 18 19 20 OLDEMAN, 2594, B 1380. C. ramosa var. ramosa. OLDENBURGER, F. H. F. et alii. 812. C. s pi ca ta. OLDENBURGER. F. H. F. et NORDE, R. 79. C. spicata. OLIVEIRA, E. 3371. C. spicata. OTHNER, B. 2070, 2010. C. ramosa var. racemosa. OTILIA, A. V., 22. C. spicata. PECK, M. E. 1 9. C. spicata. PENNELL, F. W. 2907. C. spicata. PENNINGTON, T. D. et PRANCE, G. T. 1 892. C. ramosa var. ramosa. PEREIRA, E. 3373 et EGLER 648. C. ramo- sa var. ramosa. PINTO, P. E. et SASTRE, C. 1309. C. ramosa var. racemosa: 1251 C. ramo- sa var. ramosa. PIRES, J. M. 143. C. ramosa var. race- mosa. PIRES, J. M et alii. 5221 9. C. spicata-, s. n. C. reflexa-, 50720. C. C. ramosa var. ramosa. PIRES, J. M. et CAVALCANTE, P. B. 52429, 52583, 52673. C. ramosa var. ramo- sa. PI PER, C. V. 5393. C. spicata. PITTIER, H. 10921 .C. ramosa Mar. ramosa-, 4497, 2234. C. spicata. POITEAU, A. s. n. C. spicata; s. n. C. ramosa var. racemosa. PRANCE. G. T. et SILVA, N. T. 58778, 831 6, 59384. C. ramosa var. ramosa. PRANCE, G. T. alii. 9092, 9116, 14345, 2888, s. n. C. ramosa var. ramosa; 3024, 25406. C. ramosa var. racemo- sa; 9205. C. reflexa; 2656, 5996. C. spicata. PRANCE, G. T. et MAAS, J. et al. 1 6227. C. ramosa var. ramosa. PRANCE, G. T. MAAS, J. 1 4396, 1 4564. C. ramosa var. ramosa. PRANCE, G. T. et PENNA, B. S. s. n. C. ramosa var. ramosa. PROCTOR, G. R. 35704. C. spicata. PUIG, F. C. 2963. C. ramosa var. ramosa. PULLE, A. 194, 15, 430. C. ramosa var. ramosa; 503. C. spicata. RECORD, S. J. s. n. C. spicata. RIBEIRO, B. G. S. 1127. C. ramosa var. ramosa. ROBERSTON, K. R. et AUSTIN, D. F. 237. C. ramosa var. racemosa. ROBERSTON, K. R. et alii. 1 339. C. spica- ta. ROJAS, C. E. B. 825. C. ramosa var. racemosa. ROMBOUTS, H. E. 849. C. ramosa var. ramosa; 449, 352. C. ramosa var. ra- cemosa. ROQUES, A. R. 19836. C. ramosa var. racemosa. ROSA, N. A. 41 3. C. ramosa var. ramosa. ROSA, N. A. et SANTOS, M. 999. C. ramosa var. racemosa. ROTHERY, H. C. 1 90, 1 844. C. ramosa var. ramosa. RUSBY, H. H. et SQUIRES. 30. C. ramosa var. ramosa. SAGOT, P. A. 1 1 6. C. ramosa var. ramosa. SALZMANN, s. n. C. spicata. SAMUELS, J. A. 6527. C. ramosa var. racemosa; 249. C. spicata. SANDWITH, N. Y. 1509. C. humilis. SANTOS, T. S. 688. C. spicata. SASTRE, C. F. 5675. C. ramosa var. ramo- sa. SASTRE, C. F. et MORETTI, C. 4027. C. ramosa var. ramosa. SELLOW, s. n. C. spicata. SCHIPP, A. W. 446. C. spicata. SCHULTES, J. P. 9027. C. ramosa var. ramosa. SCHULTES, R. E. et LOPES, F. 9749a C. ramosa var. racemosa. SCHULTES, R. E. et CABRERA, 1. 1 4941 . C. ramosa var. ramosa. SCHNEIDER, M. 477. C. spicata. SCHLIN, L 195. C. spicata. SCHOMBURGK, R. H. 1 52, 989, 969, 30. C. ramosa var. ramosa; 367, 299. C. ramosa var. racemosa; 1 060. C. re- flexa. SHUTZELBURG, 20469. C. spicata. SCHWACKE, C.A.W.III. 106 C. ramosa var. racemosa. SCHWABE, W. 67/1 1 1 . C. spicata. SMITH, A. C. 3060. C. reflexa; 2190. C. ramosa var. racemosa. SMITH, H. H. 2275. C. spicata. SMITH, S. G. 1288. C. spicata. SMITH, G. N. et SMITH, H. H. 684. C. spicata. SMITH, C. E. et SMITH, H. M. 3454. C. spicata. SMITH, A. C. et KILLIP, E. P. 14814. C. ramosa var. ramosa. SNETHLAGE, E. H. 136. C. spicata. SOBRINHO, V. 261. C. spicata. SOEPRATO, 39E; 23. C. ramosa var. ramo- sa. SOPHIEMBURG, s. n. C. ramosa var. race- mosa. SPLITZBERGER, 965. C. spicata; 231. C. ramosa var. ramosa. SPRUCE, R. s. n. C. spicata; 952. C. ramosa var. racemosa. STANDLEY, P. C. 25903, 29169. C. spica- ta. STEYERMARK, J. A. 45144, 38398. C. spicada; 59078, 75285. C. reflexa; 58435, 58537. C. minor; 87687, 4984, C. ramosa var. ramosa. STEYERMARK, J. A. et REDMOND, P. 1 1 2800 C. minor.. STEVENS, W. D. 1 1 09. C. spicata. SUCRE. D. 12. C. spicata. SUCRE, D. et DA SILVA, J. F. 9382. C- spicata. SURINGER, W. F. R. s. n. C. ramosa var. racemosa. TUTIN, T. G. 542. C. ramosa var. ramosa- TYSON, E. L 6071. C. spicata. TYSON, E. L et alii. 2845. C. spicata. ULE, A. s. n., 6420. C. spicata. ULE, E. H. G. 5376. C. ramosa var. race- mosa. UREDEN, C. et L B. B. 14756. C. ramosa var. ramosa. URIBE, L. 3544, 6138/3914 C. spicata. VALERIO, M. 819. C. spicata. VELEZ, F. 2217, 2534. C. ramosa var. racemosa. VERSTEEG, G. M. 110. C. ramosa var. ramosa. VINHA, J. G. 74 et PINHEIRO, R. S. 221 . C- spicata. VICENT, D. 4947. C. ramosa var. ramosa. VOLTZ, s. n. C. spicata. WACHENHEIN, 475. C. ramosa var. ramo- sa. WALLENTA, B. et alii. s. n. C. spicata. WASSHAUSEN, D. C. et alii. s. n. C. spi- cata. WAWRA et MALY 285. C. spicata. WEAVER, R. E. et WILBUR, R. L. 2246. C- spicata. WENT, F. A. F. C. 430. C. ramosa var. ramosa; 370, 478. C. spicata. WERLING, L. et alii. 1424. C. spicata. WILBUR, R. L. 15468. C. spicata. WILBUR., R. L et alii. 12111, 11 407. C. spicata. WILDSCHUT, J. T. 11462. C. spicata. WILDSCHUT, J. T. et TEUNISSEN, 1 1 603, 1 1 502. C. spicata. WILLEY, J. R. 198. C. spicata. WILLIAMS; L 15409. C. spicata; 11210, 1 1 227 , 1 1 723. C. ramosa var. ramo- sa; 13803. C. minor, 12610, 12667, 1 31 02, 1 3972, 1 1 271 . C. ramosa var. racemosa. WOODSON, R. E. 1460. C. spicata. WULLSCHLAGEL, 740. C. spicata; 742. C. ramosa var. ramosa. WUNDERLIN, R. et alii. 367. C. spicata. Bibliografia AUBLET, J. B. C. 1 775. Coutoubea in Hist. PI. Guiane. Text. 1:72-75, t. 28-29. 38 Rodriguésia. Rio de Janeiro, 37(62): 21*45, jan./jun. 1985 cm SciELO/ JBRJ cm BAILLON, H. E. 1889. Gentianacées. His- toire des Plantes 1 0: 1 1 3-145, fig. 88- 107. BENTHAM, G. 1839. Enumeration of the plants collected by Mr. Schomburgk in Britisch Guiana. Ann. of Nat. Hist. or Uag. of Zool. 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Botão floral jovem em fase mais desenvolvida — Figura 3. Flor completa — Figura 4. Estáme isolado — Figura 5. Corola isolada — Figura 6. Gineceu. Rodri '9uésia, Rio de Janeiro. 37(62): 21-45. jan./jun. 1985 41 SciELO/JBRJ, p 14 15 16 17 lí 19 20 cm — Figura 4. Corola isolada, evidenciando os estames e o estilete. 42 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37(62): 21-45, jan./jun. 198$ Est. 9 Coutoubea minor H.B.K. SciELO/JBRJ, 14 15 16 17 18 19 20 ftodrj '9uésia. Rio de Janeiro, 37(62): 21-45, jan./jun. 1985 cm 1 SciELO/JBRJ, è .. : %MV t l i *'&*%*' u. > - Ct u * ^ ' u &<■*-■■ I ‘ts-Jü; t* ‘ y • f** v / s . t; ? / . Est. 14 Coutoubea ramosa var. ramosa: Figura 1. Cálice — Figura 2. Estame isolado — Figura 3. Flor — Figura 4. Corola aberta, evidenciando os filetes com as alas membranáceas — Figura 5. Gineceu — Figura 6. Corola isolada. ^ st 12 Coutoubea spicata Aubl Est - 1 3 Distribuição Geográfica de Coutoubea ramosa Aubl. var. ramosa. Est. 1 5 Coutoubea ramosa Aublet var. ramosa Est. 16 Distribuição Geográfica de Coutoubea ramosa var racemosa (G. F. W. Meyer) Bentham. Est. 17 Coutoubea ramosa var racemosa: Figura 1. Botáo floral — Figura 2. Aspecto geral da flor, evidenciando o estilete muito longo — Figura 3. Cápsula desenvolvida, mostrando a corola marcescente — Figura 4. Cálice e cápsula — Figura 5. Detalhe da cápsula evidenciando as sementes — Figura 6. Gineceu. 44 Rodriguésia. Rio de Janeiro. 37(62): 21-45, jan./jun. 1986 cm 2 3 4 5 6 7 SciELO/ JBRJ cm Est. 20 Coutoubea ramosa Aublet var. longifolia Benth. Rod lr, guésia, Rio de Janeiro, 37(62): 21-45, jan./jun. 198E 45 SciELO/JBRJ, 14 18 19 20 cm Contribuição ao estudo dos mixomicetos » do Estado do Rio de Janeiro Katia Ferreira Rodrigues * O autor relaciona os exemplares de mixomicetos existentes no Herbário do Jardirf Botânico do Rio de Janeiro, tendo- se adotado a norma de reclassificá-los. É apresentada uma breve descrição das espécies estudadas e suas sinonimias. * Bióloga do Convênio Fundação Nacional próMemória/ Jardim Botânico do Rio de Janeiro e Bolsista do CNPq. Agradecimento Ao Professor Verlande Duarte Silveira, da Universida- de Federal do Rio de Janeiro, pela orientação deste trabalho e ao CNPq (Conselho Nacional de Desenvol- vimento Científico e Tecnológico), pela bolsa conce- dida à autora. Introdução Ultimamente um estudo mais profun- do dos mixomicetos se faz necessário, não somente a micologistas mas também a vários pesquisadores procedentes de ou- tros ramos da Biologia, tal fato se explica devido a esses organismos constituírem um meio ideal para estudos experimen- tais. 0 presente trabalho pretende dar uma pequena contribuição ao conhecimento de algumas espécies que ocorrem no Estado do Rio de Janeiro, tendo como base para este trabalho, a coleção de mixomicetos do Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Material e métodos Todo o material estudado provêm de resíduo orgânico em decomposição. As observações foram feitas inicial- mente em lupa estereoscópica, seguindo- sea montagem em lâminas, utilizando-seo corante lactofenol de Amann, acrescido de azul de algodão, para a visualização de suas estruturas microscópicas. A utilização de lente de imersão nos propiciou observar com maior nitidez a reticulosidade ou não dos esporos. Foi empregado para classificação dos espécimens as chaves de identificação empregadas por Farr (1976) e Macbride (1922). A relação das sinonimias está baseada em dados fornecidos por Farr (1976) e Martin &■ Alexopoulos (1 969). Espécies examinadas 1. Arcyria ferruginea Sauter, Flora 24:316, 1841. Arcyria dictyonema Rostafinski, Mon- 279. 1875. Arcyria intricata Rostafinski, Mon. App- 37. 1876. Arcyria cinnamomea HazslinskV' Oesterr. Bot. Zeits. 27:84. 1877. Arcyria bonariensis Spegazzini, Ann- Soc. Cient. Argent. 10:151. 1880. Arcyria macrospora Peck, Ann. Rep. N- Y. State Mus. 34:43. 1883. Arcyrella inermis Raciborski, Rozp Akad. Umiej. 12:82. 1884. Arcyrella decipiens Raciborski, Rozp- Akad. Umiej. 12:84. 1884. Arcyrella aurantiaca Raunkiaer, Bot- Tidssk. 17:61. 1888. Arcyria raciborskii Berlese in Saccardo. Syll. Fung. 7:430. 1888. Heterotrichia gabriellae Massee, Mon- 140. 1892. 46 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37(62): 46-47, jan./jun. 1986 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 Arcyria clavata Celakovsky f., Arch. Nat. Land. Bõhmen 7(5):29. 1893. Arcyria nodulosa Macbride, N. Am. Slime-Moulds ed. 2.252. 1922. Arcyria ornata Widder, Verh. Zool. Bot. Ges. Wien 73:160. 1923. Brasil, Estado do Rio de Janeiro, RJ — c - M. Pape 177, IV/1979 (RB 2251 54). • Hemitrichia calyculata (Spegazzini) p arr, Mycologia 66:887. 1974. Arcyna decipiens Berkeley, Ann. Mag. N at. Hist. I. 9:447. 1842. Henvarcyria calyculata Spegazzini, Ann. Soc. Cient. Argent. 10 (3):1 52. 1880. Cornuvia leocarpoldes Spegazzini, Ann. Soc. Cient. Argent. 12 (3/6): 256. 1881. Hemiarcyria stlpitata Massee, Jour. R. Microsc. Soc. 1889:354. 1889. Arcyria calyculata (Spegazzini) Massee, Mon. 162. 1892. Arcyna stlpitata (Massee) Massee, Mon. 163. 1892. Ar cyna leocarpoides (Spegazzini) Massee, Mon. 167-168. 1892. e miarcyria plumosa Morgan, Jour. Cincinnati Soc. Nat. Hist. 16:23. 1893. Hemitrichia stipitata (Massee) Macbri- de, N. Am. Slime-Moulds 207. 1 899. sporângio de cor amarela, pedicelado. apilicio denso e elástico. Esporos me- dindo 7-8 jU. m de diâmetro. Brasil, Estado do Rio de Janeiro, Parque Nacional de Itatiaia — 0. Fidalgo Et M. E. K. Fidalgos/n, IX/1 955 ( R B 225 1 55). Esporângio de coloração castanho fer- rugineo, pedicelado, com a parte infe- rior apresentando-se em forma de cá- üce. Capilício em rêde, ligeiramente elástico. Esporos medindo de 9-1 1 |itm de diâmetro. 3. Physarum auriscalpium Cooke, Ann. Lyc. New York 11:384. 1877. Physarum chlorinum Cooke, Grevillea 5 (35): 101 . 1877. Brasil, Estado do Rio de Janeiro, Muni- cfpio de Magé — C. M. Pape 279, V/1979 (RB 191267). 4. Stemonitis axifera (Bulliard) Mac- bride, N. Am. Slime-Moulds 120. 1 889 var. axifera. Trichia axifera Bulliard, Hist. Champ. Fr. 1 18. 1791. Stemonitis fasciculata Schumacher, Enum. PI. Saell. 2:216. 1803. Stemonitis ferruginea Ehrenberg, Syl- vae Myc. Berol. 25. 1818. Stemonitis microspora A. Lister ex Morgan, Jour. Cincinnati Soc. Nat. Hist. 16:138. 1894. Esporângio marrom ferruginoso, cilín- drico. Pedicelado. Capilício esponta- neamente ramificando e formando anastomose. Esporo liso, de 5-7 ftmde diâmetro. 5. Stemonitis fusca Roth, Mag. Bot. Rõmer Et Usteri 1 (2):26. 1 787. Trichia nuda Withering, Brit. PI. ed. 2. 3:477. 1792. Stemonitis fasciculata Persoon ex J. F. Gmelin, Syst. Nat. 2:1468. 1791. Stemonitis maxima Schweinitz, Trans. Am. Phill Soc. II. 4:260. 1832. Stemonitis dictyospora Rostafinski, Mon. 195. 1874. Stemonitis castillensis Macbride, Buli. Nat. Hist. Univ. lowa 2:381. 1893. Esporângio de coloração castanho es- curo, com pedicelo espesso e rugoso. Esporos de 9-1 0 jJ. m de diâmetro. Esporângio castanho fusco, cilíndrico. Pedicelado. Capilício castanho escuro. Esporo reticulado, medindo 7-9 jamde diâmetro. Brasil, Estado do Rio de Janeiro, Muni- cípio de Duas Barras — M. C. V. Ban- deira s/n, 11/1 926 (RB 41026). Referências Bibliográficas Brasil, Estado do Rio de Janeiro, Parque Nacional da Tijuca — C. M. Pape 202, IV/1979 (RB 2251 53). 1. AINSWORTH Et BISBVS 1 983 — Dic- tionary of the fungi. Commonwealth Mycological Institute, Kew, Surrey, 7th. ed. 2. FARR, M. L. 1 968 — An illustrated key to the Myxomycetes of South America, with special reference to Brazil. Rickia 3:45-88, fl. 1-35. 3. FARR, M. L. 1976 — Myxomycetes. Flora Neotropica, 1 6. The New York Botanical Garden, Bronx, N. York. 4. HERTEL, R. J. G. 1954a — Myxomyce- tes do Brasil I. 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Silveira. Introdução Este trabalho tem como objetivo con- tribuir para a Taxonomia de Fungos do Estado do Rio de Janeiro. Inicialmente são descritas quatro espécies do gênero Len- tinus Fr. que de acordo com a nova siste- mática proposta por Ainsworth, SparrowEf Sussman (1 973) pertence à família Tricho- lomataceae. Entretanto, vários autores (Clements & Shear, 1931; Teixeira, 1 946; Silveira, 1981) consideram este gênero pertencente à família Agaricaceae. Sua importância, no contexto econô- mico, deve-se ao fato de sendo destruido- res de madeira, acarretam prejuízos co- merciais em consequência da comprovada utilização em grande escala das madeiras em diversos setores. Estes macromicetos destroem a ma- deira através do micélio que cresce em seu interior e, por intermédio da ação de enzi- mas, transformam-nas em alimentos cau- sando, conseqüentemente, lesões que le- vam a madeira ao estado de decomposição (Cavalcanti, 1 975). Destaca-se o emprego das espécies de Lentinus crinitus (L ex. Fr.) Fr. e Lenti- nus veiutinus Fr., na alimentação pela fa- mília de índios Sanamás da tribo Yanoma- mus, segundo Fidalgo & Prance (1976). Material e métodos As espécies estudadas neste trabal^ foram coletadas em diversas regiões ^ Estado do Rio de Janeiro, incluindo-? 8 também, neste estudo, os exemplares ex' 5 tentes na Micoteca do Jardim Botânico o ( Rio de Janeiro. Nos estudos microscópicos foi nece? sário que as espécies examinadas sofre 5 sem cortes longitudinais e transversais, permitindo, com isto, observações morf° lógicas e anatômicas com o auxílio ^ microscópio estereoscópico Zeiss. Os desenhos das estruturas macro? cópicas foram elaborados utilizando-se' câmara clara Wild e as microscópicas ' câmara clara Zeiss aplicadas ao microsc 17 pio Zeiss. Descrição do gênero Lentinus Fr. Syst. Orb. Veg. 77.1825 Basiônimo: Agaricus crinitus L, Sp. PI. e * 2. a p. 1644. 1763 Tipo: Agaricus crinitus L ex Fr., Sy? 1 Mycol. 1, 175. 1821 Píleo geralmente infundibuliforro® coriáceo; superfície dorsal com pilosi^ 48 Rodriguésia. Rio de Janeiro. 37(62): 48-52. jan./jun. 1 9 $ cm SciELO/JBRJ des de coloração castanho-claro a casta- nho- escuro; superfície ventral com lamelas decurrentes de bordos serrilhados ou lisos; haste central; contexto creme claro a escu- ro - formado de hifas hialinas e septadas; cistidios hialinos, clavados, com paredes es Pessas; basídios hialinos, clavados; ba- s| di°sporos elipsóides a cilíndricos, com Parede lisa, hialina e fina. Quando hidratado, possui a proprieda- e de retornar ao estado natural. Frequen- temente são encontrados sobre madeira em decomposição. descrição das espécies Lentinus crinitus (L ex Fr.) Fr. Syst. Orb. Veg. 77. 1 825 (Fig. 1 - Fot. 1 e 2) a siônimo: Agaricus crinitus L, Sp. PI. ed. 2 - a p. 1644. 1763. Agaricus crinitus L. ex Fr., Syst. Mycol. 1 . 1 75. 1821. Tipo leg. D. Rolander, América Meridional. ~ Le ntinus vil/osus Kl., Linn. 8:479. 1 833. Pdeo isolado ou em grupo, coriáceo- nçjido, resistente e com aspecto infundibu- dorrne quando seco (Foto 1 e 2), quando e sco apresenta-se flexível, com pequena e Pressão central arredondada, 1,3 a ,0 cm diâm.; superfície dorsal (Foto 1) rec °berta por espessa pilosidade que ge- ^Irnente dispõe-se em feixes aglomera- S ’ tomando aspecto escamoso, de colo- ra Ção castanho-claro a castanho-escuro e, a ° envelhecer, os pêlos tornam-se mais ene grecidos, tendendo a superfície ficar a a hra; margens com tomento mais denso doe a região central, quase totalmente in- v °luta (Foto 2) quando seco, sendo que, doando fresco, é horizontalmente expan- 1 a ' de bordos ligeiramente divididos em Pequenos lóbulos lisos; superfície ventral 0,0 2) glabra, com lamelas decurrentes, lr| terconectadas na base formando uma re de, apresentando pequenas glândulas ern toda sua extensão, castanho-claro a Ca stanho-escuro, margens finamente ser- 'edas; haste de mesma coloração do Pl ' e °, eentral-cilíndrico, levemente sinuo- ■ Possuindo pêlos delgados e escamo- ?° S ' recobrindo sua superfície, sendo que as vezes tais pêlos são quase inexistentes, as dimensões da haste variam de acordo g 0rn o tamanho do píleo, medindo 1,0 a ■0 cm alt. e 0,2 a 0,6 cm diâm.; contexto Cre me, medindo 0,1 cm esp. Habitat — Foi encontrada em sua gran- de maioria sobre troncos em decomposi- ção; sobre tronco de Lecythidaceae em decomposição. Material examinado — Parque Nacio- nal de Itatiaia — leg. 0. Fidalgo & K. Fidalgo275, 1 3/09/55, det. O. Fidalgo & K. Fidalgo, RB 217089; Parque Nacional de Itatiaia, Picada Massart, Maromba — leg. O. Fidalgo & K. Fidalgo s/n.°, 17/09/55, det. O. Fidalgo & K. Fidalgo, RB 21 7095; Jardim Botânico do Rio de Janeiro — leg. O. Fidalgo & K. Fidalgo s/n.°, 13/10/55, det. O. Fidalgo, RB21 7087; Itaboraí— leg. A. F. R. de Souza s/n.°, 1 6/08/75, det. A. F. R. de Souza, RB 210437; São Gonçalo — leg. A. F. R. de Souza 7, 06/03/77, RB 178104; Jardim Botânico do Rio de Ja- neiro — leg. A. Delgado s/n.°, 10/1 1/77. RB 185122; Casemiro de Abreu, Vale do Córrego da Luz — leg. C. M. Pape 56, 03/1 1/78, RB 188890; Mangue da Coroa Grande — leg. L. Mendonça s/n.°, 03/1 0/78, RB 1 88897; Barra de São João — leg. C. M. Pape 117, 19/02/79, RB 1891 13; Restinga do Grumari — leg. M. R. O. Figueiredo et al 7, 13/07/79, RB 1 90751 ; Magé, Santo Aleixo — leg. C. M. Pape 285, 20/05/79. RB 1 91 301 ; Pedra de Itaúna — leg. H. Berandi s/n.°, 1 1/08/81 , RB 210438; Jardim Botânico do Rio de Janeiro — leg. A. F. R. de Souza s/n.°, 08/10/82, det. A. F. R. de Souza. RB 210446; Magé — leg. F. M. A. Barbosa 12, 07/11/82, RB 210449; Jardim Botânico do Rio de Janeiro — leg. F. M. A. Barbosa 23 et al, 18/11/82. RB 21 0642; Magé — leg. F. M. A. Barbosa 28, 20/11/82, RB 210801 ; Jardim Botânico do Rio de Janei- ro — leg. F. M. A. Barbosa 33, 02/12/82, RB 210839. Discussão — Pilát (1936), considera Lentinus crinitus e Lentinus villosus espé- cies diferentes; Dennis (1 950), menciona a grande variação do número e densidade de pêlos em Lentinus crinitus, considerando- os da mesma espécie apesar de haver evidências em chamar a forma lisa de Len- tinus crinitus e a com pêlos de Lentinus villosus. Fidalgo (1 968) cita Lentinus crini- tus como espécie polimorfa. Lentinus velutinus Fr. Linn. 5:510. 1830 (Fig. 2 - Fot. 3) Tipo: leg. Beyrich, Brasil. Píleo anual (Foto 3), solitário ou em pequenos grupos unidos pelas bases dos estipes; membranoso quando fresco ou hidratado e coriáceo quando seco; circular, infundibuliforme, 1,5 a 9,0 cm diâm.; su- perfície dorsal com coloração amarelada a castanho-escuro (cor de couro quando tra- tado), ligeiramente velutina, tornando-se estriada nos bordos à medida que ocorre queda dos pêlos; margens com densos pêlos que alcançam até 1 mm compr. e apresentando-se em feixes, involuta, de bordos sinuosos quando seco e planos quando frescos; superfície ventral glabra com lamelas decurrentes, não anastomo- sadas na base e desaparecendo gradual- mente ao longo da haste, de bordos lisos e uniformemente inteiros, haste central, ci- líndrica, rígida, marrom clara, reta ou si- nuosa, bastante velutina com pêlos casta- nhos-escuros, osquais podem atingir 1 mm compr., possuindo de 0,2 a 0,7 cm diâm. e 1 ,0 a 5,5 cm alt.; contexto branco a creme, medindo aproximadamente 0,5 cm esp. Habitat — Espécie disseminada em sua totalidade sobre troncos secos ou em estado de decomposição; sobre tronco de Lecythidaceae em decomposição. Material examinado — Nova Iguaçu — leg. N. M. F. da Silva s/n.°, 20/1 1 /75, RB 217104; Casemiro de Abreu, Córrego da Luz — leg. C. M. Pape 58, 03/1 1 /78, det. A. F. R. de Souza, RB 189106; Conceição de Macabu — leg. C. M. Pape 75, 09/1 2/78 RB 1 88907; Restinga do Gruma- ri — leg. N. M. F. da Silva 691 , s/data, RB 1 74309; Magé — leg. F. M. A. Barbosa 1 3, 07/11/82, RB 210478; Jardim Botânico do Rio de Janeiro — leg. F. M. A. Barbosa 40 et al, 1 4/1 2/82, RB 210901 . Lentinus velutinus var. leprieurii (Mont.) Dennis Kew Buli. 5:326. 1950 (Fig. 3 - Fot. 4) Basiônimo: Lentinus leprieurii Mont., Ann. Sei. Nat. Ser. 4.1. 119. 1854. Tipo: leg. Dennis 182. 16/10/1949, Trini- dad. Píleo isolado (Foto 4), coriáceo-rígido quando seco e membranoso quando hidra- tado, circular, profundamente infundibuli- forme, 1 ,2 a 1 ,7 cm diâm.; superfície dorsal recorberta por pêlos castanhos-escuros; margens com densos pêlos, fortemente involuta; superfície ventral glabra com la- melas decurrentes, pequenas, pouco si- nuosas, rígidas, variando entre o castanho- claro e o castanho-escuro; haste central, cilíndrica, rija quando seca e flexível após hidratação, castanho-clara a castanho-es- fodi ln 9uésia. Rio de Janeiro, 37(62): 48-52, jan./jun. 1985 49 cm 1 SciELO/ JBRJ. cm curo, reta ou sinuosa, com pêlos curtos dispostos em feixes e apresentando aspecto escamoso, 1,5 a 3,0 cm diâm. e 2,3 a 3,1 cm alt.; contexto castanho-escuro, aproximadamente 0,3 cm esp. Comentário — Conforme descrito por Dennis (1 950), foi observado que esta va- riedade difere da variedade tipo por apre- sentar lamelas obtusas, mais estreitas e de tamanho mais reduzido, além de outros caracteres externos visíveis. Habitat — Sobre tronco em decompo- sição. Material examinado — Itaboraí — leg. A. F. R. de Souza s/n.°, 24/04/80, RB 198616. Lentinus nigro-osseus Pilát Ann. Mycol. 34:122. 1936 (Fotos 5 e 6) Tipo: no Herb. Mus. Bot. Berol. leg. Du- chassaing49, Guadalupe. Píleo isolado, convexo, coriáceo, cen- tralmente umbilicado, medindo aproxima- damente 2,6 cm diâm.; superfície dorsal (Foto 5) lisa, creme, com estrias castanho- escuro nas proximidades do centro; mar- gens onduladas, estriadas, com pêlos cur- tos castanho-claros, superfície ventral (Foto 6) glabra, lamelas decurrentes aglo- meradas, estreitas, claras, com glândulas em sua extensão podendo serem observa- das através da lupa; haste central, glabra, castanho-clara apresentando-se mais es- cura na base, 2,0 cm alt. e 1 ,0 cm diâm. Observação: Para que não fosse dani- ficada a coleção da Micoteca do Jardim Botânico do Rio de Janeiro devido à exis- tência de apenas um (1) exemplar desta espécie, só foi possível classificá-la através de sua morfologia externa. Habitat — Espécie crescendo sobre madeira em decomposição. Material examinado — Casemiro de Abreu, Córrego da Luz — leg. C. M. Pape 85. 31/12/78, RB 189102. Referências Bibliográficas AINSWORTH, G. C„ SPARROW; F. K. & SUSSMAN. The fungi and advanced treatise. A taxonomic re vie w with kef- Vol. IV B. Academic Press N. York. 5$ págs. 1 973. CAVALCANTI, M. A. Estudo da Família Por lyporaceae em Pernambuco. 1975 (Tese de Mestrado). CLEMENTS, F. E. & SHEAR, C. L. 7W genera fungi. 496 págs. The H. W Wilson Co., New York. 1931. DENNIS, R. W. G. Lentinus in Trinidad Kew Bulletin. London. 3:321-333 1950. FIDALGO, M. E. P. K. Contribution to th* fungi of Mato Grosso, Brasil. Rickü 3:171-219. 1968. FIDALGO, 0. & PRANCE, G. T. The ethno- mycology of the Sanama Indians. Mt cologia, N. Y. 68 (1 ):201 -21 0. 1 976 PILÁT, A. Revision dertropischen Lentinü 5 — Arten aus dem Herbar des BotaniS' chen Museums in Berlin — Dahlent Annls. Mycol. Berlin. 34:108-140 1936. SILVEIRA; M.D.Micologia. 4. a ed. Ed. Interí" mericana, 1981. TEIXEIRA, A. R. Himenomicetos brasileiros III (Agaricaceae). Bragantia 6(1 ): 1 65' 178. 1946. Figura 1 Lentinus crinitus fL. ex Fr.) Fr. A — Corte transversal do píleo. Extremidade da lamela mostrando as hifas no contexto e a disposição dos basídios. B — Corte transversal do píleo apresentando as lamelas com glândulas. 50 Rodriguésia, Rio de Janeiro. 37(62): 48-52, jan./jun. 19*^ SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 Figura 2 Lentinus velutinus Fr: A — Corte transversa! do píleo com as lamelas evidenciadas. B — Corte transversal do píleo. Extremidade da lamela mostrando as hifas no contexto e a disposição dos basídios. C — Cistídios. Figura 3 Lentinus velutinus var. leprieurii (Mont.) Dennis A — Corte transversal do píleo. Extremidade da lamela mostrando as hifas no contexto e a disposição dos basídios. B — Corte transversal do píleo apresentando as lamelas. Rodi Wguésia, Rio de Janeiro. 37(62): 48-52. jan./jun. 1985 51 cm l SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 cm j2 cm -1 -0 r2cm -1 0 2 cm 1 , 2 _ Lentinus crinitus (L. ex Fr.) Fr. 1 — Parte dorsal; 2 — Parte ventral; 3 — Lentinus velutinus Fr.; 4 — Lentinus velutinus var. lepríeuríi (Mont.) Dennis; 5-6 — Lentinus nigro-osseus Pilát; 5 — Parte dorsal; 6 — Parte ventral. 52 Rodriguésia, Rio de Janeiro. 37(62): 48-52. jan./jun. 1 98^ SciELO/JBRJ _3 14 15 16 17 18 19 cm Morfologia dos frutos e sementes dos gêneros da tribo Mimoseae (Leguminosae-Mimosoideae) aplicada a sistemática Marli Pires Morim de Lima O presente trabalho consiste no estudo morfológico dos frutos, sementes e embriões de quinze gêneros da triboMimoseae Bronn (Leguminosae-Mimosoideae) ocorrentes no Brasil. Os taxons em relação a tais estruturas, são descritos através de diagnoses e identificados por uma chave dicotômica. Os frutos são classificados em oito tipos considerando-se, principalmente, as formas deiscentes ou indeiscentes, a morfologia dopericarpo e a presença ou não de replum. Em relação às sementes distinguem-se dois grupos: sementes aladas e não aladas. Quanto ao embrião destaca-se a plúmula que, quando diferenciada em pinas, constitui um bom caráter taxonômico utilizado no reconhecimento de alguns gêneros. Ur >dação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)/Jardim Botânico do E'0 de Janeiro Mssertação de Mestrado apresentada à °°rdenação do Curso da Pós-Graduação em Botânica da UFRJ. Agradecimentos À Dra. Graziela M. Barroso, pesquisadora do Jar- 111 Botânico do Rio de Janeiro, por sua orientação e '"centivo. Aos botânicos Abigail F. Ribeiro de Souza, André A® Ur ício de Carvalho, Ana Maria G. de Carvalho, 9 e la Maria S. da Fonseca Vaz, Ariane L. Peixoto, ^ilym P. Lewis, Haroldo C. de Lima, Jorge P.P. p ara uta, Maria da Conceição Valente, Mitzi Brandão err eira, Nilda Marquete F. da Silva, Regina Flelena P. ■ reata . P°r sugestões, críticas e apoio durante a a °tação do trabalho. ^ Aos Curadores e Responsáveis das Instituições e er bários citados, pelo empréstimo do material botâ- Ao CNPq pela bolsa concedida durante o curso de Estrado Introdução Na família Leguminosaesubfamília Mi- mosoideae os caracteres vegetativos e flo- rais, nos quais o estudo sistemático de Angiospermae é fundamentalmente ba- seado, nem sempre são suficientes para a caracterização de alguns taxa. Por este motivo os frutos e sementes vêm sendo utilizados como caracteres decisivos, sem os quais, muitas vezes, torna-se difícil o reconhecimento de determinados gêne- ros. Por outro lado, observa-se que, geral- mente, as descrições morfológicas de tais estruturas, ou são muito amplas a nível de subfamília, ou são encontradas de formas dispersas em breves diagnoses genéricas. Com o objetivo de auxiliar na sistemáti- ca de grupos afins escolheu-se como pri- meiro passo, o estudo morfológico dos frutos, das sementes e dos embriões dos gêneros da tribo Mimoseae Bronn ocor- rentes no Brasil. Esta tribo, entre as outras quatro da subfamília Mimosoideae, é a que apresenta uma variação maior de padrões de frutos, além de ser a mais representativa na flora brasileira. 0 conceito de tribo foi adotado segundo Lewis e Elias (1 981 ). Revisão Bibliográfica 0 primeiro a estudar mais detalhada- mente a morfologia do fruto e da semente de diversas famílias, inclusive Legumino- sae, foi, provavelmente, Gaertner (1 791 ). Para os vários gêneros estudados, descreve o "legume" e as estruturas exter- nas e internas da semente. As características do embrião, mais precisamente a posição do eixo hipocótilo- radícula, foram utilizadas por De Candol- le (1825) para dividira família Legumino- sae em dois grandes grupos: "Curvem- briae", caracterizando-se pelo eixo hipocó- tilo-radícula inflexo, e "Retembriae", pelo eixo hipocótilo-radícula reto. Ao primeiro grupo subordinou os gêneros de Papilio- naceae e Swartzieae, e ao segundo os de Mimoseae e Caesalpineae. Em sua diagno- se para a família, inclui descrições sobre os frutos, as sementes e os embriões. Baseando-se, entre outros caracteres, na presença ou ausência de endosperma, Bentham (1875), cria a tribo Piptade- nieae. Considera como caráter importante e constante na separação de grupos relati- vamente naturais, a morfologia do fruto, destando entre outros caracteres carpoló- gicos, as formações de replum e artículos. Sua obra, além do estudo taxonômico, contém ilustrações de alguns tipos de "le- gumes" da referida subordem. Posterior- mente (1876), ao tratar da subfamília Mi- mosoideae na Flora Brasiliensis, inclui, em suas diagnoses genéricas, descrições mi- Rodi Ihguésia, Rio de Janeiro, 37(62): 53-78, jan./jun. 1985 53 SciELO/JBRJ, 14 15 16 17 18 19 20 nuciosas sobre os "legumes" dos gêneros da tribo Mimoseae, que eram subordina- dos, naquela época, às tribos Adenanthe- reae e Eumimoseae. Em relação às semen- tes, refere-se, geralmente, a sua forma, posição no fruto e à presença ou não de tecidos de reserva. Ao estudar a sistemática das Legumi- nosas da Argentina, Burkart (1943) aborda, entre outros aspectos, a morfolo- gia do fruto e da semente. Em relação ao fruto, caracteriza o legume e define outros nove tipos ocorrentes na família, utilizando em sua classificação uma terminologia es- pecífica. Quanto à semente, descreve as estruturas externas e internas, relacionan- do as primeiras com as respectivas origens no óvulo. Baseando-se nas características dos frutos e das sementes, apresenta uma chave para a identificação de espécies de Papilionoideae. 0 estudo de sementes de Leguminosae da Argentina prossegue com Boelcke (1946), que analisa, detalhadamente, as estruturas externas e internas das semen- tes de oitenta e cinco espécies de Mimo- soideae e Caesalpinoideae. Elabora, ainda, uma chave para a identificação dos respec- tivos taxa. A morfologia interna das sementes de Angiospermae e Gimnospermaefoi tratada por Martin (1946) que classificou para as famílias destes dois grandes grupos do reino vegetal, doze tipos de embriões, con- siderando a forma, o tamanho e a posição. Estudou nove gêneros de Mimosoideae e determinou o embrião como pertencente ao tipo invaginado. A importância do estudo morfológico da semente na taxonomia dos Angiosper- mae é ressaltada por Isely (1947) que analisa os componentes externos e inter- nos das sementes de diversas famílias de Dicotiledoneae e Monocotiledoneae dos Estados Unidos. Em sua chave analítica, descreve os caracteres das famílias estu- dadas. Em sua descrição para as subfamí- lias Mimosoideae e Caesalpinoideae, for- nece dados gerais sobre as diversas formas de sementes, superfície da testa, posição do hilo e estruturas embrionárias. Poste- riormente (1 955a), elabora uma chave para a identificação das sementes de algumas espécies das subfamílias acima citadas. Um dos caracteres principais utilizados para separá-las é a presença ou ausência da "face líne" e a forma da "face area", que são denominações atribuídas pelo autor à linha em forma de ferradura existente em cada face da semente e à respectiva área que ocupa. Dando continuidade aos seus estudos, Isely (1955b), após descrever a morfologia externa e interna das sementes de Mimosoideae e Caesalpinoideae, con- clui que, para ambas as subfamílias, a es- trutura da semente é basicamente a mesma. A composição anatômica das semen- tes de Leguminosae é analisada por Cor- ner (1951) que destaca como principais características a presença de células pali- çádicas e as células em forma de ampulhe- ta. Reconhece, além das três subfamílias tradicionalmente conhecidas, a Swartizoi- deae, na qual, segundo o autor, a estrutura da semente é intermediária entre as Papi- lionoideae e as Mimosoideae-Caesalpinoi- deae. Ao descrever as sementes de cada uma das respectivas subfamílias, denomi- na pleurograma à marca existente na testa da maioria das sementes de Mimosoideae. Apresenta, ainda, um estudo das sementes excessivamente grandes, "overgrown seeds", as quais são caracterizadas pela testa não diferenciada. Em trabalho mais recente (1976), seus estudos são amplia- dos a diversas famílias de Dicotiledoneae, e a estrutura das sementes de Legumino- sae é novamente abordada. Ao tratar da sistemática de alguns gê- neros de Mimosoideae, Brenan (1955) observa que entre as espécies de Piptade- nia há uma grande variação nas formas de deiscência da "vagem" e, também, na mor- fologia da semente. Baseando-se, princi- palmente, nos diferentes aspectos morfo- lógicos dos frutos e sementes, propõe a divisão de Piptadenia s.l. em oito gêneros, entre os quatsAnadenanthera, Goldmania, Pseudopiptadenia (como Monoschisma ) Newtonia, Piptadenia e Pityrocarpa, que possuem espécies ocorrentes no Brasil. Em trabalho posterior (1963), devido a problemas de tipificação, o autor realiza as seguintes alterações nomenclaturiais: Py- tyrocarpa passa a Piptadenia e duas das espécies de Piptadenia, P. pterosperma e P. rigida, passam a Parapiptadenia. Os frutos dos Angiospermae são classi- ficados por Hertel (1959) em cinco uni- dades, que seguem uma sequência hierár- quica semelhante a utilizada na sistemáti- ca, as quais recebem desinências específi- cas. Assim, o fruto de Leguminosae, junta- mente com outras famílias, é considerado como pertencente a classe dos Eucarpos. Através de sua chave para a classificação tipológica, caracteriza o legume e os frutos de Mimosa e Schrankia. Com o estudo da morfologia das se- mentes das três subfamílias de Legumino- sae, Kopooshian e Isely (1966) fortale- cem a hipótese que as Papilionoideae ori- ginaram-se das Caesalpinoideae, afastan- do qualquer relacionamento da primeira subfamília com as Mimosoideae. As sementes e os embriões de dezoito gêneros de Mimosoideae, ocorrentes na Venezuela, são descritos por Bravato (1 974) que relaciona, ainda, as diferenças entre as sementes das três subfamílias de Leguminosae. Os taxons estudados são diferenciados por uma chave baseada, fun- damentalmente, nos aspectos morfológi- cos das sementes e dos embriões. Em relação ao fruto, limita-se a definir os dife- rentes tipos, segundo a classificação de Burkart (1943). As estruturas morfológicas externas e internas das sementes de diversas famílias de Dicotiledoneae e Monocotiledoneae, foram analisadas e descritas por Barroso (1 976). Em trabalho posterior, (1 978), dan- do continuidade ao estudo de identificação de sementes, define os diferentes tipos de reservas do endosperma e classifica os embriões de acordo com suas respectivas formas e posições que ocupam no interior da semente. Seguindo a classificação de Martin (1964) considera o embrião de Mimosoideae como pertencente ao tipo invaginado. Barroso e Col. (1984) definem onze tipos de frutos ocorrentes na família Legu- minosae. Aceitam a terminologia de Bur- kart (1943) e relacionam todos os tipos de frutos dos gêneros de Mimosoideae, definindo-os em relação a forma de deis- cência, consistência e diferenciação do endocarpo. Além da morfologia do fruto, baseando-se no trabalho de Comer (1951), descrevem a estrutura anatômica da testa e os aspectos externos e internos da semente. Ressaltam, ainda, que entre os caracteres embrionários, a plúmula pode ser utilizada na identificação de gêneros. A ampliação da definição do termo legu- me é proposta por Dudik (1981), com o intuito de que todos os tipos de frutos encontrados em Leguminales, principal- mente os raros casos de "multilegumem", sejam enquadrados em uma classificação carpológica sob a denominação genérica de legume. Classifica os diferentes tipos de legume e estabelece para os frutos e se- mentes dezesseis critérios de primitivida- de e especialização. Representa, ainda, através de um diagrama, as tendências evolucionárias das vagens de Legumina- les. As sementes de Leguminosae foram estudadas mais recentemente por Gunn (1 981 ), que considera a composição ana- tômica da testa, uma característica mar- 54 Rodriguésia, Rio de Janeiro. 37(62): 53-78, jan./jun. 1985 cm 1 SciELO/JBRJ, cante entre os diferentes taxa desta famíl ia. Analisa a morfologia e a anatomia das estruturas das sementes nas três subfamí- lias, estabelecendo as respectivas diferen- ças entre Mimosoideae-Caesalpinoideae e Papilionoideae. Entre outros componen- tes, aborda o pleurograma em relação a sua ocorrência, ontogenia e provável função, definindo os cinco tipos encontrados em Mimosoideae e Caesalpinoideae. Quanto à presença de sementes aladas, considera- as raras na família. Além das referências acima mencio- nadas, os frutos dos gêneros de Mimoseae são descritos sob as denominações gerais de "fruto" ou "legume" nos trabalhos de Hutchinson (1967), Elias (1974) e Lewis e Elias (1981), que tratam da sis- temática do grupo. Quanto às sementes, suas citações são muito breves. As demais obras, puramente sistemá- ticas, serão abordadas oportunamente no decorrer deste trabalho. Materiais e Métodos Os exemplares frutíferos, que serviram de base para este estudo, pertencem, em sua grande maioria, às coleções deposita- das nos herbários do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB) e às do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (R). Quando estas coleções não continham exemplares frutíferos ou estes eram escas- sos, recorreu-se aos herbários da Universi- dade Estadual de Campinas (UEC), Centro de Pesquisa Agropecuária doTrópico Umi- do-EMBRAPA (IAN), Museu Emílio Goeldi (MG) e Herbário Bradeanum (HB). Para a citação do material, foram sele- cionados os exemplares nos quais frutos e sementes se encontravam em boas condi- ções de conservação e desenvolvimento. Em algumas espécies, apenas o fruto foi examinado devido a ausência ou más con- dições das sementes, usando-se, nestes casos, após a citação do material consulta- do, a sigla S/S. Em relação ao gênero cnonotípico Dinizia Ducke, por falta de material, a descrição da semente está ba- seada apenas na diagnose do autor. A germinação das sementes das espé- cies dos gêneros Anadenanthera. Des- manthus, Pseudopiptadenia, Newtonia, Parapiptadenia eStryphnodendron, foi ob- tida com sementes coletadas no Parque do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, nas matas da Vista Chinesa ou provenientes da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Mi- nas Gerais (EPAMIG). As sementes foram colocadas em lotes, de 5 e 1 0 unidades, em placas de Petri previamente forradas com algodão e papel de filtro, expostas à tempe- ra ambiental e umedecidas com água potá- vel. Para o estudo das características mor- fológicas dos frutos, sementes e embriões, foram analisados os seguintes caracteres: Fruto: deiscente ou indeiscente, mor- fologia do pericarpo (seco ou carnoso, seg- mentado ou não), forma, tamanho, consis- tência, quantidade de sementes, superfície (coloração, polimento, configuração e in- dumento), base, ápice e margens. Semente: tamanho, forma, presença ou não de ala, posição no fruto, presença ou não de endosperma, superfície da testa (consistência, coloração e polimento), for- ma do pleurograma, funículo, hilo e micró- pila. De acordo com a definição de Murley (1951), "base é o extremo de qualquer órgão pelo qual ele está unido a seu supor- te e por onde se dá a nutrição", foi conside- rada a base da semente o local onde se situa o hilo. Embrião: tamanho, forma, consistên- cia e grau de diferenciação da plúmula. Todos os caracteres morfológicos da semente e do embrião foram analisados após a reidratação por fervura em água. Realizaram-se secções transversais com lâmina de aço, principalmente para obser- var-se a consistência e quantidade de en- dosperma em relação ao tamanho do em- brião e à posição deste no interior da semente. A terminologia utilizada para as dife- rentes estruturas morfológicas está basea- da nos seguintes trabalhos: Rizzini (1 977), adaptados às formas dos frutos, Murley (1 951 ) e Stearn (1 966), formas das semen- tes e embriões, Burkart (1943), Font Quer (1975) e Barroso (1984), classificação e terminologia dos frutos, Lawrence(1 951 ) e Rizzini (1977). tipos de indumento. Os significados das abreviaturas utili- zadas, são relacionados abaixo: s.l. = sem localidade. s.n. = sem número. s.d. = sem data. S/S = sem semente. Resultados Considerações Gerais sobre a Morfologia dos Frutos, Sementes e Embriões da Tribo Mimoseae. Fruto Osfrutosem Mimoseaeoriginam-sede um ovário monocarpelar, supero, unilocu- lar e com muitos ou poucos óvulos inseri- dos em placenta marginal. Quando madu- ros, tendem geralmente às formas lineares, oblongas ou cilíndricas, com faces planas ou convexas, de consistência cartácea ou, mais raramente, sublenhosa em espécies de Newtonia e Mimosa. Geralmente, exce- to o estilete e em algumas espécies o cálice, as demais estruturas florais não persistem no fruto. 0 tamanho varia de 1 a 39cm de com- primento, sendo que dimensões inferiores a 5cm foram encontradas com maior fre- quência apenas em espécies de Desman- thus. Mimosa e Neptunia, enquanto que em espécies de Anadenanthera. Dinizia, Enta- da. Pseudopiptadenia, Newtonia. Plathy- mema e Prosopis os frutos podem alcançar mais de 25cm de comprimento. Quanto ao número de sementes, os frutos são tipicamente polispérmicos, sen- do que apenas em algumas espécies de Mimosa foram observados alguns monos- pérmicos ou com número de sementes inferior a cinco. A superfície é lisa, venosa, verrucosa ou glandulosa, glabra ou revestida por tipos de indumento, que. principalmente, em certas espécies de Mimosa , são característicos e peculiares. Em relação ainda a este gênero a coloração dos frutos secos que nos de- mais taxa varia de pardacenta a nigrescen- te, pode apresentar-se de um intenso ama- relo ouro. A base pode ser séssil ou estipitada e o ápice, geralmente marcado pela presença do estilete, varia de obtuso a curto ou longamente acuminado. A formação mar- cante de um rostro é característica no fruto de Schrankia leptocarpa (foto 20). As margens, as quais variam de retas a constrictas, diferenciam-se ou não em re- plum. Entre todos os caracteres morfológicos analisados, as variações nas formas de deiscência e na morfologia das camadas que compõem o pericarpo, são fundamen- tais para o reconhecimento dos oito tipos de frutos encontrados nesta tribo. As defi- nições de cada um dos tipos e respectivas ocorrências estão relacionadas abaixo: 1 — Folículo: Fruto seco deiscente apenas na sutura do carpelo, per- manecendo as valvas unidas na região dorsal. Ocorre em Anadenathera (fotos 28, 29), Goldmania paraguensis (foto 25), Pseudopiptadenia (foto 26), Newtonia (foto 27), eStryph- nodendron gracile (foto 24). Rodriguésia, Rio de Janeiro. 37(62): 53-78, jan./jun. 1985 55 SciELO/JBRJ 1 14 15 16 17 lí 19 20 2 — Legume: Fruto seco, deiscente dorsiventralmente, com a forma- ção de duas valvas. Ocorre em: Desmanthus (foto 35), Neptunia (foto 36), Parapip- tadenia (fotos 33, 34) e Piptade- nia (foto 31 , 32). 3 — Sacelo: Fruto seco com deiscên- cia transversoapical, com pseu- doreplum unilateral, caduco, per- manecendo as valvas unidas en- tre si. O nome foi proposto por Mannagetta (1 91 3). Ocorre em: Mimosa acerba (foto 7) e Mimosa meticulosa. 4 — Legume carnoso: Fruto carnoso indeiscente ou tardiamente deis- cente na sutura do carpelo e, mais tarde, dorsiventralmente, com meso e/ou endocarpo carnoso com septos transversais ou oblí- quos entre as sementes. Ocorre em: Stryphnodendron spp (fotos 22, 23). 5 — Criptolomento: Fruto seco, cons- tituído por duas partes, uma exter- na (epicarpo-mesocarpo) deis- cente, formando duas valvas co- mo no legume, e a outra (endocar- po) indeiscente segmentado, ori- ginando artículos monospérmi- cos. Ocorre em:Plathymenia (foto 30). 6 — Craspédio: Fruto seco, deiscente ou indeiscente, caracterizando- se principalmente pela presença do replum, isto é, as margens são persistentes como uma moldura que se destaca das faces seg- mentadas ou não do fruto. Foram observadas, ainda, as seguintes diferenciações. a) Craspédio deiscente indiviso: com pericarpo indiviso, for- mando duas valvas geralmente decíduas. Ocorre em: Mimosa claussenii (foto 8), Mimosa incana. Mimo- sa micropteris (foto 9), Mimosa pachycarpa (foto 1 0) e Mimosa pseudo-obovata (foto 1 1 ). b) Craspédio deiscente ou indeis- cente articulado: com o peri- carpo segmentado formando artículos monospérmicos. Ocorre em Entada (foto 21) e Mimosa spp (foto 1 2, 1 9). c) Craspédio deiscente: com o pericarpo segmentado, porém sem formar artículos monos- pérmicos. Ocorre em: Schrankia leptocar- pa (foto 20). 7 — Lomento drupáceo: Fruto carno- so, indeiscente, com mesocarpo pulposo e o endocarpo coriáceo segmentado em artículos monos- pérmicos. Ocorre em: Prosopis (foto 37). 8 — Samaróide: Fruto seco, indeis- cente, com uma das margens le- vemente expandida, assemelhan- do-se a uma ala unilateral. Ocorre em: Dinizia (foto 38). Nos frutos de Entada. Plathymenia e Prosopis, o epicarpo e o endocarpo apre- sentam consistências diferentes entre si, sendo o mesocarpo diferenciado apenas em Prosopis. Por esta razão, nas descri- ções destes gêneros, as respectivas cama- das são tratadas isoladamente. Nos demais frutos, a consistência do pericarpo é unifor- me. Semente As sementes de Mimoseae originam- se de óvulos anátropos, variam de 0,3 a 5,3 cm de comprimento, são comprimidas, com faces planas ou convexas e com bor- dos de arredondados a agudos. A testa é sempre lisa, sem escultura- ções, variando de membranácea a rígida, de nítida a opaca e de pardacenta a nigres- cente. Apenas em Goldmania paraguensis é branco-acínzentada. Em ambas as faces, a testa pode ser ou não marcada por uma linha, geralmente em forma de ferradura, denominada por Corner (1951), pleuro- grama — linha de fissura por Boelcke (1946) e "face line" por Isely (1955a). 0 pleurograma nas sementes de Mimoseae é aberto em direção à região hilar, sendo este grau de abertura bastante variável. Apenas nas espécies de Plathymenia os braços do pelurograma são quase que totalmente unidos, formando uma estrutu- ra contínua (figs. 8b e 8e). Sua classificação foi baseada em relação à região da semen- te onde está localizado, o que implica em sua maior ou menor extensão, indepen- dente do grau de abertura. Assim sendo, os seguintes tipos foram evidenciados: 1 — Pleurograma mediano (fig. 11a): Ocupa principalmente a região mediana da semente, estenden- do-se ou não até a região basal. 2 — Pleurograma apical-basal (fig. 1 1 e): Ocupa quase toda a superfí- cie da semente, isto é, da região apical a basal. Além do pleurograma, nas sementes de Entada (fig. 4a )e Plathymenia (fig.8be8e), são observadas linhas curvas, contínuas ou não, geralmente mais numerosas no inte- rior da região pleurogramática. Isely (1955b) e Gunn (1981 ) denominaram-nas linhas de fraturas e, segundo Isely (l.c.), tais formações mais frequentes em semen- tes velhas, resultam de rachaduras da testa. Para Gunn (l.c.), as linhas de fraturas são conseqüência de um processo de disseca- mento interno. O funículo é geralmente longo, filifor- me e espiralado na região hilar. Em espé- cies de Piptadenia (figs. 9d e 9g) apresen- ta-se curto e espessado. O hilo, freqüentemente diminuto, varia de circular a elíptico e localiza-se na região basal sobre o bordo da semente. A micrópila adjacente ao hilo, raramen- te. é perceptível. A rafe, quando distinta, caracteriza-se por uma linha levemente sulcada ou por mancha ou saliência lateral ao hilo. A chalaza não apresenta caráter morfo- lógico evidente no aspecto externo da se- mente. As sementes podem ser providas ou não de ala, caracterizando-se dois grupos distin- tos: 1 — Sementes aladas: A ala em Mimoseae é sempre circular, emarginada na região hilar, membranácea como o restante da testa, podendo ser ampla ou estreita. Neste grupo, as semen- tes variam de orbiculares a oblongas e, em algumas espécies, transverso-oblongas ou transverso-elípticas. Atesta não é marcada por pleurograma. Ocorre em: Anadenanthera colubrina (fig. 7a), Pseudopiptadenia (fig. 6a), Newtonia (fig. 6e) e Parapiptadenia (fig. 10a). 2 — Sementes não aladas Tendem geralmente à forma obovóide ou combinações desta, em conseqüência do estreitamento na região basal, denomi- nado por Gunn (1981) de lobo radicular, onde aloja-se o eixo hipocótilo-radícula. O hilo situa-se no lobo radicular. Em todo o grupo de sementes não aladas a testa é marcada or pleurograma. Este grupo de sementes, predominante na tribo, ocorre nas demais espécies de Anadenanthera (fig. 7 d) e nos outros doze gêneros de Mimoseae. A posição da semente em relação ao eixo longitudinal do fruto foi classificada em: 1) Semente longitudinal (foto 32): Orientada paralelamente. 56 Rodriguésia, Rio de Janeiro. 37(62): 53-78, jan./jun. 1985 cm 1 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 2) Semente transversal (foto 22): Orien- tada perpendicularmente. 3) Semente Oblíqua (foto 24): Orienta- da obliquamente. 0 endosperma, após a semente ser submetida a reidratação por fervura em água, apresenta-se com aspecto gelatino- so, amarelado ou translúcido. Sua presen- ça foi verificada, em concentrações variá- veis, com maior frequência, nas sementes eâo aladas. Quando presente nas semen- tes aladas é bastante escasso. Embrião 0 embrião é formado por dois cotilédo- n es, eixo hipocótilo-radícula reto e sempre de tamanho inferior ao dos cotilédones e Plúmula diferenciada ou não em pinas. Ocupa quase que totalmente a cavidade mterna da semente e os cotilédones, pla- no-convexos, geralmente, membrano-car- nosos, são soldados apenas na base sagi- tada ou sagitada-biauriculada formando u m sinus onde se insere totalmente ou Parcialmente o eixo hipocótilo-radícula. Eoi considerado, segundo a classificação de Barroso (1 978), como axial e invagi- nado em relação respectivamente à posi- ção que ocupa no interior da semente e à delimitação bem pronunciada entre os co- tilédones e o eixo. A plúmula pode ser rudimentar, repre- sentada apenas por um segmento bi a tri Partido, ou muito desenvolvida devido a formação de vários segmentos alongados. Como descreveu Bravato (1974), as plú- rr >ulas multi-segmentadas apresen. n-se diferenciadas em pinas. Nas plúmulas for- cadas por segmentos vestigiais, a diferen- ciação em pinas não é evidente. Em algumas espécies observa-se que os segmentos, em relação ao grau de desenvolvimento, são intermediários entre as formas rudi- mentares e diferenciadas. Especialmente em Schrankia leptocarpa (fig. 3d) e em algumas espécies de Mimosa, a plúmula é Provida de apêndices laterais muito pro- longados e que provavelmente estão rela- cionados com as futuras estipulas. As plú- mulas com diferenciação evidente em pi- nas foram observadas nas espécies dos géneros: Anadenanthera (fig. 7g), Mimosa p.p. (figs. 2c e 2d), Newtonia (fig. 6h), Parapiptadenia (fig. 10d), Piptadenia p.p. (fig. 9j) e Schrankia (fig. 3d). Dados Prelimares sobre Germinação Apesar dos dados sobre germinação ainda serem escassos e insuficientes para resultados conclusivos, uma vez que o processo só foi observado em espécies dos gêneros Anadenanthera, Desmanthus, Pseudopiptadenia, Newtonia, Parapipta- denia e Stryphnodendron, o aspecto mor- fológico das primeiras folhas parece ser um bom caráter na diferenciação das respecti- vas plântulas. Nas espécies A. coiubrina, A. macro- carpa, A. peregrina, N. nitida, D. virgatus, P. leptostachya, Parapiptadenia sp. e S. adstringens, após a emergência do eixo hipocótilo-radícula, nas proximidades da região hilar, os cotilédones libertam-se da testa, enquanto o hipocótilo distende-se. A germinação foi considerada faneroepigea, segundo as definições de Ng apud Duke e Polhill (1981). Nas sementes das sete primeiras espécies acima relacionadas, o eixo hipocótilo-radícula surge até o 15.° dia. Porém, em S. adstringens, o processo de germinação só se inicia cerca de três meses após as sementes terem sido colo- cadas para germinar. Em Anadenanthera i spp. N. nitida, Parapiptadenia sp. e 5. ads- tringens, logo após a saída dos cotilédo- nes, emerge o epicótilo com os primeiros eófilos, isto é, segundo Tomlinson (apud Duke (1965 e 1969), as primeiras folhas desenvolvidas pelas plântulas. Em D. virga- tus e P. leptostachya o epicótilo com os primeiros eófilos surge cerca de dez dias após a expansão dos cotilédones. Os dois períodos de "repouso" mencionados por Vogei apud Duke e Polhill (1981), isto é, o dos cotilédones erguidos mas ainda cercados pela testa e o dos cotilédones expandidos antes da extensão do epicóti- lo, são bem distintos durante o processo germinativo de D. virgatus e P. leptosta- chya. Os primeiros eófilos podem ser pina- dos ou bipinados. ívnAnadenanthera colu- brina (foto 1 ) e Aí. nitida (foto 2) são bipina- dos com 2 a 4 pares de pinas multifoliola- das. Em D. virgatus (foto 3), Parapiptadenia sp. (foto 4) e S. adstringens (foto 5) são pinados, sendo que as plântulas de D. virgatus apresentam, incialmente, apenas um eófilo com 4 pares de folíolos, enquan- to que em Parapiptadenia sp. e S. adstrin- gens surgem, simultaneamente, dois eófi- los. alternos com respectivamente 7 e 4 pares de folíolos. Nestas duas espécies, apenas o segundo eófilo é bipinado. A plântula de P. leptostachya (foto 6) é bem distinta das plântulas das demais espécies, por seu eófilo bifoliado. Chave para a Identificação dos Gêneros da Tribo Mimoseae 1 . Fruto deiscente. 2. Replum presente (craspédio). 3. Parede do craspédio formada porartí- culos monospérmicos deiscentes. . . ' 1 — Mimosa p.p. 3'. Parede do craspédio não articulada 4. Craspédio tetragonal com parede segmentada 2 — Schrankia 4'. Craspédio nunca tetragonal, com parede indivisa. . .1 — Mimosa p.p. 2\ Replum ausente. 5. Fruto com deiscência apenas na sutu- ra do carpelo (folículo). 6. Plúmula sem nítida diferenciação em pinas. 7. Folículo não contorcido, com mar- gens de retas a sinuosas. 8. Semente com testa de pardacenta a castanha, pleurograma apical- basal 4 — Stryphnodendron p.p. 8'. Semente com testa branco-acin- zentada, pleurograma mediano 5 — Goldman ia T. Folículo contorcido com margens muito constrictas 6 — Pseudopiptadenia 6'. Plúmula com nítida diferenciação em pinas. 9. Semente com ala ampla, testa membranácea, sem pleurograma 7 — Newtonia 9'. Semente sem ala, ou raramente com ala muito estreita, testa rígi- do-membranácea, geralmente com pleurograma 8 — Anadenanthera 5'. Fruto com deiscência dorsiventral ou transverso-apical. 10. Fruto com deiscência apical, per- manecendo as valvas unidas na ba- se (sacelo) .... 1 — Mimosa p.p. 1 0\ Fruto com deiscência ao longo das valvas, as quais separam-se total- mente (legume). 1 1. Endocarpo segmentado, forman- do artículos monospérmicos (criptolomento) 9 — Plathymenia 1 1 ’. Endocarpo não segmentado. 12. Fruto carnoso, mesocarpo diferenciado (legume car- noso) ... 4 — Stryphnodendron p.p. 1 2'. Fruto seco, mesocarpo não diferenciado. 13. Legume com margens muito constrictas 10 — Piptadenia p.p. 1 3'. Legume com margens de retas a sinuosas. Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37(62): 53-78, jan./jun. 1985 57 cm 1 SciELO/JBRJ .3 14 15 16 17 18 19 14. Sementes aladas, sem pleurograma. . . ... 1 1 — Parapipta- denia 14'. Sementes não ala- das, com pleurogra- ma. 1 5. Sementes com cerca de 0,6 — 1 ,3 cm de com- primento x 0,4 — 1 ,3 cm de largura. Plúmula diferen- ciada em pinas. . . 1 0 — Pip- tadenia p.p. 1 5’. Sementes com cerca de 0,3 — 0,5 cm de com- primento x 0,2 — 0,3 cm de largura. Plúmula sem ní- tida diferencia- ção em pinas. 1 6. Sementes com pleuro- grama me- diano 12 — Desmanthus 1 6'. Sementes com pleuro- grama apical- basal 13 — Neptunia 1 '. Fruto indeiscente. 1 7. Fruto com mesocarpo carnoso, dife- renciado. 1 8. Endocarpo segmentado, formando artículos monospérmicos (lomento drupáceo) 14 — Prosopis 1 8'. Endocarpo apenas septado, não segmentado (legume carnoso) 4 — Stryphnodendron p.p. 1 7'. Fruto com mesocarpo não diferen- ciado. 19. Fruto com margem unilateral- mente expandida em pequena ala (samaróide) 15 — Dinizia 19'. Fruto com margem diferenciada em replum (craspédio). 20. Craspédio com cerca de 31 ,0-39,0 cm de comprimen- to, com epicarpo separando- se do endocarpo. 3 — Entada 20'. Craspédio com cerca de 0,8 a 17,0 cm de comprimento, com epicarpo e endocarpo unidos. 1 — Mimosa p.p. Descrição dos Gêneros 1 — Mimosa Linnaeus Linnaeus, Sp. PI. 1: 516. 1753 Fotos: 7-19; Fig. 1-2 Craspédio articulado ou indiviso, rara- mente sacelo 0,8-1 7,0 cm de comprimen- to X 0, 3-3,0 cm de largura, oblongo, linear, elíptico, ovalado, lanceolado, linear-oblon- go, plano-compresso ou subcilíndrico, reto ou falcado, estipitado (0, 3-2,0 cm) ou sés- sil, de cartáceo a sublenhoso, pardacento, castanho, ferrugíneo ou amarelo-ouro, opaco ou nítido, venoso, verrucoso ou glanduloso, de glabro a densamente seto- so, aculeado ou mais raramente equinado; artículos deiscentes ou indeiscentes, mo- nospérmicos, lineares, de quadrangulares a retangulares ou, raramente, subtriangula- res, geralmente com a região seminífera convexa e os bordos aplanados; replum espessado ou não, reto ou constricto, de glabro a setoso, ornado ou não por acúleos. Semente com 0, 3-0,8 cm de compri- mento x 0,2-0, 6 cm de largura de obovói- de, obovóide-oblonga, suboblonga a oblon- ga, elipsóide, de suborbicular e orbicular, com faces convexas, não alada, transver- sal, oblíqua ou longitudinal, com endosper- ma; testa de consistência rígido-membra- nácea a rígida, de pardacenta a nigrescen- te, nítida, com pleurograma mediano ou apical-basal com braços de afastados a semi-unidos. Embrião com cotilédones de 0,2-0, 7cm de comprimento x 0,2-0, 5 cm de largura, cordado-obovóides, cordado-suborbicula- res, cordado-orbiculares, cordado-oblon- gos, cordado-elípticos, plano-convexos; eixo hipocótilo-radícula com 0,1 -0,3 cm de comprimento, emergente; plúmula dife- renciada em pinas, com apêndices laterais pronunciados ou, plúmula sem nítida dife- renciação em pinas, e sem apêndices late- rais pronunciados. Entre as espécies examinadas do gêne- ro Mimosa, foram encontrados dois tipos de frutos: sacelo e craspédio. 0 sacelo foi observado apenas em M. acerba (foto 7) e M. meticulosa, onde os pequeninos e numerosos frutos setosos persistem no capítulo, mesmo após a deis- cência, aglomerados em densas "cabeci- nhas globosas", como mencionou Bur- kart (1948 e 1979). É provável que em outras espécies, principalmente da série Meticulosae, ocorra este tipo de fruto. 0 sacelo diferencia-se do legume típico por sua deiscência transverso-apical, manten- do-se as valvas unidas, dando a impressão de pequeninas bocas abertas. 0 craspédio, considerado por Bur- kart (1 943) como uma variação do lomen-’ to, é o tipo de fruto predominante do gêne- ro. Pode apresentar-se indiviso — fruto ao qual Burkart (1948:36) se refere como um retorno do craspédio à forma de vagem típica, deixando, porém, replum — ou seg- mentado em artículos monospérmicos, ca- racterizando dois grupos de espécies: — Craspédio com valvas indivisas, deiscentes, persistentes ou decíduas. Ob- servado nas seguintes espécies: M. claus- senii (foto 8), M. incana, M. micropteris (foto 9), M. pachycarpa (foto 1 0), M. Pseu- do-obovata (foto 1 1 ). — Craspédio segmentado formando de 2 a 20 artículos monospérmicos deis- centes ou indeiscentes. Observado nas demais espécies examinadas (fotos 12 - 19 ). Em M. incana e M. micropteris, nos exemplares examinados, foram encontra- dos apenas craspédios indivisos, porém, Burkart (1964 e 1979) cita que em ambas as espécies o craspédio, também, pode ser articulado. 0s craspédios apresentam grande va- riação em relação ao tipo de indumento. A superfície do fruto, dentre as espécies ob- servadas, varia de glabra a densamente setosa. Alguns tipos de indumento obser- vados em Mimosa são peculiares a esse grupo e seguem relacionados abaixo. Tipos de indumento: 1 — Setoso: M. acerba (foto 7), M. elliptica, M. lanata, M. meticulosa, M. parvipinna, M. pigra (foto 1 2), M. polydactyla, M. pudica (foto 1 3), M. ramosissima, M. rígida, M. rupestris, M. sagotiana, M. sensitiva, M. schrankioides, M. veiio- ziana. 2 — Glandular: M. affinis, M. duckei, M. mi craca n- tha, M. paludosa, M. plathycarpa, M. pteridifolia, M. somnians (foto 1 4 ),M. spruceana (foto 1 5), M. ulbríchiana. 3 — Dendroide — (corresponde aos pêlos denominados por Burkart (1964:346) de "plumoso, conife- roides ou arbolito"): M. daleoides, M. furfuracea (foto 1 6), M. incana. 4 — Estrigoso: M. micropteris (foto 9), M. pachycar- pa (foto 10). 5 — Estrelado: M. scabrella (foto 1 7), M. schombur- kii, M. taimbensis. 58 Rodriguésia, Rio de Janeiro. 37(62): 53-78, jan./jun. 1985 SciELO/ JBRJ, 14 15 16 17 18 19 20 cm A superfície de um único craspédio ocorrer, ainda, que apenas no replum os pode estar recoberta por mais de um tipo de indumento. Neste caso, na classificação acima, foi considerado o tipo que predomi- na no revestimento. Por outro lado, pode pêlos sejam evidenciados, como ocorre em M. pudica (foto 1 3), enquanto o epicar- po apresenta-se glabro ou subglabro. As demais espécies, não relacionadas, ou possuem craspédios de glabros, como em M. caesa/piniaefolia (foto 1 8), a glabres- centes ou estes são revestidos por indu- mentos menos característicos como hirsu- to, piloso, híspidulo e pubérulo. Além do indumento, observou-se que algumas espécies são facilmente distintas pelo aspecto aculeado do replum como em M. pseudo-obovata (foto 1 1 ) ou da parte central dos artículos como em M. modesta (foto 1 9) e M. ursina. Em M. claussenii (foto 8) o craspédio é equinado. As plúmulas, nas espécies de Mimosa, variam em relação ao grau de diferenciação dos segmentos em pinas, e os apêndices laterais, futuras estipulas, são muito ou pouco evidentes. Dentre as espécies exa- minadas, as plúmulas mais desenvolvidas foram evidenciadas em M. affinis (fig. 2d), M. claussenii, M. elliptica, M. I anata , M. paludosa, M. pigra (fig. 2c), M. scabrella, M. ulbrichiana e M. ursina. Em M. affinis foram observadas, também, emergências glandulares, nas margens do eixo hipocóti- lo-radícula, na região próxima à plúmula e nos próprios segmentos que formam a plúmula. As demais espécies observadas, ou apresentam formas rudimentares como em M. hostilis (fig. 2a) ou intermediárias como em M. furfuracea (fig. 2b). Sementes e Embriões de Mimosa: a-b, M. claussenii: c-d, M. acerba: e-f, M. pigra: g-h, M. pudica: i-j, scabrella; k-m, M. plathycarpa. Fi 9ura 2 Plúmulas de Mimosa: a — M. hostilis; b — M. furfuracea; c — M. pigra ; d — M. affinis. Rodriguésia, Rio de Janeiro. 37(62): 53-78, jan./jun. 1 985 59 SciELO/JBRJ 1 3 14 15 16 17 18 19 20 cm Todos os aspectos morfológicos, que foram abordados sobre os frutos e as plú- mulas das espécies de Mimosa merecem um estudo mais detalhado, pois podem auxiliar o estudo taxonômico na caracteri- zação de grupos de espécies ou até mesmo a nível de espécies. Material Examinado Mimosa acerba Benth. — BRASIL: São Paulo — Cotia, D. Constantino 140 (IV. 1941) RB; Itapetininga, J. /. de Lima s.n. (1 .111.1951 ), carpoteca 3905, RB; Ibidem, idem s.n. (111.1945), carpoteca 3508, RB; Ibidem, idem s.n. (26.111.1945) RB. Mimosa affinis Harms — BRASIL: Goiás — 30 Km Gama ao longo da estrada para o Rio Corumbá, B. Maguire et at. 57110 (1 6.X.1 963) RB. Mimosa bimucronata (DC.) 0. Kuntze — BRASIL: Rio de Janeiro — Caxias, próximo a Xerém, H. C. de Lima et O. Valverde 938 (30. IV. 1979) RB. Santa Catarina — Brus- que, H. P. Veloso 164 (9.IV.1951) RB. Mimosa caesalpiniaefolia Benth. — BRA- SIL: Maranhão — Caxias, A Ducke s.n. (VI. 1907) RB. Piauí — Estrada Parnaíba- Chaval, Parnaíba, D. Sucre et al. 91995 (20.VI.1972) RB. Rio de Janeiro — Horto Florestal de Resende, J. G. Kuhlmann s.n. (29.XI.1 930), carpoteca 2456, RB. Mimosa casta L. — BRASIL: Pará — Be- lém, Baguary, Ilha dos Ouços.V. G. Kuhl- mann 31 (s.d.) RB. Mimosa claussenii Benth. — BRASIL: Goiás — S. João da Aliança, A. Mattos et al. 399 (1 8.VII.1 963), carpoteca 4217, RB; s.l.: E. Ule s.n. (IX.1892) R. Mimosa daleoides Benth. — BRASIL: San- ta Catarina — Chapecó, 6-24 Km oeste de Campo Erê, L. B. Smith et R. Klein 1 1 549 (20.11.1957) R. (S/S). Mimosa duckei Huber — BRASIL Pará — Serra da Velha Pobre, Almerim, A. Ducke s.n. (3.IX.1 91 8) RB. Mimosa elliptica Benth. — BRASIL: Rio de Janeiro — Restinga da Marambaia, D. Su- cre etal. 1265 (30.XI.1966) RB; s.l., J. G. Kuhlmann s.n. (3.1.1923) RB. Mimosa furfuracea Benth. — BRASIL: Pa- raná — Campo Largo, Rio Papagaios, G. Hatschbach 249 (5.111.1 946) RB. Santa Ca- tarina — Campo Alegre, Morro Iquererim, L. B. Smith et R. Klein 741 3 (s.d.) R. Mimosa incana (Spreng.) Benth. — BRA- SIL: Rio Grande do Sul — Pelotas, J. C. Sacco 223 (10.XI.1954) RB, (S/S). Mimosa laevigata Benth. — BRASIL: Goiás — Brasília, rio Cabeça de Veado, E. Pereira 7380 (28.111.1963) RB. Mato Grosso — Poconé, Fazenda Ipiranga, A. Aliem et G. Vieira 1024 (26.VII.1 977) RB. Mimosa lanata Benth. — BRASIL: São Paulo — Vila Emas, Brade 12854 (XII. 1933) RB. Mimosa meticulosa Mart. — BRASIL: Pa- raná — Arapoti, L. B. Smith et al. 14708 (17.1.1965) R. Mimosa micracantha Benth. — BRASIL: Pará — Itaituba, Rio Tapajós. A. Ducke s.n. (23.V.1923) RB; Serra de Santarém, idem s.n. (2.IX.1 923) RB. Mimosa micropteris Benth. — BRASIL: Pa- raná — Sengés. Serra do Mocambo, G. Hatschbach 27160 (8.X.1971) HB; Vila Velha, E. Pereira 8293 (14.1.1964) RB; Ibidem, E. Frommetal. 357 (1 8.X.1 961 ) R. Mimosa modesta Mart. — BRASIL: Bahia — Serra do Açuruá, R. M. Har/ey et al. 18900 (1 .IV. 1 977) RB, (S/S). Mimosa myriadena Benth. — BRASIL: Amazonas — Rio Negro, J. G. Kuhlmann 1032 (31.XII.1923) RB. Mimosa pachycarpa Benth. — BRASIL: Minas Gerais — Curvelo estrada para Dia- mantina, B. Maguire et al. 44778 (23.XII.1959) RB, (S/S). Mimosa paludosa Benth. — BRASIL: Bahia — Serra do Rio das Contas,/?. M. Harleyet al. 20047 (27.111.1977) RB. Minas Gerais — Barbacena.F. Pereira 7546 (5. IV. 1963) RB. Mimosa parvipinna Benth. — ARGENTI- NA: s.l., Burkart 1 5444 (1 7.XI.1 945) RB. Mimosa pigra L. — BRASIL: Ceará — s.l., Fr. Allemão et M. Cysneiros 515 (s.d.) R. Bahia — Serra do Rio das Contas, R. M. Harley 19860 (1 4.XII.1 978) RB. Rio de Janeiro — Cultivada no Jardim Botânico, J. G. Kuhlmann s.n. (s.d.), carpoteca 2881, RB. Mato Grosso — Lagoa Gahyba, J. C. Diogo 285 (s.d.) R; Margem do Rio Ara- guaia, J. M. de Oliveira 3056 (5.XII.1 977) RB; Santa Terezinha, C. T. Falcão 5136 (27.XI.1977) RB. Mimosa platycarpa Ducke — BRASIL: Cea- rá — Fortaleza, beira da rodagem para Maranguape.A Ducke 2542 (23.111.1956) RB; Fortaleza, A G. Fernandes 2107 (s.d.) RB. Mimosa polydactyla Humb. et Bompl. ex Willd. — BRASIL: Pará — Belém, A. Ducke s.n. (31 .111.191 5) RB; Pernambuco — Reci- fe, Dois Irmãos, D. Vasconcellos s.n. (XI. 1936) RB. Mimosa pseudo-obovata Taub. — BRASIL: Pernambuco — Usina Mussurepe, estrada aldeia, borda da mata, Ducke et A. Lima 23 (20. XI. 1951) R. Rio de Janeiro, Barra da Tijuca, J. G. Kuhlmann 6217 (23.1.1945) RB; (S/S) Recreio dos Bandeirantes, Jaca- repaguá, A. P. Duarte 4097 (1952) RB; (S/S) RB; (S/S). Ibidem, Paleios etal. 4066 (9.1.1 949) R. Santa Catarina — Florianópo- lis, Bom Abrigo, E. Santos et J. C. Sacco 1822 (6.11.1964) HB. (S/S). Mimosa pteridifolia Benth. — BRASIL: Ba- hia — Serra do Açuruá, 1 ,5 Km. São Inácio, Estrada Gentio do Ouro, R. M. Harley etal. 1900 (24.11.1977) RB. Mimosa pudica L. — BRASIL: Riode Janei- ro — Aterro, Aeroporto Santos Dumont, Jurandir s.n. (1964) RB. Mimosa ramosissima Benth. — BRASIL: Santa Catarina — Campo Erê, 8 Km a oeste, L. B. Smith et R. M. Klein 13778 (7.XII.1 964) R; Lajes, L. B. Smith et R. Klein 8064 (2.XII.1 956) R. Mimosa rigida Benth. — BRASIL: Minas Gerais — Ouro Brando, P. C. Porto 1209 (26.XI.1922) RB; Ouro Preto, Três Moi- nhos,//. C. de Lima etal. 1 274 (5.VIII.1 980) RB; São Tomé das Letras, Baependi, Brade et Apparício 20487 (1 4.VII.1 950) RB. Mimosa rupestris Benth. — BRASIL: Minas Gerais — Serra do Ouro Branco, F. Pereira et G. Pabst 2950 (s.d.) RB. Mimosa sagotiana Benth. — BRASIL: Pará — Óbidos, A Ducke s.n. (15.11.1918) RB. Mimosa scabrella Benth. — BRASIL: São Paulo — Cunha, Reserva Estadual de Cunha na beira do Rio Bonito,//. C. de Lima 1125 (s.d.) RB. Santa Catarina — Bom Retiro, P. R. Reitz 3603 (XII. 1949) R. Mimosa schomburgkii Benth. — BRASIL: Amazonas — Boa Vista, Rio Branco, A. Ducke s.n. (28.VI. 1 937) RB. Pará — Culti- vado em Belém, A Ducke s.n. (IX. 1956) RB. Mimosa schrankioides Benth. — BRASIL: Pará — almerim, boca do Aramum, A. Ducke s.n. (5.VII.1 91 9) RB. Mimosa sensitiva L. — BRASIL: Pará — Belém, A Ducke s.n. (7.XI.1 922) RB; Piauí — Parnaíba, Lagoa Portinho, D. Araújo et al. 452 (3.X. 1 973) RB; Sete Cidades, Par- que Nacional Boqueirão, G.M. Barroso 40 (1 3.IX.1 977) RB. Ceará — Entre Barbalha e Crato, A. Castellanos s.n. (21 .VII. 1 964) HB; Serra do Baturité, Sítio B. Inácio de Azevedo, J. Eugênio 595 (VII. 1937) RB. Mimosa somnians Humb. et Blomp ex Willd. — BRASIL: Paraíba — João Pessoa, J. I. A. Falcão etal. 1 1 02 (1 5.IX.1 954) RB. ARGENTINA: s.l., Burkart 15283 (12.11.1945) RB. Mimosa spruceana Benth. — BRASIL: Amazonas — Manaus, Cachoeira Grande, J. G. Kuhlmann 164 (23.VIII.1 923) RB. Mimosa ulbrichiana Harms. — BRASIL: Bahia — Serra do Açuruá, /?. M. Harley et al. 18992 (24.11. 1977) RB. 60 Rodriguésia, Rio de Janeiro. 37(62): 53-78, jan./jun. 1985 SciELO/ JBRJ: 3 14 15 16 17 18 19 20 cm Mimosa ursina Mart. — BRASIL: Bahia — Serra do Sincorá, 15-20 Km para Andaraí estrada Itaeté-Mucugê, R. M. Harley et al. 18633 (17.11.1977) RB. Mimosa velloziana Mart. — BRASIL: Bahia — Sales, J. M. Brazão 85 (1.IX.1978) RB. Rio de Janeiro — Campo Grande, Serra do Mendanha, H. C. de Lima 98 (6.VII.1 977) RB. Goiás — Parque Nacional de Brasília, E - P. Heringer 9675 (20.V.1964) RB. ^ Schrankia Willdenow Willdenow, Sp. PI. 4(2):888, 1041. 1806. Foto: 20; Fig.: 3 Craspédio deiscente segmentado com 7’5-1 1 ,5 cm de comprimento x 0,2 cm de largura, linear, tetragonal.subcilíndrico, re- to, séssil, cartáceo, pardacento, opaco, es- parsamente aculeado, glabro; replum ex- pandido, aculeado, reto. Semente com 0,4-0, 6 cm de compri- m ento x 0,2-0, 3 cm de largura, oblonga, com faces convexas, não alada, longitudi- nal, com endosperma; testa de consistên- cia rígido-membranácea, nigrescente, níti- da, com pleurograma apical-basal com bra- ços afastados. Embrião com cotilédones de 0,4-0, 5 de comprimento x 0,2-0, 3 cm de largura, cordado-oblongos, plano-convexos; eixo hipocótilo-radícula com 0,2 cm de compri- mento, emergente; plúmula diferenciada em pinas, com apêndices laterais pronun- ciados. O craspédio de Schrankia, por sua for- ma tetragonal e porapresentaro replum tão ou mais largo que as paredes do fruto, torna-se distinto dos craspédios de Mimo- sa p.p. As "valvas" do fruto de Schrankia não se apresentam septadas internamente formando artículos, e nem são totalmente indivisas como nos craspédios de algumas espécies de Mimosa. Tais estruturas sepa- ram-se do replum através de fraturas que ocorrem em espaços mais ou menos regu- lares, libertando, assim, as sementes. A plúmula de Schrankia (fig. 3d)é muito característica por sua evidente diferencia- ção em pinas e pelos apêndices laterais, futuras estipulas, muito pronunciados. Material Examinado Schrankia leptocarpa DC. — BRASIL: Pará — Belém, Souza, W. A. Archer 7532 (31 .VII. 1 942) IAN. Piauí — Lagoa do Porti- nho, D. Sucreetal. 10261 (3.X.1 973) RB. Ceará — Campo de fruticultura do Cariri, Crato.A Duarte et Ivone 1 298 (5.VIII.1 948) RB; Serra do Baturité, Sítio B. Inácio de Azevedo, J. Eugênio 594 (IX.1 937) RB; s.l. Fr. Allemão s.n. (s.d.) R. Rio Grande do Norte — Arredores de S. José de Mipibu, L. Emygdio 1698 (3. VI 1.1 959) R. Pernam- buco — Recife, Curados, J./.A. Falcão et al. 764 (24.VIII.1954) RB. 3 — Entada Adanson Adanson, Fam. PI. 2:31 8. 1 763 Foto: 21 ; Fig. 4 Craspédio indeiscente articulado com 31,0-39,0cm de comprimento x 5,0- Fi 9ura 3 Schrankia leptocarpa: a — semente; b — secção transversal; c — embrião; plúmula. Entada polystachya: a — semente; b — secção transversal; c — embrião; d — plúmula. Rodriguésia, Rio de Janeiro. 37(62): 53-78, jan./jun. 1985 61 SciELO/JBRJ, 14 15 16 17 1 ! 19 20 Figura 5 Stryphnodendron adstringens: a — semente; b — secção transversal; c — embrião; d — plúmula; Stryphno- dendron coriaceum: e — semente; f — embrião; Goldmania paraquensis: g — semente; h — secção transver- sal; i — embrião; j — plúmula. 7,0 cm de largura, oblongo, plano-com- presso, subfalcado, estipitado (3,0-4,0cm), epicarpo cartáceo de pardacento a nigres- cente, nítido, venoso, glabro; endocarpo segmentado; artículos monospérmicos sub-retangulares. com a região seminífera de consistência espanjosa, densamente reticulada, e bordos cartáceos ou artículos cartáceos; replum de sub-lenhoso a lenho- so, levemente constricto. Semente com 1, 7-2,0 cm de compri- mento x 1 ,3-1 ,5 cm de largura, suborbicu- lar, com faces convexas, não alada, trans- versal, sem endosperma; testa de consis- tência rígida, castanho-avermelhada, níti- da, com pleurograma apical-basal com bra- ços aproximados. Embrião com cotilédones de 1,4- 1 ,6 cm de comprimento x 1 ,3 cm de largu- ra, cordado-suborbiculares, plano-conve- xos; eixo hipocótilo-radícula com 0,4 cm de comprimento, emergente; plúmula sem nítida diferenciação em pinas. 0 gênero, com a grande maioria de suas espécies africanas, está representado no Brasil por E. polyphylla e E. polysta- chya, subordinadas por Brenan (1966) à seção Entadopsis. 0 craspédio, articulado e indeiscente, diferencia-se dos craspédios deste mesmo tipo encontrado em certas espécies de Mimosa, por suas dimensões bem maiores e pela disjunção entre o epi- carpo e o endocarpo. Material Examinado Entada polyphylla Benth. — BRASIL; Ama- zonas — Manaus, Ponta Negra, W. Rodri- gues 8656 (16.XII.1969) RB (S/S). Entada polystachya (L.) DC. — BRASIL: Roraima — Canta Galo, Rio Mucajaí entre Pratinha e Rio Apiaú, G. T. Prance et al. 4003 (22.1.1967) R. Rondonia, Cachoeira Misericórdia, Rio Madeira no Riberão, G. T. Prance et al. 6726 (2.VIII.1 968) R. Pará, Marabá, G. A. Black 49-7937 (21 .VI. 1 949) IAN. Mato Grosso, Estrada de ferro M. Momoré.w/. G. Kuhlmann s.n. (22.IX.1 923), carpoteca 394, RB; Guajará-Mirim, J. G. Kuhlmann 442 (12.IX.1923) RB. 4 — Stryphnodendron Martius Martius, Herb. Fl. Bras. 20(2) Beibl. 117. 1837. Fotos: 22-24; Fig. 5a-f. Legume carnoso ou mais raramente folículo, com 6,0-1 6,0 cm de comprimento x 1,0-2, 5 cm de largura, oblongo, linear- oblongo, subcilíndrico ou plano-compres- so, reto ou falcado, séssil ou subséssil. crasso, de castanho-avermelhado a nigtes- cente, nítido ou opaco, rugoso, glabro ou com pêlos curtos, caducos, de aspecto pulverulento; margens não espessadas, re- tas ou sinuosas. Semente com 0,7-1, 2 cm de compri- mento x 0,4-0, 8 cm de largura, obovóide, oblonga, oblonga-obovóide ou suborbi- cular, com faces convexas, não alada, trans- versal ou oblíqua, com endosperma; testa de consistência rígida, de pardacenta a castanho-escura, opaca, com pleurograma apical-basal com braços de afastados a semi-unidos. Embrião com cotilédones de 0,6- 1 ,0 cm de comprimento x 0,3-0,8 cm de largura, de cordado-orbiculares a cordado- oblongos, plano-convexos; eixo hipocóti- lo-radicula com 0,1 -0,3 cm de comprimen- to, emergente; plúmula sem nítida diferen- ciação em pinas. Entre as espécies examinadas do gêne- ro Stryphnodendron, foram evidenciados dois tipos de frutos: folículo — com septos muito tênues entre as sementes. Observado apenas em 5. gracile (foto 24); legume carnoso (fotos 22-23) — com 62 Rodriguésia. Rio de Janeiro, 37(62); 53-78, jan./jun. 1985 cm 1 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 lí 19 20 septos espessados, permanecendo as se- mentes isoladas umas das outras, e, às vezes, encerradas em verdadeiras cavida- des como em S. coriaceum (foto 23). Este tipo de fruto foi encontrado na maioria das espécies examinadas. As sementes caracterizam-se pela tes- ta muito rígida, marcada pelo pleurograma apical-basal (fig. 5a e 5e). Material Examinado Stryphnodendron adstringens (Mart.) Co- ville — BRASIL: Minas Gerais — Carmo da Cachoeira, J. C. C. Ururahy 1 (23.V.1978) RB. Goiás — Estrada Luziania-Vianópolis, H ■ Magnago 235 (14.111.1978) RB. Stryphnodendron coriaceum Benth. — BRASIL: maranhão — Chapadinha, D. Su- cre e tJ- F. da Silva 9424 (28.VI.1 972) RB. Piauí — Sete Cidades, Boqueirão, G. M. Barroso 103 (13.IX.1977) RB. Btryphnodendron graciie Her. et Rizz. — BRASIL: Minas Gerais — Km 1 1 3 ao longo da rod. Lagoa Santa-Conceição do Mato Dentro, Diamantina, Jaboticatubas, A. B. Jolyetal. 1 534 (1 5.IV.1 972) UEC; Serra do Cipó, Santana do Riacho, G. Martineiii 254 0O.V.1974) Rb. Stryphnodendron obovatum Benth. — BRASIL: Paraná — Fazenda Lagoa, Cianor- te - G - Hatschbach 21 565 (1 9.V.1 969) UEC. Mato Grosso - Rio Araguaia, Xavantina, H. S - 'rwinetai. 1 6700 (s.d.) HB; Rio Pardo, G. Martineiii 408 (13.VI.1974) RB. St, yphnodendron polyphyllum Mart. — RRASIL: Minas Gerais — Km 41 6 da BR-3 entre Juiz de Fora e Santos Dumont, A. P. °uarte et A. Mattos 8228 (29.VII.1 964) RB; Reserva Florestal do Rio Doce, mata *- a goa do Anibal, D. Sucre et al. 10098 (29.VIII.1 973) RB. ^ Goldmania Rose ex Micheli Rose ex Micheli, Mém. Soc. Phys. Hist. Nat. Genève 34(3):274. 1903. Foto: 25; Fig. 5g-j Folículo com 6,0-6, 5 cm de comprimen- ,0 * 1.0 cm de largura, oblongo, plano- compresso, subfalcado, subséssil, coriá- Ce o, castanho, opaco, liso, com pêlos cur- iós caducos, de aspecto pulverulento; mar- cos não espessadas retas ou sinuosas. Semente com 0,6-0, 7 cm de compri- Hnento x 0,5-0,6 cm de largura, obovóide, Corn faces convexas, não alada, transversal a levemente oblíqua, com endosperma; testa de consistência rígida, pálido-acin- Ze ntada, opaca, com pleurograma media- n ° com braços muito afastados. Embrião com cotilédones de 0,5 cm de comprimento x 0,4 cm de largura, cordado- obovóides, plano-convexos; eixo hipocóti- lo-radícula com 0,2 cm de comprimento, emergente; plúmula sem nítida diferencia- ção em pinas. A única espécie brasileira, G. para- guensis, é diferenciada das espécies de outros gêneros com frutos foliculares, pelo fato do folículo ser bem menor, expondo as sementes pálido-acinzentadas, caracterís- ticas desta espécie. Material Examinado Goldmania paraguensis (Benth.) Brenan — BRASIL: Mato Grosso — Corumbá, à mar- gem direita da Baía deTomengo próximo a estrada Brasil-Bolívia, C.A. Conceição 559 (30.XI.1979) RB; Fazenda Pallatz, P. P. Furtado s.n. (3.X.1980) RB. 6 — Pseudopiptadenia Rauschert Rauschert, Taxon 31 :559.1982 Foto: 26; Fig. 6a-d Folículo com 13,0-28,0 cm de com- primento x 1, 0-2,0 cm de largura, monili- forme, plano-compresso, contorcido, esti- pitado (1 ,0 cm), de cartáceo a coriáceo, de acinzentado a pardacento, opaco, venoso. Figura 6 Pseudopiptadenia ieptostachya: a — semente alada; b — secção transversal; c — embrião; d — plúmula; Newtonia nitida; e — semente alada; f — seccão transversal; g — embrião; h — plúmula. Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37(62): 53-78, jan./jun. 1985 63 cm 1 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 lepidoto, glabro; margens levemente es- pessadas e muito constrictas. Semente com 0,9-1, 6 cm de compri- mento x 0,9-1, 8 cm de largura, orbicular, suborbicular ou transverso-elíptica, com faces planas, ciada, longitudinal, com ca- mada muito escassa de endosperma; testa de consistência membranácea a rígido- membranácea, pardacenta, nítida, sem pleurograma. Embrião com cotilédones de 0,6- 1,2 cm de comprimento x 0,6-1, 6 cm de largura, cordado-orbiculares, cordado- suborbiculares, ou cordado-transverso- elípticos, planos; eixo hipocótilo-radícula com 0,3-0, 5 cm de comprimento, emer- gente; plúmula sem nítida diferenciação em pinas, com estruturas globosas adja- centes. Brenan (1955) criou o gênero Mo- noschisma e a este subordinou as espé- cies, anteriormente pertencentes a Pipta- denia sect. Pityrocarpa, P. leptostachya e P. inaequalis as quais possuem frutos do tipo folículo e sementes aladas. Segundo Rauschert (1982) o nome Monoschis- ma já havia sido dado por Duby (1 868) para um gênero de Musci. Assim sendo Rauschert, 1 .c., propôs o nome Pseudo- piptadenia em substituição a Monoschis- ma. Brenan (1955) considerou o gêne- ro em questão, principalmente em rela- ção às características do fruto e da semen- te, muito próximo d eAnadenanthera. Con- siderando esses mesmos caracteres, pa- rece que as espécies de Pseudopiptade- nia apresentam maior afinidade, ain- da, com as do gênero Newtonia, devido a ocorrência do mesmo tipo de fruto e pela presença da ala e ausência de pleurograma nas sementes (fig. 6a). O folículo de Pseu- dopiptadenia (foto 26) diferencia-se dos de Anadenanthera (fotos 28 e 29) e Newtonia (foto 27), por seu aspecto moniliforme. A plúmula de Pseudopiptadenia (fig. 6d), não diferenciada em pinas, distingue as espé- cies deste gênero, dos dois outros afins. As estruturas globosas adjacentes à plúmula, na fase do processo de germina- ção, na qual os cotilédones apresentam-se expandidos, aglomeram-se na base do epi- cótilo. À medida que o epicótilo se prolon- ga e os primeiros eófilos se desenvolvem, tais estruturas parecem regredir. Pretende- se desenvolver estudos mais detalhados sobre a composição e a função de tais formações, observadas apenas nas plúmu- las das espécies deste gênero. Material Examinado Pseudopiptadenia inaequalis (Benth.) Rauschert — BRASIL: Rio de Janeiro — Estrada da Vista Chinesa, J. G. Kuhlmann s.n. (2.IV.1 929), carpoteca 2435, RB; Pe- trópolis, Serra da Estrela, Raiz da Serra — Estrada Velha — Estrada das Pedras, L. Mautone et ai. 288 (5.IX.1 977) RB; Serra do Arapucaia, Pessoal do Horto s.n. (14.VII.1927), carpoteca 2567, RB. Pseudopiptadenia leptostachya (Benth.) Rauschert — BRASIL: Rio de Janeiro — Parque Nacional da Tijuca, próximo da Vista Chinesa, H. C. de Lima et ai 1625 (3. VI. 1981) RB; Tijuca, A. C. Brade s.n. (s.d.) R. 7 — Newtonia Baillon Baillon, Buli. Soc. Linn. Paris 1: 721. 1888. Foto: 27; Fig. 6e-h Folículo com 1 5,0-35,0 cm de compri- mento x 1, 5-4,0 cm de largura, de linear- oblongo a amplamente oblongo, plano- compresso, reto ou falcado ou, raramente, torcido, subséssil ou estipitado (0,5- 1 ,0 cm), de subcoriáceo a sublenhoso, de castanho a nigrescente, nítido, venoso, gla- bro; margens espessadas, sinuosas ou le- vemente constrictas. Semente com 1,5-5, 2 cm de compri- mento x 0, 8-2,0 cm de largura, oblonga, suboblonga ou raramente, transverso- oblonga, com faces planas, amplamente alada, longitudinal, sem endosperma; testa de consistência membranácea, pardacen- ta, opaca sem pleurograma. Embrião com cotilédones de 1.3- 2,5 cm de comprimento x 0,6- 1,8 cm de largura, de cordado-oblongos a raramente transverso-oblongos, planos; eixo hípocó- tilo-radícula com 0,5-0, 6 cm de compri- mento, emergente ou não; plúmula dife- renciada em pinas. Brenan (1955) transferiu as espécies de Piptadenia (P. nitida. P. psilostachya e P. suaveolensj. com fruto do tipo folículo e semente alada, para o gênero Newtonia que até então só constava de espécies africanas. Burkart (1979), após reco- nhecer para o gênero Newtonia mais duas espécies, N. glaziovii (foto 27) eN. contor- ta, subordinou as espécies brasileiras des- te gênero a sect. Neonewtonia. As espécies de Newtonia diferenciam- se das dos gêneros afins Anadenanthera e Pseudopiptadenia. principalmente, pelas sementes amplamente aladas (fig. 6e) e através da plúmula diferenciada em seg mentos alongados (fig. 6h). Newtonia contorta (DC.) Burkart — BRA- SIL: Bahia — Iramaia, P. Vaillant 15 (20.VI.1 978) RB. Minas Gerais — Estação Experimental Cel. Pacheco, E. P. Heringer s.n. (1 3.X. 1 946) R; Mata da Lagoa do Aní- bal, Reserva Florestal do Rio Doce, D. Sucre etal. 10105 (29.VIII.1 973) RB. Rio de Janeiro — Estrada Vista Chinesa Km. 6, C. Angeli 186 (20.X.1960) RB; Horto Flo- restal, J. G. Kuhlmann s.n. (10. XI. 1 927). carpoteca 2460, RB. Newtonia glaziovii ( Harms) Burkart — BRA- SIL: Minas Gerais — Jequitibá, E. P. Herin- ger s.n. (IV.1 958) carpoteca 2437, RB. Rio de Janeiro — Horto Florestal, J. G. Kuhl- man s.n. (1 928), carpoteca 2431 , RB; Serra da Estrela, Glaziou 8440 (s.d.) R. São Paulo — Parque da Av. Paulista, A. Gehrt s.n. (21.X.1935) UEC. Newtonia nitida (Benth.) Brenan — BRA- SIL; Ignorado, Caminho do Macaco, Sal- danha et Glaziou 4953 (3.X.1878) R. Rio de Janeiro — Matas do Horto Florestal. J. G. Kuhlmann s.n. (1 927), carpoteca 2440, RB; Mata do Rumo (Reserva Florestal do Jardim Botânico), D. Sucre 4471 et P. I. Braga 1 348 (1 9.1.1 969) RB; Vista Chinesa, A. P. Duarte 5782 (X. 1961) RB. Newtonia suaveolens (Miq.) Brenan — BRASIL: Pará - Belém, beira do Rio Guamá, Tucunduba, G. A. Black 52-14146 (24.1.1952) R; s.L, R. L. Fróes et Murça Pires 24136 (s.d.) RB. Folículo com 1 0,0-30,0 cm de compri- mento x 1 ,0-2,5 cm de largura, linear- oblongo, plano-compresso, reto ou subfal- cado, estipitado (1 ,0-2,0 cm), coriáceo, de castanho a nigrescente, nítido, venoso, liso ou verrucoso, glabro; margens espes- sadas, sinuosas ou, mais raramente, cons- trictas. Semente com 0,8-1, 6 cm de compri- mento x 1, 0-2,0 cm de largura, orbicular, suborbicular ou, mais raramente, transver- so-elíptica, com faces planas, raramente alada, transversal ou longitudinal sem en- dosperma; testa de consistência membra- nácea, castanha, nítida, com pleurograma mediano com braços afastados, ou, rara- mente, sem pleurograma. Embrião com cotilédones de 0,8- Material Examinado 8 — Anadenanthera Spegazzini Spegazzini, Physis 6:313. 1923. Fotos: 28-29; Fig. 7 g 4 Rodriguósia, Rio de Janeiro. 37(62): 53-78, jan./jun. 1985 cm l SciELO/JBRjt 14 15 16 17 lí 19 20 cm 1,7 cm de comprimento x 0,6-2, 0 cm de largura, cordado-orbiculares, cordado-sub- orbiculares ou cordado-subtransverso- elípticos, plano-convexos; eixo hipocótilo- radicula com 0,3 a 0,5 cm de comprimento, geralmente não emergente; plúmula dife- renciada em pinas. Os caracteres utilizados por Brenan (1 955) para restabelecer o gênero Anade- nanthera são basicamente o fruto do tipo foliculo e as sementes não aladas. As es- pécies deste gênero foram subordinadas, anteriormente, por Bentham (1841), ao gênero Piptadenia (sect. Niopa). Ao examinar-se o material, observou- se que além das características estabeleci- das por Brenan, a plúmula, que se apresen- ta com aspecto morfológico constante, é Peculiar às espécies deste gênero. Mesmo em A. colubrina onde o fruto, com as margens constrictas (foto 28), e as semen- tes, com ala estreita e sem pleurograma ( f ig. 7a), assemelham-se aos frutos e se- mentes de Pseudopiptadenia , tal espécie é facilmente identificada através da plúmula diferenciada em pinas (fig. 7g). Material Examinado Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan — BRASIL: Minas Gerais — Estação Experi- mental Cel. Pacheco. V. Gomes 2573 (28.1.1956) RB. Rio de Janeiro — Baía de Sepetiba, D. Sucre s.n. (25.VIII.1 968), car- poteca 4470, RB; Parque Nacional da Tiju- ca, Estrada para Furnas, H. C. de Lima 1 092 (10. IX. 1979) RB; Restinga de Jacarepa- guá, lado oeste da Pedra de Itauna, D. Sucre 6083 (30.XI.1969) RB. Anadenanthera macrocarpa (Benth.) Bre- nan — BRASIL: Piauí — Pedro II, Serra dos Motões, D. Sucre et J. F. da Silva 9305 (24.VI.1 972) RB. Pernambuco — Ibimirim, Falcão et ai 1 033 (1 2.IX.1 954), carpoteca 408, RB. Bahia — Estrada para Tanhaçú, J. E. M. Brazão 117 (8.VIII.1 979) RB. Mato Grosso — Linha do Rosário, J. G. Kuhl- mann 402 (X. 1914) R. Anadenanthera peregrina (L.) Speg. — BRASIL: Rio de Janeiro — Horto Botânico do Museu Nacional, A. M. Mattos 1906 (s.d.) R; Horto Florestal, J. G. Kuhlmann s.n. (1927), carpoteca 2441, RB. Minas Gerais — Zona da Mata, C. T. Rizzini s.n. (10.XI.1 961 ), carpoteca 2841, RB. São Paulo — Bastos, G. A. Black 11706 (29.1.1 951 ) R; Campinas — Parque Taqua- ral, H. F. Leitão Filho et al. 8342 (5. VII. 1978) UEC; Orlândia, M. M. Santos 02 (31 .V.1 979) RB; Mato Grosso — Cuia- bá, A. Malme 3176 (26.IV.1903) R. 9 — Plathymenia Bentham Bentham In Hooker's Journ. Bot. 2:134. 1840; 4:333. 1841 . Foto: 30; Fig. 8 Criptolomento com 12,0-25,5 cm de comprimento x 2, 0-5,0 cm de largura, Figura 7 Ana denanthera colubrina: a — semente alada; b — secção transversal; c — erT »brião; Anadenanthera macrocarpa: d — semente não alada; e — secção tr ansversal; f — embrião; g — plúmula. Figura 8 Plathymenia reticulada: a — semente no interior do artículo; b — semente; c — secção transversal; d — embrião; Plathymenia foliolosa: e — semente; f — embrião; g — plúmula. ^odriguésia. Rio de Janeiro. 37(62): 53-78, jan./jun. 1985 65 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 Figura 9 Piptadenia obliqua: a — semente; b — secção transversal; c — embrião; k — plúmula; Piptadenia fruticosa: d — semente; e — secção transversal; ( — embrião; Piptadenia paniculata: g — semente; h secção transversal; i — embrião; j — plúmula. oblongo, plano-compresso, reto, estipita- do (2, 0-2, 5 cm), epicarpo subcoriáceo, de castanho a nigrescente, nítido, liso, glabro; endocarpo segmentado; artículos monos- pérmicos lineares, rígido-membranáceos; margens espessadas, retas. Semente com 0,7-1, 2 cm de compri- mento x 0,5-0, 6 cm de largura, de obovói- de a obovóide-oblonga, com faces ligeira- mente convexas, não alada, transversal, com endosperma; testa de consistência rígido-membranácea, castanha, nítida, com pleurograma de mediano a apical-basal com braços semi-unidos ou unidos. Embrião com cotilédones de 0,5- 0,9 cm de comprimento x 0,4-0, 6 cm de largura, cordado-obovóides, cordado- oblongos ou cordado-suborbiculares, pla- no-convexos; eixo hipocótilo-radícula com 0,3 cm de comprimento, emergente; plú- mula sem nítida diferenciação em pinas. As espécies são facilmente reconheci- das, pois são as únicas que possuem fruto do tipo criptolomento e sementes com pleurograma cerrado (fig. 8a, b, e). Material Examinado Plathymenia foliolosa Benth. — BRASIL: Bahia — Anadaraí, C. T. RizzinietA. Mat- tos Filho 1070 (s.d.)RB. Minas Gerais — Horto Florestal de Paraopeba, E. P. Herin- ger s.n. (24. VI 1.1 954), carpoteca 4052, RB; Ibidem, A. Mattos Filho et E. P. Heringer 1 20 (20. VII. 1 979) RB; a 3 Km de Paraope- ba, Fazenda do Rasgão. £. P. Heringer s.n. (30.X.1959) RB; s.L, E. P. Heringer s.n. (s.d.), carpoteca 3982, RB. Plathymenia reticulata Benth. — BRASIL: Maranhão — 2 léguas abaixo de Carolina, Rio Tocantins, J. M. Pires et G. A. Black 2476 (29.V.1 950) RB. Ceará — Serra do Araripe e arredores de Crato, A. Duarte et Ivone 1481 (1 7.VIII.1 948), carpoteca 3759, RB. Minas Gerais — Belo Horizonte, Fazenda do Pastinho, M. Barreto 6431 (s.d.) R; Horto Florestal de Paraopeba, E. P. Heringer s.n. (24. VII. 1 954), carpoteca 4051 , RB; Ibidem, A. Mattos Filho et E. P. Heringer 121 (20.VII.1 959) RB; Paraope- ba, E. P. Heringer s.n. (30.X.1 959) RB. Rio de Janeiro, Avellar. G. M. Nunez 53 (1 931 ) R. 1 0 — Piptadenia Bentham Bentham, in Hooker's Journ. Bot. 2:135. 1840; 4:334. 1841. Fotos: 31 -32; Fig. 9 Legume com 9,0-23,0 cm de compri- mento x 0,7-3, 5 cm de largura, oblongo. raramente moniliforme, plano-compresso, reto ou raramente falcado, estipitado (1 ,0- 2,5 cm), de cartáceo a subcoriáceo, de pardacento a ferrugíneo, nítido ou opaco, venoso, glabro; margens levemente es- pessadas, retas ou raramente constrictas. Semente com 0,6-1, 3 cm de compri- mento x 0,4-1, 3 cm de largura, orbicular, 66 Rodriguésia. Rio de Janeiro. 37(62): 53-78, jan./jun. 1985 cm 1 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 suborbicular ou obovóide-oblonga, com faces convexas, não alada, transversal ou raramente longitudinal, com ou sem en- dosperma; testa de consistência rígida a rigido-membranácea, de pardacenta a cas- tanha, nítida, com pleurograma mediano ou apical-basal com braços afastados. Embrião com cotilédones de 0,5- 1 ,2 cm de comprimento x 0,3-1 ,2 cm de largura, cordado-orbiculares, cordado- suborbiculares ou cordado-oblongos, pla- no-convexos; plúmula diferenciada em pi- nas ou, mais raramente, sem nítida diferen- ciação em pinas. 0 gênero Piptadenia foi estudado de acordo com os limites estabelecidos por Brenan (1955 e 1963), o qual restringiu a este gênero as espécies com fruto legume e semente não alada, subordinando-as a duas seções -.Pityrocarpa Benth. e Piptade- nia. Na primeira, Brenan incluiu as espécies cujas margens do fruto são muito constric- tas entre as sementes, em contraposição às margens retas do fruto que caracterizam as espécies do segundo grupo. Com base no material observado, pode-se relacionar, ainda, pra cada um dos grupos, as seguin- tes características: — legume moniliforme, sementes lon- gitudinais com endosperma e em- brião com plúmula não diferenciada em pinas (Seção Pityrocarpa) Pipta- denia obliqua (foto 32; fig. 9a-c e 9k); — legume não moniliforme, com mar- gens retas, sementes transversais com ou sem endosperma e embrião com plúmula diferenciada em pinas (Seção Piptadenia) Piptadenia adi- natoides, P. fruticosa (foto 31; fig. 9d-f), P. gonoacantha, P. paniculata (fig. 9g-j) P. laxipinna. Em relação à presença do tecido de re serva, as sementes de Piptadenia foram c °nsideradas por Bentham (1875, ^ 876), sem endosperma e, por Brenan 0955) e Burkart (1969 e 1979), com e ndosperma. Através do exame do material c °ncluiu-se que o caráter é variável, pois e m P. gonoacantha, P. laxipinna e P. pani- c ulata (fig. 9h) as sementes não possuem endosperma, enquanto que em P. fruticosa (fig.9e)eP. obliqua (fig. 9b) apresentam-se com endosperma. Material Examinado Piptadenia adiantoides (Spreng.) Macbr. ~~ BRASIL: Espírito Santo — Campo nativo de Mussununga do Quirino, Reserva do Sooretama, D. Sucre 5744 (22.VII.1 969) RB. Piptadenia fruticosa (mart.) Macbr. — BRASIL: Rio de Janeiro — s.l., A Sampaio 3097 (VII. 1 91 8) R; Matas do Horto Flores- tal, J. G. Kuhlmann s.n. (1 2.VIII.1 930), carpoteca 2439, RB; Santa Teresa, Vitorio s.n. (7.V.1930) RB. Piptadenia gonoacantha (Mart.) Macbr. — BRASIL: Rio de Janeiro — Itapuca, D. Sucre s.n. (s.d.) RB; s.l., Sellow s.n. (s.d.) R; s.l., Idem s.n. (s.d.) R. Santa Catarina — Cresciuma, H. P. Veloso 207 (s.d.) RB. Piptadenia laxipinna G. M. Barroso — BRASIL: Rio de Janeiro — Jacarepaguá, Três Rios, A P. Duarte 5634 (25.VII.1 961 ) RB. Piptadenia obliqua (Pers.) macbr. — BRA- SIL: Piauí — Pedro II, Serra dos Motões.O. Sucre etJ. F. da Silva 9298 (24.VI.1972) RB. Ceará — Tianguá, O. A. Salgado 43 (4. VIII. 1 978) RB. Pernambuco — petroli- na, Reserva da Embrapa, R. F. Monteiro et al. 1 01 80 (1 9.VII.1 979) UEC; arredores de Petrolina, E. P. Heringer et al. 102 (18.IV.1971) RB. Piptadenia paniculata Benth. — BRASIL: Rio de Janeiro — Santa Maria Magdalena, D. Constantino s.n. (s.d.) RB. 1 1 — Parapiptadenia Brenan Brenan, Kew Buli. 17:228. 1963. Fotos: 33-34; Fig. 10 Legume com 7,0-22,0 cm de compri- mento x 1,0-3, 5 cm de largura, oblongo, plano-compresso, reto, estipitado (0,3- 1,5 cm), de cartáceo a subcoriáceo, de pardacento a castanho-escuro, opaco ou nítido, venoso, glabro; margens levemente espessadas, sinuosas. Semente com 1,0-1, 5 cm de compri- mento x 1,0-2, 7 cm de largura, subtrans- verso-oblonga, transverso-oblonga ou, mais raramente, suborbicular, com faces planas, de amplamente a estreitamente alada, longitudinal, sem endosperma; testa de consistência membranácea, pardacen- ta, opaca, sem pleurograma. Embrião com cotilédones de 0,5- 0,8 cm de comprimento x 0, 8-2,0 cm de largura, cordado-obreniforme-transverso- oblongos, planos; eixo hipocótilo-radícula com 0,2-0, 4 cm de comprimento, emer- gente; plúmula diferenciada em pinas. As espécies de Parapiptadenia são muito afins das de Piptadenia, porém, dife- renciam-se pelas sementes aladas, planas, com testa muito tênue não marcada por pleurograma (fig. 10a). Material Examinado Parapitadenia blanchetii (Benth.) Vaz et M.P. Lima — BRASIL: Bahia — Amargosa, A. P. Araújo 123 (s.d.) RB. Parapiptadenia pterosperma (Benth.) Bre- nan — BRASIL: Minas Gerais — Reseva Florestal do Rio Doce, Ponte Queimada, G. Martinelli et al. 50 (30.VIII.1 973) RB. Parapiptadenia rígida (Benth.) Brenan — BRASIL: São Paulo — Itapetinga, J. /. de Lima s.n. (s.d.) RB. Paraná — Guarapuava, G. Hatschbach et al. 16536 (16.VI.1967) HB. Santa Catarina — Joaçaba.na margem oeste do Rio do Peixe, L. B. Smith et R. Klein 11907 (27.1.1957) R. PARAGUAI: Capiata — arroio capiata, P. Arenas 1 1 77 (20.IV.1975) HB. 1 2 — Desmanthus Willdenow Willdenow, Sp. PI. 4(2):888, 1044. 1806. Foto: 35; Fig. 1 1 a-d Legume com 3,0-10,0 cm de compri- mento x 0,3-0, 5 cm de largura, amplamen- te linear, plano-compresso, reto ou subfal- cado, séssil, cartáceo, pardacento, casta- nho-avermelhado ou nigrescente, nítido, venoso, glabro; margens espessadas, retas. Semente com 0,3-0, 5 cm de compri- mento x 0,2-0, 3 cm de largura, obovóide, com faces convexas, não alada, oblíqua, com endosperma; testa de consistência rígido-membranácea, de pardacenta a cas- tanha, nítida, com pleurograma mediano com braços afastados. Embrião com cotilédones de 0,2- 0,3 cm de comprimento x 0,2-0, 3 cm de largura, cordado-orbiculares, plano-conve- xos; eixo hipocótilo-radícula com 0,3 cm de comprimento, emergente; plúmula sem nítida diferenciação em pinas. O fruto de Desmanthus (foto 35) como mencionado por Isely (1970), apresenta grande afinidade com o de Neptunia, dife- rindo deste por sua forma amplamente linear. As sementes, dispostas obliqua- mente e não de forma longitudinal como descrito por Windler (1966), caracteri- zam-se, principalmente, pelo pleurograma mediano (fig. 1 1 a). Material Examinado Desmanthus depressus Humb. et Bompl. ex Willd. — BRASIL: Minas gerais — Belo Horizonte, Curvelo, P. Gihbs et al. 2527 (30.VII.1 976) UEC; Salinas, Km 10 Estrada para Pedra Azul, H. F. Leitão Filho et al. 7905 (25.V.1 978) UEC. Bodriguésia, Rio de Janeiro, 37(62): 53-78, jan./jun. 1985 67 cm 1 SciELO/JBRJ, 14 15 16 17 18 19 20 Figura 1 1 Desmanthus virgatus: a semente. b — secção transversal; c — embrião. d — plúmula; Neptunia oleracea: e — semente; f — secção transversal; g — em- brião; h — plúmula. Desmanthus tatuhyensis F. C. Hoehne — BRASIL: São Paulo — Itapetininga, J. I. de Uma s.n. (1 3.XI.1 946) RB. Paraná — Porto Amazonas, Gurgel 10 (1 7. XII. 1 929) RB. Santa Catarina — Campo dos Cantisanos, Rio das Pedras, F. Muller96 (s.d.) R; Capin- zal L. B. Smith et /?. klein 11924 (28.11.1957) R. Desmanthus virgatus (L.) Willd. — BRA- SIL: Ceará — Serra de Baturité, Sítio B. Inácio de Azevedo, J. Eugênio (S.JJ 593 (11.V.1939) RB; s.l. F. C. Camargo s.n. (s.d.) R. Paraíba — Estrada Paraíba, S. Gonçalo Souza, Comn. Serv. Compl. da Inspetoria F.0.C.Seccas45 (1 935) RB. Per- nambuco — Caruaru, P. H. Davis et D. A. Lima 61 1 37 (25.IX.1 976) UEC. Rio de Ja- neiro — Jardim Botânico, J. G. Kuhlmann s.n. (11.IX.1939) RB; Niterói, Ponta de Itaipu, V. F. Ferreira etal. 456 (6.IX.1978) RB. 1 3 — Neptunia Loureiro Loureiro, Fl. Cochinch. 2:641, 653. 1790. Foto: 36; Fig. 1 1 e-h Legume com 3, 0-5,0 cm de compri- mento x 0,8-1 ,0 cm de largura, amplamen- te oblongo, plano-compresso, subfalcado, estipitado (0,3-1 ,0 cm), cartáceo, de casta- nho a nigrescente, opaco, venoso, glabro; margens não espessadas, retas ou sinuo- sas. Semente com 0,4-0, 5 cm de compri- mento x 0,2-0, 3 cm de largura, obovóide, obovóide-oblonga, com faces convexas, não alada, transversal ou oblíqua, com en- dosperma; testa de consistência rígida, de pardacenta a castanha, nítida, com pleuro- grama apical-basal com braços afastados. Embrião com cotilédones de 0,4 cm de comprimento x 0,2-0, 3 cm de largura, cor- dado-suborbiculares ou cordado-oblon- gos, plano-convexos; eixo hipocótilo-radí- cula com 0,2 cm de comprimento, emer- gente; plúmula sem nítida diferenciação em pinas. Como mencionado anteriormente, Neptunia e Desmanthus apresentam afini- dade em relação ao legume Windler (1966), em sua revisão sobre o gênero Neptunia, considerou que a principal dife- rença entre ambos os gêneros está na posição da semente, que em Desmanthus, segundo o autor, é longitudinal, enquanto que em Neptunia é transversal ou oblíqua Porém, este caráter não deve ser conside- rado, uma vez que, como mencionou Isely (1970), as sementes oblíquas ocorrem em ambos os gêneros. O legume em Neptunia caracteriza-se, principalmente, pela forma amplamente oblonga, diferenciando-se, assim, do legu- 68 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37(62): 53-78, jan./jun. 1985 cm SciELO/JBRJ 1 cm me linear de Desmanthus. A semente dis- tingue-se, principalmente, da de Desman- thus, pelo pleurograma apical-basal (fig. lie). Material Examinado Neptunia oleracea Lour. — BRASIL: Pará — s.l., F. C. Camargo s.n. (1952) IAN. Maranhão — São Bento, Alegre, N.A. Rosa 2523 (4.VII.1 978) UEC; Viana, A. Aguire s-n. (26.VI.59) RB; s.l., O. C. de Viana 6 (1955) RB. Neptunia plena (L.) Benth. — BRASIL: Cea- ra — Fortaleza, lagoa doTauape.F. Dromet 2565 (5.X. 1 935) R. 1 4 — Prosopis Linnaeus Linnaeus, Mantissa PI. 7:68. 1767. Foto: 37; Fig. 12 Lomento drupáceo com 20,0-26,0 cm de comprimento x 1,0-1 ,5 cm de largura, l'near-oblongo, subcilíndrico, de subfal- c ado a falcado, estipitado (2,0 cm), epicar- P° cartáceo, pardacento, opaco, venoso, Qlabro; mesocarpo pulposo-granuloso; en- docarpo coriáceo, segmentado, artículos monospérmicos, de retangulares e sub- Puadrangulares; margens espessadas, si- nuosas. Sementes com 0,7-0, 8 cm de compri- mento x 0,4-0, 5 cm de largura, elipsóide, Corn faces levemente convexas, não alada, iransversal ou suboblíqua, com endosper- ma; testa de consistência rígido-membra- n ácea, castanha, nítida, com pleurograma a Pical-basal com braços afastados. Embrião com cotilédones de 0,5- 0-6 cm de comprimento x 0,4-0, 5 cm de l ar 9ura, cordado-suborbiculares, plano- convexos; eixo hipocótilo-radícula com 0.2 cm de comprimento, emergente; plú- mula sem nítida diferenciação em pinas. 0 fruto de Prosopis é facilmente idenfi- Ca do entre os frutos dos demais gêneros, P°r ser o único nas Mimoseae com caracte- nsticas de lomento drupáceo. Devido a escassez de material frutífero, a descrição genérica está baseada apenas na observação do fruto e da semente de P. hassleri, uma das quatro espécies ocorren- tes no Brasil. Porém, segundo as descri- Pões de Burkart (1943, 1976), o lomen- to drupáceo é o tipo de fruto característico das espécies deste gênero. Material Examinado Prosopis hassleri Harms — BRASIL: Mato Grosso — Corumbá, margem do rio Para- guai, E. Pereira et al. 1 20 (1 XI 953) RB. 1 5 — Dinizia Ducke Ducke, Arch. Jard, Bot. Rio de Janei- ro, 3:76. t. 4. 1922. Foto: 38 Samaróide com 25,5-30,0 cm de com- primento x 4, 5-6,5 cm de largura, oblongo, plano-compresso, reto, estipitado (1 ,5 cm), subcoriáceo, de pardacento a castanho, nítido, venoso, rugoso, glabro; margens não espessadas, retas, unilateralmente ex- pandida em ala. Semente transversal, comprimida com cerca de 10 a 12 mm de comprimento x 7 mm de largura; testa dura nítida, fusco- nigrescente; embrião incluso em endos- perma crasso semitranslúcido. (Ducke 1922) R °driguésia. Rio de Janeiro. 37(62): 53-78, jan./jun. 1985 69 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 Material Examinado Dinizia excelsa Ducke — BRASIL: Amazo- nas — Manaus, Estrada das terras altas além da Colônia João Alfredo, A. Ducke 707 (9.V.1 941 ) MG, (S/S). Pará j— Amerim, Monte Dourado estrada do sul do Pacanari, M. R. Santos 451 (2.XII.1 978) MG, (S/S); arredores da Serra do Curumun, A. Ducke 1 5774 (1 XI 91 5) RB. (S/S); Rio Tapajós, Bela Vista, A. Ducke 15826 (6. XII. 1915) RB, (S/S); Rio Tapajós, Furnas, A. Ducke s.n. (s.d.) carpoteca 486, RB, (S/S); Rio Tapajós, Região das cachoeiras inferiores, A. Ducke s.n. (26.VI.1918) RB, (S/S). Discussão e Conclusão Os sistematas, em geral, vêm descre- vendo, os frutos da tribo Mimoseae, deno- minando-os. indiscriminadamente, de le- gume, ou simplesmente, fruto. Os tipos de frutos, neste trabalho, foram definidos se- gundo os conceitos de Burkart (1943) e Barroso (no prelo). De forma geral, con- cordou-se com a definição de ambos os autores acima citados, porém, os frutos de determinados gêneros requerem maior discussão. Entre os tipos classificados por Bur- kart, (l.c.), o de Schrankia foi definido por ele e, posteriormente, por Bravato (1974), como legume de margens aculea- das. Entretanto, a persistência das mar- gens. após a queda das "valvas", mencio- nada anteriormente nas descrições de Bentham (1875, 1876), Hutchinson (1967), Elias (1974) e Lewis e Elias (1981), foi verificada ao examinar-se os frutos do referido gênero, evidenciando-se assim, a diferenciação das margens em replum. Além disto, no respectivo fruto não há a formação das valvas típicas do legume. Assim sendo, devido a presença do replum no fruto de Schrankia e, ainda por este afastar-se muito da forma bivalvar típica do legume, concorda-se com a classificação de BARROSO, (l.c.), que incluiu-o no grupo de Mimosa eentada, como pertencente ao tipo craspédio. 0 processo de segmenta- ção do craspédio de Schrankia leva a se supor que este tipo de craspédio seja uma forma intermediária entre os craspédios articulados e aqueles de valvas contínuas. Ainda em relação aos frutos classifica- dos por Barroso, (l.c.), ao de Stryphno- dendron, foi atribuído o nome de legume carnoso. Bravato, (l.c.), considerou-o como legume com deiscência tardia ou legume bacóide. Ao examinar-se esse fru- to, observou-se que a forma de deiscência é variável, uma vez que foram observados frutos maduros tardiamente deiscentes, inicialmente de forma folicular e, posterior- mente bivalvarsemelhante ao legume, além de frutos maduros ainda indeiscentes. Quanto à carnosidade, presente na maioria das espécies examinadas, verificou-se que esta não chega a formar substância pulpo- sa envolvendo as sementes, como é pecu- liar, segundo as definições de Burkart, (l.c.), e Barroso, (l.c.), nos frutos do tipo legume bacáceo. Por estes motivos, man- teve-se a denominação de legume carno- so, provisoriamente, para o fruto de Stryphnodendron (exceto emS, gracile), até que maiorquantidade de frutos, em estado natural, sejam examinados. Além dos frutos anteriormente defini- dos por Burkart, (l.c.) e Barroso, (l.c.), foram classificados para a tribo Mimoseae os tipos sacelo e samaróide. 0 sacelo está relacionado com os frutos observados em Mimosa meticulosa e Mimosa acerba, que foram utilizados por Burkart (1979:133) em sua chave, como caráter para a identifi- cação das espécies de Mimosa ocorrentes em Santa Catarina. Tais estruturas foram denominadas por Burkart, (l.c.), como "lomento oboval não articulado, deiscente no ápice, valvas não separadas do replum". Neste mesmo trabalho, ao descrever tais espécies, refere-se, ainda, a vagens e fru- tos deiscentes, bivalvos, não articulados. Através das descrições divergentes do au- tor acima mencionado, e do exame de material, concluiu-se que ambas as desig- nações, lomento e vagem, são impróprias para esses frutos,- uma vez que não há a formação de artículos como é característi- co no lomento e, embora haja semelhança com o tipo legume, deste difere, principal- mente, pela forma de deiscência. Por estas razões, adotou-se o termo sacelo (Man- nagetta 1913), que caracteriza o fruto com deiscência transverso-apical, man- tendo-se as valvas unidas. Tal tipo de fruto sugere a sua origem de um craspédio arti- culado, encontrado na grande maioria das espécies de Mimosa, o qual teria sofrido uma regressão em relação ao replum e número de artículos, reduzindo-se a um frutículo deiscente. Ao fruto de Dinizia, denominado por Ducke (1922), Hutchinson (1967) e Barroso (no prelo) de legume indeiscen- te, foi atribuída a denominação samaróide, devido a expansão unilateral aliforme e a sua dispersão pelo vento. Ao contrário do conceito de Dudik (1 981 ), o termo legume foi utilizado neste trabalho, em sensu stricto, para caracteri- zar os frutos secos, com deiscência regular, dorsiventral e os demais tipos de frutos dos gêneros da tribo Mimoseae foram reco- nhecidos como folículo, sacelo, legu- me carnoso, criptolomento, craspé- dio, lomento drupáceo e samaróide. Por outro lado, aceita-se a hipótese de que esta diversidade nos tipos de "legume" é con- sequência de diferentes adaptações à dis- persão. Isto não impede, porém, que se utilize uma terminologia específica para definir os frutos que sofreram tais altera- ções morfológicas. Em oposição ao que afirmou Bravato (1 974), ao colocar em dúvida o valor taxo- nômico do fruto, na sistemática de Mimo- soideae, concluiu-se que os gêneros estu- dados podem ser caracterizados através de seus frutos. As sementes dos gêneros da tribo Mi- moseae e suas estruturas externas e inter- nas enquadram-se, de forma geral, nas descrições para a subfamília Mimosoideae apresentadas pelos autores citados na re- visão bibliográfica. Concordou-se com o conceito de Isely (1947, 1955) em rela- ção a posição basal do hilo, o qual é coerente, inclusive com a definição de Murley (1951) sobre a base de um órgão. Desta forma, as classificações apical, suba- pical e mediano, utilizadas por Boelcke (1946) e Bravato (1974), em suas des- crições a respeito do hilo, não foram aplica- das. A presença de ala, que segundo Gunn (1981) na subfamília Mimosoideae é pe- culiar às sementes da tribo Mimoseae, constitui um caráter de grande valor taxo- nômico pois possibilita a identificação de gêneros afins. As sementes aladas são constantes nas espécies de Pseudopipta- denia, Newtonia e Parapiptadenia. Nas sementes não aladas, verificou-se a presença constante do pleurograma. Os pleurogramas das sementes da tribo Mi- moseae são, muitas vezes, intermediários entre os tipos apresentados por Gunn (1981), estabelecidos, por este autor, em relação a seu grau de abertura. Por este motivo, neste trabalho, classificou-se o pleurograma de acordo com a região que abrange na semente. Ainda em relação ao pleurograma, Gunn (l.c.), após abordar a atuação do hilo como válvula higroscópica nas sementes duras de Papilionoideae, co- menta que Hyde, em trabalho não concluí- do, sugeria que o pleurograma nas semen- tes d e Albizia também funcionasse como válvula higroscópica. Através do estudo morfológico das sementes da tribo Mimo- 70 Rodriguésia, Rio de Janeiro. 37(62): 53-78, jan./jun. 1985 cm 1 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 seae, observou-se que nas sementes com testa muito rígida, como as de Entada, Mimosa pp., Neptunia e Stryphnoden- dron, o pleurograma atinge maior extensão e naquelas em que a testa é de consistência tenue, tal estrutura é geralmente ausente ou levemente marcada. Tais observações levam a supor que realmente o pleurogra- r J 1a a tua como válvula higroscópica. Porém é necessário que se façam estudos deta- lhados sobre a função de tal estrutura. Em relação às estruturas embrionárias, destaca-se a plúmula que, por sua forma diferenciada e constante nos gêneros Ana- denanthera, Newtonia, Parapiptadenia e Schrankia, pode ser utilizada como bom caráter na sistemática dos referidos taxons. Em Mimosa, devido aos diversos graus de diferenciação da plúmula em pinas, a utili- zação desta estrutura como caráter taxonô- mic o, restringe-se a grupos de espécies. N °s demais gêneros estudados, onde tal diferenciação não é aparente, torna-se diff- C| l a análise da plúmula, devido às dimen- s °es diminutas. Para finalizar, conclui-se que o fruto, a semente e o embrião dos gêneros da tribo Mimoseae fornecem dados importantes ao estudo sistemático desses taxons. Abstract The work presented here consists of a nr| orphological study of the fruits, seeds ar, d embryos of the fifteen genera of the fnbe Mimoseae Bronn (Leguminosae-Mi- e^osoideae) occuring in Brazil. The taxa, in f elation to their structure, are described ar| d identified by a dichotomus key. Thefruitsare classified intoeighttypes, P r| ncipally considering the dehiscent and lr| dehiscent forms, the morphology of the Pericarp and the presence or absence of a re plum. In relation to the seeds two groups distinguish themselves: those with winged seeds and those with seeds ones without Wln 9s. The degree to which the plumule differentiates itself into pinnae within the ernbryo constitutes a good taxonomic cha- rter useful in recognizing some genera. deferências Bibliográficas ADansON, M. Entada. In: Familles des plantes. Paris, Vincent, 1763. v. 2, p. 318. BARROSO, G. M. Curso sobre identifica- ção de sementes. Mimeo. MEC, UPFEL, CETREISUL, FAEM., 36 p., 1976-78.il. Barroso, g. M. et col. Sistemática de Angiospermas do Brasil, v. 2. Ed. Uni- versidade Federal de Viçosa. 377 p. BENTHAM, G. Contributions towards a flo- ra of South America. — Enumeration of plants collected by Mr. Schomburgk in British Guiana, (tribe Mimoseae). In: Hookers Journ. Bot., 2(1 1 ): 1 27-46, 1840. . Notes on Mimoseae, with a short synopsis of species (Plathyme- nia e Piptadenia). In: Hooker's journ. Bot., 4(30-31 ):333-41, 1841(42). . Revision of the suborder Mimo- seae. 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Foto 8 Craspédio indiviso de Mimosa claussenii. Foto 1 0 Craspédio indiviso de Mimosa pachycarpa. Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37(62): 53-78, jan./jun. 1985 73 SciELO/JBRJ. 14 15 16 17 18 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37(62): 53-78, jan./jun. 1985 SciELO/JBRJ cm 1 cm. 1 j .2 liil llllMH! !H! 1 1‘ 1 ! M U ! f 1 1 * ! Ml! ! M U ! tiui Foto 1 1 Craspédio indiviso de Mimosa pseudo-obovata. Foto 1 2 Craspédio articulado de Mimosa pigra. Foto 1 5 Craspédio articulado de Mimosa spruceana. Foto 1 6 Craspédio articulado de Mimosa furfuracea. Foto 1 3 Craspédio articulado de Mimosa pudica. Foto 14 Craspédio articulado de Mimosa somnians. V > cm, II I ' j Rodrii guésia. Rio de Janeiro, 37(62): 53-78, jan./jun. 1 985 cm l SciELO/ JBRJ, cm 1 ÍÜlülLi 2 JüililiJ 3 iLliiJ Foto 1 g Craspédio articulado de Mimosa modesta. — _ ^ *■**-»" — TT rrn r 7 ' ^ ■ t • r/i . 1 i ' *i i t: 7 , t t ? cm 1f 2; 3 1 5 Foto 20 Craspédio de Schrankia leptocarpa. Foto 1 7 Craspédio articulado de Mimosa scabrella. Foto 18 Craspédio articulado de Mimosa caesalpiniaefo/ia. Foto 21 Craspédio articulado de Entada po/ystachya. Foto 22 Legume carnoso de Stryphnodendron adstringens. cm Foto 23 Legume carnoso de Stryphnodendron coriaceum. Foto 25 Folículo de Goldmania paraguensis. Foto 27 Folículo de Newtonia glaziovii. Foto 24 Folículo de Stryphnodendron gracile. Foto 26 Folículo moniliforme de Pseudopiptadenia leptostachya. Foto 28 Folículo d e Anadenanthera colubrina. 76 Rodriguésia, Rio de Janeiro. 37(62): 53-78, jan./jun. 1985 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 lí 19 20 cm Foto 29 Foliculo de Anadenanthera macrocarpa. F oto 33 ^üume de Parapiptadenia pterosperma. cm. 1 . 2' .1 f 5 Foto 30 Criptolomento de Plathymenia foliolosa. Foto 32 Legume de Piptadenia obliqua. f í ^ Foto 34 Legume de Parapiptadenia rigida. ^°driguésia. Rio de Janeiro, 37(62): 53-78, jan./jun. 1985 77 SciELO/ JBRJ, 14 15 16 17 18 19 20 cm Foto 35 Legume de Desmanthus virgatus. Foto 36 Legume de Neptunia oleracea. Foto 37 Lomento drupáceo de Prosopis hasslerí. Foto 38 Samaróide de Dinizia excelsa. 78 Rodriguésia. Rio de Janeiro. 37(62): 53-78, jan./jun. 1985 2 3 4 5 6 7 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 PauHinia carpopodea Camb. (Sapindaceae). Anatomia foliar. cm £ L. de Almeida Ferraz 1 Neste trabalho os autores referem-se à heterofilia de PauHinia carpopodea Camb., e C. Gonçalves Costa 2 tecem considerações sobre as prováveis causas que a determinam. Mencionam a estrutura nodal trilacunar e as características da vascularização foliar, citando a ocorrência de floema interno nos feixes mais desenvolvidos do pecíolo e da nervura principal. Focalizam, também, os laticíferos ramificados, que se anastomasam segundo um padrão reticulado. Registram a presença de tricomas tectores e glandulares, do tipo maleiforme, nas duas epidermes e chamam a atenção para a ocorrência de estômatos anomociticos na epiderme adaxial, sobre a nervura mediana e nas secundárias. Tecem considerações quanto aos tipos e distribuição dos estômatos na epiderme ab axial. Evidenciam domácias marsupiformes nas axilas da nervura principal, nas quais se alojam insetos da ordem Thysanoptera, pequenos ácaros não identificados e agrupamentos de ovos. Referem-se também à presença de estruturas com características de hidatódios- epitema, na região do mucron. 1 Professora Adjunta do Museu Nacional — UFRJ. 2 Pesquisadora do Jardim Botânico do Rio õe Janeiro e Bolsista do Conselho Na- cional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. (CNPq). Introdução Um dos aspectos que mais tem cha- mado a atenção dos pesquisadores que se dedicam ao estudo da família Sapin- daceae, diz respeito à heterofilia das espé- cies, caráter que tem sido utilizado muitas vezes para estabelecer taxons infra-espe- cíficos (Radlkofer, 1897). A variabilidade na arquitetura foliar evi- denciada até num mesmo indivíduo, como ocorre em PauHinia weinmaniaefolia Mart. (A. Ferraz, Dissertação de Mestrado, no prelo), sugere que essa característica deve ser analisada cuidadosamente, no que se refere a definições taxonômicas, uma vez que pode expressar não só o reflexo das modificações decorrentes da influência do ambiente, como também a manifestação de um processo evolutivo (Hickey & Doyle, 1977). No presente trabalho, as autoras se propõem continuar os estudos sobre espé- cies da família Sapindaceae, iniciados com P. weinmaniaefolia Mart. (A. Ferraz, l.c), focalizando entre outros, os aspectos liga- dos à heterofilia de P. carpopodea Camb. 0 material utilizado neste trabalho é proveniente do Parque Nacional da Tijuca, próximo à estrada do Sumaré e uma exsica- ta representativa, está registrada no herbá- rio do Museu Nacional do Rio de Janeiro (R 146222). As observações anatômicas foram de- senvolvidas em folhas adultas, provenien- tes do 5.° nó, sem tratamento prévio ou fixadas em F.A.A. em álcool a 50% (Sass, 1951). De acordo com as exigências do trabalho, foram confeccionadas lâminas provisórias ou permanentes, obtidas se- gundo a metodologia clássica (Johansen, 1 940; Sass, 1951), utilizando-se a colora- ção dupla Astrablau-Fucsina básica, referi- da por Braga (1 977). A natureza das impregnações parie- tais e dos conteúdos celulares, assim como a deposição de ceras na cutícula, foram Material e métodos ^odriguésia. Rio de Janeiro, 37 ( 62 ): 79 - 90 , jan./jun. 1985 79 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 cm evidenciados pelos testes histoquímicos específicos (Johansen, l.c.; Sass, l.c.)- As epidermes foram dissociadas pelo método de Jeffrey (Johansen, l.c.) e na identificação dos tipos estomáticos se- guiu-se a classificação referida por Metcal- fe & Chalk (1965), revisada por Cotthem (1970) e atualizada por Metcalfe & Chalk (1979). O número médio de estômatos foi calculado através de 1 00 contagens, proje- tando-se o campo examinado em um qua- drado de 0,5 mm de lado e calculando posteriormente a média aritmética. Determinou-se o padrão de nervação segundo a terminologia de Hickey (1 974), sendo as folhas diafanizadas de acordo com Foster (1 960). Determinou-se o número de domácias por folha, avaliando a média aritmética das ocorrentes em 25 folhas e sua classificação foi baseada nos trabalhos de Chevalier & Chesnais (1 941 ) e Stace (1 965). Resultados Morfologia externa Liana lactescente, heliófila, muito ra- mificada, crescendo sobre árvores altas; caulecilíndrico, com numerosas lenticelas; ramos cilíndricos densamente lenticela- dos. Folhas alternas, pecioladas, estipula- das, composto-pinadas, com 3 pares de jugas, variando o número de folíolos de 7- 11, conforme o par basal seja simples, ternado ou mais raramente lobado; folíolos membranáceos, elípticos, de base cunea- da, ápice nucronado e margem íntegra; sésseis, com exceção dos folíolos basais, com peciólulos alados ou nus, de 0,6- 1.0 cm de comprimento e 0,2-0, 3 cm de largura; folíolos variáveis quanto às dimen- sões, sendo os intermediários geralmente mais desenvolvidos (figuras 1 e 2). Nerva- ção camptódromo-broquidódroma. Do- mácias nas axilas das nervuras; raque foliar alada, com 2 segmentos, o inferior tendo 3.0 cm de comprimento por 0,8 cm de largura e o superior, 2,6 cm de comprimen- to por 1,0 cm de largura, via de regra. Pecíolo geralmente nu, ocorrendo às ve- zes, no mesmo ramo, pecíolo alado ou parcialmente alado (figuras 1 e 2). Área de dispersão — Brasil; Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Figura 1 Paulinia carpopodea Camb. — Hábito Figura 2 Diferentes aspectos da arquitetura foliar de P. carpo- podea Camb. (Sapindaceae). Santa Catarina (Radlkofer, 1897; Reitz, 1962). Vascularização foliar Cortes transversais seriados, ao nível do 5.° nó caulinar, evidenciam a saída de três rastros foliares, dois laterais e um central maior (figura 3.1 ) o que condiciona a ocorrência de três lacunas, caracterizan- do uma estrutura nodal trilacunar. Um dos rastros laterais se desprende primeiro, seguido pelo central e logo de- pois pelo segundo lateral (figura 3.1). 0 cordão vascular se reconstitui logo a se- guir, no local das lacunas laterais e poste- riormente, na lacuna central. Logo após, conforme se evidencia nas figuras 3.2 e 3.3, cada rastro lateral emite um pequeno feixe que se dirige para as estipulas. Ainda ao nível nodal, o feixe central expande-se e, em seguida, fraciona-se enn feixes menores, depois de receber um acréscimo, proveniente dos feixes laterais (figura 3.3). Após uma série de fusões e divisões, os feixes vasculares se apresentam em dois grupos, um deles constituído por cer- ca de 10-12 feixes cujas dimensões são variáveis e que se dispõem na face abaxial e o outro, integrado por2 feixes maiores, em oposição àqueles. Na região central, ocorre um pequeno feixe anfivasal (figura 3.4). Ao nível do pulvino, observa-se que esses feixes se dividiram e tendem a se reagrupar em círculo. 0 feixe central tam- bém se divide, conservando seu caráter anfivasal (figuras 3.5 e 3,6). Ainda no pulvino, na região externa aos feixes vasculares, observa-se o início de diferenciação de alguns elementos ce- lulares que, em nível mais alto, já difencia- dos, irão constituir uma bainha escleren- quimática, que acompanha esses feixes (figura 7) em grande parte de seu percurso. As figuras 3.5 e 3.6 evidenciam ainda que o cilindro vascular do caule, a esta altura, torna a se desmembrar, emitindo rastros que vão integrar o suprimento vas- cular de uma gavinha, da gema axilar e de suas respectivas estipulas. Na transição do pulvino para o pecíolo, os feixes vasculares, embora conservando sua individualidade, se aproximam e pas- sam a constituir um anel (figura 4.2), do qual se separam dois pequenos feixes que aos poucos se encaminham para as proje- ções laterais do pecíolo (figuras 4.3 e 4.4). A este nível, os feixes maiores já apresen- tam caráter bicolateral pela ocorrência de um pequeno maciço de floema interno (figura 4.3). Os feixes medulares também se fundem, originando um feixe maior, anfivasal. A figura 4,5 evidencia que ao nível distai do pecíolo, o feixe medular, junta- mente com os feixes adaxiais, contribuem para o envio dos rastros que se dirigem para os folíolos basais. 80 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37(62): 79-90, jan./jun. 1985 SciELO/ JBRJ a 14 15 16 17 18 19 20 cm Na figura 4.6, que representa um corte transversal do segmento inferior da raque, v erifica-se que o cilindro vascular se res- taurou e o feixe medular se apresenta ac rescido por um maciço floemático, em Posição adaxial. 0 cilindro vascular se desorganiza ou- tra vez ao nível dos folíolos intermediários e dos terminais, como a saída dos respec- tivos rastros foliolares (figuras 4.7 e 4.9). As figuras 4.8 e 4.1 0 evidenciam res- Pectivamente o aspecto assumido pelo ci- lir| dro vascular, na altura do segmento su- Perior da raque e do terço mediano do toliolo apical. Nestes níveis as dimensões dos feixes vasculares se reduzem, os otaiores ainda apresentam vestígios de floerna interno e já não ocorre o feixe Modular. Progressivamente, com a saída das Pervuras de segunda ordem o número de * e 'xes obviamente diminui, até que restem na região apical apenas 3 feixes colaterais, em posição abaxial (figura 4.11) Neste nível não mais se observa a bainha escle- renquimática. Analisando cada folíolo de per si, veri- fica-se que a nervura principal é mais es- pessa na base, tornando-se mais delgada à medida que se aproxima do ápice. O padrão de venação é camptódromo- broquidódromo, ocorrendo algumas ner- vuras inter-secundárias. A rede de venação é densa, constituindo um reticulado ao acaso; as areolas são ortogonais e as ter- minações vasculares, livres, simples ou ramificadas; terminação marginal fechada (figuras 4.1 1 , 4.1 2 e 4.1 3). Anatomia da folha Pecíolo Cortes transversais ao pulvino eviden- ciam seção de contorno aproximandamen- te circular (figura 4.2), que se modifica à medida que os cortes atingem níveis mais altos. Já no plano proximal do pecíolo (figura 4.4), a seção é acentuadamente convexa na face adaxial, apresentando na região central da face abaxial, uma discreta convexidade e duas pequenas alas laterais, que se tornam mais conspícuas na região distai. Ao nível do terço mediano do pecíolo, evidencia-se através de cortes transver- sais, uma epiderme uniestratificada, cons- tituída por elementos celulares cujo maior diâmetro ocorre geralmente na direção an- ticlinal, embora em alguns trechos da face adaxial, as células apresentem tendência para isodiamétricas. As paredes periclinais externas são convexas e a cutícula, mais delgada que a porção cutinizada, atinge por vezes as paredes anticlinais, determi- nando flanges cuticulares. Há presença de tricomas tectores unicelulares, de paredes espessas e ápice recurvado ou não, assim como de tricomas secretores, em propor- ção inferior à daqueles. A região cortical apresenta 3-4 estra- tos de colênquima angular, que ao nível das alas é representado por 7-9 camadas. O parênquima fundamental ocorre a seguir, integrado por 3-4 estratos celulares. Imer- sos neste tecido e no colênquima, frequen- temente ocorrem laticíferos, via de regra, cortados transversalmente. Observa-se abundante conteúdo tânico nas células epidérmicas, assim como no colênquima e no parênquima. A figura 5 evidencia que os feixes vasculares se distribuem em dois segmen- tos, sendo que o superior é praticamente indiviso, e se apresenta ladeado por dois pequenos feixes que se afastam em dire- ção às alas do pecíolo, à medida que os cortes atingem níveis mais altos (figuras 5 e 6). 0 segmento inferior tem forma de arco e é constituído por cerca de 8-1 0 feixes cujas dimensões são variáveis. Em cada feixe ocorre abundante floe- ma externo, representado por elementos de tubo crivado, células companheiras e parênquima floemático que encerra abun- dante conteúdo de natureza tânica. Entre o xilema e o floema, observa-se uma faixa cambial, em 2-3 estratos celulares, com paredes tipicamente delgadas e celulósi- cas. 0 xilema, com seus elementos de proto e metaxilema, se dispõe em fileiras radiais, cujo número varia de acordo com as dimensões do feixe e apresenta escasso ^odriguésia. Rio de Janeiro, 37(62): 79-90, jan./jun. 1985 81 SciELO/JBRJ. 3 14 15 16 17 18 19 20 cm . 500jum Figura 4 1 — Esquema geral da folha, evidenciando os níveis em que foram efetuados os cortes correspondentes às figuras 2-1 1 . 2-1 1 — Representação esquemática de cortes transversais da folha, representando a disposição dos feixes vasculares ao nível do pulvino, pecíolo proximal e distai; segmento inferior e superior da raque, regiões mediana e distai; folíolo apical, ao nível do terço médio e do ápice. Figura 12 — Detalhe da rede de venação do folíolo. Figura 13 — Idem, da venação marginal. 82 Rodriguésia, Rio de Janeiro. 37(62): 79-90, jan./jun. 1985 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 cm parênquima xilemático. Ocorre também nos feixes maiores, um reduzido floema interno (figura 5-7), evidenciado através de cortes transversais e longitudinais e cujos elementos constitutivos têm maiores di- mensões que os do floema externo, quan- do cortados transversalmente. Os feixes vasculares são acompanhados externa- mente, por uma bainha esclerenquimática que, por vezes, penetra entre os mesmos. Em posição medular e próximo ao segmento adaxial, observa-se um feixe an- fivasal (figuras 5 e 8), no qual se evidencia também uma faixa cambial em 2-3 estratos celulares e abundante conteúdo tânico no floema. A região medular é integrada por cé- lulas parenquimáticas, cujos diâmetros são variáveis, de paredes delgadas. Numero- sos grãos de amilo são observados nesta região. Os laticfferos ocorrem não só no cór- tex, como no parênquima floemático e no medular. Lâmina foliolar Em vista frontal, a epiderme adaxial do F 'gura 5 Seção transversal do pecíolo de P. carpopodea Camb., ao nível do terço médio. 40Qnm Figura 6 Detalhe do corte anterior, evidenciando uma das alas e o feixe respectivo. 100-um Atalhe da Fig. 5, focalizando 2 feixes do arco abaxial. Nota-se a bainha e sclerenquimática que acompanha os feixes vasculares, abundante conteúdo ^nico no floema externo e na região perivascular, a faixa cambial e o floema •nterno. lOOjum Figura 8 Detalhe da Fig. 5, evidenciando o feixe medular, anfivasal. ^odriguésia. Rio de Janeiro, 37(62): 79-90, jan./jun. 1985 83 SciELO/ JBRJ, 14 15 16 17 18 19 20 folíolo apresenta células com paredes anti- clinais sinuosas (figura 9.1 ), exceto ao nfvel das nervuras. A cutícula é dotada de estrias epicuticulares, geralmente paralelas, solú- veis no xilol e cujo comprimento ultrapas- sa, por vezes, o diâmetro celular. Foram observados estômatos, ao nível da nervura mediana e das secundárias, assim como tricomas tectores e glandulares, em torno dos quais as células epidérmicas se dis- põem radialmente. Os estômatos estão circundados por 4-5 células e podem ser considerados do tipo anomocítico. Foram evidenciados também, alguns estômatos atípicos. Os tricomas tectores, cujo compri- mento não é uniforme, ocorrem mais fre- qüemente ao nível da nervura principal, embora sejam também observados sobre as nervuras secundárias. São unicelulares e apresentam lume estreito e paredes es- pessas, revestidas por cutícula lisa ou do- tada de granulações (figuras 9.1 e 9.4). Os tricomas glandulares são capita- dos, do tipo maleiforme, ocorrendoao nível da nervura mediana, das secundárias e de ordem superior, assim como no restante da lâmina foliolar. Sua haste é curta, unisse- riada, constitpída por 1 -2 células e a cabe- ça formada por 6-8 células que se dispõem transversalmente em relação à haste (figu- ra 9.5). Comumente, observam-se hifas e esporos de fungos associados aos mes- mos. Os elementos celulares da epiderme abaxial do folíolo, em vista frontal, apre- sentam as paredes anticlinais sinuosas, mais delgadas que as da epiderme adaxial, com exceção dos situados ao nível da nervura primária e das secundárias, cujas paredes são retas. A cutícula é delgada com estrias e granulações. Nesta face, foram observados estômatos e tricomas tectores e glandulares semelhantes aos da face adaxial. Os tricomas podem ocorrer isolados, aos pares (figura 9.2) ou um tector associado a outro, glandular. As domácias são revestidas por tricomas tectores lon- gos (figura 14). Os estômatos ocorrem em toda a su- perfície foliar, atingindo o número médio de 1 55/mm 7 e, ao contrário do que sucede na epiderme adaxial, são raros ao nível das nervuras e neste caso, apresentam-se atí- picos e maiores que os demais. Predomina o tipo anomocítico, se bem que ocorram também estômatos paracíticos e outros tendendo para o tipo anisocítico (figura 9.11). Cortes transversais à região mediana do aparelho estomático, revelam que as células guardiãs são dotadas de lume pe- queno, em função do espessamento de suas paredes, especialmente da periclinal interna (figura 9.6). Através do teste espe- cífico, foi constatada nessas células, a pre- sença de conteúdo de natureza tânica. Delimitando o átrio externo, ocorrem duas pequenas cristas cutinizadas. A câmara subestomática pode atingir os limites das células subsidiárias com as adjacentes e 1 - 2 estratos do parênquima lacunoso. Cortes transversais à região polar das células guardiãs mostram que o espessamento parietal aqui, é menos acentuado e con- sequentemente, o lume celularmais amplo (figura 9.7). A figura 9.8 que representa uma célula estomática cortada segundo seu maior eixo, confirma esta observação e evidencia que o lume de tais células é aproximadamente uniforme. Em cortes transversais a epiderme adaxial apresenta-se uniestratificada e seus elementos constituintes têm contor- no predominantemente retangular, em que o maior diâmetro é periclinal. As sinuosi- dades da cutícula correspondem à estria- cão epicuticular. As células da epiderme abaxial, tam- bém uniestratificada, são menores que as da face adaxial e seu formato, em visão transversal, não ó uniforme. Os tricomas ocorrem em depressões da epiderme e os estômatos se localizam em plano um pou- co superior. Ao nível da nervura principal e do bordo, os elementos epidérmicos em am- bas as faces, apresentam maior diâmetro anticlinal e suas paredes periclinais exter- nas apresentam-se convexas. Já ao nível das nervuras secundárias e terciárias, são predominantemente isodiamétricas. Nes- sas regiões, a cutícula e a porção cutinizada das paredes periclinais externas são mais espessas, ocorrendo algumas flanges cuti- culares. A figura 10, que representa um corte transversal de um folíolo de Paullinia car- popodea Camb., evidencia estrutura dorsi- ventral, em que o parênquima paliçádico é integrado por um único estrato de elemen- tos celulares. Esporadicamente, alguns de- 1 — Epiderme abaxial em vista frontal, evidenciando estômatos, um tricoma tector e outro glandular. 2 — Idem, idem focalizando um par de tricomas glandulares. 3 — Epiderme adaxial em vista frontal, revelando a sinuosidade das paredes celulares. 4 — Epiderme abaxial ao nível da nervura principal, onde se evidenciam células de paredes retas, tricomas tectores com cutícula lisa e um cuja cutícula é granulosa. 5 — Tricoma glandular maleiforme da epiderme abaxial. 6 — Corte transversal passando pela região equatorial das células guardiãs. 7 — Idem. idem atingindo a região polar. 8 — Célula estomática cortada segundo seu maior eixo. 84 Rodriguésia. Rio de Janeiro, 37(62): 79-90, jan./jun. 1985 cm 2 3 4 5 6 7 SciELO/JBRJ cm les são divididos por 1-2 septos transver- sais. Os cloroplastos dispõem-se acompa- nhando as paredes celulares e algumas células apresentam conteúdo tânico. Entre o parênquima paliçádico e o lacunoso ocorre uma camada de células coletoras. 0 lacunoso é integrado por 4-5 estratos celulares heteromorfos, com lacu- nas intercelulares conspícuas. Em todo o mesofilo, às vezes relacio- nados aos feixes vasculares, ocorrem laticí- feros, que apresentam contorno circularou alongado, conforme sejam seccionados transversal ou longitudinalmente (figura 10). Em preparações de material diafani- z ado, foi possível evidenciar que os laticí- feros foliares de P. carpopodea Camb., se ramificam e se anastomosam segundo um padrão reticulado (figura 1 1) e testes pelo cloreto férrico e Sudan IV evidenciaram a presença de substâncias tânicas e lipídicas em seu conteúdo. Os cloroplastos são mais abundantes nas células paliçádicas, como é normal. Em todo o mesofilo, observam-se idioblastos taníferos e cristalíferos, estes encerrando drusas de oxalato de cálcio. Ao longo das nervuras ocorrem séries de parênquima cristalífero. O bordo (figura 12) é fletido em dire- ção à face abaxial e nele, logo após a epiderme ocorre um discreto colênquima angular, cujos elementos encerram farto conteúdo tânico. Alguns laticíferos e pe- quenas nervuras ocorrem na região. Afigura 1 3 exemplifica um corte trans- versal da lâmina foliolar ao nível do terço mediano da nervura principal. As epider- mes são uniestratificadas e suas caracterís- ticas já foram descritas anteriormente. Nesta região, logo após a epiderme adaxial observa-se a penetração do clorên- quima em dois estratos integrados por células aproximadamente isodiamétricas, logo substituídas por um escasso colên- quima do tipo angular, cujos elementos são dotados de conteúdo tânico. Na face aba- xial, o colênquima ocorre, via de regra, em 3 estratos, nos quais se observa conteúdo da mesma natureza. lOQum F 'gura 10 Corte transversal da lâmina foliar de P. carpopodea ao nível do terço médio e videnciando mesofilo dorsiventral e laticíferos cortados longitudinal e transver- Sa lmente. Figura 1 1 Corte paradérmico da lâmina foliar revelando o percurso dos laticíferos. Figura 12 Corte transversal do bordo foliar, onde se observam laticíferos. IQQjum lOOum Figura 13 Corte transversal da nervura principal ao nível do terço médio. Rodriguésia, Rio de Janeiro. 37(62): 79-90, jan./jun. 1985 85 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 cm v a: - • ** * ; — lOOum Figura 14 Visão frontal de uma domácia. em que se observam os tricomas que ocorrem em sua superfície. Figura 15 Corte transversal de uma domácia revelando vestígios dos pequenos animais que aí se alojam. Os feixes vasculares estão dispostos em círculo, integrado por 9-1 0 feixes cujas dimensões são variáveis. Os mais desen- volvidos são bicolaterais apresentam ativi- dade cambial que se evidencia por uma faixa de 2-3 estratos celulares, cujos ele- mentos têm paredes delgadas e celulósi- cas. Em cada feixe, o xilema está represen- tando por elementos de proto e de metaxi- lema em fileiras radiais, entre as quais ocorrem algumas células de parênquima xilemático. 0 floema interno é escasso, in- tegrado por elementos de vaso crivado e células companheiras, cujos diâmetros transversais são maiores que os dos ele- mentos do floema externo. Este, além dos tubos crivados e células companheiras, exibe um parênquima floemático, com abundante conteúdo tânico. 0 feixe vascu- lar é acompanhado externamente, por uma bainha esclerenquimática. Ao nível das nervuras secundárias, o clorênquima é interrompido pelo feixe vas- cular do tipo colateral, acompanhado por uma bainha esclerenquimática espessa, onde ocorrem cristais prismáticos de oxa- lato de cálcio. Domácias Na superfície abaxial dos folíolos de P. carpopodea, no ângulo formado pela ner- vura principal com as secundárias, ocorrem domácias que se assemelham a pequenas bolsas membranáceas, afuniladas, cujo vértice coincide com o ponto de divergên- cia das nervuras secundárias. Tais estrutu- ras correspondem ao tipo axilar marsupi- forme e se encontram revestidas por trico- mas unicelulares mais longos do que os observados em outras regiões da lâmina foliar (figura 14). Em seu interior foram observados pequenos insetos identifica- dos como pertencentes a ordem Thysa- noptera, família Thipidae, assim como pe- quenos ácaros não identificados e agru- pamentos de ovos (figura 1 5). Essas formações são constantes, re- velando-se mais conspícuas e frequentes na região do terço médio e escasseando gradativamente em direção ao terço supe- rior, onde não ocorrem. Seu número médio numa folha composta de 1 1 folíolos é de 108. Cortes transversais seriados revelam, na região correspondente ao vértice da domácia, entre os feixes da nervura princi- pal e os da secundária, um maciço celular cujos elementos se caracterizam por suas dimensões reduzidas, paredes delgadas e núcleos conspícuos. Em níveis mais altos, tais células apresentam conteúdo tânico e. em determinada altura, se inicia a separa- ção das mesmas, por dissolução da lamela média, o que propicia o surgimento de uma fenda que se revela maior à medida que os cortes atingem níveis superiores, até atin- girem a abertura da domácia conforme seqüência evidenciada na figura 1 6. A epi- derme que reveste interiormente essas formações, é dotada de estômatos e tem todas as características da epiderme aba- xial. 86 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37(62): 79-90, jan./jun. 1985 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 IQQjurr r, 9ura 16 ^ e qüência de cortes transversais seriados de uma domácia, em que a mesma ^odriguésia. Rio de Janeiro, 37(62): 79-90. jan./jun. 1985 cm 1 SciELO/ JBRJ, § focalizada em diferentes níveis. cm Hidatódios Cortes paradérmicos efetuados na re- gião apical do folíolo, na altura do mucron, evidenciaram que os traquefdeos terminais da nervura principal se dispoêm em pincel (figura 1 7) e se encontram envolvidos por células parenquimáticas isodiamétricas, aclorofiladas. A epiderme a este nível, é densamente pilosa e estomatífera, sendo os estômatos mais frequentes na região do bordo. Figura 17 Desenho esquemático do ápice foliolar ao nível do mucron, focalizando o arranjo dos traquefdeos termi- nais. Discussão e conclusões A variabilidade na arquitetura foliar é um caráter que tem sido referido para várias espécies da família Sapindaceae (Radklo- fer, 1897; Barkley, 1957; Almeida Ferraz, Dissertação de Mestrado, no prelo), e tem servido de base para o estabelecimento de taxons infra-específicos, a exemplo do que fez Ftadklofer (l.c.) com relação a Paullinia carpopodea Camb. Esse caráter, entretanto, é pouco con- fiável para fins taxonômicos, uma vez que pode variar em função do meio e de outros fatores, e no que se refere b família, refletir um processo evolutivo ainda em curso (Hickey & Doyle, 1977). Em P. carpopodea essa variabilidade, observada não só em indivíduos de habi- tais diferentes, como no mesmo espécime e até no mesmo ramo, revela-se através da gradação do pecíolo, de alado a nu, número e forma dosfolíolos basais, consistência da lâmina foliar e densidade dos tricomas. Os folíolos basais apresentam mais freqüen- temente disposição ternada, ou são re- duzidos a um folíolo único, cujas margens podem ser inteiras ou lobadas. A lobação resulta, ao que tudo indica, da transição para a situação ternada, à semelhança do que ocorre em P. weinmanniaefolia (Al- meida Ferraz, l.c.), circunstância que a alia- da à gradação do pecíolo (alado — * par- cialmente alado -*• nu), refletiria a suces- são evolutiva. Tal suposição se fundamen- ta em Hickey & Doyle (l.c.) que ilustram com a sequência Sapindopsis do Grupo Potomac, a tendência de folha pinatífida para composto-pinada, em que a raque alada seria um remanescente do processo. Uma das características da família Sapindaceae diz respeito à estrutura nodal trilacunar (Sinnott, 1914), confirmada em P. weinmanniaefolia (Almeida Ferraz, l.c.) e na espécie em estudo. Sinnott Et Bailey (1914) afirmam que a presença de estipu- las é uma ocorrência normal em plantas com nós trilacunares. Segundo Howard (1974) as estipulas são vascularizadas por peque- nos feixes provenientes das divisões dos rastros laterais, circunstância também constatada em P. weinmanniaefolia (Al- meida Ferraz, l.c.) e em P. carpopodea. Acompanhando o percurso dos feixes vasculares no pulvino e no pecíolo desta última espécie, foi evidenciada maior di- versificação ao nível do pulvino. 0 aspecto assumido pelo sistema vascular neste nível, assim como no pecíolo e na lâmina foliar, coincide com a classificação de Howard (1963) que relaciona a estrutura nodal ao padrão de vascularização na foi ha. Petit (1 889), Solereder(1 908), Metcalfe Ef Chalk (1 965) e Almeida Ferraz, (l.c.), assina- lam para algumas espécies da família Sa- pindaceae, a ocorrência de fibras escle- renquimáticas em torno do feixe peciolar e de cordões vasculares adicionais na região cortical e/ou medular. Em P. carpopodea evidenciou-se uma bainha esclerenquimá- tica que acompanha o feixe vascular em quase todo o seu percurso na folha, assim como dois pequenos feixes em posição cortical e outro medular, anfivasal. Almeida Ferraz, (l.c.) mencionou a ocorrência de floema interno nos feixes mais desenvolvidos do pecíolo e da nervu- ra principal de P. weinmanniaefolia. Em P. carpopodea foram evidenciados grupos de elementos floemáticos situados interna- mente em relação ao xilema dos feixes maiores desses mesmos órgãos, o que leva a concluirque esta espécie apresenta tam- bém, feixes colaterais e bicolaterais. As observações realizadas em P. car- popodea vieram confirmar a opinião da maioria dos estudiosos da família, no que diz respeito b ocorrência de células epi- dérmicas de paredes sinuosas nas folhas das Sapindaceae. Apenas Almeida Ferraz (l.c.) cita a presença de células com pare- des predominantemente retas no epider- me adaxial de P. weinmanniaefolia. Na espécie em estudo, confirmaram- se as citações de Solereder (1908) e de Metcalfe & Chalk (1 965) quanto b presença de tricomas glandulares do tipo maleifor- me, assim como de outros tectores, unice- lulares que ocorrem isolados, aos pares ou ainda, em arranjo combinado, conforme assinalou Almeida Ferraz (l.c.) em P- winmanniaefolia. À semelhança desta es- pécie, também P. carpopodea não apre- senta pêlos estrelados, mencionados co- mo característicos da família por Hphof (1962). Autores como Radklofer (1 896), Sole- reder (l.c.) e Metcalfe Et Chalk (l.c.) assina- lam que entre as Sapindaceae, predomi- nam estômatos anomocíticos (rubiáceos), o que foi confirmado por Milanez (1 959) e Areia (1966), respectivamente na epider- me do fruto e da folha do guaraná e por Almeida Ferraz (l.c.) na epiderme foliar de P. weinmanniaefolia. Em P. carpopodea foram evidenciados estômatos nas duas epidermes, sendo que os da face adaxial tendem para o tipo anomocítico e ocorrem apenas ao nível da nervura primária e das secundárias. Na face abaxial, embora pre- domine o tipo anomocítico, foram assina- ladas outros paracíticos e alguns com ten- dência para o tipo anisocítico. Solereder (l.c.) e Metcalfe Et Chalk (l.c.) assinalam que o gênero Paullinia é dotado de mesofilo com estrutura parcial- mente cêntrica, sendo as células paliçádi- cas divididas porseptostransversais. Em P. weinmanniaefolia, segundo Almeida Fer- raz (l.c.) e também no material em estudo, foi evidenciada a presença de mesofilo dorsiventral e confirmada a divisão trans- versal em algumas células paliçádicas. No mesofilo de P. carpopodea foram também observados idioblastos taníferos e cristalí- feros, estes mais frequentes ao longo dos feixes vasculares, confirmando as referên- 88 Rodriguésia. Rio de Janeiro, 37(62): 79-90, jan./jun. 1985 SciELO/JBRJ 1 14 15 16 17 lí 19 20 cm cias de Radklofer (1 896, 1 899) e dos auto- res anteriormente citados, no que diz res- Peito à família em geral, assim como as observações de Areia (l.c.) em P. cupana var. sorbilis. No mesofilo de P. carpopodea ocor- rem estruturas secretoras, anastomosadas, diversamente ramificadas, portadoras de conteúdo que apresenta reação positiva Para taninos e lipídios. Correspondem aos elementos secretores mencionados por Radklofer (1896, 1899), Solereder (l.c.) e Metcalfe & Chalk (l.c.) para as espécies da família, assinalados por Milanez (1 959) no fruto do guaraná e também ocorrentes em f 3 - weinmanniaefolia, onde foram identifi- cadas como laticíferos por Almeida Ferraz (l.c.). Esta autora menciona também a pre- s ença de domácias no folíolos de P.wein- rr >anniaefolia que correspondem ao tipo e m fenda com pêlos (Chevalier&Chesnais, 1 941 ) ou lebetiforme (Stace, 1 965). Em P. c arpopodea foram evidenciadas domácias do tipo referido por Stace (l.c.) como axilar rrrarsupiforme e que se assemelham às rriencionadas por Gonçalves Costa (1977) er n uma espécie de Melastomataceae. Em s ®u interior foram encontrados pequenos ccaros não identificados, insetos da ordem Thysanoptera (família Thipidae) e grupos de ovos. Segundo Costa Lima(1 938) nessa ordem, além das espécies fitófagas, que constituem a maioria, há "várias predado- ras, aliás representando as formas mais Primitivas, que atacam Ácaros, Aleirodí- deos, Afídeos, Coccídeos e até mesmo Outros Tisanopteros, ou que sugam o con- teúdo dos ovos de outros insetos e de Ácaros". Na falta de observações mais detalha- das, deixa-se em aberto a estudos poste- riores mais acurados, o assunto relativo às domácias de P. carpopodea e seus ocupan- tes. Aliás Tô Ngoc Ahn (1 966), estudando a estrutura anatômica e a ontogênese das acarodomácias, expressa a nacessidade de e studos mais cuidadosos para elucidar a Verdadeira natureza do relacionamento da Planta com os ácaros. Analisando o aspecto da terminação Vascular, e do parênquima envolvente, ao Pfvel do mucron nos folíolos de P. carpo- Podea, assim como a maior freqüência de e stômatos na epiderme a esse nível, con- clui-se pela existência de uma estrutura com as características de um hidatódio- epitema (Haberlandt, 1928). Almeida Fer- raz (l.c.) assinala nos dentes foliares de P. weinmanniaefolia a ocorrência de hidató- dios desse tipo, cuja funcionalidade foi testada in vivo. Abstract In this paper the authors present the heterophylly of Paullinia carpopodea Camb. and make some considerations about its probable causes. They mention the trilacunar nodal structure and characteristics of foliar vas- cularization as well as the occurrence of internai phloem in more developed vascu- lar bundles of the petioleandmidrib. Rami- fied laticifers that anastomose according to a reticulate pattern are refered too. They also mark out the presence of non-glandular and glandular trichomes, stomata with predominance anomocytic type, as well as primary-axilary marsupi- forms domatia. In the latter, insects of the order Thysanoptera, small acarids, and unidentified agglomerate eggs are obser- ved. The occurrence of structures that possess characteristics of hidathods- epithema are refered too. Referências Bibliográficas ALM El DA FERRAZ, C. L Paullinia weinma- nniaefolia Mart. (Sapindaceae). Mor- fologia Externa e Anatomia Foliar. Te- se de Mestrado. Museu Nacional, Uni- versidade Federal do Rio de Janeiro (no prelo). AREIA. C. A. Anatomia da folha do guaraná, Paullinia cupana var. sorbilis (Mart.) 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Paulo Agostinho de Matos Araújo' Armando de Mattos Filho 2 ^ Engenheiro Agrônomo do Jardim Botâ- nico do Rio de Janeiro e Bolsista do CNPq; falecido em 26-12-84. 2 Pesquisador em Ciências Exatas e da Natureza e Bolsista do CNPq. Trabalho concluído e entregue para pu- blicação em maio de 1 985. Agradecimentos: ° s autores agradecem ao CNPq — Conselho Nacional Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico — pela ®°lsa que continua a nos conceder. Celuta Prado Camilo; Paulo Sérgio de Mattos; Valter Mateus dos Santos; Walter dos Santos Barbosa. Introdução Em continuação ao estudo detalhado, macro e microscópico das madeiras brasi- leiras de Dicotiledôneas, expõe-se, neste 27.° trabalho, realizado no JB/RJ — Jar- dim Botânico do Rio de Janeiro, sob o patrocínio do CNPq — Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnoló- gico, a estrutura de oito espécies de Humi- riaceae que ocorrem no Brasil, pertencen- tes a três gêneros que normalmente apre- sentam placas de perfuração exclusiva- mente múltipla. A espécie Saccoglottis amazônica, além da característica mencionada, con- tém um caráter muito importante, não mencionado na literatura consultada, que é a ocorrência de concreções silicosas, abundantes no parênquima radial (raios), sob a forma de corpúsculos esferoidais ou irregulares. Material e métodos As madeiras estudadas, registradas na Área de Anatomia Vegetal do Jardim Botâ- nico do Rio de Janeiro, têm as seguintes anotações: Sp.: Humiria floribunda Mart., Fam .: Humiriaceae; X/7.: 124; RB: s/n.°; Lam.: 0 473; N. vulgar: Umirí; Col.: Le Cointe; Proc.: Para, Gurupá; Det.: s/ind; Da- ta: S/d; obs.: s/o. X/7.: 2 071; RB: s/n.°; Lam.: s/n.°; N. vulgar: Umirí; Col.: Paul Le Cointe; Proc.: Pará, Gurupá; Det.: s/ind.; Data: s/d; obs.: Associação Comercial do Pará. X/7.: 5 049; RB: s/n.°; Lam.: s/n.°; N. vulgar: s/n/v., Col.: J. Murça Pires; Proc.: Pará, Belém, terrenos do IAN; Det.: s/ind; Data: 9/1961; obs.: N. Y. Bot. Garden n.° 51 826. Saccoglottis amazônica Mart., Fam.: Humiriaceae; X/7.: 543; RB: s/n.°; Lam.: 0 475; N. vulgar. Uchi-rana; Col.: s/c; Proc.: Amazônia; Det.: s/ind.; Data: s/d; obs.: Yale, n.° 20 697. Saccoglottis guianensis Benth., Fam.: Humiriaceae; X/7.: 153; RB: s/n.°; Lam.: 0 476; N. vulgar. Achuá; Col.: Le Cointe, n.° 33; Proc.: Pará; Det.: s/ind; Data: s/d; obs.: s/o. X/7.: 380; RB: s/n.°; Lam.: 1 536; N. vulgar. Paruru; Col.: s/c; Proc.: Pará, Ilha de Marajó, Soure Condei- xa, t. f.; Det.: s/ind; Data: s/d; obs.: s/o. Saccoglottis uchi Hub.; Fam.: Humiriaceae; X/7.: 596; RB: s/n.°; Lam.: 1 537, N. vulgar: s/n/v; Col.: s/c; Proc.: Amazônia; Det.: s/ind; Data: s/d; obs. :Yale, n.° 33 832; X/7.: 2 467; RB: s/n.°; Lam.: 0 477; N. vulgar, s/n/v; Col.: Capucho, ^odriguésia. Rio de Janeiro, 37(62): 91-114, jan./jun. 1985 91 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 Fordlandia; Det.\ s/ind; Data : s/d; obs : Inst. Agron. do Norte. Vantanea contracta Urb.; Fam.: Humiriaceae; X/7.: 3 679; RB : s/n.°; Lam : 1 533; A/, vulgar. Guaraparim; Co/.: s/c; Proc Sta. Catarina, Herbário Barbosa Ro- drigues, Itajaí; Det.: s/ind; Data : 1960; obs.: Acordo Florestal de Sta. Catarina, Serv. Flor. do M. da Agricultura. Vantanea cupularis Huber; Fam.: Humiriaceae; X/7.: 1 066; RB: s/n.°; Lam.: s/n.°; N. vulgar: s/n/v; CoL: Ad. Ducke; Proc.: Amazônia; Det:. s/ind; Data: s/d; obs. :Yale, n.° 32 643; X/7.: 2 055; RB: s/n.°; Lam.: 0 478; /V. vulgar. Achuarana; Co/.; Paul Le Cointe; Proc: Pará, Rio Tapajoz; Det: s/ind.; Data: s/d; obs: Associação Comercial do Pará; X/7.: 4 714; RB: s/n.°; Lam: 0 479; N. vulgar. Paruru; CoL: J. Murça Pires e Howard Irvin; Proc: Pará, Belém, terrenos do IAN; Det: s/ind,; Data: 1963; obs: N. Y. Bot. Garden, n.° 51 695; árvore ca. 30 m, em mata de t. f. Vantanea guienensis Aubl.; Fam.: Humiriaceae; X/7.: 2 050; RB: s/n.°; Lam: 1 531; N. vulgar. Achurana; CoL: Paul Le Cointe; Proc: Pará, Breves; Det: s/ind.; Data: s/d; obs: Associação Comercial do Pará X/7.: 2 516; RB: s/n.°; Lam: s/n.°; N. vulgar: s/n/v; Co/.; Capucho, Fordlandia; Det: s/ind; Data: s/d; obs: Inst. Agron. do Norte; X/7.: 3 133; RB: s/n.°; Lam: s/n.°; Lam: s/n.°; N. vulgar: Uxirana; Co/.: A. de Miranda Bastos; Proc: Território do Amapá — Amaparí — Matapí — Cupirí; Det: JB; Data: 1956; obs: s/o. Vantanea macrocarpa Ducke; Fam: Humiriaceae; X/7.: 656; RB: s/n.°; Lam: 0 480; N. vulgar. Uchi-rana; CoL: Ad. Ducke; Proc: Amazônia; Det: s/ind; Data: s/d; obs: Yale, n.° 21 357; X/7.: 2 054; RB: s/n.°; Lam: 1 532; N. vulgar. Achuá; CoL: Paul Le Cointe; Proc: Pará, Óbidos; Det: s/ind.; Data: s/d; obs: Associação Comer- cial do Pará. 0s métodos de preparação do material lenhoso, dissociação dos elementos, sua mensuração e freqüência, avaliação das grandezas no estudo macro e microscópi- co, nemenclatura usada nas descrições anatômicas, produção de fotografias etc, acham-se sumariamente descritos e atua- lizados em Araújo e Mattos F.° (1982). Descrição anatômica das espécies Humiria floribunda Mart. Caracteres macroscópicos Parênquima: indistinto mesmo sob lente. Poros: muito numerosos (1 25-250 por 1 0 mm 2 ); muito pequenos (até 0,05 mm de diâmetro tangencial), pequenos (0,05- 0,1 mm) e médios (0,1 -0,2 mm); visíveis a olho nu; exclusivamente solitários; vazios ou com goma. Linhas vasculares: retílineas, distintas a olho nu, nas superfícies longitudinais. Perfuração: múltipla, visíveis ao mi- croscópio esterioscópico (8-1 6x), na se- ção transversal. Conteúdo: goma ou óleo-resina ver- melha a negra. Raios: finos (menos de 0,05 de largu- ra), muito poucos (menos de 25 por 5 mm) a pouco numeros (25-50 por 5 mm), na seção transversal; indistintos a perceptí- veis sob lente nas seções transversal, tan- gencial e radial. Anéis de crescimento: indistintos mesmo sob lente. Máculas medulares: ausentes. Caracteres Microscópicos Vasos (poros): Disposição: difusos, com tendência local a arranjo diagonal, (Record e Hess, 1943), exclusivamente solitários (presen- ça de vasos com extremidades superpos- tas). Número: numerosos (43%) e muito numerosos (57%): 16-26 (27) por mm 2 , frequentemente 18-24 (89%), predomi- nando 20-22 (45%), em média 21 . Diâmetro tangencial: pequenos (14%) e médios (86%): 60-1 70 (200) micrôme- tros, frequentemente 1 10-1 60 (79%), pre- dominando 120-150 (61%), em média 132. Elementos vasculares: longos (2%), muito longos (4%) e extremamente longos (94%); 700-2300 (2500) micrômetros de comprimento, frequentemente 1700- 2200 (60%), comumente com apêndices curtos em um (19,6%) ou em ambos (69,6 %h os extremos; às vezes os apêndi- ces atingem de 1/4 a 1/3 do comprimento do elemento (10,8%). Obs: Presença de tranqueóides. Espessamentos espiralados: ausen- tes. Perfuração: exclusivamente múltipla, escalariforme, comumente até 20 barras espaçadas (10-20) (26), às vezes anasto- mosadas; ocasionalmente mais de 20 bar- ras. Conteúdo: presença de goma casta- nho-clara-escura, nos cortes naturais. Pontuado intervascular. ausente ou raro em virtude dos poros serem exclusi- vamente solitários; quando presente; pares areolados, alternos ou irregularmente al- ternos a opostos, redondos a ovais, peque- nos (cerca de 4-7 micrometros de diâmetro tangencial). Pontuado parênquimo-vascular: pa- res semi-areolados, alternos a opostos, ovais, pequenos; às vezes compostos uni- lateralmente. Pontuado rádio-vascular: semelhante ao pontuado anterior. Parênquima Axial Tipo: predominantemente apotra- queal, difuso e tendendo a formar linhas curtas unisseriadas; também parênquima paratraqueal escasso, tendendo a ser aba- xial, isto é, somente na face externa dos vasos e aliforme. Séries: 250-900 micrômetros de comprimento ou altura, com 2-10 células, freqüentemente 300-700 (82%), com (2) 4-8 células. Diâmetro máximo: 1 1-44 (66) micrô- metros, freqüentemente 22-35 (85%). po- rém, nas células epivasculares o diâmetro atinge 73. Células esclerosadas: esclerose par- cial nas células cristalíferas septadas. Cristais: séries cristalíferas septadas presentes (2-7) (8) cristais romboidais). Parênquima Radial (Raios): Tipo: tecido heterogêneo comumente 92 Rodriguésia. Rio de Janeiro. 37(62): 91-114, jan./jun. 198® cm 1 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 tipo I e por vezes II de Kribs. Há dois tamanhos distintos: unisseriados consti- tuídos de 1 -7 (21 ) células, comumente 2-9, horizontais e quadradas a eretas; mutisse- nados decididamente heterogêneos, com extremidades unisseríadas com 1-12 cé- iolas, comumente 4-8 (10), quadradas a eretas. Número-, numerosos (40%) e muito numerosos (60%): 8-14 (16) por mm, fre- mente e predominantemente 10-12 (66,6%), em média 1 1. Contando-se ape- nas os multisseriados (2-3) células na lar- 9ura máxima, frequente e predominante- niente 2 (93%): 5-10 por mm, frequente e Predominantemente 6-8 (75%). Obs .: Unisseriados (35%); multisseriados (65%). Largura: extremamente finos a finos (eté estreitos); 11-44 (55) micrômetros c °m 1-3 células; multisseriados comu- m ente muito finos (57%) a finos (33%); 22- 33 (90%), com 2 (3) células. Altura: extremamente baixos a baixos: 0.04-1,20 mm, com 1-28 células, multis- s eriados frequentemente: 0,30-0,75 (?4%), com 6-18 (23) células, porém, puando funsionados atingem até 2,75 mm (ntedianos), com 50 células. Células envolventes: ausentes Células esclerosadas: parcialmente e sclerosadas, pois, as células dos raios são 6e paredes espessas e abundantemente Pontuadas (Record e Hess, 1943). Células perfuradas: ausentes. Células disjuntivas: não observadas. Cristais: ausentes. Sílica: ausente. Conteúdo: depósitos de goma casta- nho-clara-escura. F 'bras: Tipo: não septadas, paredes delgadas (1 2%), geralmente espessas (47%) a muito es Pessas (41%); comumente homogê- n eas, em fileiras radiais e achatadas tan- 9 e ncialmente. Comprimento: longas (9%) e muito '°ngas (9 1 %): 1,625-3,125 mm, freqüen- te mente 2,25-3,00 (85%). Espessamentos espiralados: ausen- tes; estrias transversais às vezes presen- tes. Diâmetro máximo: 22-40 micrôme- tros, frequentemente 26-35 (87%). Pontuações: distintamente areoladas (cerca de 4-5 micrômetros de diâmetro tangencial), redondas ou ovais, numerosas nas paredes radiais e tangenciais; fendas comumente verticais, inclusas a exclusas, não coalescentes. Anéis de crescimento: ausentes ou indistintos. Máculas medulares: ausentes. Saccoglottis amazônica Mart. Caracteres macroscópicos Parênquima: apenas perceptível a in- distinto sob lente. Poros: pouco numerosos (30 a 65 por 10 mm 2 ); a numerosos (65 a 125 por 1 0 mm 2 ); muito pequenos (0,05-0,1 mm) e médios (0,1 -0,2 mm); visíveis a olho nu; exclusivamente solitários; vazios ou obs- truídos com goma ou substância branca. Linhas vasculares: retílineas, distintas a olho nu. Perfuração: múltipla, visíveis ao mi- croscópio esterioscópico (8-1 6x), naseção radial. Conteúdo: goma-resina ou substância branca. Raios: finos (menos de 0,05 mm de largura), pouco numeroso (25-50 por 5 mm), na seção transversal; visíveis sob lente no topo; na face tangencial apenas perceptíveis mesmo com lente; visíveis a olho nu na seção radial. Anéis de crescimento: demarcados por zonas fibrosas tangenciais mais escu- ras, com menos poros. Máculas medulares: ausentes. Caracteres microscópicos Vasos (poros): Disposição: difusos, com tendência local de arranjo diagonal; exclusivamente solitários (presença de vasos com extremi- dade superpostas). Número: poucos (5,4%), pouco nume- rosos (75%) e numerosos (1 9,6%): (3) 4-1 3 (17) por mm 2 , freqüentemente 6-11 (84,3%), predominando 8-10 (55,4%), em média 8. Diâmetro tangencial: muito pequenos (4%), pequenos (5%) e médios (91 96): 50- 190 micrômetros, freqüentemente 130- 170 (72%), predominando: 140-150, em média 1 42. Elementos vasculares: muito longos (4,3%) e extremamente longos (95,7%): 850-2250 (2600) micrômetros de com- primento, freqüentemente 1400-2100 (74,3%); comumente com apêndices cur- tos em um (1 2,9%) ou em ambos (87,1 %) os estremos. Espessamentos espiralados: ausen- tes. Perfuração: exclusivamente múltipla, escalariforme, barras grossas e espaçadas nos vasos de maior calibre (8-28) ou ainda mais numerosas (às vezes anastomosadas) nos vasos de menor diâmetro (até 45 bar- ras). Conteúdo: presença de goma casta- nho-clara-escura, nos cortes naturais. Observação: traqueóides muitas ve- zes presentes; ocasionalmente três perfu- rações no mesmo elemento. Pontuado intervascular: ausente ou raro em virtude dos poros serem exclusi- vamente solitários. Pontuado parênquimo-vascular: pa- res semi-areolados, alternos a opostos, ovulados, cerca de 6-9 micrômetros de diâmetro tangencial, ou ainda em disposi- ção, forma e tamanho variáveis apresen- tando às vezes pontuações compostas uni- lateralmente. Pontuado rádio-vascular, pares semi- areolados, em disposição, forma e tama- nho variáveis mais ou menos semelhante ao do pontuado anterior; também porvezes pontuações escalariformes, bem como compostas unilateralmente (2-5 pontua- ções pequenas dos vasos para uma pon- tuação grande do raio). ^°0riguésia. Rio de Janeiro, 37(62): 91-1 14, jan./jun. 1985 93 2 3 4 5 6 7 SciELO/JBRJ Parênquima Axial: Tipo : predominantemente apotra- queal, difuso e tendendo a formar linhas curtas comumente unisseriadas que são mais numerosas no lenho tardio ou nas suas proximidades e onde os poros são muitas vezes menores ou se confundem provavelmente com traqueóides; também parênquima pnratraqueal tendendo a ser abaxial ou seja limitado ao lado externo dos vasos e com distintas asas (Metcalfe e Chalk, 1957). Séries: 250-970 micrômetros de comprimento ou altura, com 2-8 células, frequentemente 300-550 (84%) com 3-6 (7) células. Diâmetro máximo: 22-40 micrôme- tros, frequentemente 26-33 (63%), porém, nas células epivasculares o diâmetro atin- ge até 55. Células esclerosadas: ausentes. Cristais: ausentes. Sílica: presente apenas em algumas células. Parênquima Radial (Raios): Tipo: tecido heterogêneo comumente tipo I, por vezes II de Kribs. Há dois tama- nhos distintos: unisseriados constituídos de 1 -1 2 células, comumente 2-8, horizon- tais e quadradas a eretas; multisseriados (geralmente bisseriados) decididamente heterogêneos com extremidades unisse- riadas com 1-13 células, comumente 4-8 (10), quadradas a eretas. Número: numerosos (2%) e muito nu- merosos (98%): 9-16(17) por mm, frequen- temente 11-14 (80%), predominando 12- 1 4 (64%), em média 13. Contando-se ape- nas os multisseriados (2-3 células de largu- ra máxima, comumente 2 (96%): 5-14 por mm, frequentemente 7-10 (74%), predo- minando 8-9 (46%). Observação: unisseriados (34%); mul- tisseriados (66%). Largura: extremamente finos a finos: 9-38 micrômetros, com 1-3 células; mul- tisseriados comumente muito finos: 1 8-27 (81%), com 2 (3) células. Altura: extremamente baixos a muito baixos: 0,040-0,700 (0,92) mm, com 1 -24 (27) células, multisseriados freqüentemen- te 0,25-0,60 (72%), com 8-20 (24) células, porém, quando fusionados atingem até 1 ,50 mm (baixos), com 50 células. Células envolventes: às vezes presen- tes em raios com três células de largura. Células esclerosadas: parcialmente esclerosadas, pois os raios apresentam paredes espessas. Células perfuradas: ausentes. Células disjuntivas: não observadas. Cristais: ausentes. Sílica: concreções silicosas abundan- tes, sob a forma de corpúsculos esferoidais ou irregulares. Conteúdo: depósitos abundantes de goma castanho-clara-escura, nos cortes naturais. Fibras: Tipo: não septadas; paredes delgadas (9%), geralmente espessas (49%) a muito espessas (42%); comumente homogêneas e em fileiras radiais, muitas vezes achata- das tangencialmente. Comprimento: curtas (7%), longas (39%) e muito longas (54%): 1,250- 3,125 mm, frequentemente 1,75-2,25 (65%). Espessamentos espiralados: ausen- tes; estrias transversais ausentes. Diâmetro máximo: 1 8-40 micrôme- tros freqüentemente 22-33 (84%). Pontuações: distintamente areoladas (cerca de 6, 5-7, 5 micrômetros de diâmetro tangencial), redondas ou ovais, numerosas nas paredes radiais e tangenciais; fendas comumente verticais, inclusas até exclu- sas, não coalescentes. Anéis de crescimento: indistintos ou apenas indicados por zonas fibrosas tan- genciais mais escuras e com menos poros. Máculas medulares: presentes Saccoglottis guianensis Benth. Caracteres microscópicos Parênquima: perceptível a indistinto sob lente. Poros: pouco numerosos (30 a 65 por 10 mm 2 ): pequenos (0,05-0,1 mm de diâ- metro tangencial) e médios (0,1 -0,2 mm), visíveis a olho nu; exclusivamente solitá- rios, vazios ou obstruídos com goma ou substância branca. Linhas vasculares: retílineas, distintas a olho nu. Perfuração: múltipla, visíveis ao mi- croscópio esterioscópico (8x), nas seções transversal e radial. Conteúdo: goma-resina ou substância branca. Raios: finos (menos de 0,05 mm de largura), pouco numerosos (25-50 por 5 mm), na seção transversal; visíveis sob lente no topo e na face tangencial; distintos a olho nu na seção radial. Anéis de crescimento: demarcados por zonas fibrosas tangenciais mais escu- ras, com menos poros, visíveis a olho nu. Máculas medulares: ausentes. Caracteres macroscópicos Vasos (poros): Disposição: difusos, com tendência local de arranjo diagonal; exclusivamente solitários (comum vasos com extremida- des superpostas). Número: muito pouco (1%), poucos (28%), pouco numerosos (70%) e numero- sos ( 1 %): (2) 3-10 (1 1 ) por mm 2 , freqüen- temente 5-8 (76%), predominando 5-6 (43%) em média 6. Diâmetro tangencial: muito pequenos (1%), pequenos (7%) e médios (92%): (50) 100-190 micrômetros, freqüentemente 120-160 (69%), predominando 130-150 (46%), em média 138. Elementos vasculares: muito longos (2%) e extremamente longos (98%): 1000- 2100 (2200) micrômetros de comprimen- to, freqüentemente 1500-1900 (64%). comumente com apêndices curtos em ubi (34%) ou em ambos (60%) os extremos; à s cm 94 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37(62): 91-1 14. jan./jun. 198& SciELO/JBRJ 1 vezes os apêndices atingem até 1/4 do comprimento do elemento. Observado apenas um elemento sem apêndices em ambos os extremos. Espessamentos espiralados: ausen- tes. Perfuração: exclusivamente múltipla, escalariforme, barras grossas e espaçadas 3-12(14). Conteúdo: vazios. Observação: traqueóides presentes; ocasionalmente três perfurações no mes- aao elemento. Pontuado intervascular: ausente ou r aro em virtude dos poros serem exclusi- vamente solitários. Pontuado parênquimo-vascular pa- f es semi-areolados e simplificados, em dis- Posição, forma e tamanho variáveis, pe- quenos a grandes; por vezes pontuações compostas unilateralmente. Pontuado rádio-vascular: semelhante a ° pontuado anterior, porém mais abun- dante e variável, com pontuações unilate- talmente compostas mais freqüentes. Pa rênquima Axial: Tipo: predominantemente apotra- Pueal, difuso em linhas curtas comumente Poisseriadas (sub-agregado); também pa- re nquima paratraqueal tendendo a ser a baxial e com distintas asas. Séries: 200-1600 micrômetros de c °mprimento ou altura com 2-14(15) célu- la s. frequentemente 550-950 (72%), com ^'10 células. Diâmetro máximo: 17-44 (55) micrô- ^otro, frequentemente 22-40 (88%), po- rerr >, nas células apivasculares o diâmetro at 'nge até 78. Células esclerosadas: ausentes ou a Penas esclerose parcial nas células crista- 'deras septadas. Cristais: séries cristalíferas septadas Pr esentes (cristais romboidais). SUica: ausente. Pa rênquimaRadial (Raios): Tipo: tecido heterogêneo tipo I e, mais comumente, II de Kribs. Há dois tamanhos distintos: unisseriados constitufdos de 1- 21 (23) células, horizontais e quadradas a eretas, comumente 3-9; multisseriados (geralmente bisseriados) decididamente heterogêneos com extremidades unisse- riadas, com 1 -1 6 (22) células, quadradas a eretas, comumente 4-10. Número: muito numerosos: 1 2-20 por mm freqüente e predominantemente 15- 17 (72%), em média 16. Contando-se apenas os multisseriados (2-3) (4) células na largura máxima, comumente 2 (88,5%); 9-16 (17) por mm, freqüente e predomi- nantemente 13-14 (56%). Observação: unisseriados (18%); mul- tisseriados (82%). Largura: extremamente finos a finos: 6-33 (40) micrômetros, com 1-3 (4) célu- las; multisseriados comumente muito finos a finos: 22-33 (82%), com 2 (3) células. Altura: extremamente baixos a baixos: 0,04-1,20 (1,30) mm, com 1-58 células; multisseriados frequentemente muito bai- xos (68%); 0,50-1 ,00 mm, com 1 8-45 (58) células, porém, quando fusionados atin- gem até 1 ,75 mm (baixos), com 73 células. Células envolventes: às vezes presen- tes. Células esclerosadas: parcialmente esclerosadas, pois, os raios apresentam paredes espessas. Células perfuradas: ausentes. Células disjuntivas: não observadas. Cristais : ausentes. Sílica: ausente. Conteúdo: abundantes depósitos de goma castanho-clara-escura, nos cortes naturais. Fibras: Tipo: não septadas, paredes espessas (1 8%) a muito espessas (82%); comumente homogêneas em fileiras radiais, muitas ve- zes achatadas tangencialmente. Comprimento: curtas (3%), longas (57%) e muito longas (40%): 1,375- 2,375 mm, freqüentemente longas a muito longas: 1,875-2,250 (72%). Espessamentos espiralados: ausen- tes; estrias transversais não observadas. Diâmetro máximo: 17-33 (40) micrô- metros, freqüentemente 22-66 (68%). Pontuações: distintamente areoladas (cerca de 5-7 micrômetros de diâmetro tangencial), redondas a ovais, numerosas nas paredes radiais e tangenciais; fendas verticais a obliquas, inclusas até exclusas, não coalescentes. Anéis de crescimento: indistintos ou apenas indicados por zonas fibrosas tan- genciais mais escuras e com menos poros. Máculas medulares: ausentes. Saccoglottis uchi Huber Caracteres macroscópicos Parênquima: perceptível a indistinto sob lente. Poros: pouco numerosos (30 a 65 por 10 mm 2 ), pequenos (0,05-0.1 mm), mé- dios (0,1 -0,2 mm) e grandes (0,2-0, 3 mm); visíveis a olho nu; exclusivamente solitá- rios; vazios ou obstruídos com goma. Linhas vasculares: retilínes, distintas a olho nu. Perfuração: múltipla, distinta ao mi- croscópio esterioscópio (8x), nas seções radial e transversal. Conteúdo: goma-resina ou substância branca. Raios: finos (menos de 0,05 mm de largura), pouco numerosos (25-50 por 5 mm), na seção transversal; visíveis sob lente no topo e na face tangencial, distintos a olho nu na seção radial. Anéis de crescimento: ausentes ou apenas indicados por zonas fibrosas tan- genciais mais escuras, com menos poros, visíveis sob lente. Máculas medulares: ausentes. ^°driguésia. Rio de Janeiro. 37(62): 91-114, jan./jun. 1985 95 SciELO/JBRJ 1 3 14 15 16 17 1 ! 19 20 Caracteres microscópicos Vasos ( poros ): Disposição: difusos, com tendência de arranjo diagonal; exclusivamente solitá- rios (comum vasos com extremidades su- perpostas). Número: muito poucos (4%), poucos (55%) e poucos numerosos (41 %): 2-8 (10) por mm 2 , frequentemente 3-6 (75%), pre- dominando 4-6 (62%), em média 5. Diâmetro tangencial: pequenos (3%), médios (70%) e grandes (27%): 80-240 (280) micrômetros, freqüentemente 140- 220 (82%), predominando 1 70-200 (58%), em média 1 58. Elementos vasculares: longos (1%), muito longos (11%), extremamente longos (88%); 750-2200 micrômetros de compri- mento, freqüentemente 1 050-1 750(74%), com apêndices curtos em um (39,4%)ou em ambos os extremos (48%); às vezes os apêndices atingem até 1/3 do compri- mento do elemento ocasionalmente sem apêndices. Elementos espiralados: ausentes. Perfuração: exclusivamente múltipla, escalariforme, barras grossas, espaçadas nos vasos de maior calibre (5-33) (48). Conteúdo: vazios. Observação: traqueóides presentes, ocasionalmente três perfurações no mes- mo elemento. Pontuado intervascular. ausente ou raro em virtude dos poros serem exclusi- vamente solitários. Pontuado parênquimo-vascular: pa- res semi-areolados a simplificados, em disposição, forma e tamanho variáveis, al- ternos, opostos, escalariformes, pequenos a grandes. Pontuado rádio-vascular: semelhante ao pontuado anterior, porém, mais abun- dante e comumente simplificados. Parênquima Axial Tipo: predominantemente apotra- queal, difuso e em linhas curtas comumen- te unisseriadas (sub-agregado); também parênquima paratraqueal tendendo a ser abaxial e com distintas asas. Séries: 200-850 (1200) micrômetros de comprimento ou altura, com 2-14 célu- las, freqüentemente 300-700 (76%), com 3-1 0 células. Diâmetro máximo: 22-40 (44) micrô- metros, freqüentemente 26-33 (74%), po- rém, nas células epivasculares o diâmetro atinge até 90. Células esclerosadas: ausentes ou apenas esclerose parcial nas células cris- talíferas septadas. Cristais: séries cristalíferas septadas presentes, principalmente séries merocris- talíferas (cristais romboidais). Sílica: ausente. Parênquima Radial (Raios): Tipo: tecido heterogêneo tipos I e II de Kribs. Há dois tamanhos distintos: unisse- riados constituídos de 1-14 (20) células, comumente, 2-7, horizontais e quadradas a eretas; multisseriados decididamente he- terogêneos com extremidades unisseria- das com 1-17, comumente 4-10 células quadradas ou eretas. Número: muito numerosos: 11-18 por mm, freqüentemente 14-16 (72%), pre- dominando 14-15 (56%), em média 15. Contando-se apenas os multisseriados (2- 3 células na largura máxima, comumente 2 (80,3%): 10-15 por mm, freqüente e pre- dominantemente 11-13 (72%). Observação: unisseriados (18,7%); multisseriados (81,3%). Largura: extremamente finos a finos (até estreitos): 13-49 (51) micrômetros, com 1-3 células; multisseriados comu- mente finos 31-44 (69%), com 2 (3) cé- lulas. Altura: extremamente baixos a muito baixos (até baixos): 0,018-1,000 (1,250) mm, com 1-40 (45) células; mul- tisseriados freqüentemente 0,35-0,70 (66%), com 1 0-28 células, porém, quando fusionados atingem até 1 ,45 mm, com 55 células (baixos). Células envolventes: às vezes presen- tes. Células esclerosadas: parcialmente esclerosadas, pois, os raios apresentam paredes espessas. Células perfuradas: ausentes. Células disjuntivas: não observadas. Cristais: ausentes. Sílica: ausente. Conteúdo: abundantes depósitos de goma castanho-clara-escura, nos cortes naturais. Fibras: Tipo: não septadas, paredes espessas (25%) a muito espessas (75%) comumente homogêneas e em fileiras radiais, muitas vezes achatadas tangencialmente. Comprimento: curtas (9%), longas (56%) e muito longas (35%): 1,200- 2,500 mm, freqüentemente 1,900-2,300 (60%). Espessamentos espiralados: ausen- tes; estrias transversais não observadas. Diâmetro máximo: 20-35 micrôme- tros, freqüentemente 22-30 (83%). Pontuações: distintamente areoladas (cerca de 4-6 micrômetros de diâmetro tangencial), redondas ou ligeiramente ovais, numerosas nas paredes radiais e tangenciais; fendas verticais a oblíquas, inclusas até ligeiramente exclusas, não coalescentes. Anéis de crescimento: indistintos ou apenas indicados por zonas fibrosas tan- genciais mais escuras e com menos poros. Máculas medulares: ausentes. Vantanea contracta Urb. Caracteres macroscópicos: Parênquima: distinto sob lente: apo- traqueal difuso e em linhas finas (menor que 0,05 mm), bem como paratraqueal aliforme, tendendo para abaxial. Poros: numerosos (65-125 po f 1 0 mm 2 ) a muito numerosos (1 25-250 po r 1 0 mm 2 ); muito pequenos (até 0,05 mm de diâmetro tangencial) a pequenos (0,05' 0,1 mm); perceptíveis a olho nu; exclusi- vamente solitários, vazios. Linhas vasculares: retílineas, distintas a olho nu. 96 Rodriguésia. Rio do Janeiro. 37(62): 91-1 14. jan./jun. 198® cm l SciELO/ JBRJ _3 14 15 16 17 18 19 Perfuração-, múltipla, visíveis princi- palmente ao microscópio esterioscópico (8-1 6x), às vezes quase verticais, nas se- ções transversal e radial. Conteúdo: ausentes. Raios: finos (menos de 0,05 mm de 'argura), muito poucos (menos de 25 por 5 mm) a pouco numerosos (25-50 por 5 mm), na seção transversal; visíveis sob lente no topo e na face tangencial; na face radial visíveis a distintos a olho nu. Anéis de crescimento: indistintos ou apenas indicados por zonas fibrosas com menos poros. Máculas medulares: ausentes. Caracteres microscópicos Vasos (poros): Disposição: difusos, com tendência local a arranjo diagonal; exclusivamente solitários (comum a presença de vasos com extremidades superpostas). Número: numerosos (81%) e muito numerosos (19%); 12-22 (24) por mm 2 , frequentemente 15-21 (86%), predomi- nando 16-19 (56%), em média 18. Diâmetro tangencial: pequenos (70%) e médios (30%); 50-140 micrômetros, fre- quentemente 80-1 1 0 (75%), predominan- do 90-1 1 0 (65%), em média 96 micrôme- tros. Elementos vasculares: longos (1%), ntuito longos (13%) e extremamente lon- 9os (8696): 750-2400 micrômetros de c omprimento, frequentemente 1.100- 1 600 (78%), com apêndices curtos em um (32,4%) ou em ambos os extremos (60,2%); as vezes atingindo até 1 /3 do comprimento do elemento. Observação: presença de traqueóides. Espessamentos espiralados: ausen- tes. Perfuração: exclusivamente múltipla, e scalariforme, barras grossas e espaçadas (3-16). às vezes anastomosadas (ocasio- nalmente 3 perfurações no mesmo ele- mento). Conteúdo: ausente. Pontuado intervascular. ausente ou raro em virtude dos vasos serem exclusi- vamente solitários. Pontuado parênquimo-vascular: pa- res semi-areolados a simplificados, em disposição, forma e tamanho variáveis: al- ternos a opostos, redondos, ovais, elíticos, oblongos ou escalariformes, os dois últi- mos grandes a muito grandes. Pontuado rádio-vascular: semelhante ao pontuado anterior, principalmente pon- tuações simplificadas, oblongas a escalari- formes, grandes a muito grandes. Parênquima Axial: Tipo: apotraqueal difuso e em linhas curtas comumente unisseriadas bem como também paratraqueal, com tendência a abaxial e com distintas asas, ocasional- mente confluente. Séries: 145-960 (1070) micrômetros de comprimento ou altura, com 2-14 célu- las, freqüentemente 334-780 (73%), com 3-9 (10) células. Diâmetro máximo: 1 7-40 micrôme- tros, freqüentemente 20-33 (86%), porém, nas células epivasculares o diâmetro atin- ge até 62. Células esclerosadas: apenas escle- rose parcial nas células cristalíferas septa- das. Cristais: séries cristalíferas septadas, comumente séries merocristalíferas, às ve- zes hemi e holo-cristalíferas. Sílica: ausente. Parênquima Radial (Raios): Tipo: tecido heterogêneo tipos II e às vezes I de Kribs. Há dois tamanhos distin- tos: unisseriados constituídos de 1 -1 1 (15) células, comumente 3-7, horizontais e quadradas a eretas; multisseriados (geral- mente 2-3 seriados) decididamente hete- rogêneos com extremidades unisseriadas com 1 -8 (9) células, comumente 3-4, qua- dradas a eretas. Número: muito numerosos: 11-16 (18) por mm, freqüentemente 12-14 (70%), predominando 13-14 (53,3%), em média 1 3. Contando-se apenas os multisseriados (2-4) (5) células de largura máxima, comu- mente 2-3 (98,8%): 7-1 3 por mm, freqüen- temente 8-11 (81,7%), predominando 9- 10 (56,7%). Observação: unisseriados (28,7%); multisseriados (71,3%). Largura: extremamente finos a estrei- tos: 7-78 micrômetros, com 1-4 células; multisseriados comumente finos: 33-44 micrômetros (66%), com 2-3 células. Altura: extremamente baixos a muito baixos: 0,03-0,80 (0.90) mm, com 1-28 (45) células; multisseriados freqüentemen- te e extremamente baixos: 0,25-0,50 (64%), com 1 2-23 (25) células, porém, quando fusionados atingem até 1,45 mm, com 56 células (baixos). Células envolventes: ocasionais. Células esclerosadas: comum escle- rose parcial (pois os raios apresentam pa- redes espessas. Células perfuradas: ausentes. Células disjuntivas: presentes. Cristais: ocasionalmente romboidais presentes. Sífica: ausente. Conteúdo: abundantes depósitos de goma castanho-clara-escura, nos cortes naturais. Fibras: Tipo: não septadas, paredes espessas (32%) a geralmente muito espessas (68%), homogêneas na maioria, comumente em fileiras radiais e achatadas tangencialmen- te. Comprimento: curtas (7%), longas (84%) e muito longas (996): 1,250-2,125 (2,500) mm, freqüentemente 1 ,625-2,000 (84%). Espessamentos espiralados: ausen- tes, estrias transversais não observadas. Diâmetro máximo: 17-33 (35) mi- crômetros, freqüentemente 20-26 (77%). Pontuações: distintamente areoladas (cerca de 4-6 micrômetros de diâmetro tangencial), redondas a ligeiramente ovais, numerosas nas paredes radiais e tangen- frodriguésia. Rio de Janeiro. 37(62): 91-114, jan./jun. 1985 97 cm l SciELO/JBRJ. 14 15 16 17 lí 19 20 cm ciais; fendas verticais a oblíquas, geral- mente inclusas. Anéis de crescimento: ausentes ou indistintos. Máculas medulares: ausentes. Vantanea cupularis Huber Caracteres macroscópicos Parênquima: perceptível a indistinto sob lente. Poros: numerosos (65-125 por 10 mm 2 ); pequenos (0,05-0,1 mm de diâ- metro tangencial) e médios (0,1 -0,2 mm), visíveis a olho nu; exclusivamente solitá- rios, vazios. Linhas vasculares: retilíneas, distintas a olho nu. Perfuração: múltipla, visíveis princi- palmente ao microscópio esterioscópico (8-1 6x), às vezes quase verticais, nas se- ções transversal e radial. Conteúdo: ausente ou aparentemente com substância branca (na realidade massas ou grupos de células de esclerên- quima). Raios: finos (menos de 0,05 de lar- gura), pouco numerosos (25-50 por 5 mm), na seção transversal; visíveis sob lente no topo e na face radial; apenas perceptíveis sob lente na seção tangencial. Anéis de crescimento: apenas indica- dos por zonas fibrosas com menos poros. Máculas medulares: ausentes. Caracteres microscópicos Vasos (poros): Disposição: difusos, com tendência local a arranjo diagonal; exclusivamente solitários (comum a presença de vasos com extremidades superpostas, inclinadas às vezes quase verticais). Número: pouco numerosos (24%) e numerosos (76%); 7-1 5(16) por mm 2 , fre- quentemente 1 0-1 3 (78%), predominando 11 (12) (45%), em média 11. médios (86%) e grandes (11%); 60-250 micrômetros, frequentemente 140-200 (79%), predominando 1 60-1 80 (46%), em média 1 73. Elementos vasculares: longos (1 ,4%), muito longos (4,3%) e extremamente lon- gos (94,3%); 750-2200 micrômetros de comprimento, frequentemente 1050- 1 900 (78,5%), com apêndices curtos e um (44,2%) ou em ambos os extremos (51,4%); às vezes os apêndices atingem até 1/2 do comprimento, do elemento (presença de elementos imperfeitos). Espessamentos espira/ados: ausen- tes. Perfuração: exclusivamente múltipla, escalariforme, barras grossas e espaçadas (2-14) (16), às vezes anastomosadas (oca- sionalmente três perfurações no mesmo elemento). Conteúdo: ausente. Observação: No corte transversal, in- cluídos em pequena faixa do lenho, próxi- mo à casca e a pequenos nós, ocorrem pequenos grupos de células de esclerên- quima distinguindo-se esclerócitos e fibras envolvidos por um parênquima especial. Pontuado intervascular: ausente ou ra- ro em virtude dos vasos serem exclusiva- mente solitários; quando presente: pares areolados opostos a alternos, redondos, ovais a oblongos (cerca de 6-1 3 micrôme- tros de diâmetro tangencial) ou alongados, escalariformes, muito grandes. Pontuado parênquimo-vascular: pa- res semi-areolados a comumente simplifi- cados, em disposição, forma e tamanho variáveis, grandes a muito grandes. Pontuado rádio-vascular: semelhante ao pontuado anterior, porém, mais abun- dante e variáveis; ocasionalmente pontua- ções compostas unilateralmente (2-3 pon- tuações do vaso para 1 do raio). Parênquima Axial: Tipo: apotraqueal difuso e em linhas comumente unisseriadas bem como para- traqueal, com tendência a abaxial, com distintas asas, ocasionalmente confluen- tes. comprimento ou altura, com 2-16 células, freqüentemente 557-1668 (70%), com 4- 12(14) células. Diâmetro máximo: 1 7-40 (51 ) micrô- metros, freqüentemente 26-35 (78%), po- rém, nas células epivasculares o diâmetro atinge 78 micrômetros. Células esclerosadas: ocasionalmen- te presentes. Cristais: ausentes. Sílica: ausente. Parênquima Radial (Raios): Tipo: tecido heterogêneo comumente tipo I e às vezes II de Kribs. Há dois tamanhos distintos: unisseriados constituí- dos de 1-12 (13) células, comumente 2-7 (8), horizontais e quadradas a eretas; mul- tisseriados (geralmente bisseriados) deci- didamente heterogêneos com extremida- des unisseriadas com 1-12 (15) células, comumente 4-8, quadradas a eretas. Número: numerosos (1 1,7%) e muito numerosos (88,3%): 9-16 (17) por mm, freqüentemente 11-14 (71%), predomi- nando 1 2-1 3 (43%), em média 1 2. Contan- do-se apenas os multisseriados (2-3 célu- las na largura máxima, comumente 2 (9696): 6-14(15) por mm, freqüentemente 9-1 1 (61%), predominando 9-10 (48%). Observação: unisseriados (20,8%); multisseriados (79,2%). Largura: extremamente finos a finos: 9-33 micrômetros, com 1-3 células; mul- tisseriados comumente muito finos: 1 5-22 (77%), com 2 células. Altura: extremamente baixos a muito baixos: 0,05-0,85 mm, com 1-25 células; multisseriados freqüentemente 0,20-0,75 (80%), com 5-23 (30) células (extrema- mente baixos (59%), muito baixos (21%); quando fusionados atingem até 1,25 mm (baixos), com 38 células. Células envolventes: não observadas. Células esclerosadas: comum escle- rose parcial pois os raios apresentam pare- des espessas. Células perfuradas: ausentes. Diâmetro tangencial: pequenos (3%), Séries: 111-1862 micrômetros de Células disjuntivas: presentes. 98 Rodriguésia. Rio de Janeiro. 37(62): 91-114, jan./jun. 1985 SciELO/ JBRJ, 14 15 16 17 18 19 20 Cristais : ausentes. Sílica: ausente. Conteúdo : abundantes depósitos de goma castanho-clara-escura, nos cortes naturais. Fibras : Tipo: não septadas, paredes delgadas (3%) espessas (25%) e geralmente muito espessas (72%), com lúmem punctiforme; homogêneas a muitas vezes heterogêneas comumente em fileiras radiais, achatada, tangencialmente. Comprimento: curtas (8%), longas (42%) e muito longas (50%): 1,250- 2,625 mm, frequentemente 1,875-2,375 ( 68 %). Espessamentos espiralados: ausen- tes; estrias transversais não observadas. Diâmetro máximo: 22-40 (60) micro- metros, freqüentemente 26-35 (70%). Pontuações: distintamente areoladas (cerca de 4-6 micrômetros de diâmetro tangencial), redondas ou ligeiramente °vais, numerosas nas paredes radiais e tangenciais; fendas verticais a oblíquas, 'nclusas a esclusas, às vezes coalescentes. Anéis de crescimento: indistintos ou a Penas indicados por zonas fibrosas tan- 9enciais com menos poros e/ou por cama- das mais escuras acentuadamente achata- das tangencialmente. Máculas medulares: ausentes. Vantanea guianensis Aubl. Caracteres macroscópicos Parênquima: distinto sob lente: apo- tra queal difuso e em linhas finas, bem como paratraqueal aliforme. Poros: pouco numerosos (30-65 por 1 0 mm); muito pequenos (até 0,05 mm de diâmetro tangencial), pequenos (0,05- mm) e médios (0,1 -0,2 mm), visíveis a olho nu; exclusivamente solitários, vazios. Linhas vasculares: retilíneas, distintas a olho nu. Perfuração: múltipla, visíveis princi- palmente ao microscópio esterioscópico (8-1 6x), às vezes quase verticais, nas se- ções transversal e radial. Conteúdo: ausente. Raios: finos (menos de 0,05 mm de largura), pouco numerosos (25-50 por mm), na seção transversal; visíveis sob lente no topo e na face tangencial; visíveis a distintos a olho nu na seção radial. Anéis de crescimento: indistintos mesmo sob lente. Máculas medulares: ausentes. Caracteres microscópicos: Vasos (poros): Disposição: difusos, com tendência local a arranjo diagonal, exclusiva ou tipi- camente solitários (comum a presença de vasos com extremidades superpostas, in- clinadas, às vezes quase verticais). Número: muito poucos (2%), poucos (51%) e pouco numerosos (47%): 1 -9 (10) por mm 2 , freqüentemente 4-7 (80%), pre- dominando 4-6 (64%), em média 5. Diâmetro tangencial: pequenos (7%) e médios (93%): 60-180 (200) micrômetros; freqüentemente 110-160 (76%), predomi- nando 130-150 (57%), em média 135. Elementos vasculares: longos (2%), muito longos (6%) e extremamente longos (9296): 650-1750 (1900) micrômetros de comprimento, freqüentemente 1300- 1 700 (72%), com apêndices curtos em um (24%) ou em ambos os extremos (76%). Observação: presença de traqueóides. Espessamentos espiralados: ausen- tes. Perfuração: exclusivamente múltipla, escalariforme, barras grossas e espaçadas (6-14) (16), às vezes anastomosadas (oca- sionalmente 3 perfurações no mesmo ele- mento). Conteúdo: ausente. Pontuado intervascular ausente ou raro em virtude dos vasos serem exclusi- vamente solitários; quando presentes: pa- res areolados opostos a alternos, redon- dos, ovais a oblongos (cerca de 6-13 mi- crômetros de diâmetro tangencial) ou alongados, escalariformes, muito grandes. Pontuado parênquimo-vascular: pa- res semi-areolados a comumente simplifi- cados, em disposição, forma e tamanho variáveis, grandes a muito grandes, escala- riformes. Pontuado rádio-vascular: semelhante ao pontuado anterior, porém, mais abun- dante e variável. Parênquima Axial: Tipo: apotraqueal difuso e em linhas curtas comumente unisseriadas, (sub- agregado) bem como também paratra- queal, com tendência a abaxial, com distin- tas asas. ocasionalmente confluente. Séries: 267-1293 micrômetros de comprimento ou altura, com 3-1 2 células, freqüentemente 401-1003 (72,5%), com 4-1 0 (1 2) células. Diâmetro máximo: 1 7-44 micrôme- tros, freqüentemente 22-33 (73%), porém, nas células epivasculares o diâmetro atin- ge 67 micrômetros. Células esclerosadas: não observa- das. Cristais: presença de cristais romboi- dais em séries merocristalíferas. Sílica: ausente. Parênquima Radial (Raios) Tipo: tecido heterogêneo comumente tipo II, às vezes I de Kribs. Há dois tama- nhos distintos: unisseriados constituídos de 1-10(12) células horizontais e quadra- das a eretas, comumente (2) 3-7; multisse- riados decididamente heterogêneos com extremidades unisseriadas com 1 -1 2 célu- las quadradas a eretas, comumente (2) 3-6. Número: numerosos (1,7%) e muito numerosos (98,3%): 10-17 (18) por mm freqüente e predominantemente 12-15 (80%), em média 13. Contando-se apenas os multisseriados (2-3 células na largura máxima, comumente 2 (89,7%): 9-14 por mm, freqüentemente 11-13 (63%), predo- minando 11-12 (47%). Observação: unisseriados (16,8%); multisseriados (83,2%). Rodriguésia. Rio de Janeiro, 37(62): 91-114. jan./jun. 1985 99 SciELO/ JBRJ, 14 15 16 17 18 19 20 Largura-, extremamente finos a finos: 9-33 micrômetros, com 1-3 células; mul- tisseriados comumente muito finos: 1 7-22 (79%), com 2 (3) células. Altura-, extremamente baixos a muito baixos: 0,05-0,95 mm, com 1-43 (53) cé- lula; multisseriados frequentemente 0,23- 0,65 (77%), com 6-33 (36) células, porém, quando fusionados atingem até 1,40 mm (baixos), com 60 células. Células envolventes: às vezes presen- tes. Células esclerosadas: comum escle- rose parcial, pois, os raios têm paredes espessas. Células disjuntivas: presentes. Cristais: não observados. Sílica: ausentes. Conteúdo: depósitos abundantes de goma castanho-clara-escura, nos cortes naturais. Fibras: Tipo: não septadas, paredes pratica- mente muito espessas, lúmens puntifor- formes, frequentemente heterogêneas e em fileiras radiais, achatadas, tangencial- mente. Comprimento: curtas (6%), longas (49%) e muito longas (45%): 1 ,375-2,500, frequentemente 1,875-2,250 (73%), pre- dominando 1,875-2,125 (62%). Espessamentos espiralados: ausen- tes; estrias transversais não observadas. Diâmetro máximo: 22-44 micrôme- tros, frequentemente 26-35 (84%). Pontuações: distintamente areoladas, cerca de 4-6 micrômetros de diâmetro tangencial, redondas ou ligeiramente ovais, numerosas nas paredes radiais e tangenciais; fendas verticais a oblíquas, inclusas a exclusas, às vezes coalescentes. Anéis de crescimento: ausentes ou indistintos. Máculas medulares: ausentes. Vantanea macrocarpa Ducke Caracteres macroscópicos Parênquima: distinto sob lente, apo- traqueal difuso e em linhas finas bem como paratraqueal aliforme. Poros: pouco numerosos (30-65 por 10 mm), muito pequenos (até 0,05 mm), comumente pequenos (0,05-0,1 mm), até médios (0,1 -0,2 mm), visíveis a olho nu; exclusivamente solitários, vazios. Perfuração: múltipla, visíveis princi- palmente ao microscópio esterioscópico (8-1 6x), às vezes quase verticais, nas se- ções transversal e radial. Conteúdo: ausentes. Raios: finos (menos de 0,05 de lar- gura), pouco numerosos (25-50 por 5 mm), na seção transversal; visíveis sob lente no topo e na face tangencial, visíveis a distin- tos a olho nu na seção radial. Anéis de crescimento: ausentes ou indistintos. Máculas medulares: ausentes. Caracteres microscópicos Vasos (poros) : Disposição: difusos, com tendência local a arranjo diagonal; exclusivamente solitários (comum a presença de vasos com extremidades superpostas). Número: poucos (1 8%) e pouco nume- rosos (8296): 4-10 por mm 2 , frequente- mente 6-8 (71%), predominando 6-7 (55%), em média 7. Diâmetro tangencial: pequenos (1 3%) e médios (87%): 90-1 60 micrômetros, fre- quentemente 110-130 (76%), predomi- nando 1 10-1 20 (61%), em média 1 1 8. Elementos vasculares: extremamente longos: 1200-2300 (2600) micrômetros de comprimento, frequentemente 1 700- 2200 (72%), com apêndices curtos em um (21 %) ou em ambos os extremos (65%), às vezes os apêndices atingem até 1/3 do comprimento do elemento, raramente sem apêndices. Espessamentos espiralados: ausen- tes. Perfuração: esclusivamente múltipla, escalariforme, barras mais ou menos gros- sas e espaçadas (5-1 8) (20), às vezes anas- tomosadas (ocasionalmente 3 perfurações no mesmo elemento). Conteúdo: ausentes. Pontuado intervascular. ausente ou raro em virtude dos vasos serem exclusi- vamente solitários. „ Pontuado parênquimo-vascular. pa- res semi-areolados a simplificados, em disposição, forma e tamanho variáveis; opostos a alternos, redondos, ovais, esca- lariformes, grandes a muito grandes. Pontuado rádio-vascular: semelhante ao anterior, porém, comumente simplifica- dos. Parênquima Axial: Tipo: apotraqueal difuso e em linhas curtas comumente unisseriadas, bem co- mo também paratraqueal, com tendência a ser abaxial e com distintas asas, ocasional- mente confluentes. Séries: 450-1700 (2100) micrôme- tros de comprimento ou altura, com 4-12 (18) células, freqüentemente 450-1200 (87,5%), com 4-12 células. Diâmetro máximo: 17-40 micrôme- tros, freqüentemente 22-35 (90%), porém, nas células epivasculares o diâmetro atin- ge 55. Células esclerosadas: esclerose par- cial, pois o parênquima tem células de paredes espessas. Cristais: presença de cristais romboi- dais em séries merocristalíferas. Sílica: ausente. Parênquima Radial (Raios): Tipo: tecido heterogêneo tipos I e II de Kribs. Há dois tamanhos distintos: unisse- riados constituídos de 1-9 (14) células horizontais e quadradas a eretas, comu- mente 3-8; multisseriados decididamente heterogêneos com extremidades unisse- riadas com 1-12 (16) células quadradas a eretas, comumente (3) 4-7. Número: numerosos (8,3%) e muito numerosos (91,7%): 10-16 por mm, fre- 100 Rodriguésta. Rio da Janeiro, 37(62): 91-114, jan./jun. 1985 cm 1 SciELO/JBRJ, 14 15 16 17 18 19 20 qüentemente 11-14 (73,3%), predomi- nando 1 3, em média 1 3. Contando-se ape- nas osmultisseriados(2-3 células na largu- ra máxima, comumente 2 (81,7%): 8-13 (14) por mm, frequentemente 8-1 1 (80%), Predominando 9-10 (48,3%). Observação-, unisseriados (1 8%); mul- tisseriados (82%). Largura: extremamente finos a finos: 4-33 micrômetros, com 1-2 (3) células; multisseriados comumente extremamente linos a muito finos: 1 3-22 (79%), com 2 (3) células. Altura: extremamente baixos a muito baixos: 0,04-0,85 mm, com 1-45 células; rnultisseriados freqüentemente 0,30-0,60 (66%), com 7-26 (28) células, porém, quando fusionados atingem até 1,60 mm (baixos), com 63 células. Células envolventes: ausentes. Células esclerosadas: comum escle- r °se parcial (raios de paredes espessas e Pontuações abundantes). Células disjuntivas: presentes. Cristais: ausentes. Siiica: ausente. Conteúdo: depósitos abundantes de 9oma castanho-clara-escura, nos cortes naturais. Fibras: Tipo: não septadas, paredes muito es- Pessas, lúmens punctiformes, praticamen- te homogêneas, em fileiras radiais achata- das tangencialmente. Comprimento: muito curtas (1%), cur- ta s (6%), longas (25%) e muito longas (68%); 1,000-2,600 mm, freqüentemente 1 .875-2.375 (77%), predominando 2,1 25- 2 -375 (55%). Espessamentos espiralados: ausen- ,e s; estrias transversais ausentes. Diâmetro máximo: 17-40 micrôme- Iros, freqüentemente 22-33 (88%). Pontuações: distintamente areoladas, cerca de 4-5 micrômetros de diâmetro tan- 9encial, redondas ou ligeiramente ovais, numerosas, nas paredes radiais e tangen- ciais; fendas verticais, inclusas, não coa- lescentes. Anéis de crescimento: ausentes ou indistintos. Máculas medulares: ausentes. Propriedades gerais, aplicações e ocorrência As madeiras de humiriáceas estuda- das apresentam as propriedades gerais se- guintes: cor castanho-pardacenta, leve- mente rosada ou róseo-pardacenta ou ain- da vermelho pardacenta-escura; peso mé- dio (0,5-1 ,0 de peso específico seca ao ar) a pesada, acima de 1 ,0 de peso específico seca ao ar. (Vantanea guianensis e V. ma- crocarpa ); lustre baixo a médio; textura média; grã direita a irregular; odor e sabor indistintos no lenho seco; madeira dura a muito dura ao corte e resistente aos esfor- ços externos, durável. Observação: muito difícil de cortar ao micrótomo, principal- mente a espécie S. amazônica por conter sílica, nos raios (Araújo e Mattos F.°, 1 984). Segundo Rizzini (1971) são madeiras utilizadas apenas regionalmente para construção e dormentes, ocorrendo na re- gião amazônica até Goiás; Brasil Central, Nordeste, Sudesde e Sul. Segundo Mainieri e outros (1983) as espécies Humiria floribunda, Saccoglottis spp e Vantanea spp. tem as seguintes aplicações: construções externas (estru- turas, postes, mourões, dormentes, cruze- tas, etc) e internas (vigas, caibros, ripas, tacos e tábuas para assoalho; esquadrias de portas, venezianas, batentes, caixilhos, etc); cabos de ferramenta e implementos agrícolas, etc. No Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro tem-se registrado as ocor- rências seguintes: Humiria floribunda (umirí, umiria) Estado do Rio, Cabo Frio (Herb. Schwacke n.° 3093, Glaziou, set. 1881; Herb. Schwacke n.° 5571, H. Schwik 3884, maio 1 887; S. Araújo, E. Pereira496, maio 1946); Distrito Federal, restinga da TijucaedeJacarepaguá(P. Occhioni 1 1 64, agosto 1 948; Liene, D. Sucre, Duarte, E. Pereira 3964, julho 1 958); Amazonas, alto amazonas entre Manaus e Tarumã-assu (s/n./c, jun. 1882); Minas Gerais: restinga perto de Diamantina, capão (Herb. Schwack 8344, fe. 1 892); Serra do Grão Mogol (Markgraf 3424, Mello Barreto Et Brade, nov. 1938); Serra do Cipó, Municí- pio de Santana do Riacho mais ou menos 1400 m, s/n.° (G. Martinelli 287, maio 1974); Pará: Campirana do alto arirambá. Trombetas (A. Ducke, dez. 1 906); Saguary, Faro (s/n/c, jan. 1 920); Tapajós ( J. G. Kuhl- mann, março 1924); Maranhão: Grajahu (M. Arrojado Lisboa, agosto 1 909); Cururru- pu(F. A. Lisboa, agosto 1 914); Guiana Ingle- sa ( Alstom 545, março 1 926); Espírito San- to, entre Linhares e S. Matheus (J. G. Kuhln. 6674, dez. 1943; Bahia, Itapoã, região de dunas (Paulo A. Athayde, março 1961); Sergipe, Encosta da Serra de Itabaiana, no contato da rocha fragmentada com a inte- gral (A. Lima 62-4085, julho 1962); Mato Grosso: Rio Juruena, margem direita (N. A. Rosa & M. R. Santos 1 972, maio 1 977); R. Juruena, mata do barranco da beira do rio (M. G. Silva & J. Maria, julho 1 977). Saccoglottis amazônica (Uchi-rana): — Pará: Breves, Aramã (J. Huber, fev. 1900); Belém (Utinga) margens de riacho no igapó(A. Ducke 1 6578, nov. 1 91 6; J. M. Pires & G. A. Black 31 , julho 1 945); Belém (A. Ducke, agosto 1922); Gurupá (Ducke 17221, agosto 1918); Amazonas, Espe- rança (Ducke 1055, out. 1942). Saccoglottis guianensis (achuá, paruru): — Pará: Belém, Bragança, Peixe-boi (R. Siqueira 8281, herb. amazônico, julho 1 907); Faros, Campos do Leste (A. Ducke, agosto 1907); Monte Alegre, campo (A. Ducke, dez. 1908); Santarém, campo (J. Huber, nov. 1909); Rio Trombetas, região dos campos de arirambá (A. Ducke 8042 e 14872, set. 1913); Rio Tapajós, próx. à cachoeira do Mangabal (A. Ducke 16419, agosto 1916); Altamira, rio Xingu (A. Du- cke, dez. 1916); Belém (A. Ducke, agosto 1 922); Breves, mata entre o igarapé grande e a campina dos Bacuryjus (A. Ducke, julho 1 923); Ajuruxy, campos entre os rios Jary e Maracá (P. Le Cointe, s/d); Soure, Condei- xa, t. f. (H. de Miranda Bastos, s/d); Mara- nhão, Grajahu (M. Arrojado Lisboa, agosto 1 909); Amazonas: Rio Branco, campinho (J. G. Kuhlmann813, set. 1913); Manaus (A. Ducke, set. 1929); Humaitá, entre os rios Livramento e Ipixuna (B. A. Krukoffs 5th expedition to brazilian amazonia, nov. 1 934); Estado do Rio, Teresópolis (Eurico Teixeira, agosto 1939); Mato Grosso: Ca- ximbo, kms 257 e 264 da estrada Xavanti- na (D. Philcox, J. Ramos & R. Sousa 3060 e Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37(62): 91-114, jan./jun. 1985 101 cm l SciELO/JBRJ 1 14 15 16 17 lí 19 20 cm 3131, nov. 1967); 12°49' S,51°41'W(D. Philcox, A. Ferreira & J. Bertoldo 3545, dez. 1967); Caximbo, km 271 da estrada Xavantina, cerrado (D. Philcox e A. Ferreira 4149, jan. 1968); 12° 49' S, 51° 46' W(G. C. G. Argent and Richards n.° 6793, agosto 1 968); Brasilia, D. F. (Esechias P. Heringer, José Elias de- Paula, Roberta C. de Men- donça, A. E. H. Salles 51 7, jun. 1 978). Vantanea contracta (guaraparim): — Santa Catarina, Brusque, Mata do Azambuja (H. Veloso 37 (b), fevereiro 1950). Vantanea cupularis (paruru): — Pará, Belém (J. M. Pires, set. 1 961 ). Vantanea guianensis (achuá-rana, uchi- rana): — Pará: Belém — Bragança — Peixe- Boi (S. Siqueira, out. 1 907); Ilhas Breves (A. Ducke, jan. 1920); St. a Izabel, estrada da fazenda de Bragança (A. Ducke, set. 1 922); Belém-Brasília km 93 (Maguire, Murça Pi- res, N. T. Silva, agosto 1 963); Belém-Brasí- lia km 1 37,35 km ao norte de Paragominas (G. T. Prance & N. T. Silva, agosto 1964). Amazonas: Manaus (A. Ducke, março 1 932); Borba, Rio Madeira (A. Ducke, abril 1937); Amapá (Miranda Bastos 244, 1956). Vantanea macrocarpa (ucbi-rana): — Amazonas, Manaus (A. Ducke, março 1 937). Chave para a identificação das espécies estudadas 1 a. Pontuações radiovasculares pequenas (menorque7 micrômetros de diâmetro tangencial H. floribunda b. Pontuações radiovasculares médias (7 a 1 0 micrômetros), grandes (maior que 10 e menor que 15 micrômetros) ou muito grandes (maiorque 1 5 micrôme- tros) 2 2a. Placas de perfuração mais de 20 barras (5-33), até 48 nos vasos de menor diâmetro 3 b. Placas de perfuração até 20 barras 4 3a. Concreções silicosas abundantes, nos raios S. amazônica b. Concreções silicosas ausentes S. uchi 4a. Pontuações radiovasculares médias a grandes S. guianensis b. Pontuações radiovasculares muito grandes 5 5a. Poros 12-22 (24) por mm 2 , freqüen- temente 1 5-21 ; raios com 1 -4 células de largura, multisseriados comumente 2-3 células V contracta b. Poros 1-15 (16) por mm 2 , frequente- mente 4-1 3; raios com 1 -3 células de largura, multisseriados comumente 2 (3) células 6 6a. Poros 7-15 (16) por mm 2 , freqüente- mente 1 0-1 3; diâmetro tangencial dos poros maiores acima de 200 micrôme- tros; raios multisseriados comumente com 2 células V. cupularis b. Poros 1-10 por mm 2 , freqüentemente 4-8; diâmetro tangencial dos poros maiores abaixo de 200 micrômetros 7 7a. Poros 1-9 (10) por mm 2 , freqüente- mente 4-7; diâmetro tangencial dos poros maiores comumente até 160 (170) micrômetros . . . . V. guianensis b. Poros 4-10 por mm 2 , freqüentemente 6-8, diâmetro tangencial dos poros maiores comumente até 1 30 (1 40) mi- crômetros V. macrocarpa Conclusão As oito espécies de Humiriaceae aqui estudadas, distribuem-se por três gêneros que, embora distintos entre si, apresen- tam-se muito homogêneos quanto à ana- tomia do lenho secundário tanto assim que, confrontando-se suas espécies, con- seguiu-se apenas separá-las por meio de caracteres anatômicos quantitativos de mensuração e freqüência, com exceção de S. amazônica que contém um caracter muito importante, não citado na literatura consultada, que a destaca entre todas as outras, ou seja, abundantes concreções silicosas, nos raios, sob a forma de corpús- culos esferoidais ou irregulares. Abstract This paper deals with the comparative anatomy of eight Brasilian woods of the Family Humiriaceae as follow: — Humiria floribunda Mart., Sacco- g/ottis amazônica Mart., S. guianensis Aubl., S. uchi Huber, Vantanea contracta Urb., V. cupularis Huber, V. guianensis Aubl. and V. macrocarpa Ducke. The general properties of the species, and its principal uses, their occurrence in Brazíl as well as a synoptical key to separa- te the species are also considered. Referências Bibliográficas ARAÚJO, P.A. M. e A. MATTOS FILHO — Estrutura das Madeiras Brasileiras de Dicotiledôneas (XXV e XXVI ). Arquivos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, vol. XXVI, 1 982 pp. 5-26 e vol. XXVIII, 1 984 pp. MAINIERI, C. e OUTROS — Manual de Identificação das Principais Madeiras Comerciais Brasileiras. Governo do Estado de S. Paulo. DCET-PROMOCET, 1983, 241 pp. METCALFE, C. R. e L CHALK — Anatomy of the Dicotyledons, Oxford Univ. Press, London, 1957, 1500 pp. RECORD, S. J. e R. W. HESS — Timbers of the New World, New Haven, Yale Univ. Press, 1 943, 640 pp. RIZZINI, C. T. — Arvores e Madeiras Úteis do Brasil, São Paulo, Ed. E. Blücher, 1971, 294 pp. 102 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37(62): 91-1 14, jan./jun. 1985 SciELO/JBRJ 3 14 18 19 cm 37 O Cl 5 5 ' a (D t_ D) 3 O ro (D 00 séries cristalíferas sep- tadas presentes 2-7 (8) cristais romboidais, com 3-4. ausentes séries cristalíferas sep- tadas presentes (comu- mênte (2) 4-7 (8) cris- tais romboidais). idem, idem, principal- mente merocristalífe- ras. idem, idem ausentes séries cristalíferas sep- tadas presentes, co- mumente merocristalí- feras. idem, idem O CO o> (0 Sílica ausente apenas presente em al- gumas células. ausente ausente ausente ausente ausente ausente — ft —t * *55’ 3 PARÊNQUIMA RADIAL (RAIOS) Tipos 3 m* (D CO (Ji tecido heterogêneo co- mumente tipo 1 e por vezes 11 de Kribs. idem. idem tecido heterogêneo ti- po 1 e mais comumènte II de Kribs. tecidos heterogêneo tipos 1 e II de Kribs. tecido heterogêneo ti- po II e às vezes 1 de Kribs. tecido heterogêneo co- mumente tipo 1 e às ve- zes 11 de Kribs. tecido heterogêneo co- mumente tipo II e às vezes 1 de Kribs. tecido heterogêneo ti- po 1 e II de Kribs. 10 1 SciELO/JBRJ 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 cm O a f K contracta V cupu/aris V guianensis V. macrocarpa H f/oribunda S. amazônica S. guianensis 5. uchi ca c CD» (/> — Número por mm 30 5‘ a CD c_ 0) 3 2. o w 0) KJ 10 8-14 (16), frequente- mente 10-12 (66,6%); unisseriados (35%) e multisseriados (65%); contando-se apenas estes últimos: 5-10, freqüentemente 6-8 (75%). 9-16 (17), freqüente- mente 11-14 (80%); unisseriados (34%) e multisseriados (66%); contando-se apenas estes últimos: 5-14, freqüentemente 7-10 (74%). 1 2-20, freqüentemente 1 5-1 7 (72%); unisseria- dos (18%) e multisse- riados (82%); contan- do-se apenas estes úl- timos 9-16 (17), fre- qüentemente 13-14 (56%). 11-18, freqüentemente 14-16 (72%); unisseria- dos (18%) e multisse- riados (81 ,3%); contan- do-se apenas estes úl- timos 10-15, freqüen- temente 11-13 (72%). 11-16 (18), freqüente- mente 12-14 (70%); unisseriados (28%) e multisseriados (71 ,3%), contando-se apenas estes últimos 7-1 3, fre- qüentemente 8-11 (81,7%). 9-16 (17), freqüente- mente 11-14 (7%); unisseriados (20,8%) e multisseriados (79,2%); contando-se apenas estes últimos 6-14 (15), freqüentemente 9-11 (61%). 10-17 (18), freqüente- mente 12-15 (80%); unisseriados (16,8%) e multisseriados (83,2%); contando-se apenas estes últimos 9-14, fre- qüentemente 11-13 (63%). 10- 16, freqüentemente 11- 14 (73,3%) unisse- riados (1 8%) e muitis- seriados (82%); con- tando-se apenas estes últimos 8-13 (14), fre- qüentemente 8-11 (80%). Altura em mm ■i £ *3‘ 3 s. c' 3 -a CO 00 01 0,04-1,20 com 1-28 células; multisseriados comumente 0,30-0,75 (74%) com 6-18 (23) células; fusionados até 2,75 com 50 células. 0,04-0,70 (0,90) com 1-24 células; multisse- riados comumente 0,25-0,60 (72%)), com 8-20 (24) células; fu- sionados até 1 ,50 com 50 células. 0,04-1,20 (1,30), com 1 -58 células; multisse- riados comumente 0,50-1,00, com 18-45 (58) células; fusiona- dos até 1,75 com 73 células. 0,018-1,000 (1,250), com 1 -40 (45) células; multisseriados comu- menteO, 35-0,70 (66%) com 10-28 células; fu- sionados até 1 ,45, com 55 células. 0,03-0,80 (0,90), com 1-28 (45) células; mul- tisseriados comumente 0,25-0,50 (64%), com 12-23 (25) células; fu- sionados até 1 ,45, com 56 células. 0,05-0,85, com 1-25 células; multisseriados comumente 0,20-0,75 (80%), com 5-23 (30) células; fusionados até 1,25, com 38 células. 0,05-0,95, com 1-43 (53) células; multisse- riados comumente 0,23-0,65 (77%), com 6-33 (36) células; fu- sionados até 1 ,40, com 60 células. 0,40-0,85, com 1-45 células; multisseriados comumente 0,30-0,60 (66%). com 7-26 (28) células; fusionados até 1 ,60, com 63 células. Largura em micrômetros 1 1 -44 (55) com 1 -3 cé- lulas; multisseriados comumente 22-33 (90%) com 2 (3) células. Células envolventes 9-38, com 1-3 células; multisseriados comu- mente 18-27 (81%), com 2 (3) células. 6-33 (40) com 1 -3 (4) células; multisseriados comumente 22-33 (87%), com 2 (3) célu- las. 13-49 (51), com 1-3 células; multisseriados comumente 31-44 (69%), com 2 (3) célu- las. 7-78, com 1-4 células; multisseriados comu- mente 33-44 (66%), com 2-3 células. 9-33, com 1-3 células multisseriados comu- mente 15-22 (77%), com 2 células. 9-33 com 1-3 células multisseriados comu- mente 17-22 (79%), com 2 (3) células. 4-33, com 1 -2 (3) célu- las; multisseriados co- mumente 1 3-22 (79%), com 2 (3) células. ausentes presentes presentes presentes ocasionais ausentes presentes ausentes Células disjuntivas não observadas idem idem idem presentes presentes presentes presentes Cristais ausentes idem idem idem ocasionais ausentes idem idem Sílica ausente FIBRAS Tipo concreções silicosas abundantes. ausente idem idem idem idem idem 105 não septadas; paredes comumente espessas (47%) a muito espessas (41%) freqüentemente homogêneas e em filei- ras radiais, achatadas tangencialmente. idem; paredes comu- mente espessas (49%) a muito espessas (42%); freqüentemente homogêneas e em filei- ras radiais, muitas ve- zes achatadas tangen- cialmente. idem; paredes espes- sas (18%) a comumen- te muito espessas (82%); idem. idem; paredes espes- sas (25%) a comumen- te muito espessas (75%); idem. idem; paredes espes- sas (32%) a comumen- te muito espessas (68%); idem. idem; paredes espes- sas (25%) a comumen- te muito espessas (72%) homogêneas a muitas vezes hetero- gêneas, comumente em fileiras radiais, achatadas tangencial- mente. idem; paredes muito espessas; freqüente- mente heterogêneas e em fileiras radiais, achatadas tangencial- mente. idem; idem homogê- neas e em fileiras ra- diais, achatadas tan- gencialmente. SciELO/JBRJ L 7 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 1 06 Rodriguésia. Rio de Janeiro, 37(62): 91-1 14. jan./jun. 1985 V. contracta V. cupularis V. guianensis V. macrocarpa H. floribunda S. amazônica S.guianensis S. uchi Comprimento em mm 1,625-3,125, freqüen- temente 2.250-3,000 (85%). 1,250-3,125, freqüen- temente 1,750-2,250 (65%). 1,375-2,375, freqüen- temente 1,875-2,250 (72%). 1 ,200-2,500, freqüen- temente 1,900-2,300 (60%). 1,250-2,125, freqüen- temente 1,625-2,000 (84%). 1 ,250-2,625, freqüen- temente 1,875-2, 375 (68%). 1,375-2,500, freqüen- temente 1,875-2,250 (73%). 1 ,000-2,600, freqüen- temente 1,875-2,375 (77%). Diâmetro máximo (micrômetros) 22-40, freqüentemente 26-35 (87%) 1 8-40, freqüentemente 22-33 (84%). 17-33 (40), freqüente- mente 22-26 (68%). 20-35, freqüentemente 22-30 (83%). 1 7-33 (35), freqüente- mente 20-26 (77%). 22-40 (60), freqüente- mente 26-35 (70%). 22-44, freqüentemente 26-35 (84%). 1 7-40, freqüentemente 22-33 (88%). Pontuações distintamente areola- das (cerca de 4-5 mi- crômetros de diâmetro tangencial); fendas co- mente verticais, inclu- sas a exclusas, não coa- lescentes. idem (cerca de 6, 5-7,5 micrômetros); idem. idem (cerca de 5, 0-7,0 micrômetros); fendas verticais a oblíquas, in- clusas até exclusas não coalescentes. idem (cerca de 4-6 mi- crômetros); idem. idem; idem; fendas ver- ticais a oblíquas, geral- mente inclusas. idem, idem; fendas ver- ticais a oblíquas, inclu- sas a exclusas, às vezes coalescentes. idem; idem; idem idem (cerca de 4-5 mi- crômetros), fendas ver- ticais, inclusas, não coalescentes. ANÉIS DE CRESCIMENTO ausentes ou indistin- indistintos ou apenas tos. indicados por zonas fi- brosas mais escuras com menos poros. MÁCULAS MEDULARES idem, idem idem, idem ausentes ou indistin- tos. indistintos ou apenas indicados por zonas fi- brosas com menos po- ros ou mais escuras e acentuadamente acha- tadas tangencialmen- te. ausentes, porém pre- sentes grupos de célu- las com esclereídes e fibras na parte externa do lenho. ausentes ou indistin- tos. idem ausentes presentes ausentes idem idem ausentes idem 2 3 4 5 6 7 9 10 11 SciELO/JBRJ ^odriguésia. Rio de Janeiro, 37(62): 91-1 14, jan./jun. 1985 107 SciELO/JBRJ cm i Figura 1 Humiria floribunda Mart. (amostra n.°124) Seção transversal (10x) Seção tangencial (50x) Seção transversal (50x) 108 Rodriguésia. Rio de Janeiro, 37(62): 91-114, jan./jun. 1985 SciELO/JBRJ Figura 2 Saccog/ottis amazônica Mart. (amostra n.° 543) Seção transversal (10x) Seção transversal (50x) Seção radial (50x) Seção tangencial (50x) * * ti 1* - ViV" aJ. i « • * : .f * . s * ' . * * »*'■■ 4 . • 4 =; n í r * « fí iTPPir iT ■ ■•*{ , iraiWirBr wMK i ii Seção transversal (10x)™ Seção transversal (50x) Figura 3 Saccog/ottis guianensis Benth. (amostra n.° 380) Seção tangencial (50x) R odriguésia, Rio de Janeiro. 37(62): 91-114, jan./jun. 1985 109 SciELO/JBRJ 110 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37(62): 91-114, jan./jun. 1985 SciELO/JBRJ cm i 3 14 15 16 17 18 19 20 Figura 4 Saccog/ottis uchi Hub. (amostra n.° 596) Seção transversal (10x) Seção tangencial (50x) Seção radial (50x) Rodi Iriguésia. Rio de Janeiro, 37(62): 91-1 14. jan./jun. 1985 111 SciELO/JBRJ cm 1 3 14 15 16 17 18 19 20 Figura 5 Vantanea contracta Urb. (amostra n.° 3679) Seção transversal (10x) Seção radial (50x) Seção tangencial (50x) Figura 6 Vantanea cupularis Huber (amostra n.° 4714) Seção transversal (10x) Seção tangencial (50x) Seção transversal (50x) Seção radial (50x) 112 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37(62): 91-114, jan./jun. 1985 SciELO/JBRJ Seção radial (50x) Figura 7 Vantanea guianensis Aubl. (amostra n.° 2050) Seção transversal (50x) Seção transversal (10x) Seção tangencial (50x) Rodriguósia, Rio de Janeiro, 37(62): 91-114, jan./jun. 1985 113 SciELO/JBRJ .3 14 15 16 17 18 19 114 Rodriguésia. Rio de Janeiro. 37(62): 91-114, jan./jun. 1985 cm 1 SciELO/JBRJ .3 14 15 16 17 18 19 Figura 8 Vantanea macrocarpa Ducke (amostra n.° 656) Seção transversal (50x) quando couber (as abreviaturas deverão seguir as normas do Botânico-Periodicum-Huntianum-B-P-H e sublinhadas); número do volume sublinhado; número do fascículo ou parte, se houver, dentro de parêntesis; dois pontos, após o volume ou fascículo e a seguir o número de páginas; estampas e figuras, se houver. Exemplos: ANDREATA, R. H. P. 1979. Smilax spicata. Vell. (Smila- caceae). Considerações taxonômicas. Rodriguésia 37(50):1 05-1 1 5, 6 est. ARBER, A. 1920. Tendrils oi Smilax. Bot. Gaz. 59(5):438- 442, 22 est. CAPONETTI, J. D. &QUIMBY, M. W. 1 956. The comparative anatomy of certain species oi Smilax. J. Amer. Pharm. Ass. 45(1 0):691 -696. FERREIRA, M. B.; ESCUDER, C. J. & MACEDO, S. A. R. 1 982. Dieta dos bovinos pastejando em áreas de cerrado. I. Composição botânica. Arq. Esc. Veterin. UFMG 34(1 ):1 53-1 65. 3) A lista de referências bibliográficas no final do trabalho deverá ser em ordem alfabética de autor, segundo os exemplos anteriormente enunciados; quando houver repetição do mesmo autor(es), o nome do mesmo deverá ser substituído por um travessão; quando o mesmo autor publicar vários trabalhos num mesmo ano, deverão ser acrescentadas por ordem de publicação as letras alfabéticas após a data. 4) Quando houver citação bibliográfica no texto, deverá ser mencionado apenas o sobrenome do autor e a seguir o ano de publicação, entre parêntesis. Observações — Os nomes científicos dos táxons deverão seguir as normas do Código Internacional de Nomenclatura Botânica em sua última edição. Os nomes dos gêneros, táxons infragenéricos, específicos e infra-específicos deverão ser grifa- dos em todo o texto do trabalho. Nos trabalhos taxonômicos, no material examinado, os no- mes dos países deverão vir em caixa alta, seguidos dos res- pectivos materiais estudados. Um parágrafo deverá separar a coleção estudada de um país para outro. Os países deverão obedecer a seguinte disposição: MÉXICO; GUATEMALA; EL SALVADOR; HONDURAS; NICARÁGUA; COSTA RICA; PANA- MÁ; CUBA; JAMAICA; HAITI; REPÚBLICA DOMINICANA; POR- TO RICO; Ilhas das Antilhas, como BARBADOS, GRANADA, etc.; GUIANA FRANCESA; SURINAME; GUIANA; VENEZUELA; CO- LÔMBIA; EQUADOR; PERU; BOLÍVIA; BRASIL (os estados e territórios brasileiros seguirão a ordem: Acre-Amazonas-Ro- raima-Rondônia-Pará-Amapá (R. Norte); Mato Grosso-Goiás- Distrito Federal-Mato Grosso do Sul (R. Centro-Oeste); Mara- nhão-Piauí-Ceará-Rio Grande do Norte-Paraíba-Pernambuco- Alagoas-Sergipe-Bahia (R. Nordeste); Minas Gerais-Espírito Santo-Rio de Janeiro-São Paulo (R. Sudeste); Paraná-Santa Catarina-Rio Grande do Sul (R. Sul); PARAGUAI; URUGUAI; ARGENTINA; CHILE. As citações do material botânico devem ser detalhadas, incluindo na seguinte ordem: local, data de coleta, nome e n.° do coletor (com grifo) e sigla(s) do(s) herbário(s) entre parêntesis. Exemplos: BRASIL Rio de Janeiro: Cabo Frio, praia do Forte, 15X1914, Kuhlmann 3142 (HB, K, RB). Minas Gerais: Viçosa, 20 III 1 945, Ducke s/n.° (RB); Ouro Preto, 13 II 1 960, A. Zurlo et al. 1350 (OUPR). No caso do material examinado ser relativo apenas a locali- dades brasileiras, os estados poderão ser separados por pará- grafos e escritos em caixa alta. II) REVISTAS DO JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO Terão prioridade para publicação, os trabalhos realizados pelos pesquisadores do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, desde que aprovados pela Comissão de Publicações. a) ARQUIVOS DO JARDIM BOTÂNICO DO RlÒ DE JANEIRO — destinado à edição de trabalhos originais, de cunho técnico e/ou científico, inéditos, relativos aos diferentes ramos da botâ- nica, inclusive teses ou monografias; b) RODRIGUÉSIA — destinada à edição de trabalhos de extensão cultural, relativos preferencialmente à área da botânica, traduções ou reedição de matéria pertinente, de conhecido valor e atualidade, além de noticiário relativo àquela ciência, sendo admitida a publicação de trabalhos científicos; c) ESTUDOS E CONTRIBUIÇÕES — destinada a acolher trabalhos de caráter monográfico, relativos à botânica geral, inéditos ou não, ou reedição daquela matéria sob amplo con- ceito, de reconhecido valor e atualidade, ou de valor como elemento de comparabilidade histórica. d) BOLETIM DO MUSEU BOTÂNICO KUHLMANN — desti- nado à edição de trabalhos didáticos, ou de cunho técnico e histórico, referentes à botânica, à biografia de pesquisadores botânicos, ligados ou não ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e à história deste Jardim. e) PUBLICAÇÕES AVULSAS — destinadas a divulgar tra- balhos referentes à natureza em geral, de interesse do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. As publicações do Jardim Botânico do Rio de Janeiro serão editadas, obedecendo aos seguintes critérios: a) Arquivos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro — duas vezes por ano; b) Rodriguésia — duas vezes por ano; c) Estudos e Contribuições — sempre que houver volume de trabalho que justifique a publicação; d) Boletim do Museu Botânico Kuhlmann — sempre que houver matéria, até 4 vezes por ano; e) Publicações Avulsas — quando convenientes segundo a comissão. COMISSÃO DE PUBLICAÇÕES DO JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO cm 1 2 3 4 5 6 7 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 Sd^RDItfl BOTÂNICO RIO DE «JANEIRO Esta publicação conta com o apoio da Fundação Nacional próMemória da Secretaria de Cultura do MEC cm SciELO/JBRJ NORMAS PARA PUBLICAÇÃO DE TRABALHOS I) INSTRUÇÕES AOS AUTORES a) As revistas editadas pelo Jardim Botânico do Rio de Ja- neiro (Rodriguésia, Arquivos do Jardim Botânico do Rio de Ja- neiro, Boletim do Museu Kuhlmann, Estudos e Contribuições e Publicações Avulsas) aceitam para publicação trabalhos que di- zem respeito à Biologia Vegetal ou ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro, devendo ser de preferência originais e inéditos. b) Os manuscritos devem ser encaminhados à Comissão de Publicações do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, no se- guinte endereço: Jardim Botânico do Rio de Janeiro Rua Jardim Botânico n 9 1008 22.460 - Município do Rio de Janeiro Rio de Janeiro - BRASIL c) A aceitação dos trabalhos dependerá da aprovação da referida comissão, que respeitará a ordem da data de recebi- mento dos mesmos, pelo protocolo da secretaria da comissão. d) Os artigos serão publicados em português, ou em in- glês, espanhol, francês e alemão, quando a comissão julgar conveniente. e) Os originais devem ser entregues em três vias, sendo um original e duas cópias, datilografadas em espaço duplo, em papel ofício de boa qualidade, de 21 a 22 cm de largura, 29,5 a 33,5 cm de comprimento, com uma margem do lado esquerdo de 2,5 a 3,5 cm e do lado direito de no mínimo 1,0 cm, ou com medidas aproximadas a estas. As ilustrações (figuras, fotos, ta- belas) deverão ser numeradas progressivamente em caracteres arábicos, sendo os detalhes assinalados com letras minúsculas e as ilustrações referidas no texto (as estampas serão denomi- nadas de figuras) serão apresentadas à tinta nanquim em papel de desenho branco, em páginas separadas, obedecendo às proporções para redução, deverão ter as mesmas dimensões do corpo impresso na página, ou fração, vindo sempre indica- das a escala ou a fonte de onde foi copiada. Quanto da corre- ção das provas, os originais não poderão ser mais modificados pelos autores, sob qualquer pretexto. f) Os trabalhos a serem apresentados deverão, sempre que possível, obedecer ao seguinte roteiro: - Título; - Nome do(s) autor(es); - Resumo; - Abstract; - Introdução; - Material e métodos; - Resultados e discussão; - Agradecimentos; - Referências bibliográficas Título - deverá ser conciso e objetivo, traduzindo de ma- neira clara o conteúdo do trabalho. Deverá ser escrito com letra inicial maiúscula, as demais letras minúsculas, com exceção dos nomes próprios; os subtítulos obedecerão à mesma regra. Exemplo: Anatomia floral de Asclepias curassavica L. (Ascle- piadaceae). Nome do(s) autor(es) - os nomes deverão ser escritos com letra inicial maiúscula e as demais letras minúsculas. Abai- xo destes a indicação de suas instituições com os respectivos endereços (com exceção de catálogos, ou bibliografia de bi- bliografias, pois somente os editores ou coordenadores, ou prin- cipais autores, deverão fornecer os endereços). No caso de ha- ver instituições financiadoras ou do(s) autor(es) ser bolsista, isto deverá ser indicado em nota de rodapé. Resumo — não deverá exceder a 90 palavras e os nomes científicos genéricos e infragenéricos deverão levar dois grifos. Abstract — não deverá exceder a 90 palavras e os nomes dos táxons genéricos e específicos, ou abaixo destes, deverão levar dois grifos. Introdução, Material e métodos, Resultados e discus- são — deverão obedecer às normas dos trabalhos científicos em geral, podendo ser omitidos em trabalhos curtos sobre a descrição de táxons novos ou mudanças nomenclaturais. Agradecimentos — deverão ser restritos a poucas linhas e nos trabalhos taxonômicos não serão enumerados os nomes dos herbários, cujos encarregados cederam material por em- préstimo, sendo suas siglas indicadas nas relações do material estudado. Referências bibliográficas — estas deverão seguir às se- guintes normas: 1) No caso de livros e outras publicações avulsas citar o sobrenome do autor em caixa alta, prenome ou demais nomes abreviados; no caso de três autores citar os três, e no caso de mais de três autores citar o primeiro seguido da expressão et ai; data seguida de ponto (somente o ano da publicação); título completo sublinhado ou no caso de obras clássicas de trabalhos taxonômicos, apenas a primeira parte do título, seguido de três pontos ( — ); número da edição, se houver; local da publicação (cidade); nome do editor(a); número do volume sublinhado, quando houver; parte ou fascículo, quando houver; número de páginas e estampas ou figuras. No caso de dúvidas, seguir- se-ão as especificações aplicáveis da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Exemplos: CUTTER, E. G. 1978. Plant anatomy Part 1. Cells and Tis- sues. London. E. Arnold, 31 5 p., j|. ENGLER, H. G. A. 1878. Araceae. In: Martius, C.F.P. von; Eichler, A. W. & Urban, I. Flora Brasiliensis. . . Mün- chen, Wien, Leipzig, v. 3, part 2, p. 26-223, est. 6-52. 1930. Liliaceae. In: Engler, H. G. A. & Plantl, K. A. E. Die natürlichen pflanzenfamilien. . . 2. Aufl. Leipzig (Wilhelm Engelmann). v. 15a. p. 227-386, fig. 158-159. SASS, J. E. 1951. Botanical microtechnique. 2. ed. lowa, lowa State College Press, p. 228. URBAN, I. 1903. Smilax. In: . Symbolae antillanae seu fundamento, florae indiae occidentales. Leipzig, v. 4, p. 149-150. YOUNGKEN, H. W. 1951. Tratado de farmacognesia. Mé- xico, Editorial Atlante, 1 376 p. SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 2 ISSN 0370-6583 RODHGUÉSIA Revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro Volume 37 Número 63 Julho/Dezembro 1985 Sumário Guedes, R.R. et al. - Plantas utilizadas em rituais afro-brasileiros no Estado do Rio de Janeiro. Um ensaio etnobotânico 3 Coelho, M. A. N. - O Gênero Rinorea Aubl. (Violaceae) do Brasil. Nervação e epiderme foliares 10 Souza, A. F. R. de - Estudo Taxonômico do Gênero Pestalotiopsis Staey. (Melanconiaceae) 21 Andrade, J. C. de Neves, L. de J., & Costa, J. A. F. - Da Itapuamas (Tapuamas). Aspectos da vegetação 27 Andrews, S. - A Check-list of Arquifoliaceae of Bahia 34 Coleman, M. A. & Cunha, P. G. da - Estudo das flores de Galactia striata (Jac.) Urban 45 Menezes, E. M. de - Aspectos morfológicos e anatômicos dos órgãos vegetativos de Arachis prostrata Benth. (Leguminoseae - Papilonoideae) 49 Guimarães, E. F. & Miguel, J. R. - Trigoniaceae do Estado do Rio de Janeiro 57 Mello, L E. de - A Função do Jardim Botânico nos dias atuais 73 Rodriguésia Rio de Janeiro v.37 n.63 p.3-114 Jul/Dez. 1985 cm l SciELO/ JBRJ 13 14 15 16 17 18 Publicação do Jardim Botânico do Rio de Janeiro - Comissão de Publicações Rejan Rodrigues Guedes (Coordenadora), Elenice de Lima Costa, José Fernando A. Baumgratz, Haroldo Cavalcante de Lima e Ricardo Vieira. Ministro do Interior João Alves Presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis Fernando Cesar Mesquita Diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro Sérgio de Almeida Bruni SciELO/ JBRJ, 14 15 16 17 18 19 20 cm Plantas utilizadas em rituais afro- brasileiros no Estado do Rio de Janeiro — um ensaio Etnobotânico* Rejan Rodrigues Guedes ** Sheila Regina Profice** Elenice de Lima Costa** José Fernando A. Baumgratz** H aro Ido Cavalcante de Lima** São relacionadas 5 1 espécies botânicas pelas denominações populares utilizadas nos ri- tuais afro-brasileiros na cidade do Rio de Janeiro, acompanhadas de dados relativos à região de origem, à morfologia, ao uso nas diversas atividades populares e, quando pos- sível, também ao hábito e à distribuição no Brasil. Os problemas encontrados na meto- dologia adotada para a realização deste estudo são discutidos. * Trabalho desenvolvido para a disciplina de Etnobotânica do Curso de Pós-Graduação em Botânica do Museu Nacional do Rio de Janeiro — UFRJ e apresentado no Congresso Internacional sobre Psico terapia Folclórica, Transes Rituais e Terpsicoretranseterapia e no XXXVI Congresso Nacional de Botânica. ** Biólogos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e bolsistas do CNPq. Rua Pacheco Leão, 915. CEP. 22460 - Rio de Janeiro - RJ. Introdução Freqüentemente são encontradas re- ferências, escritas ou faladas, quanto à utilização popular de determinadas plan- tas em receitas e cerimônias para curar doenças, atrair sorte, espantar "mau-olha- do'', aumentar o vigor sexual, entre mui- tas outras atribuições. Essas plantas, com seus supostos poderes mágicos, são impor- tantes elementos nas atividades popular- mente denominadas "simpatias" — que encontram acolhida e credulidade em di- versas camadas sociais — e nos rituais re- ligiosos afro-brasileiros. 0 uso mágico das plantas — ou "er- vas", como são designadas de um modo geral no Brasil — parece estar relacionado à herança cultural dos africanos, sem que haja, necessariamente, um compromisso religioso por parte de quem as utiliza. Segundo ALBUQUERQUE (1981), no séc. XVI, com a implantação da agro- manufatura do açúcar, o escravo africano chegava ao Brasil através de trocas com os reinos de Mali e do Congo. Aportaram aqui representantes de dois grandes gru- pos lingüísticos que posteriormente cons- tituíram as nações do candomblé: o su- danês (iorubas, jejes, hauçás e minas) e o banto (angolas e cambindas). Durante a etapa colonial surgiram vá- rios movimentos de resistência negra, sen- do o chamado sincretismo religioso um dos que objetivava preservar a identidade social dos africanos. Através da reinter- pretação da doutrina católica, os negros simularam uma conversão ao catolicismo e, aparentando serem menos ameaçado- res, mantiveram seus rituais originais AL- BUQUERQUE (ib.). O mundo espiritual nas religiões de origem africana é construído, além da Trindade Divina, pelos seguintes orixás: Yemanjá, Xangô, Ogum, Oxóssi, Yansã, Oxum, Omulu, Exu e Ossayn. Este últi- mo é considerado o dono das folhas e gê- nio da medicina, recebendo, na África, o nome de Ossanyin, na Bahia, o de Ossãe, Ossaim ou Ossanha e no folclore brasi- leiro o de Caipora (PORTUGAL, s/data). Ossayn éro orixá que indica as folhas e ervas próprias para curas medicinais e mágicas das doenças. Material e Métodos 0 material botânico examinado foi coletado de duas formas distintas. Uma parte foi proveniente de excursão ao Par- que Nacional da Tijuca, acompanhados pelo Sr. Francisco Gonçalves da Silva (o "Chico Birosca", como é conhecido no bairro carioca do Horto), mateiro apo- sentado do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, pai-de-santo, filho-de-Ossayn, Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 3-9, Julho-Dez 85 3 SciELO/ JBRJ ligado à umbanda popular do Rio de Ja- neiro - que CACCIATORE (1977) defi- ne como resultado do sincretismo entre a macumba primitiva, catolicismo, espiri- tismo kardecista e ocultismo. Esse mate- rial foi herborizado, determinado e incluí- do no Herbário do Museu Nacional do Rio de Janeiro (ANEXO), acompanhado de dados relativos aos seus poderes mági- cos fornecidos pelo pai-de-santo. A outra parte do material botânico foi adquirida em casas comerciais especia- lizadas em artigos de umbanda e foi igual- mente acompanhada de dados fornecidos pelos vendedores, complementando des- ta maneira as especificações contidas nas embalagens de papelão que acondicionam o produto. Esse material foi igualmente doado ao Museu Nacional do Rio de Ja- neiro. Aristolochia spp. e Phyllanthus sp. foram apenas citadas pelo referido matei- ro, não tendo sido entretanto coletadas. Encontram-se porém listadas com base em informações colhidas anteriormente com outros mateiros. Os dados relativos ao uso dessas plan- tas na medicina popular foram obtidos com o próprio pai-de-santo e também a partir da compilação dos trabalhos de HOEHNE (1920), CRUZ (1965) e PIO CORRÊA (1926-78) e quando relativos à distribuição geográfica a partir das obras de FALCÃO et al. (1977), KUBITZKI (1971) e SCHULTZ (1943) e consultas ao herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB). Na uniformização dos termos afro- brasileiros utilizamos CACCIATORE (1977). Resultados Relacionamos a seguir, pelas designa- ções populares, as plantas estudadas, acompanhadas, respectivamente, por seus nomes científicos, família a que perten- cem e por dados relativos â morfologia, origem, uso nos rituais afro-brasileiros e nas diversas atividades populares. Quando possível são também fornecidos dados re- lativos ao hábito e à distribuição no Brasil. • Abre-caminho = Lygodium volubile Sw. (Schizaeaceae). Planta dedicada a Oxóssi, Ogum e Exu, sendo os seus fragmentos utilizados nos diversos rituais objetivando, segun- do a crendice, “endireitar a sorte" do praticante e resolver seus problemas. Planta escandente conhecida popular- mente por samambaia. Trata-se de es- pécie nativa, com ampla distribuição no Brasil e facilmente encontrada no Rio de Janeiro, crescendo nas matas de encosta. • Água-de-colônia = veja Erva de Oxum. ■ Alecrim-de-cheiro = Rosmarinus of- ficinaüs L. (Labiatae). Planta dedicada a Oxalá. Suas folhas são queimadas em defumadores para atrair boas vibrações, afastar as más e purificar os ambientes e as pessoas. Es- ta espécie é vendida nas lojas especiali- zadas em artigos de umbanda. Arbusto de flores azuis, raramente ro- xas ou alvas, originário da Europa ou Mediterrâneo. É cultivado, segundo PIO CORRÊA (ibj, para uso caseiro, em qualquer terreno seco e exposto ao sol. Possui propriedades medicinais amplamente difundidas e é considera- do excitante e tônico. Suas folhas e se- mentes possuem óleo essencial usado na perfumaria e na medicina popular contra flatulência. O chá das folhas é indicado para dores de estômago, di- gestão difícil, tosse, asma, bronquite, clorose, inapetência, nevralgias, parali- sias, infecções de rins e bexiga, histeria e nervosismo; sob a forma de banhos é usada contra reumatismo e sob a for- ma de injeções no tratamento da leu- corréia. • Alevante = Mentha piperita L. (La- biatae). Planta dedicada a Oxalá, Xangô e Exu. Suas folhas são queimadas em defuma- dores para atrair fluidos benéficos. Esta erva de flores violáceas, proceden- te da Inglaterra, é cultivada no Estado do Rio de Janeiro e vendida nas lojas de umbanda. Na medicina popular é utilizada em chás contra tosses, asma, cólicas de origem nervosa, perturba- ções estomacais, dor de cabeça, cólicas intestinais, hepáticas e nefríticas; é também um vermífugo brando. O uso externo, em forma de fricção, é feito no combate ao reumatismo. • Alfazema = Lavandula officinaüs Chaix. (Labiatae). Esta espécie é utilizada para defumar ambientes e pessoas. Apresenta hábito subarbustivo, com flores azuis ou vio- letas, sendo bastante aromática. É ori- ginária da região mediterrânica e, co- mo as duas plantas anteriores, muito cultivada para uso doméstico, sendo também encontrada nas lojas de um- banda. Suas flores secas retêm por muito tem- po seu odor e por processo de destila- ção fornecem óleo aromático de gran- de importância fiara a indústria de per- fumaria. Na medicina popular é usado como estimulante do sistema nervoso. • Alho = Allium sativum L. (Liliaceae). Os bulbilhos — ou dentes, como são popularmente chamados — são utiliza- dos em banhos de descarrego e mundi- almente na culinária. São vendidos nas feiras livres e em lo- jas de umbanda. Essa pequena erva, de folhas lineares e flores alvas ou avermelhadas, é, prova- velmente, originária da Europa, embo- ra o Oriente seja também apontado co- mo sua região de origem. Os bulbilhos, isolados ou acrescidos de outras subs- tâncias, são indicados como sudorífe- ros, febrífugos, diuréticos, antiasmáti- cos, antigripais, além de eficazes hipo- tensores, úteis nas dores de ouvido, prisões de ventre, afecções nervosas, paralíticas e reumáticas. Usado externa e internamente. • Aperta-ruão = Sob esta designação fo- ram encontradas três espécies nativas de Piperaceae, a saber: Piper gaudichaudianum Kunth., P. mollicomum Kunth. e P. truncatum Vell. As folhas são utilizadas em banhos de amaci. Planta dedicada a Xangô. P. gaudichaudianum é muito freqüente no município do Rio de Janeiro, nas restingas e matas de altitude. Ocorre desde Alagoas até Santa Catarina e ca- racteriza-se por ser planta adpresso-es- trigosa. P. truncatum ocorre em locais sombrios, em altitude, nos estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro, carac- terizando-se pelas folhas nitidamente assimétricas. P. mollicomum é um ar- busto de folhas multinérveas, com pê- los velutíneos típicos. Ocorre desde Pernambuco até Santa Catarina, nas restingas, regiões de altitude e beira de estradas ou matas. Na medicina popu- lar, esta espécie é considerada exci- tante e estomática, sendo as raízes usa- das como desobstruentes. • Arrebenta-cavalo = So/anum sp. (Sola- naceae). Planta dedicada a Exu e Obaluaiê, uti- lizada em banhos de descarrego do pes- coço para baixo. Este gênero, representado por ervas e arbustos, tem em Solanum aculeatis- simum um exemplo de seu difundido uso do combate às moléstias cutâneas e aos edemas dos membros inferiores. Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 3-9, Julho-Dez 85 cm 1234567 SciELO/ JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 Seu uso indiscriminado pode ser fatal. • Arruda = Ruta sp. (Rutaceae). Os ramos e folhas são usados em ba- nhos de descarrego nos filhos do Cabo- clo Arruda, além de serem usados em simpatias para afastar mau-olhado. Seu lenho é aproveitado na confecção de figas e amuletos protetores capazes de neutralizar feitiços, quebrantos e mau- olhado. Encontra-se com facilidade nas feiras livres e nas lojas de umbanda. Este subarbusto com flores amarelas e odor desagradável é originário do Me- diterrâneo e a crença em seus efeitos milagrosos e difundida desde a Idade Média na Grécia e Roma. Na medicina popular é considerada es- timulante, emenagoga, vermífuga, anti- reumática, além de ser usada no com- bate à clorose, paralisias, nevralgias, in- continência urinária e flatulência. A existência de princípios venenosos faz com que seu uso seja cauteloso. • Assa-peixe = Vernonia scabra Pers. (Compositae). Os ramos e folhas compõem os banhos de descarrego. Este arbusto, nativo, tem ampla distri- buição no Brasil sendo encontrado em descampados e capoeiras. Possui flores alvas, perfumadas e o mel resultante de sua floração é considerado de alto valor medicinal. • Azougue-de-pobre = veja Panacéia. • Benjoim = Styrax benzoin Dry. (Sty- racaceae). É utilizada em defumações contra ma- gia negra e para "limpar" ambientes e pessoas, sendo vendida nas lojas espe- cializadas em artigos de umbanda. Este arbusto, originário da Sumatra, tem o uso de sua resina bastante co- nhecido na medicina popular. • Canela-de-velho = Vanilosmopsis capi- tata Sch. (Compositae). Esta planta é dedicada a Obaluaiê. Tem hábito arbustivo, ramos pilosos e flores alvas dispostas em panículas. É uma espécie nativa, proveniente de Minas Gerais e Bahia, subespontânea no Rio de Janeiro e encontrada espe- cialmente em solos arenosos. • Cansação = veja Urtiga. • Chapéu-de-couro = Enchinodorus sp. (Alismataceae). Planta utilizada para afastar mau- olhado. Erva de hábito submerso, flutuante ou emergente, com flores pequenas. As espécies deste gênero são usadas contra reumatismo, artrite, sífilis, do- enças de pele e fígado; a elas são repu- tadas propriedades diuréticas, desinfla- matórias, depurativas e tônicas. É ven- dida em lojas de umbanda. Chapéu-de-napoleão = Thevetia peru- viana Sch. (Apocynaceae). Os pirênios contidos em seus frutos são usados na confecção de guias pro- tetoras para preto-velho e podem ser obtidas em lojas de umbanda. Este ar- busto nativo tem a casca cinzenta e apresenta flores amarelas. É muito usa- do como ornamental por sua folhagem e colorido de suas flores. A casca, na medicina popular, é reco- mendada nas febres e como purgativa, embora seu uso indiscriminado seja pe- rigoso pela presença de compostos tó- xicos no látex. 0 látex é usado contra dores de dentes. Os frutos são usados pelos indígenas na confecção de cola- res, braceletes e outros adornos pró- prios para ritmar suas danças. Cipó-caboclo = DaviHa rugosa Poir. (Dilleniaceae). Planta dedicada a Oxóssi sendo suas folhas usadas nos banhos de amaci e descarrego. Trepadeira de flores amarelas levemen- te perfumadas, com ampla distribuição no Brasil, ocorrendo desde o Amapá até Santa Catarina, nas matas primárias e secundárias, nos emaranhados e nas restingas. Suas folhas ásperas serviam aos antigos carpinteiros que as empre- gavam para lixar móveis. Na medicina popular as folhas são consideradas ads- tringentes e, em forma de banhos, combatem as linfatites crônicas, orqui- tes e edemas das pernas. Acredita-se possuir esta planta utilidade no com- bate à elefantíase. Comigo-ninguém-pode = Dieffenba- chia picta Schott (Araceae). As folhas compõem qs banhos de des- carrego e a planta tem o poder de que- brar feitiço e proteger pessoas e ambi- entes. É uma erva, proveniente da Amazônia, muito cultivada em jardins, cujas folhas apresentam máculas alvas, irregulares. É cáustica, venenosa e en- torpecente. Na medicina popular as folhas, após cozimento, são aplicadas em gargare- jos contra angina. Dracena = veja Piperegum-verde. Dracena rajada = veja Piperegum-verde e amarelo. • Erva-cidreira = Lippiageminata H.B.K. (Verbenaceae). Os ramos e as folhas são queimados em defumadores capazes de, segundo a crença, melhorar a mediunidade, faci- litando a incorporação da entidade. Este pequeno arbusto de flor lilás com fauce amarela, originário da América Tropical e Subtropical, é subespon- tâneo e muito cultivado em nosso país. É utilizado na medicina popu- lar como antiespasmódico, estomá- tico e emenagogo, sucedâneo da Me- ti ssa officinalis L. • Erva-de-guiné = veja Guiné. • Erva-de-jurema = Aloysia sp. (Verbe- naceae). Planta usada em banhos de descarrego e defumadores. Arbusto de flores aromáticas. Muitas espécies deste gênero são melíferas e com utilidades diversas na culinária, perfumaria e medicina popular. • Erva-de-lagarto = veja Teiú. • Erva-de-obaluaiê = Cassia occidentalis L. (Leguminosae-Caesalpinioideae). Planta utilizada em banhos de descar- rego dos filhos-de-Obaluaiê. Subarbusto, de flores amarelas, fre- qüentemente encontrado em pasta- gens, plantações e terrenos baldios. No interior é cultivada e as sementes usa- das para substituir o café. Na medicina popular suas raízes são empregadas como anti-helmínticas e suas sementes torradas são febrífugas e empregadas como sucedânea do qui- nino. É considerada também forte emenagogo e abortivo. • Erva-de-ogum = Sob esta designação foram encontradas duas espécies de Agavaceae, a saber: Sansevieria trifas- ciata Hort. ex Prain e Sansevieria guia- nensis Willd. Plantas dedicadas a Ogum. As folhas são utilizadas em banhos de descarrego. 5. trifasciata é erva originária da Áfri- ca, com folhas verdes escuras apresen- tando faixas transversais ou manchas brancas e flores esverdeadas fortemen- te aromáticas à noite. S. guianensis distingue-se da anterior pelas folhas radicantes e fibrosas. As espécies deste gênero são ampla- mente usadas em paisagismo e algu- mas, por produzirem fibras de valor comercial, são aproveitadas como têxteis. • Erva-de-oxum = Alpinia speciosa D. Dietr. (Zingiberaceae). Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 3-9, Julho-Dez 85 cm l SciELO/JBRJ. 14 15 16 17 lí 19 20 As flores e folhas compõem os ba- nhos de descarrego dos filhos-de-Oxum e podem ser obtidas em lojas de um- banda.^ Erva de até dois metros, originária das ilhas de Java, com folhas lineares e flo- res alvas, com estaminódios muito vis- tosos por sua coloração vermelha e amarela, perfumada, com brácteas ver- melhas e é freqüentemente encontra- da em jardins. • Espada-de-são-jorge = veja Erva-de- ogum. • Espada-de-santa-bárbara = veja Erva- de-ogum. • Fava-de-aridan = Tetrapleura tetrap- tera (Schum. & Thour.). Taub. (Leguminosae-Mimosoideae). O pó extraído do fruto ralado é usado nas comidas dos santos. Esta grande árvore, que freqúentemen- te atinge 25 metros de altura, possui flores amarelo-carminadas e é originá- ria da África Tropical, onde habita as florestas pluviais. Fava-de-pichulin = veja Fava-de-ari- dan. • Guiné = Petiveria tetrandra Gom. (Phytolacaceae). É considerada um axé de Oxóssi. Suas folhas são empregadas nos banhos de cabeça dos iniciados e nas cerimônias de purificação dos colares rituais (lava- gem das contas). Quando usada em de- fumadores afugenta os Eguns e Exus. Planta herbácea com característico odor de alho e flores alvas, diminutas. É originária da África e América Tro- pical e no Brasil é uma planta ruderal. Suas raízes, em infusão ou em pó, na medicina popular têm propriedades an- tiespasmódicas e abortivas. Seu uso in- discriminado provoca intoxicação, po- dendo ocasionar a morte. Os escravos conheciam estes efeitos tóxicos e por isto davam-lhe o sugestivo nome de "remédio-de-amansar-senhor". São reputadas, na cultura popular, co- mo sudoríficas, diuréticas, anti-reumá- ticas, antivenéreas e estimulante. • Guiné-caboclo = Annona aff. acuti- flora Mart. (Annonaceae). Nos rituais é usado nos banhos de sa- cudimento e seus ramos e folhas com- põem os defumadores. Árvore de aproximadamente seis me- tros com folhas ferrugíneas e flores al- vo-amareladas. Tem sua madeira — principalmente a da raiz que é amarga e com cheiro peculiar — aproveitada na confecção de figas contra mau-olhado. • Guiné-preto = veja Guiné-caboclo. • Lágrimas-de-nossa-senhora = Coix !a- crima-jobi L. (Gramineae). Planta dedicada a Vemanjá e Ossayn. As sementes são usadas na confecção de rosários e guias de preto-velho e re- comendadas para banhar os olhos, o que, segundo a crença, proporcionará o desenvolvimento da clarividência. As sementes são colocadas em uma vasi- lha com água e devem ficar expostas ao sereno, sendo retiradas antes do sol nascer, quando, então, a água ser- virá para o banho. É também utiliza- da nos rituais de iniciação na obriga- ção de cabeça. Suas folhas são apro- veitadas em defumadores. As sementes ("contas") são vendidas nas lojas de umbanda. Erva originária da índia e subespontânea em diversos estados brasileiros. As diversas partes desta planta são aproveitadas no fabrico de esteiras, trançados diversos, bracele- tes, pulseiras, cortinas, entre outras coisas. O cozimento das folhas e dos colmos em banhos é considerado na medicina popular como anti-reumático e excitante. Quando ingerida é consi- derada antiasmática e usada no com- bate à retenção urinária e afecções pul- monares, sendo esta última extensiva às sementes que são consideradas ana- lépticas, tônicas, depurativas, emolien- tes e diuréticas. Sua tintura, bem como suas infusões em forma de banhos de- belam reumatismo e reduzem incha- ções. • Manacá = Brunfelsia brasiliensis (Spreng.) Smith & Downs. (Solana- ceae). As folhas e ramos são usados em ba- nhos e podem ser encontrados nas lojas especializadas em artigos de um- banda. Planta nativa, de porte arbustivo, com flores alvas ou roxas, aromáticas e mui- to usada como ornamental. Na medicina popular são indicadas propriedades purgativas, diuréticas e emenagogas. • Mangueira = Mangifera indica L. (Ana- cardiaceae). Árvore consagrada a Ogum Xoroquê, sendo suas folhas usadas nos rituais de iniciação e nos banhos de descarrego. Esta árvore de grande porte, flores al- vacentas e fruto muito apreciado pelo seu sabor e propriedades nutritivas, é nativa da Ásia e foi trazida primeira- mente para a América e só depois in- troduzida na África. É uma planta muito utilizada ria arborização de pra- ças públicas, rodovias etc. A resina da casca é considerada, na me- dicina popular, como depurativa e seu suco, em doses fracas, é aconselhado no tratamento de diarréias crônicas. As folhas quando novas são consideradas antiasmáticas e as sementes como ver- mífugas. A seiva é aproveitada para o tratamento de hemorragia uterina, la- ringite e infecções da boca e garganta. • Milhome = Aristolochia spp. (Aristo- lochiaceae). As várias espécies deste gênero perten- cem a Oxóssi e são usadas em banhos de descarrego. Por este nome são conhecidas várias trepadeiras deste gênero, com flores vi- nosas e forte odor, geralmente, fétido. O rizoma e a raiz são usados na medi- cina popular como emenagogos, abor- tivos, tônicos, estimulantes e diaforé- ticos. É comum o uso destas partes do vege- tal nas aguardentes, por produzir um certo amargor. • Milome = veja Milhome. • Noz-de-cola = veja Obi. • Noz-moscada = Myristica fragans Hoult. (Myristicaceae). A semente ralada é usada no preparo da garrafada - à base de vinho mos- catel, uva, catuaba, maçã e outras ervas maceradas — para as festas religiosas. Árvore densa, originária da Indonésia, cujas sementes, vendidas no mercado, são usadas como estimulante gástrico, que em doses excessivas torna-se peri- goso. Porém, é na culinária que seu uso é mais difundido. • Obi = Co/a acuminata Schott. & Endl. (Sterculiaceae). O fruto é oferecido aos orixás e suas sementes são usadas para adivinhações e previsões do futuro. Árvore de frutos amarelo e aromático, originária de Angola e cultivada no Brasil. Suas sementes eram usadas pelos indí- genas africanos como mastigatório es- timulante, digestivo, reparador de for- ças e calmante da fome; considerada como poderoso tônico do coração, diurético suave, afrodisíaco e depura- dor do sangue. As propriedades da se- mente são ativas somente quando frescas e talvez, relacionado a isto, cri- ou-se o hábito de conservá-las imersas Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 3-9, Julho-Dez85 cm l SciELO/JBRJ. 14 15 16 17 lí 19 20 em sebo. No passado, a noz-de-cola — como também é conhecida — era mer- cadoria muito cobiçada pelos navegado- res portugueses e espanhóis que atra- vés do tráfico desta planta introduzi- ram na Europa o hábito de mastigá- la. • Olho-do-diabo = Ormosia arbórea (Vell.) Harms. (Leguminosae-Faboi- deae). As sementes bicolores (vermelho e pre- to) são dedicadas a Exu; possuem a propriedade de afastar a inveja e são aproveitadas, graças â sua forma, resis- tência e colorido, na confecção de co- lares, pulseiras e outros adornos que são encontrados nas lojas de umbanda. Árvore pequena com folhas 10-12 fo- lioladas com foliolos rígido-coriáceos de nervuras muito proeminentes, ocor- rendo com freqüência nas restingas e matas pluviais ao longo da costa atlân- tica brasileira. Uma outra espécie de Leguminosae, também conhecida por olho-do-diabo, encontra-se descrita a seguir. • Olho-de-pombo = Abrus precatorius L. (Leguminosae-Faboideae). As sementes bicolores (vermelho e pre- to) são igualmente dedicadas a Exu e a elas são atribuídos os mesmos poderes mágicos que a anterior. São também encontradas nas lojas de umbanda. É uma trepadeira pantropical, de flores róseas ou vermelhas, também conhe- cida por olho-do-diabo e que, segundo RIZZINI (1979), tem ampla dispersão nos trópicos e é subespontânea na res- tinga. A maceração das folhas e raízes é indicada como expectorante, útil nas afecções brônquicas e pulmonares bem como no tratamento de doenças das vias urinárias e inflamações do ventre. A ocorrência da abrina, um princípio ativo nas sementes, é tida como peri- gosa, podendo ocasionar acidentes tó- xico após sua ingestão. Entretanto, as sementes reduzidas à massa são usadas no tratamento de doenças dos olhos, sobretudo da conjuntivite. • Olho-de-boi = Dioc/ea violacea Mart. ex Benth. (Leguminosae-Faboideae). As sementes são usadas na umbanda, na confecção de guias traçadas (cru- zada e misturada) de preto-velho e Ca- boclo Boiadeiro. São consideradas amuletos contra inveja quando coloca- das atrás da porta, ao lado de um copo d'água com sal grosso. Estas sementes podem ser compradas nas lojas especia- lizadas em artigos de umbanda. Planta escandente, pilosa, com flores violáceo-purpúreas, ocorrendo desde o Pará até o Rio de Janeiro. Na medici- na popular a farinha, proveniente da maceração das sementes cruas, é con- siderada parasiticida e até formicida. • Palma = G/adiolus X hortulanos Va- leria (Iridaceae). Planta herbácea, originária da África, com caule subterrâneo e flores alvas, é muito usada em ornamentação, o que a torna muito apreciada pelos floricul- tores e, conseqüentemente, ocasiona o surgimento de numerosos híbridos. Nos rituais ornamentam gongás e de acordo com suas cores servem de ofe- renda aos orixás. • Palma branca — dedicada a Oxalá. • Palma vermelha — dedicada a Ogum. São encontradas nas floriculturas, fei- ras livres ou lojas especializadas. • Panacéia = Solanum vellozianum Dun. (Solanaceae). Planta dedicada a Xangô e Obaluaiê sendo empregada nos banhos de des- carrego. Na Bahia, onde recebe o nome de bolsa-de-pastor ou braço-de-pregui- ça, é usada nas obrigações de cabeça. Arvoreta de flores alvas, com estames amarelos é muito freqüente nas matas secundárias, ocorrendo no Rio de Ja- neiro, Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo. No Estado do Rio de Janei- ro é normalmente confundida com So- lanum pseudoquina St. Hil. Na medi- cina popular é tida como diurética, eficaz no combate à sífilis e no tra- tamento de doenças de pele e do reu- matismo. • Pinhão-roxo = Jatropha gossipiifolia L. (Euphorbiaceae). Planta utilizada em banhos de des- carrego. Provavelmente trata-se da variedade Jatropha gossypiifolia var. staphysa- grifolia Mull. Arg., pela sua ocorrência no Rio de Janeiro. Esta arvoreta ou arbusto, de flores roxas, é subespontânea ou cultivada. Possui propriedades purgativa e revul- siva, sendo empregada na medicina popular contra obstruções abdominais e no tratamento de reumatismo. • Piperegum-verde = Dracaena fragrans Ker — Gawl. (Liliaceae). As folhas são utilizadas nos rituais de iniciação de crente, quando compõem as obrigações de cabeça, nos rituais de purificação de pessoas e domicílios dos Eguns. É usada ainda como provi- dência acauteladora para tirar a mão de cabeça de mãe e pai-de-santos vivos. Esta arvoreta ou arbusto, originário da África, possui flores muito aromáticas. É utilizada como planta ornamental e na medicina popular, sob a forma de banhos e compressas, é usada no tra- tamento de reumatismo. ’ Piperegum-verde e amarelo = Dracaena fragrans var. mascara na. Planta dedicada a Logunedé e Oxuma- ré, a qual são atribuídos os mesmos poderes mágicos da anterior. Esta variedade distingue-se da anterior pela presença de listras amarelas em suas folhas. Obs.: Não tendo sido encontrado o autor da variedade, supomos tratar-se de uma variedade de horticultura. • Quebra-pedra = Phyllanthus sp. (Eu- phorbiaceae). Planta utilizada em banhos de descar- rego. Pode ser comprada nas feiras, lo- jas de umbanda ou farmácias da flora medicinal. Esta erva ruderal muito co- mum nas margens de ruas e estradas, principalmente sobre muros e calça- das, tem seu uso muito difundido na medicina popular no tratamento de infecções e doenças renais. • Raiz-de-guiné = veja Guiné. • Rosa = Rosa spp. (Rosaceae). É uma das mais antigas plantas orna- mentais, muito vendida em floricul- tura e feiras livres. Existe uma grande confusão na classificação de suas es- pécies, principalmente em relação aos híbridos naturais e artificiais. Estes arbustos de belas flores e folha- gens são originários das regiões frias e temperadas da Europa e Ásia. A extra- ção de seu óleo essencial abastece a in- dústria de perfumaria sendo, entretan- to, o valor ornamental o motivo princi- pal de seu amplo cultivo. De acordo com as suas cores, são dedi- cadas a alguns santos e usadas em ofe- rendas e ornamentação de gongás. • Rosa amarela — dedicada a Yansã. • Rosa branca — dedicada a Yemanjá. • Rosa vermelha — dedicada a Pomba- Gira (Exu feminino). • São-gonçalino = veja Teiú. • Suor-de-cavalo = veja Teiú. • Teiú = Casearia cf. silvestris Sw. (Fia- courtiaceae). Planta dedicada a Ogum e considerada poderosa na feitura de magias, não po- Rodrlguésia, Rio de Janeiro, 37(63) 3-9, Julho-Dez85 7 cm 1 SciELO/JBRJ, 14 15 16 17 18 19 20 dendo entretanto ser queimada. Arbusto de flores esverdeadas, ocor- rendo em todo o território brasileiro, É indicado, na medicina popular, para o tratamento de doenças de pele, bem como com propriedades diuréticas e diaforéticas. Na fndia e Brasil outras espécies são usadas no combate à hansenfase. • Tia-mina = Siparuna erythrocarpa DC. (Monimiaceae). Planta dedicada a Oxalá e usada em banhos de descarrego. Este arbusto de flores amarelas, ocor- rente na Serra dos Órgãos (RJ), é in- dicado na medicina popular para for- talecer a potencialidade sexual e no tratamento de tosses. • Tira-teima = Alchornea triplinervia (Spreng.) M. Arg. (Euphorbiaceae). Planta dedicada a Oxóssi e usada nos banhos de amaci. Esta árvore de flores e frutos esverdea- dos, com folhas trinérveas — um cará- ter peculiar para seu reconhecimento — é freqüente nas matas e capoeiras das encostas do Rio de Janeiro. Ocor- re desde a Amazônia até o Brasil Su- deste. • Tuia = Thuya ocidentalis L. (Cupres- saceae). Esta planta dedicada a Nanã é nativa da América do Norte e aclimatada em vários países. Árvore alta usada na medicina popular para retirar verrugas, além de ser con- siderada excitante, aromática, diaforé- tica e anti-reumática. • Urtiga = Urera baccifera Gaud. (Urti- caceae). Planta dedicada a Exu Tranca-Rua e utilizada em banhos de descarrego e la- vagem da casa de Exú. Apresenta hábito arbustivo e flores brancas ou róseas. É nativa das matas brasileiras, ocorrendo desde a Amazô- nia até São Paulo e Minas Gerais. As folhas deste arbusto, sob a forma de infusão, são usadas na medicina popular no tratamento de corrimentos vaginais e como diurético; quando fres- cas provocam empolamento cutâneo. O uso através de fricções ao longo da coluna vertebral cura paralisias. • Vence-demanda = Veja Aperta-ruão. • Vira-tempo = Solanum argenteum Dun. ex Poir. (Solanaceae). Planta utilizada em banhos de descar- rego e em defumadores. Arvoreta de flores alvas muito freqüen- te nas matas de ençosta e capoeiras do Rio de Janeiro e São Paulo. Na medi- cina popular é indicada como estomá- tica e usada contra a suspensão uriná- ria. Discussão e Conclusão As poucas informações com base cien- tífica que se dispõe sobre as plantas utili- zadas nos rituais afro-brasileiros são en- contradas nos trabalhos de HOEHNE (1920) e BASTIDE (1973). Nestes tra- balhos o principal enfoque é dado, res- pectivamente, à utilização medicinal das plantas e aos rituais propriamente ditos, encontrando-se as informações botânicas muito diluídas no contexto geral dos es- tudos realizados. Os problemas encontrados na realiza- ção de uma pesquisa envolvendo este tema não são poucos. A principal dificuldade está relacionada ao acesso às informações sobre quais "ervas" são utilizadas e quais as suas aplicações, como já citara BASTI- DE (ib.J. Segundo ele, a fé no poder má- gico de tais plantas impede que o pai-de- santo ou babalaô revele todos os seus po- deres a qualquer indivíduo curioso, uma vez que acarretaria, para o crente, a perda do "axé". Outro problema diz respeito às plantas provenientes das casas comerciais especia- lizadas em artigos de umbanda, uma vez que são, freqüentemente, muito fragmen- tadas, sendo na sua maioria constituídas por pequenos pedaços de casca, folhas e flores, dificultando sobremaneira a iden- tificação botânica. A complexidade de simbolismos en- contrada nos rituais afro-brasileiros pode ser observada: (1) na diversidade de ex- plicações sobre os poderes mágicos; (2) na pluralidade do vocabulário, fundamen- tada na origem lingüfstica e/ou no proces- so de fragmentação e posterior formação de novos grupos religiosos; e (3) na varie- dade de correlações, quando há sincretis- mo religioso entre santo e orixás, orixás e cores, orixás e obrigações, entre outras coisas. Esta complexidade dificulta uma abordagem abrangente do tema, tornan- do-se imprescindível a delimitação do gru- po religioso com o qual trabalhar-se-á, a fim de garantir a obtenção de informa- ções uniformes e precisas. A correlação entre os elementos botâ- nicos e o uso nos rituais demonstra que, de um modo geral, as raízes, cascas e fo- lhas são predominantes na composição dos banhos, as flores nas oferendas e or- namentações dos gongás e os frutos e sementes relacionados à confecção de adornos (as chamadas "guias") e amule- tos. As informações sobre a força mágica dessas plantas, freqüentemente, vêm acompanhadas pelo uso medicinal e a não observação desta associação é rara. Quanto à procedência das espécies listadas neste trabalho podemos conside- rar três casos distintos, a saber (1 ) plantas exóticas, como Cola acuminata e Petiveria tetrandra p. ex., originárias da África, que eram tradicionalmente usadas pelos ne- gros nos seus rituais; (2) plantas exóticas, originárias de outros continentes e com amplo uso popular na medicina, culinária e ornamentação, entre outras utilidades, e que foram introduzidas no Brasil pelos colonizadores e posteriormente incorpo- radas aos rituais afro-brasileiros — entre estas podemos citar o Allium sativum, La- vandula officinalis e Mangífera indica; e (3) plantas nativas incorporadas aos rituais, supostamente em substituição àqgelas usadas no continente africano. A escassez de estudos no campo da etnobotânica, principalmente no tocante aos rituais afro-brasileiros, conclama ações interdisciplinares no sentido de pre- encher os vazios existentes no entendi- mento da formação cultural brasileira. Além disso são imprescindíveis que tais estudos sejam baseados em coleta de ma- terial botânico com metodologia adequa- da, de maneira a consubstanciar cientifi- camente os dados obtidos. Abstract In this paper 51 species that are used in Afro-brasilian rituais of Rio de Janeiro are listed by their popular names. Data concerning their geographic origins and popular use are presented and, if it's possible, their habit and distribution in Brazil. The correct methodology for this type of study is discussed also. Agradecimentos À Dra. Margarete Emerich, professo- ra da disciplina de Etnobotânica, pela su- gestão do tema; à Dra. Graziela Maciel Barroso, pelo auxílio na identificação dos fragmentos e material botânico estéril; ao Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 3-9, Julho-Dez 85 cm l SciELO/ JBRJ, 14 15 16 17 18 19 20 cm Sr. Francisco Gonçalves da Silva, pela dis- ponibilidade em nos acompanhar em ex- cursão e fornecer dados relativos ao uso das plantas nos rituais e na medicina po- pular; e às pesquisadoras Lúcia Freire de Carvalho, Arline Souza de Oliveira e Luci Mendonça de Senna, pelas informações dadas sobre algumas espécies. Referências Bibliográficas ALBUQUERQUE, M.M. de. 1981. Peque- na História da Formação Social Brasi- leira. Rio de Janeiro, Ed. Graal, 2? ed„ 728 p. BASTIDE, R. 1973. Estudos Afro-Brasi- leiros. São Paulo, Ed. Perspectiva, 384 p. CACCIATORE, O.G. 1977 . Dicionário de Cultos Afro-Brasileiros. Rio de Janei- ro, Ed. Forense, 279 p. CRUZ, G.L. 1965. Livro Verde das Plan- tas Medicinais e Industriais do Brasil. Belo Horizonte, 1? ed., 2 v., 863 p., il. 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ANEXO I: Relação dos exemplares incluí- dos no herbário do Museu Nacional do Rio de Janeiro (R) acompanhados de seus respectivos números de registro. Alchornea triplinervia (Spreng.) M. Arg. -R 152.195 Alpinia speciosa D. Dietr. — R 152.206 Annona aff. acutiflora Mart. - R 152.191 Casearia aff. sylvestris Sw. — R 1 52.192 Coix lacryma-jobi L. — R 1 52.205 DaviUa rugosa Po ir. — R 152.203 Dracaena fragrans Ker. Gawl. - R 1 52.202 Jatropha gossipiifolia L. — R 152.190 Lygodium volubile Sw. - R 1 52.200 Petiveria tetrandra Gom. Piper gaudichaudianum Kunth. — R 152.196 Piper mollicomum Kunth. - R 152.198 Piper truncatum Vell. - R 1 52.197 Sansevieria trifasciata Hort. ex Prain. — R 152.201 Siparuna aff. erythrocarpa DC. — R 152.189 Solanum vellozianum Dun. - R 152.194 Tetrapleura tetraptera (Schum. & Trom.) Taub. - R 152.209 Thuya ocidentalis L. — R 152.193 Urera baccifera Gaud. — R 152.207 Vanilosmopsis capita ta Sch. - R 1 52.204 Vernonia scabra Pers. — R 152.199 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 3-9, Julho-Dez 85 9 SciELO/JBRJ 3 14 18 19 20 cm 0 gênero Rinorea Aubl. (Violaceae) do Brasil. Nervação e epiderme foliares Marcus Alberto Nadruz Coelho* No presente trabalho são focalizados os aspectos ligados à morfologia, nervação e epi- derme foliares de 12 spp. do gênero Rinorea Aubl., ocorrentes no Brasil. Com base nesses caracteres, apresenta-se uma chave para identificação das espécies. * Biólogo e Assistente Técnico da Fun- dação Nacional Pró-Memória/Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Introdução Dando continuidade aos estudos ini- ciado^ por Marquete & Dames (1974) so- bre a famflia Violaceae, apresenta-se neste trabalho características morfológicas, da nervação e epiderme foliares do gênero Rinorea Aubl. Visa-se fornecer informações auxilia- res à taxonomia, contribuir para identi- ficação das espécies, bem como servir de base para pesquisas paleobotânicas, filo- genéticas, ecológicas e outras ciências afins. Material e Métodos 0 material referente às espécies estu- dadas: R. amapensis Hekking, R. bahien- sis (Moric.) Kuntze, R. falcata (Mart.) Kuntze, R. flavescens (Aubl.) Kuntze, R. guianensis Aubl., R. macrocarpa (Mart.) Kuntze, R. neglecta Sandw., R. paniculata (Mart.) Kuntze, R. physiphora (Mart.) Baill., R. pubiflora (Benth.) Sprag. et Sandw., R. racemosa (Mart.) Kuntze e R. sprucei (Eichl.) Kuntze está represen- tado no Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RJ) e Museu Emílio Goeldi (MG). Deixou-se de estudar as espécies: R. micrantha Ule, R. juruana Ule, R. scan- dens Ule, R. maximiliani (Eichl.) Kuntze em vista de não estarem as mesmas repre- sentadas nos herbários consultados. Na diafanização das folhas empregou- se a técnica de Strittmatter (1973). As mesmas foram coradas com safra- mina hidroalcoólica a 5% e montadas em xarope de Apathy. Para o estudo das epidermes, empre- gou-se material do herbário dissociado pe- la mistura de Jeffrey (Johansen, 1940). Adotou-se Fellipe & Àlencastro (1966) para a classificação do padrão de nervação e Hickey (1974) e Rizzini (1977) para as observações do ápice e da configuração marginal. Para a realização dos desenhos que ilustram o trabalho usou-se o microscó- pio óptico Cari Zeiss com sua respectiva câmara clara em diferentes escalas de aumento. O aspecto geral da folha foi do- cumentado pelo decalque em papel vege- tal da fotografia obtida usando a prepara- ção montada com o negativo, em amplia- dor fotográfico. Deixou-se de ilustrar to- dos os aspectos de nervação devido as fo- lhas possuírem o mesmo padrão. Foram feitas fotomicrografias das epidermes com estrias epicuticulares, para melhor representá-las. Resultados 1) Nervação: 10 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 10-20, Julho-Dez 85 SciELO/JBRJ 3 14 18 19 20 No estudo da vascularização foliar das 12 espécies desse gênero encontrou- se o padrão broquidódromo (fig. 1 n9 1). As nervuras secundárias são alterna- das ou mais raramente alternas e opostas, sempre ascendentes; nervuras terciárias axiais e laterais; pseudo-secundárias estão presentes em todas as espécies, exceto em R. sprucei. Rede de nervação laxa em R. ama- pensis (fig. 1 n9 3), R..bahiensis (fig. 1 n9 6 ), R. falcata (fig. 2 n9 5), R. flaves- cens (fig. 2 n9 1), R. macrocarpa (fig. 3 n9 6 ) e R. sprucei (fig. 6 n9 6 ); densa nas demais (fig. 3 n9 1 ; fig. 4 n°. s 5 e 6 ; fig. 5 n9 5; fig. 6 n9 1 ). Na região do bordo a vascularização é anastomosada com raras ramificações em R. amapensis (fig. 1 n9 2), R. falcata (fig. 2 n9 6 ), R. fiavescens (fig. 2 n9 3), R. pa- niculata (fig. 4 n9 1) e R. pubiflora (fig. 5 n9 8 ); sem ramificações em R. bahien- sis (fig. 1 n9 8 ) e R. physiphora (fig. 5 n9 1) e com ramificações nas demais espé- cies (fig. 3 n°. s 3 e 9; fig. 4 n9 8 ; fig. 6 n°. s 2 e 8 ) . 2) Caracteres morfológicos: A) Ápice As espécies R. amapensis (fig. 7 n9 8 ), R. fiavescens, R. guianensis, R. macrocar- pa, R. paniculata e R. pubiflora (fig. 7 n9 7) apresentam o ápice acuminado; R. neglecta (fig. 7 n9 14) longamente acumi- nado a atenuado e R. sprucei atenuado; R. bahiensis obtuso (fig. 7 n9 9); e R. physiphora, agudo (fig. 7 n9 1). B) Margem R. neglecta (fig. 7 n9 2) apresenta a margem serrada; R. bahiensis (fig. 7 n9 13), R. falcata (fig. 7 n9 12), R. fiaves- cens (fig. 7 n9 10), R. macrocarpa (fig. 7 n9 11) e R. pubiflora (fig. 7 n°. s 3 e 15) levemente serrada; R. guianensis (fig. 7 n9 6 ) e R. physiphora (fig. 7 n9 5) possuem a margem levemente serrada ou crenado- serrada, e as espécies R. amapensis, R. pa- niculata, R. racemosa (fig. 7 n9 4) e R. sprucei íntegra. C) Indumento Pêlos unicelulares acompanham o curso dos feixes vasculares na epiderme abaxial em R. bahiensis e R. paniculata e revestem esparsamente ou densamente a superfície da folha em R. macrocarpa, R. neglecta, R. racemosa e R. sprucei (fig. 4 n9 11). Pêlos unicelulares em ambas as faces em R. guianensis. Ausente nas demais espécies. D) Epiderme Epiderme em ambas as faces consti- tuída de células poligonais com 4-7 lados. A epiderme abaxial possui células com paredes delgadas, retas ou levemente curvas em R. fiavescens; levemente ondu- ladas em R. amapensis, R. falcata, R. ma- crocarpa (fig. 3 n9 10), R. paniculata (fig. 4 n9 4) e R. sprucei (fig. 6 n9 10); levemente onduladas ou curvas em R. pubiflora; levemente onduladas ou on- duladas em R. guianensis (fig. 3 nQ 4) e R. neglecta (fig. 4 n9 10). Paredes es- pessas, levemente onduladas ou curvas em R. recemosa (fig. 6 n9 5), onduladas em R. physiphora (fig. 5 n9 4) e retas ou levemente curvas em R. bahiensis (fig. 1 n9 9). A epiderme adaxial é constituída de células com paredes delgadas, levemente onduladas em R. amapensis (fig. 1 n9 4) e R. sprucei (fig. 6 n9 9); levemente on- duladas ou curvas em R. macrocarpa (fig. 3 n9 7); retas em R. recemosa (fig. 6 n9 3). Paredes espessas, levemente onduladas ou curvas em R. guianensis (fig. 3 n9 2) e R. pubiflora (fig. 5 n9 7), levemente onduladas ou curvas em R. paniculata (fig. 4 n9 3); curvas em R. neglecta (fig. 4 n9 9); retas em R. falcata (fig. 2 n9 8 ), R. fiavescens (fig. 2 n9 4) e R. physiphora (fig. 5 n9 3) e retas ou curvas em R. bahi- ensis. E) Estô matos Ocorrem os tipos anomocítico e ani- socítico na superfície abaxial de todas as espécies estudadas. F) Estrias epicuticu lares Presente na epiderme abaxial ou em ambas em R. pubiflora e só na abaxial em R. amapensis, R. falcata e R. fiavescens (Foto n°. s 1 e 2). G) Esclerócitos Acompanham os feixes vasculares em todas as espécies e é terminal em R. ma- crocarpa (fig. 3 n9 8 ). H) Série cristal ífera Evidenciada, acompanhada os feixes vasculares em todas as espécies, exceto em R. fiavescens e R. guianensis. 3) Chave para identificação das espé- cies: 1 - Margem íntegra 2 Margem não íntegra 5 2 - Ápice acuminado 3 Ápice atenuado R. sprucei 3 - Epiderme abaxial com células de pa- redes delgadas; pêlos unicelulares acompanhando os feixes ou ausen- tes 4 Epiderme abaxial com células de pa- redes espessas; pêlos unicelulares re- vestindo toda a superfície. R. racemo- sa 4 - Rede de nervação densa; pêlos uni- celulares acompanhando os feixes vasculares; epiderme abaxial sem es- trias epicuticulares . . .R. paniculata Rede de nervação laxa; ausência de pêlos unicelulares; epiderme abaxial com estrias epicuticulares . . R. ama- pensis FOTO 1 : Aspecto da epiderme abaxial de Rinorea amapensis, evidenciando as estrias epicuticulares (500 X). Rodrlguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 10-20, Juiho-Dez 85 11 cm l SciELO/JBRjt 14 15 16 17 lí 19 20 FOTO 2: Aspecto da epiderme abaxial de Rinorea flavescens, evidenciando as estrias epicuticulares (500 X). 5 - Margem serradas ou crenado-serra- da 6 Margem levemente serrada 9 6 - Ápice longamente acuminado a ate- nuado (1-2,5cm de comp.) ou agudo. 7 Ápice acuminado (até 1 cm de comp.) 8 7 - Ápice longamente acuminado a ate- nuado; epiderme adaxial com células de paredes curvas R. neglecta Ápice agudo; epiderme adaxial com células de paredes retas. . . .R. physi- phora 8 - Bordo anastomosado com raras rami- ficações; epiderme abaxial com pêlos unicelulares; presença de série crista- Iffera. R. pubi flora Bordo anastomosado com ramifica- ções; pêlos unicelulares em ambas as faces; ausência de série cristalífera R. guianensis 9 - Ápice obtuso ou agudo; bordo anas- tomosado sem ramificações 10 Ápice acuminado; bordo anastomo- sado com ramificações ou ra- ras 11 10 -Ápice agudo; epiderme adaxial com paredes espessas e retas. . . ./?. physi- phora Ápice obtuso; epiderme adaxial com paredes espessas, retas ou curvas. . . . R. bahiensis 11 - Epiderme com estrias epicuticulares; ausência de pêlos unicelulares . . .12 Epiderme sem estrias epicuticulares; presença de pêlos unicelulares .../?. macrocarpa 12 - Epiderme adaxial com células de pa- redes levemente onduladas ou cur- vas R. pubiflora Epiderme adaxial com células de pa- redes retas 13 13 -Presença de série cristalífera; epider- me abaxial com células de paredes levemente onduladas . ... R. falcata Ausência de série cristalífera; epider- me abaxial com células de paredes re- tas ou levemente curvas . . R. flaves- cens Conclusão As espécies do gênero Rinorea Aubl. ocorrentes no Brasil apresentam-se homo- gêneas no tipo de nervação foliar e nas terminações vasculares simples ou múl- tiplas. Do ponto de vista taxonômico, os ca- racteres foliares, com exceção dos acima mencionados, forneceram base para a confecção de uma chave analítica, facili- tando as identificações das espécies deste gênero. Rinorea falcata segundo descrições taxonômicas apresenta o ápice falcado- acuminado (Blake, 1924), caráter que provavelmente lhe originou o epíteto es- pecífico, mas o material estudado possui ápice acuminado, entretanto convém res- saltar que dispomos apenas de 1 (uma) folha gentilmente enviada pelo Museu Goeldi (MG). Marquete & Dames (1974) citaram a presença de traqueídeos de reserva, o que não se comprovou. Abstract In this paper the author presents the study of the venation and epiderms of leaves of the 12 species of the genus Ri- norea Aubl. (Violaceae) ocurring in Bra- zil. Bibliografia BLAKE, S.F. 1924. Revision of the Ame- rican species of Rinorea. Contr. Unit. Stat. Nat. Herb. 20 ( 1 3) :491 -51 8. pl. 31-37. FELLIPE, G.M. & ALENCASTRO, F.M. M.R. de. 1966. Contribuição ao estu- do da nervação das Compositae dos cerrados I. Tribus Helenieae, Helian- theae, Inuleae, Mutisieae e Senecio- neae. An. Acad. Brasil. Cien. 38 (su- plemento) : 1 25-157, 1 32 f igs. EICHLER, A.G. 1871. Violaceae in Mar- tius. Flora Brasiliensis 13 (1): 345- 396. p. 69-80. HICKEY, I I. 1974. Classificacion de la arquitectura de las hojas de Dicotile- doneas. Boi. Soc. Arq. Bot. 16 (1-2): 1-26. Fig. 1-107. JOHANSEN, D. 1940. Plant Microtech- nique, McGraw — Hill Book Co., Inc. New York — London. 1-523 pp. ilust. MARQUETE, N.F. da S. & DAMES E SILVA, J. 1974. Violaceae da Gua- nabara. Rodriguésia 27 (39): 169- 207. est. 1-17. 1-68 figs. RIZZINI, C.T. 1977. Sistematização ter- minológica da folha. Rodriguésia 29 (42) :1 03-1 20. est. 1-3. Fig. 1-155. SANDWITH, N.Y. 1931. 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Aspecto geral da nervação; Rinorea amapensis — 2. detalhe do bordo, 3. detalhe da rede, 4. epiderme adaxial, em vista frontal, 5. terminação vascular envolvida por esclerócitos; Rinorea bahiensis — 6. detalhe da rede, 7. terminação vascular envolvida por esclerócitos, 8. detalhe do bordo, 9. epiderme abaxial, em vista frontal, 10. epiderme adaxial, em vista frontal. 14 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 10-20, Julho-Dez 85 SciELO/JBRJ. 3 14 15 16 17 18 19 20 Figura 2: Rinorea flavescens — 1. Datalhe da rede, 2. terminação vascular envolvida por escleròcitos, 3. detalhe do bordo, 4. epiderme adaxial, em vista frontal; Rinorea falcata — 5 detalhe da rede, 6. detalhe do bordo, 7. terminação vascular envolvida por escleròcitos, 8. epiderme adaxial, em vista frontal. Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 1 0-20, Julho-Dez 85 SciELO/JBRJ 1 3 14 15 16 17 18 19 20 cm Figura 3: Rinorea guianensis — 1. detalhe da rede, epiderme adaxial, em vista frontal, 3. detalhe do bordo, 4. epiderme abaxial, em vista frontal, 5. terminação vascular envolvida por esclerócitos; Rinorea macrocarpa — 6. detalhe da rede, 7. epiderme adaxial, em vista frontal, 8. terminação vascular evidencian- do escleròcito terminal, 9. detalhe do bordo, 10. epiderme abaxial, em vista frontal. 16 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37(63) 10-20, Julho-Dez 85 SciELO/JBRJ, 14 15 16 17 18 19 20 Figura 4: Rinorea paniculata - 1. detalhe do bordo, 2 terminação vascular envolvida por escleròcitos, 3. epiderme adaxial, em vista frontal, 4. epiderme aba- xial, em vista frontal, 5. detalhe da rede; Rinorea neglecta — 6. detalhe da rede, 7. terminação vascular envolvida por escleròcitos, & detalhe do bordo, 9. epiderme adaxial, em vista frontal, 10. epiderme abaxial, em vista frontal; Rinorea sprucei —11. pêlo unicelular. Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37(63) 10-20, Julho-Dez 85 17 cm l SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 ujrfQOC Figura 5: Rinorea physiphora — 1. detalhe do bordo, 2. detalhe da rede, 3. epiderme adaxial, em vista frontal, 4. epiderme abaxial, em vista frontal ; Rinorea pubiftora — 5. detalhe da rede, 6. terminaçáo vascular envolvida por esclerócitos, 7. epiderme adaxial, em vista frontal, 8. detalhe do bordo. Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 10-20, Julho-Dez 85 cm 1 2 3 4 5 6 7 SciELO/JBRJ _3 14 15 16 17 18 19 cm Figura 6: Rinorea racemosa — 1. detalhe da rede, 2, detalhe do bordo, 3. epiderme adaxial em vista frontal, 4. terminação vascular envolvida por escleròcitos, 5. epiderme abaxial, em vista frontal; Rinorea sprucei - 6. detalhe da rede, 7. terminação vascular envolvida por escleròcitos, R detalhe do bordo, 9. epiderme adaxial, em vista frontal, 10. epiderme abaxial, em vista frontal. Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 1 0-20, Julho-Dez 85 19 SciELO/JBRJ 3 14 cm Figura 7: Detalhe do ápice: 1. Rinorea physiphora, 7. Rinorea pubiflora, & Rinorea amapensis, 9. Rinorea bahiensis, 14. Rinorea naglecta; Detalhe das mar- gens: 2. Rinorea neglecta, 3. Rinorea passoura, 4. Rinorea racemosa, & Rinorea physiphora, 6. Rinorea guianensis, 1 0. Rinorea flavescens, 1 1. Rinorea macrocarpa, 12. Rinorea falcata, 13. Rinorea bahiensis e 1 5. Rinorea pubiflora. 20 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 10-20, Julho-Dez 85 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 Estudo taxonômico do gênero Pestalotiopsis Stey. (Melanconiaceae) Abigail Freire Ribeiro de Souza* Iniciando o estudo taxonômico das espécies integrantes da família Melanconiaceae, apresentamos neste trabalho o gênero Pestalotiopsis Stey., muito a fim de Pestalotia De Not., do qual se diferencia pela presença de conídios com 5 células e 2 ou 3 setas sim- ples e hialinas. Neste gênero encontramos muitas espécies parasito-facultativas ocorrendo em vá- rios tipos de substratos. Sobre diversos vegetais elas podem exercer um grau de parasi- tismo que varia de intenso a moderado. Procuramos assinalar neste trabalho apenas as espécies encontradas sobre as folhas de Angiospermae. * Pesquisadora em Ciências Exatas e da Natu- reza do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e bolsista do conselho Nacional de Desenvolvi- mento Científico e Tecnológico (CNPq). Material e Método No estudo do gênero, utilizamos ma- terial vivo e herborizado, depositado na coleção de fungos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, assim como de outras instituições nacionais e estrangeiras, obti- das por empréstimo. Para o exame microscópico retiramos as diversas partes da frutificação com o auxilio de uma agulha histológica, as lâ- minas foram montadas utilizando-se co- mo corante o lactofenol de Amann. As mensurações foram feitas com o auxílio da ocular micrométrica Zeiss. Os desenhos foram feitos com o au- xílio da câmara clara, em microscópio binocular Zeiss. Descrição do Gênero Petalotiopsis Stey. STEYAERT, R.L. Buli. Jard. Bot. Brux. 19(3) :300, 1949; STEYAERT, R.L. Darw. 1 2(2) :1 57.1 961; BATISTA Atas Inst. Mic. 352.1966. Micélio interno; manchas anfígenas, epífilas, hipófilas, cinzas, fuscas, casta- nho-escuras, castanho-claras, isoladas ou aglomeradas, suborbiculares, circulares, irregulares; acérvulos subepidérmicos, ir- rompentes, epífilos, anfígenos, castanho- escuros ou negros, convexos, suborbi- culares, subglobosos, lenticulares, raro ou abundantes, isoladas ou confluentes, com aberturas longitudinais ou irregulares; co- nídias claviformes, clavadas, fusóides, fu- siformes, 4 séptos, 5 células, as medianas escuras ou fuligíneas, as das extremidades hialinas, cônicas, cilíndricas, a superior com 2 ou 3 setas, hialinas, filiformes, a inferior com pedicelo curto ou longo. Parasitos facultativos. Espécie tipo: Pestalotiopsis guepini (Desm.) Stey. Distribuição geográfica: Cosmopolita. Descrição das espécies: Pestalotiopsis anthurii (P. Henn.) Abig. n. comb. Est. 1 — Fig. 1 = Pestalotia anthurii P. Henn. Hedw. 41:116.1902 Manchas retangulares, esparsas, anfí- genas, castanho-claras, com 1 cm de com- primento por 0,2 cm de largura; acérvulos circulares, anfígenos, subepidérmicos, irre- gulares, irrompentes, conídias clavadas, com 1 5 a 20 Mm de comprimento por 4-7 um de largura, a célula hialina superior, cônica, com três setas hialinas, a inferior hialina com pedicelo. Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 21-26, Julho-Dez 85 cm l SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 cm Est. 1 Fig. 1 — Pestalotiopsis anthurii (P. Henn.) Abig. Fig. 3 - Pestalotiopsis cycadis (Allesch.) Abig. Fjq. 4 - Pestalotiopsis dichaeta (Speg. ) Steyaert. Sobre folha de Anthurii brasiliensis E. Material examinado - Anthurii brasi- liensis E., Leg. P. Henn. n9 154 São Pau- lo. Distribuição geográfica: América do Sul; Brasil, São Paulo, Rio de Janeiro. Pestalotiopsis ceratoniae (Mau- bl.) Abig. n. comb. Est. 1 Fig. 2. = Pestalotia ceratoniae Maubl. Buli. Soc. Myc. Fr. 21:92.105; SACCARD Syll. Fung. 18:480.1906 Manchas irregulares, sempre nas mar- gens de folha, anfígenas, castanho-escu- ras, 1 a 2 cm de diâmetro; acérvulos epí- filos, gregários, subepidérmicos e irrom- pentes; confdias de fusiformes a obovais, medindo 23-20 pm de comprimento por 6-8 /im de largura as células hialinas côni- cas, 3 setas, pedicelos longos. Sobre folhas de Ceratonia siliqua L. Material examinado: Caratonia sili- qua L, Leg. Puttmans n9 532, São Paulo. Distribuição geográfica: América do Sul. Brasil, São Paulo. Pestalotiopsis cycadis (Allesch.) Abig. n. comb. Est. 2 Fig. 3. = Pestalotia cycadis Allesch. Hedw. 34: 219.1895; SACCARD. Syll. Fung. 14: 1029.1899. Manchas ausentes; acérvulos esparsos, subepidérmicos, circulares; conídias fusi- formes, medindo 26 a 17 pm de compri- mento por 6 a 8 p m de largura. Sobre folhas de Cycas sp. Material examinado — Cycas sp. Leg. A. Puttmans n9 2. 5/5/1910, Rio de Ja- neiro. Distribuição geográfica: América do Sul, Brasil; Rio de Janeiro. Pestalotiopsis dichaeta (Speg.) Stey. Est. 2 Fig. 4 STEYAERT, R.T. Buli. Jard. Bot. Brux. 19:308.1949. = Pestalotia dichaeta Speg. Anal. Mus. Nac. Buenos Aires 1 3 ( 3 ) :4 1 1 . 1910; SACCARD - Syll. Fung. 22:1220. 191 5; GUBA Myc. 24:365.1932. Manchas ausentes; acérvulos esparsos, anfígenos, subglobosos, irrompentes, ne- gros; conídias fusiformes, com . 20 a 22 pm de comprimento por 6 pm de largura, as células hialinas superiores ovais com 2 a 3 setas, a célula inferior cônica, pedi- celo membranas espessas. Sobr e Anacardium ocidentale L. Material examinado — Anacardium ocidentale L. Leg. M. Azevedo 1783. Rio de Janeiro. Distribuição geográfica: América do Sul, Brasil; Rio de Janeiro. Pestalotiopsis diospyri (Sydow.) Abig. n. comb. Est. 3 Fig. 5 ~ Pestalotia diospyri Sydow. Ann. My- col. 11:117.1913; SACCARD Syll. Fung. 25:601.1931. 22 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 21-26, Julho-Dez 85 SciELO/JBRJ, 14 15 16 17 lí 19 20 cm Manchas epffilas castanho-claras, de bordos mais escuros, irregulares com 0,5 a 1 cm de diâmetro; acérvulos circula- res, negros epífilos, subepidérmicos, ir- rompentes esparsoS ou aglomerados; coní- dios obovais, com 19 a 26,7 pm de com- primento por 7 a 8 pm de largura, as cé- lulas hialinas superiores ovais a cônicas, 3 setas longas, as hialinas inferiores cônicas, pedicelos curtos, ausentes em alguns co- nídios. Sobre folhas de Diospyros kaki L. Material examinado: Diospyros sp. Leg. Puttemans n° 194; Diospyros kaki L Leg. A. F. R. de Souza s/n. Rio de Ja- neiro. Distribuição geográfica: América do Sul; Brasil, Rio de Janeiro. Pesta/otiopsis engeniae (Th um.) Abig. n. comb. Est. 4 Fig. 6 Pestalotia eugeniae Thum. Inst. Sei. Coimb. II 27:326.1880; SACCARD Syll. Fung. 3:785.1884; GUBA Mycol. 24(4): 366.1932. Manchas anfígenas irregulares, ocor- rendo sempre nas margens do limbo, claras com margem escuras; acérvulos escuros, subepidérmicos, irrompentes; co- nídias elípticas com 16 a 23 pmde com- primento 4 a 8pm de largura, as células hialinas cônicas. Sobre folhas de Eugenia sp. Material examinado: Eugenia edulis Vell. Leg. por A. F. R. de Souza, Rio de Janeiro. Pestalotiopsis guepini (Desm.) Stey. Est. 4 Fig. 7. STEYAERT, R.L. Buli. Jard. Bot. Brux. 13:312.1949. = Pestalotia guepini Desm. Ann. Sei. Nat. 1 3(2) :1 81. 1840; SACCARD, Syll. Fung. 3:494.1884. Pestalotia sydowiana Bres. Hedw. 35: 32.1896; SACCARD Syll. Fung. 14 1027.1899: STEYAERT, Buli. Jard Bot. Brux. 19:65.1948. Pestalotia macro tricha Kleb. Mycol. Centr. 4:7.1914; SACCARD, Syll. Fung. 25:601.1931. Pestalotia rhododendri West. in sched. STEYAERT, Buli. Jard. Bot. Brux. 19: 65.1949. Manchas irregulares, claras, acérvulos pequenos, anfígenos, subglobosos, irrom- pentes, aberturas longitudinais, negros; conídias com 18 a 26 pm de comprimen- to por 6 a 8,5 pm de largura, fusóides, as células, hialinas cônicas, 2 a 3 setas, pedi- celos curtos. Sobre folhas de Camélia japonica L. Material examinado: Gaylussacia bra- siliensis Meissn. Leg. A.F.R. de Souza s/n. Rio de Janeiro. 6/8/76. Pestalotiopsis ixorae (Rangel) Bat. & Peres. Est. 5 Fig. 8. BATIS et Peres Atas Inst. Mic. Recife 3: 99.1966. = Pestalotia ixorae Rangel Boi. Agric. São Paulo 4( 1 6) :32 1.1 91 5; SACCARD, Syll. Fung. 25:605.1931. Manchas anfígenas, claras, circunda- das por uma margem mais escura, irregu- lares com 0,5 a 2 cm de diâmetro; acérvu- los anfígenos, negros, irregulares, subepi- dérmicos, irrompentes, abundantes, com aberturas longitudinais, isoladas, conídias fusiformes, com 18 a 20 pm de compri- mento por 6 a 8 pm de largura, células hialinas cônicas, 2 a 3 setas hialinas, pedi- celos longos. Est.3 Fig. 5 — Pestalotiopsis diospyri (Sydow.) Abig. Est. 4 Fig. 6 - Pestalotiopsis eugeniae (Thum.) Abig. Fig. 7 - Pestalotiopsis guepini (Desm.) Stey aert E =i i n CM Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 21-26, Julho-Dez 85 23 SciELO/JBRJ 1 3 14 15 16 17 18 19 20 cm Pestalotipsis lucumae (Tehon.) Leg. Rangel n9 75, Estado do Rio de Ja- Abig. n. comb. Est. 6 Fig. 11. neiro 25/6/1913. Sobre folhas de Ixora odorata Hook. Material examinado: Ixora odorata Hook. Leg. A.F.R. de Souza s/n. Rio de Janeiro. Pestalotiopsis leprogena (Speg.) Stey. Est. 5 Fig. 9. STEYAERT, R.L. Darw. 1 2(2) :1 59.1 961 . = Pestalotia leprogena Speg. Anal. Mus. Nac. B. Aires 23:1 1 9.191 2; SACCARD, Syll. Fung. 25:604.1931; GUBA Phy- top. 12.216.1929. Manchas anfígenas, irregulares de margens angrossadas, com 1 a 3 cm de diâmetro, claras; acérvulos subepidérmi- cos, irrompentes, negros, anfígerios, es- parsos; conídias fusóides com 1 5 a 21 pm de comprimento por 6 a 9 pm de largura as células hialinas cônicas, 2 a 3 setas, pe- dicelos curtos. Sobre folhas e frutos de Musa sapien- tum L. Material examinado: Musa sapientum L. ( Leg. por José de Almeida s/n. Rio de Janeiro. Pestalo tiopsis longi-aristata ( Mau- bli.) Abig. n. comb. Est. 6 Fig. 10 . = Pestalotia longi-aristata Maubl. Buli. Soc. Myc. Fr. 21 32.1905; SACCARD, Syll. Fung. 18:478.1906. Manchas anfígenas, circulares, acrá- ceas; acérvulos epífilos, subepidérmicos, irrompentes, negros, numerosos; conídios subfusiformes, com 16 a 20 pm de com- primento por 8 a 10 pm de largura, cé- lulas hialinas cônicas, 2 a 3 setas, pedice- los ausentes. Sobre folhas de Eriobotrya japonica Lindl. Leg. A. Puttmans n9 277. Minas Gerais. 24/3/1911. = Pestalotia Lucumae Tehon. Bot. Gaz. 67 508.1919; SACCARD, Syll. Fung. 25:606.1931. Manchas epífilas, claras, irregulares, de bordos mais escuros, com 0,5 a 2 cm de diâmetro; acérvulos, subepidérmicos, irrompentes, negros, numerosos, isolados, epífilos, circulantes; conídias fusóides a elíticas fusiformes, com 12 a 18pm de comprimento por 4 a 6 pm de largura, as células hialinas superiores ovais, as infe- riores cônicas, pedicelos ausentes em al- gumas conídias. Sobre folhas de Lucuma multiflora A. DC. Material examinado: Lucuma cainito DC. Leg. Puttmans n9 595, São Paulo. Pestalotiopsis mangiferae (P. Henn.) Stey. Est. 7 Fig. 12. STEYAERT, R.L. Buli. Jard. Bot. Brux. 19(3) :320.1 949. = Pestalotia mangiferae P. Henn. Ann. Mus. Bot. Cong. 2:102.1907; SAC- CARD, Syll. Fung. 22:1223.1913; STEYAERT, R.L. Buli. Jard. Bot. Brux. 19:173.1948. Manchas irregulares, circulares a an- gulares, cinzas claras, marginadas por li- nhas mais escuras; acérvulos hipófilos, subepidérmicos, irrompentes, lenticulares, escuros, medindo 17 a 24 pm de com- primento por 5 a 8pm de largura, células hialinas cônicas, 2 a 3 setas, pedicelos cur- tos. Sobre folhas de Mangifera indica L. Material examinado : Mangifera indica L. Leg. Aliança São Paulo; Mangifera in- dica L. Leg. W. A. Cavalcante - Ipojuca, Pernambuco 9/8/78; Mangifera indica L. Pestalotiopsis palmarum (Cke.) Stey. Est. 7 Fig. 13. STEYAERT, T.L. Buli Jard. Bot. Brux. 19(3) :322.1 949. = Pestalotia palmarum Cke. Grav . 5: 101.1877; SACCARD, Syll. Fung. 3:796. 1884. Acérvulos anfígenos, subepidérmicos, irrompentes, esparsos, escuros, circulares; conídios elíticosa fusiformes, com 11 pm de comprimento por 7 a 9 pm de largura, as células hialinas cônicas, 2 a 3 setas, pe- dicelos curtos. Sobre folhas de Cocos nucifera L. Material examinado: Areca rubra Hort. Leg. por Puttemans n9 619, São Paulo; Levistona chinensis R. Br. Leg. Por J. Huber n9 20415 Para 6/1899; idem n9 20416 Para 16/4/1901; idem n9 20418 Para 16/4/1900. Pestalotiop Jii (Pat.) Abig. n. comb. Es Fig. 14. = Pestalotia psidii Pat. Buli. Soc. Myc. Fr. 11:232.1895; SACCARD, Fung. 14:1025.1899. Manchas claras, anfígenas, irregula- res, 3 a 4 cm de diâmetro; acérvulos, ne- gros subepidérmicos, gregários ou separa- dos, irrompentes; conídios subelevados, com 18,8 a 24,3 pm de comprimento por 4 a 8 pm de largura, as células hialinas cô- nicas, 2 a 3 setas, pedicelos curtos. Sobre folhas de Psidium guajava L. Material examinado: Psidium guajava L. Leg. A.F.R. de Souza s/n. 19/6/82, São Gonçalo, Estado do Rio. Fig. 8 — Pestalotiopsis ixorae (Rangel) Bat. & Peres. Fig. 9 —Pestalotiopsis leprogena (Speg.) Steyaert. E n m CM Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 21-26, Julho-Dez 85 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 Est.6 Fig. 10— Pestalotiopsis longi-aristata (Maubl.) Abig. Fig. 1 1 — Pestalotiopsis lucumae (Tehon) Abig Fig. 12 — Pestalotiopsis mangiferae (P. Henn.) Steyaert. Pestalotiopsis puttemans (P. Henn.) Abig. n. comb. Est. 8 Fig. 15 = Pestalotia puttemans P. Henn. Hedw. 41:115.1902; SACCARD Syll. Fung. 18 (7): 479. 1906 Manchas anfígenas, cinzas claras de bordos escuros com 17 cm a 2 cm de diâmetro; acérvulos circulares, negros, subepidérmicos, irrompentes, anfígenos, esparsos; conídias subclavadas a fusóides, 12 a 15 /im de comprimento por 4 a 5 prn de largura, as células hialinas cônicas, 2 a 3 setas, pedicelos ausentes. Sobre folhas de CameUia japonica L. Material examinado: CameUia japoni- ca L. Henning n° 147, São Paulo; Camei- I ia japonica L. Leg. Henning, n9 520. Pestalotiopsis rapanea (Viegas) Abig. n. comb. Est. 8 Fig. 16. — Pestalotia rapanea Viegas. Brag. 7:21. 1946. Manchas anfígenas, circulares ou sub- circulares, com 1 a 3 cm de diâmetro, se- paradas ou aglomeradas, claras; acérvulos anfígenos, subepidérmicos, esparsos, cir- culares, irrompentes, negros; conídias na- viculares, as células hialinas cônicas, 2 a 3 setas, filiformes, pedicelos longos. Sobre folhas de Rapanea sp. Material examinado: Rapanea sp. Leg. Puttemans, Horto Botânico de São Paulo, 4/2/1901. Pestalotiopsis sapotae (Henn.) Abig. n. comb. Est. 9 Fig. 17. = Pestalotia sapotae Henn., Hedw. 48: 17.1908; SACCARD, Syll. Fung. 25: 606.1931. Manchas anfígenas, com 1 a 2 cm de diâmetro, cinzas, irregulares, ocorrendo sempre nas margens do limbo; acérvulos numerosos, negros, epífilos, subepidérmi- cos, irrompentes, circulares, esparsos ou aglomerados; as células hialinas superiores ovais, as inferiores cônicas, 2 a 3 setas, pe- dicelos longos. Sobre folhas de Achras sapota L. Material examinado: Achras sapota L., Leg. Puttemans n9 1253, São Paulo 3/1905; Achras sapota L., E. Rangel. n9 59, Estado do Rio de Janeiro, 8/6/1910; Achras sapota L., Leg. A. F.R. de Souza s/n Rio de Janeiro, 29/8/1974. Pestalotiopsis versicolor (Speg.) Stey. Est. 9 Fig. 18. STEYEAERT, R.L. Jard. Bot. Brux. 19: 336.1949; Bat. et allii Atas Inst. Mic. 3: 103.1966. — Pestalotia versicolor Speg. Michelia 1: 479.1879; SACCARD, Syll. Fung. 3:790.1892; GUBA Phytop. 19:222. 1929; STEYAERT Bul. Jard. Bot. Brux. 19:184.1948. Manchas grandes, anfígenas, claras, com 3 a 10 cm de diâmetro irregulares, margens escuras; acérvulos escuros subepi- dérmicos, irrompentes, globosos, hipófi- los, escuros; conídias fusóides, com 18 a 22jum de comprimento por 4 a 8 pm de largura as células hialinas cônicas, 2 a 3 setas filiformes, pedicelos curtos. Sobre folhas de Myrtacea. Material examinado: Bromeliaceae, E. A. Lima s/n. Quipapá, Pernambuco 21/03/72. Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 21-26, Julho-Dez 85 25 cm 1 SciELO/JBRJ 1 3 14 15 16 17 18 19 20 50um cm Resumo Neste trabalho a autora apresenta al- gumas espécies e novas combinações do gênero Pestalotiopsis Stey., com descri- ções e ilustrações dos confdios. Abstract In this work the author presents some species and news combination of the Pestalotiopsis Stey., with descrip- tions and illustrations of the conidia. Bibliografia Consultada AINSWORTH, G.C. 1971, Dictionary of the Fungi. 6 S ed. London. Comonwearth Mycological Institute 547p. 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Ao Conselho Nacional de Desenvol- vimento Científico e Tecnológico (NCPq), pela bolsa concedida. Aos diretores responsáveis de herbá- rios das instituições abaixo relacionadas, pelo empréstimo de suas coleções: Herbário Hamburgense (BHG) Royal Botanic Gardens (K) Museu Paranaense Emílio Goeldi, Pa- rá. Instituto de Micologia da Universidade Federal do Recife, Pe. Fig. 18 — Pestalotiopsis versicolor (Speg.) Steyaert. 26 Rodrlguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 21-26, Julho-Dez 85 SciELO/JBRJ, 14 15 16 17 lí 19 20 cm Levantamento da vegetação das Ilhas Itapuamas (Tapuamas), Baía de Guanabara, Rio de Janeiro José Cardoso de Andrade* Léa de Jesus Neves** & José Augusto F. da Costa** Nas Ilhas Itapuamas podemos identificar quatro ambientes ecologicamente distintos: a) o dos núcleos insulares com solos incipientes, povoados por espécies características de restinga; b) o de vegetação de manguezal, rodeando aqueles núcleos; c) o topo dos grandes blocos graníticos ilhados, mas não lavados pelas marés; e d) o das faces sul e sudeste desses mesmos blocos. Procuramos identificar as etapas da sucessão no topo dos matacões graníticos; ma- peamos as comunidades de topo e da face sul de uma das rochas e inventariamos 37 táxons de angiospermas. Prof. da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. ** Museu Nacional, 20942 — Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro. Introdução Por dezenas de milhões de anos du- rante os quais a Baía de Guanabara inexis- tia, trabalhou a natureza na erosão de imenso volume de rochas, descobrindo os atuais afloramentos. A baía só começou a esboçar-se no final do Cretáceo ou mes- mo no princípio do Cenozóico, quando a costa fluminense foi talhada por grandes desabamentos que afundaram no Atlânti- co a parte oriental do continente, forman- do a Serra do Mar (LAMEGO, 1964). O processo de afogamento por águas marinhas iniciou-se por volta de 16 mil anos Antes do Presente. Desde então, vá- rias transgressões e regressões marinhas fi- zeram variar o tamanho da Baía de Gua- nabara. Sabe-se, por exemplo, que entre 6 mil e 5 mil anos AP o nível do mar esteve entre 3 a 4m acima do atual; e que há 3 mil anos AP ela já apresentava um contor- no próximo ao que hoje conhecemos (AMADOR, 1983). As Ilhas Itapuamas (Tapuamas em al- gumas cartas) de Dentro e de Fora si- tuam-se na Baía de Guanabara, Long. W. Greenw. 43° 06' 25" e Lat. S 22° 47' 30", acerca de 14 km do Centro da Cidade do Rio de Janeiro e a pouco mais de 2 km ao sul da Ilha de Paquetá. Elas são dois siste- mas de ilhotas com solos incipientes, ro- deados por blocos residuais de Granito Suruí (ELMO AMADOR — Fundação Es- tadual de Engenharia do Meio Ambiente — RJ, comunicação pessoal). É possível que as Itapuamas formas- sem duas ilhas à semelhança de outras existentes na Guanabara, como as de Pa- quetá e Brocoió e as Jurubaíbas, todas ro- deadas por matacões graníticos, que tam- bém estão distribuídos no interior de seus morros cobertos de matas. Com as trans- gressões, o terreno sedimentar teria sido erodido, restando os blocos graníticos que hoje as compõem (fig. 1 a-b). Itapuamas é um termo de origem tupinambá, aportuguesado ( ita = pedra + poanas =dedos da mão). Seria um neolo- gismo tupi com significado de âncoras (CHARLOTTE EMMERICH - Museu Na- cional, comunicação pessoal). Este trabalho tem como alvo carac- terizar as comunidades vegetais, que hoje povoam essas ilhas. Material e Métodos a) Tipo da embarcação e percurso: Utili- zamos uma beleeira que, partindo da Praça Pedro Bruno, em Paquetá, atin- gia as Itapuamas em cerca de 20 minu- tos. É importante lembrar que a região apresenta rochas que ficam submersas dependendo do nível da maré, sendo necessário redobrada cautela. Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 27-33, Julho-Dez 85 27 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 a Fig. 1 — a) Limitada pelas setas, as Itapuamas de Fora vistas a meio caminho da Ilha de Paquetá. b) Em primeiro plano um dos núcleos insulares; adiante, a seta 2 indica até onde chegou Cephalo- cereus fluminensis. "expulso" do topo da rocha por uma população de Bilbergia Tweedieana (se- ta 1). b) A escolha da Ilha: As Itapuamas de Dentro foram utilizadas nos anos 60 como colônia de nudismo. Parte de sua vegetação cedeu lugar às construções; amendoeiras e outras plantas decorati- vas foram introduzidas. 0 que mais chama atenção nesta ilha é um único exemplar de Ficus tomentella, cujas raizes abraçam uma rocha e também frondosa Clusia fluminensis com lon- gas raízes adventícias. Há muitas pitan- gueiras e pés de pita. As demais plan- tas repetem-se nas Itapuamas de Fora, exceto uma paineira e Ximenia ameri- cana. Assim sendo, devido à menor ação antrópica, orientamos nosso trabalho para as Itapuamas de Fora. Sobre uma de suas rochas (a mais de 4 m acima do nível de maré alta de sizígia) encontra- mos dois urubus próximos a dois ovos, depositados sobre solo orgânico, entre indivíduos de Cephaiocereus fluminen- sis e Clusia fluminensis, o que vem a comprovar a não interferência do ho- mem naquele ambiente, uma vez que estas aves procuram locais isolados pa- ra nidificar. c) Periodicidade das excursões: Realiza- mos visitas mensais de junho de 1984 a janeiro de 1985; e outra isolada em maio de 1986. Em algumas ocasiões fi- zemos observações semanais, em virtu- de de desconhecermos o período exato da floração das espécies. Assim mesmo, quase perdemos a de Daibergia ecasto- phyiia, como aconteceu com a de Ce- reus fernambucensis. Alguns táxons fo- ram recoletados férteis na Ilha de Pa- quetá. d) Instrumental: Além do material básico para trabalho de coleta de plantas, uti- lizamos: — Clinômetro improvisado com um transferidor em meia-lua, de 40 cm de base, invertido sobre duas hastes de madeira, presas a uma tábua; do centro do transferidor pendia um fio de prumo (fig. 2); — caniço e corta-galhos com segmen- tos encaixantes pintados de branco, separado a cada metro por anel pre- to. É recomendável que cada meio metro desta escala improvisada seja pintado de preto e branco alterna- damente; — cabo de sisal com 40cm de compri- mento e meia polegada de espessu- ra, conectado a duas escadas de ma- deira que, emendadas, atingiam 4m de altura; — um par de cordas de algodão de 1/4 de pol. com 20 m de comprimento e graduada de encarnado a cada 50 cm; — um quadrado desmotável feito de ripas, com 1 m de lado; — caixa de leite tipo "longa vida" (embalagem tetra brik). e) Tratamento e destino do material co- letado: Durante a coleta as amostras eram amarradas em feixes, numeradas, encerradas em sacos plásticos de 100 litros e prensadas ao entardecer, quan- do retornávamos a Paquetá. A presa- gem feita apenas em jornais, facilita o transporte. As cactáceas com flor ou fruto, bem como as flores da orquidáceas, foram encapsuladas em recipientes de tetra brik amarrados um contra o outro. Este material impede o transpasse dos espinhos e mantém as flores hidrata- das. Determinadas espécies como as de Guapira, Caesaipinia Bonducella e Fi- cus tomentella perdem as folhas du- rante a secagem, por isso, é essencial que os exemplares sejam imersos numa solução de álcool etílico e água 3:1, durante meia a uma hora, antes de se- rem prensados. Este processo também foi aplicado às flores suculentas das cactáceas, que devem ser hemi-seccio- 28 Rodriguésla, Rio de Janeiro, 37 (63) 27-33, Julho-Dez 85 cm 12 3 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 cm Fig. 2 — Ao lado do clinòmetro improvisado, notamos um Cephalocareus flumingnsis tombado Pelo vento. Escalado: 40 cm. nadas e cada verticilo separado um do outro por meio de papel-toalha na ho- ra de prensar. As espécies coletadas (ver tabela) fo- ram depositadas no herbário do Museu Nacional (R). f) Mapeamento: Marcamos os matacões com tinta a óleo preta, para facilitar as coletas periódicas e eleger aquela em que seriam relizados os mapeamen- tos. A fig. 4a mostra a rocha escolhida. Ela possui uma inclinação de 10° em direção ao observador. O retângulo é, na verdade, a área de 8 x 8 m de fig. 6, delimitada em campo com o cabo gra- duado e percorrida com o quadrado de ripas. A face sul (oposta a que é vista em 4a) é, do nfvel da maré alta até meio metro do topo, um paredão vertical de 4 m, resultante do fendilhamento da rocha de alto a baixo, e do progres- sivo afastamento das partes. A boca da fenda a Leste é de 2,10 m, estreitan- do-se a 70 cm a Oeste. Neste paredão, o mapeamento foi feito estendendo-se paralelamente os dois cabos graduados a 1 m um do outro e descendo o qua- drado de ripas a cada metro (fig. 7). Aspectos da Vegetação 1 — Núcleos insulares: Nos solos incipien- tes dos núcleos insulares, quase ao ní- vel das marés mais altas, encontramos espécies de restinga rodeadas por ou- tras de manguezal (fig. 1b). Aqui faremos algumas observações sobre quatro táxons: — Caesalpinia Bonducella: É escan- dente e possui flores amarelas. Devido aos espinhos é praticamen- te impossível coletá-la sem luvas apropriadas. Suas sementes pare- cem bolas de gude acinzentadas e os frutos secos, ainda presos è planta, apresentam formigas. Esta espécie sofre influência das marés altas, responsáveis pela dispersão das sementes. — Dalbergia ecastophylla: Pequena árvore. Sofre ação direta das marés altas. Convém observar a floração semanalmente, a partir de novembro. — Scutia arenicola: Encontramos apenas 1 exemplar em Itapuamas de Fora, representado por um arbusto viçoso com aproximada- mente 1,80 m de altura, formando uma moita com Cereus fernambu- censis. Em Itaóca foi encontrada com certa abundância. A cactácea, entretanto, só foi recoletada na Ilha das Folhas, próximo a Pa- quetá. — Ximenia americana: Encontrada em Itapuamas de Dentro junto a Guapira nitida, recebendo direta- mente as águas das marés altas. Em Paquetá pode ser encontrada entre a Praia da Imbuca e a dos Frades, e só neste local. Suas flores são extremamente aromáti- cas. 2 — Faces sul e sudeste dos blocos graní- ticos: Este microecossistema possui uma vegetação característica, que recebe menos insolação direta e pro- vavelmente mais umidade dos ven- tos que sopram em sua direção (figs. 3 & 7). Almofadas de musgos com espéci- mens de Doryopteris colina foram en- contradas entre indivíduos de Cepha- locereus fluminensis, onde a rocha apresenta pouca ou nenhuma declivi- dade. Nos paredões íngremes os táxons característicos são: - Brassavola tuberculata: Orquidá- cea de flores alvas e suavemente aromáticas. A planta adere-se for- temente ao substrato quando isolada ou formando população em paredões verticais; e frouxa- mente quando entre indivíduos de Tillandsia stricta e Polypodium lanceolatum. Numa área de 25 x 45 cm contamos 266 indivíduos (considerando como tal, cada par folha/raiz). A reprodução vegeta- tiva é muito eficiente. — Polypodium lanceolatum: Foi en- contrada em declividade de 50°. Desenvolve-se em direção ao mar, sendo o seu crescimento limitado pelos respingos das marés altas (veja as três setas na fig. 3a). Seu sistema de fixação entrelaça-se de tal forma que pode cobrir todo o substrato. — Tillandsia stricta: Esta bromeliá- cea predomina nos paredões verti- cais. Isolada ou em grupos, ade- re-se fracamente ao substrato. Re- produz vegetativamente com efi- ciência. Numa área de 20 x 40 cm contamos 45 indivíduos (conside- rado com» tal, cada roseta). Suas sementes são dispersas pelo vento. 3 — Topo das rochas: Sem serem atingi- dos diretamente pelo mar, estes mi- croecossistemas apresentam uma fló- rula diferente daquela encontrada nos paredões sul e sudeste. As comu- nidades ao evoluírem em complexi- dade, no decorrer do tempo, "cami- Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 27-33, Julho-Dez 85 29 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 Fig. 3 — a) Aspecto da vegetação na fase sul da rocha; as três setas menores indicam a limitação im- posta pela maré, ao crescimento de Polypodium lanceolatum (PC). Assinalamos também; Brassa- vota tuberculata (Br), Tillandsia stricta (Ts) e Líquen (Li), b) À esquerda (face SE) temos popula- ção de B. tuberculata em flor; à direita, uma comunidade clímax, com Selenicereus setaceus (Se) sobre Clusia fluminensis (CÊ). Escala 1 m. nham" sobre o substrato, deixando um rastro de solo orgânico. Cinco tá- xons podem ser característicos desse habitat: Cephalocereus fluminensis, Pilosocereus arrabidae, Biibergia Tweedieana, Clusia fluminensis e Selenicereus setaceus (figs. 3, 4 & 6). As Angiospermas pioneiras nos blo- cos graníticos são as cactáceas Ceph. fluminensis e P. arrabidae, que ger- minam a partir de uma simples frin- cha de esfoliação da rocha (figs. 4b & 5a-b). Quando atingem certa altura, tombam com o vento (fig. 2), erguen- do-se novamente pela continuação do crescimento apical e pela emissão de brotos laterais no caule prostrado. Em nenhum topo de rocha encon- tramos populações de B. Tweediea- na separada de Ceph. fluminensis, que parte sempre do centro para a periferia da área coberta pela brome- liácea (figs. 3b, 4, 5c & 6). A pressão da reprodução vegetativa de B. Tweedieana (contamos até 167 indivíduos em 1m 2 ) faz com que Ceph. fluminensis se projete ao mar quando atinge um paredão vertical (figs. 1b & 4a). A maturação dos frutos de B. Twe- edieana coincide em parte com a Ceph. fluminense. Suas minúsculas sementes encontram-se imersas numa mucilagem de sabor muito doce. Em Paquetá observamos que os frutos dessa bromeliácea permanecem na planta até uma fase em que se apresentam pardacentos e já com odor rançoso, características estas de quiropterocoria (PI JL, 1972). Outro dado a favor dessa hipótese é o desa- parecimento dos referidos frutos da noite para o dia. Nosmatacões graníticos das Itapua- mas, B. Tweedieana é imprescindível para o desenvolvimento das plântulas de Clusia fluminensis, as quais se uti- lizam do suprimento d 'água acumula- da na base de suas folhas-réservató- rios. Este fenômeno já foi descrito para outra bromeliácea de nossas res- tingas (CORREIA, 1983). Com o desenvolvimento de sua co- pa, Clusia fluminensis afasta as cactá- ceas e a bromeliácea de sua área de cobertura. Seus ramos já oferecem condições para que a cactácea escan- dente Selenicereus setaceus se desen- volva (fig. 3b). Tornando-se um fron- doso arbusto, num solo orgânico del- gado (cerca de 1 5 cm), tendo por bai- xo a rocha granítica, os exemplos de Clusia fluminensis não resistem aos fortes temporais de verão ou ao ven- to sudoeste de grande intensidade, e tombam sobre B. Tweedieana; logo emitem raízes adventícias que irão utilizar a água acumulada naquela bromeliácea. Considerações finais: Proposta para novos estudos A formação da comunidade clímax de topo nos matacões graníticos das Ilhas Itapuamas parece seguir as seguintes eta- pas: 19 — Germinação e desenvolvimento de Cephalocereus fluminensis a partir de uma frincha na rocha comotom- bamento dos adultos e morte das partes mais velhas; 29 — Germinação e desenvolvimento ve- getativo de Biibergia Tweedieana utilizando (?) inicialmente as condi- ções oferecidas pelo Cephalocereus fluminensis; Rodrlguésla, Rio de Janeiro, 37 (63) 27-33, Julho-Dez 85 cm 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 Rodrlguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 27-33, Julho-Dez 85 cm 1 2 3 4 5 6 7 SciELO/JBRJ Fig. 4 — a) Face Norte da rocha mapeada (figs. 6-7); o retângulo é a área de Fig. 5 — Em (a) e (b) observa-se que Cephalocereus fluminensis 8 x 8m da fig. 6. Clusia fluminensis (C£. 1) tombou e rebrotou vigorosamente (Cph) e Pilosocereus arrabidae (Pi) são pioneiros, necessitando ape- (CÜ2). As quatro setas indicam o local de acesso ao topo. No lado oposto está nas de uma frincha (f) para se estabelecerem; c) Ceph. fluminensis o paredão mapeado (fig. 7). Escala: 1 m. b) é provável que a frincha (f) tenha afasta-se da cobertura de B. Tweedieana. propiciado o estabelecimento da comunidade: Cephalocereus fluminensis (Cph), Bilbergia Tweedieana (Bil) e Clusia fluminensis (CÊ). Escala: 2m. 39 — Germinação de Clusia fluminensis sobre B. Tweedieana, aproveitando os recursos hídricos da bromeliá- cea; 49 — Utilização dos ramos de Clusia flu- minensis como suporte pela cactá- cea escandente Selenicereus seta- ceus. 0 povoamento inicial de B. Tweedie- ana (2? etapa) não ficou esclarecido. Es- taria ele condicionado ao tombamento de Cephalocereus fluminensis (fig. 2) que ao levantar o solo forneceria um anteparo de solo orgânico e raízes favoráveis à germinação de bromeliácea? Ou esta aconteceria sobre a matéria orgânica de- composta no interior das partes mortas daquela cactácea que, ainda encobertas parcialmente pela epiderme, de cutícula impermeável, conferiria um microclima ideal para desenvolvimento da delicada plântula? Ao dispersor, comum às duas plantas (morcego?), interessaria voar sobre a cac- tácea em busca de recursos alimentares. Queremos por fim lembrar que B. Tweedieana encontrada sobre barrancos ou como epífitas na Ilha de Paquetá independem de cactáceas. Na situação das Itapuamas, porém, já não temos tal certe- za. As questões que permanecem são: — Quais as exigências ecofisiológicas de B. Tweedieana para germinar? — B. Tweedieana depende de Cephaloce- reus fluminensis para germinar sobre os áridos matacões das Itapuamas? De que maneira? No que se refere à vegetação dos pare- dões sul e sudoeste, investigaremos no fu- turo quais as adaptações morfológicas que possibilitaram aos três táxons tão distin- tos, como Brassavola tuberculata, Poly- podium lanceolatum e Tillandsia stricta, viverem sob as mesmas condições micro- climáticas. Agradecimentos Manifestamos nossa gratidão aos cola- boradores: Mestre-Arrais Benigno de Souza Costa; aos Professores André A. dos Santos, Charlotte Emmerich, Elmo Amador, Janie Garcia e Julie Nàgle; e aos Srs. Alberto Rolemberg e Francisco Sant'Anna. Summary The Inner and Outer Itapuamas (=Ta- puamas) Islands are situated in the Gua- nabara Bay, at 43° 06' 25" Greenwich Longitude and 22° 47’ 30" Latitude, in Rio de Janeiro. They consist of twoi Sys- tems of islets with incipient soil, surro- unded by residual blocks of Suruí Granite. Fig. 6— Quadrat no topo da rocha (flg. 4a). Clusia fluminensis : copa mais ou menos densa ; tronco tombado ; Bilbergia T weediean a |.« ;;y | ; Pilosocereus arrabidae ]Q QQ| ; Cuapira nitida \ ; Cephalocereus fluminensis: ereto | Q | ; prostrado , sob Clusia brotos laterais hocd : mar In the incipient soil of the insular nuclei (N. ins.), almost at the high tidal wave levei, we find "restinga" and man- grove species. On the S/SE sides of the granitic boul- ders (F.S/SE) there is a characteristic vegetation represented by Brassavola tu- berculata, Polypodium lanceolatum and Tillandsia stricta which get less sunshine and more humidity from the winds that blow in its direction. On the summits (TR), which are worn by the weather but not reached by the sea directly, other species predominate, establishing communities which develop in complexity and in the course of time "walk" over the crystalline substratum, leaving a track of organic soil behind. Cephalocereus fluminensis and Piloso- cereus arrabidae are pioneers, needing but a crack of exfoliation to settle on top of the granitic blocks. The second stage of colonization would occur when Bilbergia Tweedieana 32 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 27-33, Julho-Dez 85 TR Fig. 7 — Transect na fade sul da rocha (fig. 4a), desde o topo (TR) até o nfvel de maré alta de sizígua (msz), ao longo de um paredão vertical (Pv). Símbolos: Brassavola t ubercu lata k/ VVl : Cephalocereus fluminensis Po~ lypodi um /anc eo/a ; Selenice reus se- taceus |/*-^| ; Tillandsia stricta |* * settles, forming vegetatively large popu- lations which involve Cephalocereus flu- minensis. This one, close to the rock, tries to escape from the covering B. Twe- edieana, emerging from the borders of the brake brush formed by this Bro- meliaceae. On Itapuamas, B. Tweedieana is never found alone but always together with Cephalocereus fluminensis. The third phase would be shown by the development of Clusia fluminensis; its plantules need the supply of water collected in B. Tweedieana. As the Clusia fluminensis grows, the B. Twe- edieana and Cephalocereus fluminensis withdraw from the shade of the overhang- ing Clusia fluminensis. With the Summer thunderstorms or the strong SW winds the bigger specimens of Clusia fali down, lifting up the thin layer of soil. Very soon Clusia takes adventitious roots, wich make use for the water supply of the B. Tweedieana. As soon as it is developped, Clusia flu- minensis offers conditions for the creep- ing Selenicereus setaceus to climb its branches. The remaining question is: Which are the eco-physiological requirements for B. Tweedieana to settle on the rocks of the Itapuamas? We are investigating two hypotheses: Whether the B. Tweedieana plantules make use of decayed organic material from the old parts of Cephalocereus, which are still partially involved in the resistent epidermis of this cactaceae specimen; or if they would germinate on the shield of organic soil and roots formed when the cactus is thrown down by the wind. Referências Bibliográficas 1. AMADOR, E. DA S. (1983), Origem e evolução paleogeográfica da Baía de Guanabara. An. Acad. Brasil. Ciênc. 55 (4): 452. 2. CORREIA, M.C.C. (1983), Contribui- ção ao estudo da biologia floral e do sistema de reprodução de Clusia flu- minensis PI. et Tr. Tese de Mestrado, X + 94p. ilustr. Museu Nacional — UFRJ, Rio de Janeiro — RJ. 3. LAMEGO, A. R. (1964), O homem e a Guanabara, 408p. Ilustr. 2? ed. IBGE, Rio de Janeiro. 4. PI J L, L. VAN DER (1972), Principies of dispersai in higher plants. 162p. 2? ed. Springer-Verlag. Berlin, Hei- delberg and. New York. Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 27-33, Julho-Dez 85 33 cm l SciELO/ JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm Famílias Espécies Localização Datas, estados feno lógicos e observações Agavaceae Fourcroya gigantea Vent. N. ins. VI, 3-fl.; (V,9)-plântulas. N.v. = pita. Aizoaceae Sesuvium portulacastrum L. N. ins. VI, 3-fl. Amaranthaceae Philoxerus portulacoides St. Hil. N. ins. VI, 3-fl.; XII, 19-fl. Anacardiaceae Schinus terebinthifolius Raddi N. ins. & TR VI, 3-fr. mat.; XII, 19-fr. mat.; (V,9)-fr. mat. N.v. = aroeira. Aviceniaceae Avicenia Schaueriana Stapf. et Leechman ex Moldenke N. ins. VI, 3-fl. N.v = mangue siriuba, mangue amarelo * Bílbergia Tweedieana Baker TR IX, 30-fl.; X, 24-fl/fr.; XII, 19-st. Flores verdes Bromeliaceae Tillandsia stricta Soland. F.S/SE VII, 9-fl.; XII, 19-st.; XII, 29-fl. (V,9) fl/fr. Tillandsia usneoides L. F.S/SE VI, 3-st. N.v. = barba de velho. * Cephalocereus fluminensis (Miq.) Britton et Rose TR VI, 3-st.; VI, 17-fl.; VII, 9-fr. mat.; X, 24-fl.; XII, 19-fl/fr. mat.; XII, 29-fr. mat.; 1, 13-fl. * Cereus fernambucensis Lem. N. ins. VI, 3-st. Cactaceae * Pilosocereus arrabidae (Lem.) Byles et Rowl. TR & M. ins. VI, 3-st.; X, 17-fl.; X, 24-fl/fr.; XII, 19-fr mat./ imat.; 1, 13-fl.; (V, 9) fl/fr. imat./fr. mat. * Selenicereus setaceus (S.D.) Berg. TR & N. ins. VI, 3-st.; X, 17-bot.; X, 24-bot.; XI, 2-fl.; XII, 19- fr. mat. Planta com hábito escandente. Cap paris flexuosa Vell. N. ins. VI, 3-fr.; XII, 19-fl. Capparidaceae Caparidastrum brasil ianum (DC) Hutch. N. ins. VI, 3-st.; XII, 19-st.; XII, 2-fl. em Paquetá. Celastraceae Maytenus obtusifolia Mart. N. ins. VI, 3-st.; X, 24-fl. Clusiaceae Clusia fluminensis PI. et Tr. TR VI, 3-fr. imat.; VI, 17-fr.; XII, 19-fl.; XII, 29-fl. abundantes; 1, 13-fl. Combretaceae Laguncuiaria racemosa Macbr. N. ins. VI, 3-st.; XII, 19-fr. imat. (V,9)-fl/fr. imat. N.v. = mangue branco. * Caesalpinia Bonduceiia Roxb. N. ins. VI, 3-fr. imat.; X, 24-fr. secos; XII, 19-fl. Leguminosae Dalbergia ecastophylla (L.) Taub. N. ins. VI, 3-fr. imat.; XII, 19-fr. imat/fl. final. Malpighiaceae Stigmaphyllum ciiiatum (Lam) Juss. N. ins. VI, 3-st.; X, 24-fr.; XII, 19-fl. (V,9)-fl. Trepadeira, folha cordiforme, suculenta. Malvaceae Hibiscus pernambucensis Bertol. N.ins. VI, 3-fr. mat.; XII, 19-fl. Inventário das espécies características das Ilhas Itapuamas (junho de 1984 a janeiro de 1985 e maio de 1986). Códigos: N. ms. -núcleos insulares; F.S/SE-faces das rochas voltadas para o sul ou sudeste; 77?- topo de rocha sem influência direta da maré;óof.-em botão; fl.-em flor; fr. /Vnat-frutos imaturos; fr. mat-frutos maduros; fl/fr-em flor e fruto simultaneamente; st-estérll; *-com espinhos; /Vv-nome vulgar. SciELO/JBRJ 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 cm 33 O Q. <5* c o» Ui 0 ) 5 o CL D) 3 O c_ c Malvaceae Hibiscus pernambucensis Bertol. N.ins. VI, 3-fr. mat.; XII, 19-fl. Moraceae Ficus tomente/la Miq. N. ins. VI, 3-fl/fr. Apenas 1 exemplar em 1. de Dentro. Comum em Paquetá. N.v. = figueira. Myrsinaceae Rapanea parvifolia Mez. TR VII, 9-fr. mat. Leg. perto da Ilha das Folhas. Myrtaceae Eugenia uniflora L. N. ins. VI, 3-st.; XII, 19-fl/fr. imat.; (V,9) fl/fr. imat/ /fr. mat. N.v. = pitangueira. Nyctaginaceae Guapira nítida (Mart.) Lundell. Guapira opposita (Vell.) Reitz. N. ins. & TR N. ins. X, 24-fl.; XII, 19-fl. Sob. Clusia. VI, 3-fl/fr.; X, 24-fl.; XII, 19-fl/fr. Olacaceae Ximenia americana L. N. ins. X, 24-bot. (em 1. de Dentro); XII, 24-fl. (em Paquetá); ll-fr. mat. (Paquetá). Fls. aromáticas. Orchidaceae Brassavoia tuberculata Hook F. S/SE VI, 3-fr/fl.; X, 24-fl/fr.; XII, 19-fl/fr. imat.; XX, 29-fl.; 1, 13-st.; (V,9)-fl. abundantes. Piperaceae Peperomia pereskiaefoiia (Jacq.) HBK N. ins. VII, 9-fl.; (V,9)-fl. Polypodiaceae Doryopteris colina (Raddi) J.Sm. Poiypodium brasiiiense Po ir. Poiypodium lanceolatum L. TR F.S/SE F.S/SE VI, 17-fértil IX, 30-fértil VI, 3-fértil; 1, 13-fértil Rhamnaceae * Scutia arenicola Reiss. N. ins. VI, 3-fl.; XII, 1 9-fr. imat. Rhizophoraceae Rbizopbora mangle L. N. ins. VI, 3-fl. N.v. = mangue vermelho. 1 só exemplar. Cupania sp. TR Jovem. Acidental. Sapindaceae Allophylus puberulus Radlk. TR VI, 3-st.; XI, 30-fr. imat/bot.; X, 16-bot.; X ( 24-bot.; XII, 19-fl. Sapotaceae * Bumelia obtusifolia Roem. et Schult. Mar. excelsa (DC) Miq. N. ins. VI, 3-st.; X, 10-fl.(em Paquetá). N.v. = quixaba ou quixabeira. Musgos TR Entre Cephalocereus fluminensis. íncrustantes na superfície das rochas. Líquenes F & TR Inventário das espécies características das Ilhas Itapuamas (junho de 1984 a janeiro de 1985 e maio de 1986). Códigos: N. ins . -núcleos insulares; F.S/SE - faces das rochas voltadas para o sul ou sudeste; 77?-topo de rocha sem influência direta da maré; bot.-em botão; f/.-em flor; fr. imat - frutos imaturos; fr. mat.-lwtos maduros; fl/fr-e m flor e fruto simultaneamente; sr-estéril; *-com espinhos; A/v-nome vulgar. SciELO/JBRJ 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 cm A checklist of the Aquifoliaceae of Bahia Susyn Andrews Royal Botanic Gardens, Kew Introduction Early in 1978, R.M. Harley brought me what hethought was an unusual holly; one which he had collected from the Ser- ra do Sincorá in 1974. It was totally un- like any holly I had seen before and I could find nothing quite like it among our Brazilian collections. Over the next few years I searched through other her- baria and eventually came to the conclu- sion that it must be a new species. Thus llex aurícula S. Andrews sp. nov. (1983) fired my enthusiasm for Brazilian Uex. When I was later approached to provide a checklist of Bahian Hex, I was delighted at the opportunity. The fifteen species of Uex from Ba- hia fali into four vegetation zones, ca- atinga: : seasonal deciduous thorn forest on light friable soils; campo rupestre : scattered evergreen shrubs and small trees on skeletal soils associated with rock outcrops at high altitude; cerrado : sea- sonal savanna woodland and restinga: open Coastal strand communities or scrub or occasionally closed vegetation on open sand. Five taxa occur in caatinga, ten in campo rupestre, two in cerrado and five in restinga. Uex amara var. latifolia forma ovaiifoiia has a most unusual distribution as it has been found in Coastal restinga and also caatinga. The area of highest concentration of Uex is in the Serra do Sincorá (F6) where ten taxa occur. The majority of the Bahian Uex oc- cur in the inland areas of Bahia while only five taxa are to be found along the coast. The Coastal hollies mostly, have a much larger leaf surface area compared to the inland hollies which have more coriaceous and often very small leaves. No species have so far been reported from the Coastal rainforests. The following taxa appear to be en- demic to Bahia: Uiex aurícula, Uex bian- chetii, Uex paraguariensis var. sincorensis, Uex sp. A and Uex sp. B. Of the eighteen taxa which occur in Bahia, ten are found in Minas Gerais, three in Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina and Goiás, two in Pernambuco, Espírito San- to, Rio Grande do Sul and Distrito Fede- ral and one each in Paraguay and Argen- tina. Mate is an essential beverage in South America and has been made from Uex paraguariensis, Uex theezans, Uex cono- carpa and Uex amara in Brazil as well as several other species. It would be interest- ing to know what are the economic uses, if any of the Bahia Uex. For each plant its known distribution within Bahia is recorded by coded grid square (map 1). 36 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 34-44, Julho-Dez 85 - SciELO/ JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 cm WAP i - The State of Bahia. Grid square system. Acknowledgements I wish to thank the directors of the following herbaria for sending material on loan to me: British Museum (BM), Itabuna (CEPEC), Hamburg (HBG), Mu- nick (M), New York (NY), Paris (P), Rio de Janeiro (RB), São Paulo (SP) and U.S. National Arboretum (NA). I am grateful to many of my col- leagues for their help and advice especially R.M. Harley, G.P. Lewis and SJ. Mayo. Key to taxa in Bahia (based on herbarium specimens; a mature lamina is measured unless otherwise stated). 1. Lamina with punctate dots beneath, margins serrate. 2. Lamina closely punctate beneath. 3. Fruit ovoid, 0.7 cm long. Lami- na ovate-elliptic, 4-4.6 x 2-2.5 cm. Campo rupestre only 15 — I. sp. B 3'. Fruit globose, less than 0.7 cm long. 4. Lamina elliptic, (10-) 10.7-11 x (2.6-) 3.4 x 3.7 cm ? Ca- atinga only 6 — 1. conocarpa 4'. Lamina elliptic to ovate, 4-5 x (1.5-) 2-2.3 (-2.7) cm. Coastal restinga and caatinga 26—1. amara var. latifolia forma ovalifolia 2'. Lamina rarely closely punctate beneath. 5. Lamina narrowly-elliptic to ovate, (2.1 -) 3.3-6.7 x 0.9-2.1 cm. Campo rupestre only . . . 2A — /. amara var. bahiensis 5'. Lamina elliptic-lanceolate to elliptic, occasionally broadly elliptic, (5-) 7.5-10.3 x 1.5-3 (-4.4) cm. Caatinga, (wet) campo rupestre and cerrado. . 1 — /. affinis 1'. Lamina without punctate dots beneath, rarely serrate 6. Lamina less than 3.5 cm long. 7. Lamina strongly convex above with margins strongly revolute. 4. I. aurícula 7'. Lamina not strongly convex above. 8. Peduncle of inflorescence 1.5 cm long, lamina elliptic to ovate, 3-3.8 cm long 10 — /. pseudobuxus 8'. Peduncle of inflorescence less than 1.5 cm long. 9. Lamina cordate, less than 1 cm long 14 — L sp. A 9'. Lamina not cordate. 10. Lamina crisply pubes- cent above, densely pubescent below, apex acute . .3—1. asperula var. asperula 10'. Lamina glabrous or pubescent above, gla- brous below except for the occasional haris on the midrib and veins, apex obtuse or emarginate ..11—/. pseudovac- cinium. 6'. Lamina more than 3.5 cm long, (except sometimes in /. theezans var. theezans). 11. Mature fruit ovoid, more than 0.7 cm long, lamina elliptic to oblong, (7.3-) 8-10.5 (-11.5) x (2.8-) 4-5.3 cm, apex mucronate, margins not serrate 9 - /. psammophila 1 1'. Mature fruit globose, 0.7 cm long, lamina ovate, (5-) 6-8.5 x 3.2-4.7 (-5.4) cm, apex obtuse, margins serrate 8 — /. paraguariensis var. sincorensis 11". Mature fruit globose, less than 0.6 cm long. 12. Lamina ovate to broadly ovate. 13. Petioles 1 cm long, la- mina broadly ovate to ovate, 7-10 x 4-7.9 cm . . 1 2B — /. theezans var. acrodonta Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 34-44, Julho-Dez 85 37 SciELO/JBRJ .3 14 15 16 17 18 19 20 cm 13'. Petioles up to 0.5 cm long, lamina ovate, 5.5- 7.3 x 4.5-5.5 cm 5 — 1. blanchetti 12'. Lamina elliptic or obovate. 14. Lamina densely pubes- cent beneath 13 — /. ve lu tina 14'. Lamina glabrous be- neath. 1 5. Lamina obovate, often emarginate, occasionally mucro- nate. Inland spe- cies 12A — I. theezans var. theezans 15'. Lamina elliptic, emarginate rarely serrulate, apex acu- te. Coastal species. .7 — 1. tloribunda llex L. Loesener, Monogr. Aquifol. 1, (1901), 2 (1908); Edwin and Reitz, Aquifoliáceas. Fl. Ilust. Catar. 1, (1967). About 400 species spread throughout the temperate and tropical regions of the world; of which some 150 species are said to occur in Brazil, with 15 species in Bahia. 1. Uex affinis Gardn. in Hook. Ic. PI. New Ser. 1, (1842). Syn: llex rivularis Gardn. loc. cit.; Uex apollinis Reiss. (1861); Uex affinis Gardn. var. latifolia Reiss. loc. cit.; Uex affinis Gardn. var. apollinis (Reiss.) Loes. (1901). DISTR. D5, F1/2, F6. Brazil - Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mi- nas Gerais, Paraná; Paraguay. HAB. Shrub to small tree 0.7-5 m. River margins, wet campo, cerrado and caatinga. NOTE«l have seen duplicates of Blan- chet 2922 at K, P and BM. Loesener saw duplicates from K and P as well as at several other herbaria. In Monogr. Aquifol. 1:446 (1901), he gives the locality as 'prope Bahia' but on the Herb. Benth. sheet at K (which hedid not see,» as this herbarium was kept separate at the time) is written ‘Serra Açuruá'. This species differs from Uex cono- carpa in that the leaves are not closely punctate beneath and the flowers are pubescent inside. It would be interest- ing to see more material from D5 and especially F1/2. D5: Serra Açuruá, Blanchet 2922 (K, P. BM)!; F1/2: c. 150 km SW Barreiras, 850 m, Irwin etal. 14763 (K) !. 14736 ( K) I ; F6: Below Livramento waterfall on Rio Brumado, 41° 50' W, 13° 39' S, c. 460 m. Harley et al. 19874 (K)!; SW of Mucugê on road to Cascavel, 41° 24' W, 130 oi' S, c. 950 m, Harley et al. 18823 ( K) ! ; WNW along road from Vila do Rio de Contas to Pico das Al- mas, 410 53' w, 13° 33' S, c. 1300 m, Harley et al. 19818 (K)!; 10 km N of Rio de Contas on road to the town of Mato Grosso, 41° 50' W, 13° 28' S, c. 1000 m, Harley et al. 15291 ( K) ! ; Pico das Almas, c. 1250 m, G.P. Lewis et al. CFCR 6899 ( K) ! ; exact locality unknown: Martius s.n. (M) !. 2A. Uex amara (Vell.) Loes. var. bahiensis Loes., Monogr. Aquifol. 2:292 (1908). DISTR. D6, E6, F6. Brazil — Bahia, Minas Gerais. HAB. Shrub of 1-5 m, locally very common. Campo rupestre. NOTE. To date, the type of Chomelia amara Vell., the basionym of Uex ama- ra, has not been located and the illus- tration in Fl. Flumin. 1, tab. 106, (1835) is not of sufficent quality to be identifiable. Many specimens from Goiás, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo and Paraná seen by me have been identif ied by other workers as belonging to var- ious infraspecific taxa os the Uex amara 'complex'. Several of these taxa are morphologically very similar and most show a tendancy to intergrade making identification very difficult. It may prove sensible from a taxonomic and nomenclatural point of view to treat /. amara as polymorphic, but Loeseners' variety bahiensis is recog- nised here as distinct pending further investigation. Some collections from Bahia as well as other parts of Brazil have been named /. dumosa Reiss. It is not clear that these are distinct from /. amara plus var. bahiensis. Further study of these two species is necessary before an adequate solution can be reached. D6: Morro do Chapéu, Duarte 9205 and Pereira 101 15 (K)l; E6: c. 15 km NE of Palmeiras, 1000-1200 m, Mori 12905 (N Y) 1 , 12901 (K)!; by Rio Cumbuca, about 3 km N of Mucugê on the Andara í road, 41° 21' W, 12° 59' S, c. 850 m, Harley et al. 18706 (K)l; Estrada Mucugê-Guiné a 5 km de Mucugê, Furlan et al. CFCR 1942 ( K) ! ; c. 8 km NW de Lençóis, estrada por Barro Branco, Carvalho et al. 1051 ( K) ! ; próximo ao Morro do P. Inácio, a BR-242, Lençóis, 1000 m, Harley et al. CFCR 7274 (K)!; F6: 3 km S de Mucugê na estrada que vai para Jus- siape, 1000 m, Mori and Benton 13151 (K, NA)!; 2-3 km approx. SW Mucugê on road to Cascavel, 41° 24’ W, 13° OI' S, c. 950 m, Harley et al. 18825 ( K) ! ; Serra do Sincorá, 1500 m, Ule 7083 (K)! (Type). 2B. Uex amara (Vell.) Loes. var. latifolia Reiss. forma ovalifolia (Bonpl. ex Miers) Loes., Monogr. Aquifol. 1 :460 (1901). Syn.: Uex ovalifolia Bonpl. ex Miers (1861); Uex paraguariensis St. Hil. var. latifolia Reiss. (1861). DISTR. C8, K8. Brazil — Bahia, Espí- rito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul. HAB. Shrub to 1 m in Coastal restinga. Found also in caatinga (unusual distri- bution). NOTE. This is another of the many taxa of the Uex amara 'complex' described by Loesener in 1901 and 1908. It is not so distinct as var. bahiensis and would appearto resemble var. amara. Again further study is necessary. C8: inter dumeta ad. M. Sanctum (Monte Santo), Martius s.n. (M)l (Type of Uex paraguariensis var. latifolia)-, K8: Caravelas, Lanna 1434 (CEPEC)I. 3. Uex asperula Reiss. var. asperula. Syn.: Uex asperula Reiss. (1861); Uex asperula Reiss. var. martiusiana Loes. (1901). DISTR. B7. Brazil — Bahia, Minas Ge- rais. HAB. Caatinga. NOTE. Loesener (1901) stated that this could be allied to Uex subcordata Reiss. but that the indumentum on the underside of the leaf is different and I agree with this. More flowering and fruiting material is needed. 38 Rodriguésla, Rio de Janeiro, 37 (63) 34-44, Julho-Dez 85 SciELO/ JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 B7: Joazeiro, Martius s.n. (M)! (Type of Uex asperula). 4. llex aurícula S. Andrews sp. nov. in Kew Buli. 37,(4) :681 (1983). DISTR. F6. Brazil — Bahia. HAB. Shrub of 1-3 m. Campo rupestre. NOTE. This Bahian endemic is closely related to Uex scutiiformes Reiss., llex nummularia Reiss. and llex sub- cordata Reiss. all of which occur in Minas Gerais. It is probable that the latter two species are geographical varients of a very variable species. F6: NW face of Serra de Ouro, E of Barra da Estiva-ltuaçu road, about 9 km of Barra da Estiva, approx. 41° 16' W, 13° 42' S, 1300-1500 m, Harley et al. 20882 (K)!; c. 6 km N of Barra da Estiva on Ibicoara road, 41° 18' W, 130 35' S. c. 1100 m, Harley et al. 15536 (K, CEPEC)! (Type); Estrada Barra da Estiva-Capão da Volta, a 7 km da Barra da Estiva, Giulietti et al. CFCR 1336 ( K) ! ; estrada Barra da Es- tiva-Mucugê 7 km, 41° 22' W, 13° 38' S, 1220 m, L. Coradin et al. 6382 (K)l. 5. llex blanchetii Loes., Monogr. Aquifol. 1:415 (1901). DISTR. E9. Brazil - Bahia. HAB. Shrub of 1. 5-2.5 m. A Coastal species found on dunes. NOTE. Closely related to Uex theezans Mart. ex Reiss. var. acrodonta (Reiss.) Loes. but differs by having much shorter petioles. E9: iuxta Salvador, Blanchet 1800 (BM, P)! (Type); c. 35 km NE of Sal- vador city, 3 km NE Itapoã, Morawetz 16-5978; Bairro of Itapoã, vicinity of airport. Dois de Julho, Mori et al. 14073 (N Y) I ; c. 30 km N de centro da cidade, estrada para o aeroporto, ar- redores de Itapoã, Carvalho et al. 717 (NY)!. 6. Uex conocarpa Reiss. in Mart., Fl. Bras. 11, (1):65 (1861). Syn.: Uex symplociformis Reiss. loc. cit. DISTR. D7. Brazil — Bahia, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais. HAB. ? Caatinga. NOTE. Uex symplociformis is exactly the same as Uex conocarpa and it would be interesting to see fruiting material from Jacobina. Uex pseudothea Reiss. from Minas Ge- rais appears to belong to Uex conocar- pa but further material needs to be collected. This species is characterised by the many punctate dots on the under- surfaces of the leaves, the sessile 9 racemes, unbranched 6 racemes and the glabrous insides of the flowers. D7: propre Jacobina, Blanchet 3252 (K, P) I, 3612 ( K) ! (Types of /. sym- plociformis). 7. Uex floribunda Reiss. ex Maxim, in Mém. Acad. Imp. St. Pétersbrg. Ser. 7,29,3:26(1881). Syn.: Uex floribunda Reiss. ex Maxim, var. typica Loes. (1901); Uex floribun- da Reiss. ex Maxim. var. minor Loes. (1901). DISTRI. E9, F8, G8, G8/G9, G8/H8, H8, J8, L8. Brazil — Bahia, Espírito Santo, Pernambuco, São Paulo. HAB. Usually a shrub or tree from 2- 15 m of Coastal restinga but Mori et al. 10563 occurs slightly inland on a neg- lected cocoa plantation and is a 12 m tree. NOTE. Superficially, this species could be confused with Uex cuiabensis Reiss. and Uex inundata Poepp., both of which occur in N. and C. Brazil. E9: neighbourhood of Salvador, Blan- chet 1256 (BM); F8: Enseada de Ca- mamu, c. 5 km NE da sede do Mun. Ponta do Santo, Carvalho et al. 768 (CEPEC, K), 775 (K)l; Km 11 da estra- da Ituberá/Valença: Carvalho & Plow- man 1465 ( K) ! ; Km 3-10 da Rod. Nilo Peçanha para Cairu, Santos 2659 ( K) ! ; G8: 4 km ao Sul de Maraú, Belém 3517 (NY)!; G8/G9: Maraú, Santos 2225 (K) !; G8/H8: propre lluéus et propre Una, Riedel 367 (NY)!;/yS;a 23 km ao 5 de Olivenca, Mori & Ben- ton 13247 (K)!;^5: Km 10-15 da BR- 367 Porto Seguro para Eunápolis, Eu- punino 313 ( K) ! ; L8: próx. à ponte sobre o Rio Mucuri na Rod. BR-101, Mori et al. 10563 ( K) ! ; exact locality unknown, inter Vitória et Bahia, Sello s.n. (photograph NY)!; Riedel 3380 (BM)!; Riede! s.n. (P, NY)!. 8. Uex paraguariensis St. Hil. var. sinco- rensis Loes., Monogr. Aquifol. 2:285 (1908). N.V. Chá Congonha, Congonha (Con- conha). DISTR. F6. Brazil — Bahia. HAB. Shrub 1 -3 m, of campo rupestre. NOTE. Variety sincorensis Loes. dif- fers from var. paraguariensis St. Hil. and var. vestita (Reiss.) Loes. in its broadly elliptic leaves and larger fruit, up to 1 cm in length, compared to 0.5 mm in the other varieties. However, Anderson et al. 36003 ( K) 1 and 35682 (K)l and Kuhlmann 2069 (K) ! all from Rio de Janeiro and placed under var. paraguariensis have fruit up to 0.8 mm long. F6: Serra do Sincorá, 1500 m, Ule 7082 (K, HBG)! (Type); Brejão, encos- ta da Serra do Sincorá, Lemos Fróes 20153 (K, NA, NY* U. N.B. In their paper on the typification of Uex paraguariensis St. Hil., Parodi and Grondona in Rev. Arg. Agron. 16, (4):199-204 (1949) cite St. Hilaire 1631 as the type collection. This is incorrect as St. Hilaire made 3 collec- tions all of which numbered 1631 and were collected in Curitiba, (which in 1820 was in the State of São Paulo but today is the capital of Paraná). The 3 collections were numbered as 1631 (P)l, 1631 bis (P)l and 1631 ter (P)l. Only the 1631 bis is Uex paraguarien- sis St. Hil.; 1631 ter belong to quite different families and have been de- scribed as such by St. Hilaire. Also, 1 631 bis is the only collection to come from "les bois voisins de Curitiba", the type locality. (I am indebted to Dr A Lourteig of the Paris Herbarium for providing much of the above in- formation). Variety paraguariensis has been found in Brasil — Rio de Janeiro, Mi- nas Gerais, São Paulo, Distrito Federal, Paraná, Mato Grosso, Santa Catarina, Rio Grande do Sul; Paraguay; Uru- guay; Argentina; ? Bolivia. Variety vestita occurs in Brazil — Minas Ge- rais, Paraná, São Paulo. 9. Uex psammophila Mart. ex Reiss. in Mart., Fl. Bras. 11, (1):42 (1861). N.V. Vento-Sul. DISTR. F8, G8, G9, H8, H9, J8, K8, L8. Brazil - Bahia, Espírito Santo, ? Minas Gerais. HAB. Shrub to tree of 1.5-10 m, Coastal restinga. Rodriguésla, Rio de Janeiro, 37 (63) 34-44, Julho-Dez 85 39 cm 1 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 NOTE. Hex longipetiolata Loes. from Rio de Janeiro is closely related to this species. F8: Rodovia Nilo Peçanha/Cairu, Km 4, Carvalho, Mattos Silva & Hage 402 (K)l; G8: Fazenda Guanabara. Ramal com entrada no Km 10 da Rod. Pon- tal/Olivença, Mattos Silva, Hage & Brito 1170 (K)l; Fazenda Barra do Mangui- nho. Ramal com entrada no Km 12 da Rodovia Pontal/Olivença, ca. 50 m, Mattos Silva, Hage & Brito ( K) ! ; pro- pre llheos, Riedel s.n. ( K) I ; near Ma- raú, 39° 00' W, 14° 10' S, 0-50 m, Harleyetal. 22141 (K)I;G9: 5 km SE Maraú at junction with the new road N to Ponta do Mutá, 39° 00' W, 14° 08' S, 0-50 m, Harley et al. 18503 ( K) I ; H8: Estrada Olivença/Una, a 23 km ao S de Oliveira, Mori & Benton 13252 (NA, K) I ; Ramal à esquerda no Km 14 da Rod. Una/Canavieiras. BA- 001, Hage & dos Santos 857 (K )\;H9: Km 8 ramal com direção N, que liga a Rod. Belmonte/ltapebi ao Rio Ubu, Mattos Silva, Ribeiro & da Brito 404 (NA) I ; Belmonte, Belém & Pinheiro 3243 (NV)I; estrada Ilhéus/Una, Km 27 do S de Olivença, Carvalho & Lewis 869 (K)l; J8: entre 05 km 45-56 da Rod. Eunápolis/Porto Seguro (BR- 367), Mori et al. 10962 (K, NY, CEPEC) I ; Porto Seguro, próx. do Ar- raial da Ajuda, Duarte 8050 (K, NA); estrada do Arraial da Ajuda para Tran- cosa. Carvalho, Vinha & Brito 1282 (K)l and 1276 ( K) I ; K8: Rod. BA-001, trecho Alcobaça/Prado, a 5 km a NW de Alcobaça, Mori et al. 10570 (K)l; exact locality unknown, inter Vittoria et Bahia, Sellow s.n. (K)l (Type); Km 8 da Rod. BR-255, Alcobaça/Teixeira de Freitas, 39° 15' W, 17° 30' S, Hage, Mattos Silva & Ribeiro 274 (K)l; L8: a 7 km a NW de Mucuri, Mori, Mattos Silva & dos Santos 10476 (NA, K)l and 10487 (NA, K)l. 10. Hex pseudobuxus Reiss. in Mart., Fl. Bras. 11, ( 1 ) :40 (1861). Syn.: Ilex pseudobuxus Reiss. forma reissekii Loes. (1901); Ilex pseudo- buxus Reiss. forma peduncularis (Reiss.) Loes. (1901). DISTR. F6. Brazil — Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Ca- tarina, Rio Grande do Sul. HAB. Shrub 1-2 m, in capão; 7 cam- po rupestre. NOTE. Onlv record from Bahia. F6: Serra do Sincorá, 1 100 m, Ule 7323 ( K) !. 11. Ilex pseudovaccinium Reiss. ex Maxim., in Mém. Acad. Imp. St. Pé- tersbrg. Ser. 7, 29, 3:22 (1881). Syn.: Hex pseudovaccinium Reiss. ex Maxim. var. typica Loes. (1901); Hex pseudovaccinium Reiss. ex Maxim. var. scutiiformioides Loes. loc. cit., Ilex diminuta Reiss. ex Maxim. (1881). DISTR. E6, F6. Brazil - Bahia, Mi- nas Gerais. HAB. Shrub to 5 m in campo rupes- tre. NOTE. In Monogr. Aquifol. 1:212 (1901) Loesener cites under Ilex scutiiformis Reiss., 4 Sellow num- bers for the type locality of Serra do S. Antonio in Minas Gerais. Sellow B2084, C2038 ( K) ! appear to resem- ble Harley et al. 20889 and 22597 (see below). As the Sellow collection is d and the recent collections are in fruit only, I would prefer to see more material before putting Hex pseudo- vaccinium under the earlier epithet of Hex scutiiformis. I view of the recent studies caried out on the Bahian flora, it is interest- ing to note that Ule 7112 (HBG)I from the Serra da Vendinha, Sincorá, is the only Ule specimen (of any fam- ily) discovered to date with a more precise locality than Serra do Sincorá. E6: Serra Larga, perto de Caetá-Açu, 1400 m, R. Mello Silva et al. CFCR 7199 (K)l; Serra da Larguinha, c. 2 km N E of Caeté-Açu (Capão Grande), 410 29' W, 120 36' S, 1000-1400 m, Harley et al. 22597 (K)l; F6: NW face of Serra de Ouro, to E of Barra da Estiva-ltuaçu road, about 9 km S of Barra da Estiva, 41° 16' W, 13° 42' S, 1300-1500 m, Harley et al. 20889 ( K) I ; Serra da Vendinha, Sin- corá, 1100 m, Ule 7112 (HBG)I. 12. Ilex theezans Mart. ex Reiss. in Mart., Fl. Bras. 11. (1):51 (1861). In Bahia, only the following two varieties oc- cur. 12A. Hex theezans var. theezans. Syn.: Hex theezans Mart. var. Typ- ica Loes. (1901). DISTR. B7, E6. F6,G7. Brazil - Ba- hia. Goiás. Minas Gerais. São Paulo. Paraná, Santa Catarina; Argentina. Hab. Shrub to small tree, 1-3 m. By streams in cerrado, caatinga and cam- po rupestre. NOTE. Martius' own collections are held at Munich (M), and often have very scanty annotations. There is also a manuscript which should be con- sulted with regard to Martius' Brazi- lian collections. This is Platae in itinere brasil iensi annis 1817-1820 a Car. Frid. Phil. Marti o descri ptae. Martius often refers to this manu- script in his publications by citing the numbers (1-3320) of the entries. These numbers sometime occur on the herbarium labeis of Martius' plants at Munich as Obsv. (Observa- tiones) nos. and according to F.A. Stafleu and R.S. Cowan in Tax- onomic Literature, Vol. III, Lh-0:325 should be consulted in connection with this manuscript. On a Martius sheet o Hex theezans Mart. ex Reiss. var. theezans from Joazeiro, Bahia is writte in a hand other that of Martius, 'Mart. Obsv. 3138'. But, Martius in his ma- nuscript, refers this number to 7/ex leucophloca' (an unpublished name) ‘ve! melius divaricata' from Arara- coara, Amazonas. The same Obsv. number occurs on two sheets sup- posedly from Bahia, according to the labeis added at Munich, again by a hand other than Martius. These were formerly named Hex theezans but were redetirmined by Loesener in 1897 as Hex divaricata Mart. ex Reiss., a punctate-leaved species from Amazonian Brazil and Vene- zuela. Written on a small second labei (in Martius' own hand) on one of these sheets is '3138 cfr. Celas- trus Araracoara'. It is evident that the number 3138 has been va- riously applied by workers other than Martius, to two superficially similar but actually quite distinct species, and that the Martius col- lection from Joazeiro, Bahia in no way relates to the Martius Obsv. number 3138 in his manuscript. This sheet truly represents the non- punctate leaved /. theezans, known only from the Coastal Brazilian States and Goiás. Loesener in Monogr. Aquifol. 1 : 375 (1901) mentions how he had been confused bv the Martius soe- 40 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 34-44, Julho-Dez 85 cm l SciELO/ JBRJ, 14 15 16 17 lí 19 20 cimens under Hex theezans at Munich. Of the five sheets I have examined, three bear remarks by Loesener. On the sheet designated as the type, from 'in montosis ad Sebastianopolin' (Rio de Janeiro) there are 3 specimens, one of which has been singled out by Loesener — 'this specimen occurs probably from Bahia'; on the sheet from 'Rio de Janeiro' there are 2 specimens. one of which he has annotated "this specimen occurs probably not from Rio de Janeiro but from Bahia'; on the sheet from Bahia there are 3 specimens, one of which has 'this specimen occurs only from Rio de Janeiro and not from Bahia'. Loe- sener also noted that all the speci- mens from Bahia had 3-flowered long-pedicelled inflo rescences oc- curring from the new wood while the specimens from Rio de Janeiro occurred in the old leaves in 1-3 flowered fascicles; while in both cases the foliage remained identical. The only other flowering spe- cimens which I have seen from Ba- hia are Mori et al. 11275, which has the long-pedicelled inflorescence and Furlan et al. CFCR 2024 which has both types of inflorescence. All other Brazilian flowering material of Hex theezans has the fasciculate inflorescence except for a specimen of var. theezans from São Paulo (Handro 416). Variety theezans is an inland va- riety with a variable leaf morpho- logy. B7: ad Joazeiro, Martius s.n. ( M ) ! ; E6\ Estrada Mucugê-Guiné a 28 km de Mucugê, Furlan etal. CFCR 2024 (note reduced lamina) (K, NA)!; F6: Middle NE slopes of Pico das Almas c. 25 km WNW of Vila do Rio de Contas, 41° 57’ W, 130 33' S, 1500-1 600 m, Harley et al. 19634 (K)l; G7: BA-265, trecho Vitória da Conquista/Barra da Choça, 9 km a leste da 1? Região de mata de cipó, 900 m, Mori, dos Santos and Thompson 11278 (KM; Km 5 a 15 da rod. Conquista/Barra da Choça Carrasco, Santos 2525 (K)l. 12B. llex theezans var. ac rodo n ta (Reiss.) Loes., Monogr. Aquifol. 1 : 375 (1901). Syn.: Prinos serratus Vell., Fl. Flumin. ; 145 (1825), Fl. Flumin. 3, tab. 166 (1835); Uex acrodonta Reiss. in Mart., Fl. Bras. 1 1, (1) : 51 (1861), llex acrodonta Reiss. var. angustifolia Reiss. (1861); llex acrodonta Reiss. var. latifolia Reiss. (1861); Hex nemorosa Rizz. in Leandra, 6 : 43 (1975); llex uni flora Rizz. nom. illeg. (1974). DISTR. G8, H8, H9, J8. Brazil - Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina. HAB. Shrub of 3-8 m. Restinga. NOTE. This plant has longer pe- tioles than Hex blanchetii. Inflores- cence in fascicles or solitary flowers. G8 : Olivença Km 21 para a Faz. Ipi- ranga ao Norte, Santos 2447 ( K) I ; ad Ilhéus, Lima 13038 (RBM (Type of Hex nemorosa)', H8: Rod. Bel- monte/ltapebi, Km 26, 39°00'W, 16°01'S, Mattos Silva & Hage 582 (K)l; H9: Belmonte, Belém & Pi- nheiro 2459 (NV) I; J8: 11 kmSof Santa Cruz Cabrália, 39° 01' W, 16° 22' S, Harley et al. 17056 (KM; 4 km S along coast road BA-001 from Santa Cruz Cabrália to Porto Seguro, 39° 02' W, 16° 19' S, Har- ley et al. 18161 ( K) I ; Entra Santa Cruz Cabrália e Porto Seguro, a 15 km ao N da segunda, Mori et al. 13023 (K, CEPECM; próximo a Porto Seguro, Jesus 609 (CEPECM; BR-367, a 18.7 km ao N de Porto Seguro, Mori et al. 10341 (NV)!. 13. Hex velutina Reiss. in Mart., Fl. Bras. 11,(1) : 53 (1861). DISTR. F6. Brazil — Bahia, Minas Gerais, Pernambuco. HAB. Shrub to 1.5 m. Campo ru- pestre. NOTE. On the holotype sheet of Martius 1889 (MM there is only one field labei. This includes two distinct scripts. The most prominent (presu- mably that of Martius) States the lo- cality as Pernambuco. The second unknown hand, adds a locality in Ba- hia. The specimen includes two iden- tical flowering branches, and it is not at all clear whether these are both from Bahia, both from Pernambuco or one from each locality. Harley et al. 15644 is the first known collec- tion since those of Martius. F6: in altis campis ad Villam do Rio de Contas, Martius 1889 (MM (Type); Serra do Sincorá, c. 6 km N Barra da Estiva not far from Rio Preto, 41° 1 8' W, 1 3 o 35' S, 1 1 00 m, Harley et al. 15644 ( K) I ; Rio de Contas, estra- da para Livramento, Harley et al. CFCR 6826 (KM; Pico das Almas, 1000 m, B. Stannard et al. CFCR 6885 (KM. 14. Hex sp. A DISTR DISTR. F6. Brazil — Bahia. HAB. 2-2.5 m shrub of campo rupes- tre. NOTE. This is another of the small- leaved hollies and shares the wand- like, little branched stem habit and half-hidden flowers of Hex aurícula. but the tiny heart-shaped leaves are flat and glabrous beneath. Possibly another Bahian endemic but more material particularly in fruit is ne- eded. F6: Margem da Estrada Mucugê- Cascavel. Km 3 a 6 próximo ao Rio Paraguaçu, Giulietti et al. CFCR 1454 (KM; 3 km ao S de Mucugê, na estrada que vai para Jussiape, lOOOm, Mori & Benton 13162 (CEPEC, NA, N Y) I. 1 5. llex sp. B DISTR. F6. Brazil — Bahia. HAB. 1 m shrub of campo rupestre. NOTE. The blackish-purple, ovoid fruit distinguish this plant from the other punctate-leaved hollies which have globose berries. F6: c. 6 km N of Barra da Estiva on Ibicoara road, 41° 18' W, 13° 35' S, c. IlOOm, Harley et al. 15559 (K) !. References ANDREWS, S. A new species of Hex (Aquifoliaceae) from Bahia, Brazil. New Buli., 37, (4) :681-682 (1983). ANDREWS, S. An Account of llex in and around Paris with a Catalogue of Her- barium and Living Specimens. Bul- letin N? 22. Holly Society of Ameri- ca : 1 -1 46 (1984). EDWIN, G. & REITZ, P.R. Aquifoliáceas. Fl. Ilust. Catarinense ; 1-47 (1967). GLAZIOU, A.-F.-M. 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(1963). 42 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 73-76, Julho-Dez 85 cm 1 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 lí 19 20 r Fig. 1 — llex conocarpa - a. leaf and inflorescence with enlargement of underside of leaf; /. affinis — b. leaf and infrutescence with enlargement of underside of leaf; c. leaf with enlargement of underside and fruit; /. pseudovacdnium — d. leaf with enlargement of fruit; I. sp A — e. branch and inflorescence with enlargement of leaves; /. floribunda — f. leaf and inflorescence; I. sp B — g. leaf and inflorescence with enlargement of underside of leaf and fruit; /. amara var. latifolia forma ovaUfotia — h. leaf with enlargement of underside; /. amara var. bahiensis — i. leaf and infrustescence with enlargement of underside of leaf and fruit. Drawing by E. Catherine. Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 34-44, Julho-Dez 85 43 cm l SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 cm Fíg. 2 — llex theezans var. acrodonta — a. leaf and infrutescence with enlargement of fruit; I. blanchetii — b. leaf; I. theezans var. theezans — c. leaves with enlargement of fruit; /. auriculata — d. branch with enlargement of leaf, its underside and fruit; /. paraguariensis var. sincorensis — e. leaf with enlargement of fruit; I. pseudobuxus — f. leaf and inflorescence; /. asperula var. asperula — g. leaf with enlargement of underside; /. psamophylla — h. leaf with enlargement of fruit; I. vehitina — i. leaf and infrutescence with enlargement of underside of leaf and fruit. Drawing by E. Catherine. 44 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 34-44, Julho-Dez 85 SciELO/JBRJ 1 3 14 15 16 17 18 19 20 Efeito da adubacão sobre a » condicão andromonóica em a Galactia striata (Jacq.) Urban (Leguminosae) * Mariana A. Coleman Galactia striata (Jacq.) Urban, uma forrageira tropical, foi estudada durante o período * 'Paulo Gastão da Cunha de floração e frutificação, observando-se a condição andromonóica da espécie e seu de- sempenho em solo adubado e não adubado. A adição de K induziu o aumento de flo- res femininas estéreis. Instituto de Biociências, Letras e Ci- ências Exatas de São José do Rio Pre- to (UNESP) — Departamento de Bo- tânica SÃO PAULO - BRASIL. ** Instituto de Zootecnia — Estação Ex- perimental de São José do Rio Preto - SÃO PAULO - BRASIL. IBILCE (UNESP) Ftua Cristóvão Colombo, 2265 — Tel.: 32-4966 (Ramal 56) — Jardim Nazareth 15100 - SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - SÃO PAULO - BRASIL. Sumary The influence of fertilized and non fertilized soils on the andromonoecious condition observed in Galactia striata, a tropical forage plant, was studied. The ad- dition of potassium to the soil was demon- strated to result in the production of an increased proportion of female sterile flowers. Introdução Das leguminosas tropicais de interes- se como forrageira em pastagens, Galactia striata (Jacq.) Urban apresenta um poten- cial de interesse econômico, dado suas características agronômicas para solos are- nosos e com boa palatibilidade e aceita- ção pelos animais (Mattos & Alcântara, 1976). Contudo, apesar de altamente pro- missora como forrageira, o cultivo em massa da espécie tem sido dificultado de- vido a baixa produção de sementes tratan- do-se de polinização livre. Burkart (1952), quando descreveu a espécie, mencionou a sua distribuição desde o sudoeste dos Es- tados Unidos até a Argentina e citou a ob- servação de Jacquin sobre a ocorrência de flores com ovário atrofiado, que não pro- duziam frutos. 0 presente trabalho visa o estudo de Galactia striata quanto a condição andro- monóica para solo adubado e não aduba- do. Material e Métodos Este estudo foi realizado na Estação Experimental de Zootecnia localizada em São José do Rio Preto, Estado de São Paulo, Brasil a 20° 49' latitude sul e 49° 22' longitude oeste, com altitude média de 480 m. Foram instalados 12 canteiros de 40 m 2 cada. A tabela I mostra a análise do solo não tratado. Cada canteiro foi divi- dido na metade (20 m 2 cada) em área ex- perimental e área controle. Plantas de 21 dias foram replantadas com 80 cm de distância em ambas as áreas. Os canteiros da área experimental receberam adubação de superfosfato simples (P 2 O s ) e de cloreto de potássio ( KCC) em quantidades calculadas após a análise do solo, que fo- ram de 450 kg/ha de superfosfato simples e de 390 kg/ha de potássio. Na época de floração 30 racemos foram marcados em cada uma das áreas com duas repetições com intervalo de três semanas. Cada ra- cemo foi considerado como tendo três terços iguais: o basal, o mediano e o api- cal. Flores abertas foram coletadas diaria- mente e anotadas, o seu tipo morfológico (longistila x brevistila) e a sua posição no racemo. A homogeneidade dos resultados para as áreas experimental e controle foi Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 45-48, Julho-Dez 85 45 cm 1 2 3 4 5 6 7 SciELO/JBRJ, L3 14 15 16 17 18 19 analisada pela estatfstica Gh (Sokal & Rohlf, 1969). Capacidade de formar fru- tos em condições de polinização livre foi testada através de plantas cobertas com armação de tela ou isolamento de race- mos com saco de papel. Orceína acética foi usada para coloração dos grãos de pó- len com a finalidade de se testar a presen- ça de citoplasma, indicador de provável viabilidade. Espécimen testemunho (Co- leman, n9 34) foi depositado no Herbá- rio do Instituto de Botânica de São Paulo. Resultados Dimorfismo Floral A espécie apresenta flores papiliona- das violáceas agrupadas em inflorescências do tipo racemo simples (Fig. 1). A flor tem comprimento médio de aproximada- mente 1 ,0 cm, contém 1 0 estames de com- primentos iguais sendo 9 soldados e 1 li- vre (Fig. 2). O gineceu possui ovário sú- pero piloso e abriga vários óvulos. O fruto é do tipo legume deiscente medindo 5,0 cm de comprimento. As flores possuem o estilete de com- primentos variáveis, reconhecendo-se as de estilete curto (brevistila) e aqueles cu- jo estilete ultrapassa os estames (longistila) projetando-se para fora da corola (Fig. 3). Na flor brevistila o pistilo abriga-se na base do receptáculo sendo o estigma acen- tuadamente recurvado sobre si mesmo (Fig. 4). Para 100 medidas, os comprimen- tos dos pistilos Jongo e curto foram X = 1 3,5 ± 3,8 e X = 1 ,0 ± 0,4 respecti- vamente. Os estames dos dois tipos de flo- res não apresentam diferenças morfoló- gicas entre Telfes, como também os óvulos de ambas as flores. Os grãos de pólen de ambos os tipos de flores apresentam-se corados com orceína acética e portanto com probabilidade de serem uniforme- mente viáveis. Desenvolvimento da flor no eixo da inflorescência e efeito do fertilizante no desenvolvimento e distribuição das flores longistila. e brevistila no racemo Para 400 medidas^ de comprimento do racemo obtivemos: X = 13,6 ± 5,8. A maturação das flores no eixo da inflorescência se dá numa seqüência pro- gressiva da base para o ápice podendo também ocorrer maturação simultânea da base e meio sempre na direção do ápice. A distribuição de flores com pistilo Fig. 1 — Racemo, com formação de frutos na parte basal e mediana. curto e longo no eixo da inflorescência dividida em base, meio e ápice (B. M. A) das áreas experimental e controle está demonstrada nas tabelas II, III e IV. Percentagem de germinação e dados fenológicos Com duas repetições 100 sementes foram germinadas em placas de Petri so- bre papel de filtro umedecido. A porcen- tagem de germinação foi de 63% e 71% com média de 67%. Nossas observações mostraram germinação inicial após 4 dias, com início de floração após 105 dias e de frutificação e maturação dos legumes após 165 dias e 195 dias, respectivamente. Insetos visitantes Observações mostraram a presença de A pis mellifera (Lin. 1758) e Trigona (La- treille, 1804) (Fam. Apidae) assim como Polybia occidentalis scutellaris (White, 1841) (Fam. Vespidae). No experimento realizado com plan- tas cobertas bem como racemos isolados foi observada a não produção de frutos. Distribuição dos Frutos no Eixo da Inflorescência Os frutos parecem se desenvolver so- mente na base da inflorescência visto que a maturação das flores se faz da base para o ápice. Porém, nas contagens diárias foi Fig. 2— Flor longistila e brevistila sem perian- to, mostrando os estames e pistilos. encontrada distribuição de frutos nas três regiões do racemo: ápice (A), meio ( M ) e base (B) para as áreas adubadas (E) e controle (C) nas porcentagens indicadas na tabela IV. Como ficou demonstrado na tabela II os três valores de Gh são significativos rejeitando-se a homogeneidade das distri- buições de flores longisti las e brevistilas nas áreas experimental e controle. Na área experimental há predominância de flores brevistilas e na controle predominam flo- res do tipo longistila. Foram comparadas 2 coletas de cada área, as 2 coletas da área controle não diferem entre si, mas as 2 coletas da área experimental diferem significativamente com aumento na pro- porção de flores brevistilas. Os números de flores longistilas e brevistilas por re- gião da inflorescência estão indicados na tabela III. Pelos valores Gh obtidos nesta tabela, pode-se concluir que não há diferenças significativas nas freqüên- cias de flores longistilas nas três regiões da inflorescência das áreas experimental e controle (Gh = 0,12; P > 0,05). Cada tipo nessas regiões independem da adição ou não de adubo. Entretanto para a re- gião B (base) o valor Gh é altamente sig- nificativo (P > 0,01) indicando que as inflorescências de plantas da área experi- mental produzem na base maior número de flores do tipo brevistila que as plantas Discussão 46 Rodriguésla, Rio de Janeiro, 37 (63) 45-48, Julho-Dez 65 cm 1 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 Fig. 3 — Flor I ongisti I a (hermafrodita) e brevistila (masculina) mostrando o pistilo protundente na flor hermafrodita. Fig. 4 — Flor logistila e brevistila sem os estames.com o estigma recurvado na flor brevistila. da área controle. Entretanto, as frequên- cias de flores brevistilas, nas mesmas con- dições, diferem significantemente (Gh = 21,88; P > 0,01); a diferença mais mar- cante é que a freqüência das flores brevis- tilas na base da inflorescência é na área experimental o dotjro da que se observa na área controle. Os dados como dispo- mos na tabela III permitiram comparar as distribuições dos dois tipos de flores em plantas de área experimental e con- trole. Nos 2 casos há heterogeneidade das distribuições (Gh = 67,52; P > 0,01 ) para a área experimental e (G H = 53,93; P > 0,01) para a área controle. As diferenças mais marcantes da heterogeneidade são as plantas das áreas experimental e controle com predominância de flores longistilas na base e no meio da inflorescência. Para o teste de significância (Garret, 1960) entre as duas porcentagens de dis- tribuição de frutos no racemo (tab. IV) houve significância (Nível — 05) para a base da inflorescência com diminuição da produção de frutos para área adubada. A condição andromonóica, ou seja, a presença de flores hermafroditas e mascu- linas na mesma planta, é conhecida em várias famílias, como entre as Solanaceae (Symon, 1970, 1979; Coleman & Cole- man, 1982; Hossain, 1973); Ranuncula- ceae (Darwin, 1877); Leguminosas (Hei- thaus etall, 1974). Já foi demonstrado que a taxa de flo- res hermafroditas e masculinas pode ser influenciada experimentalmente (Wak- hloo, a, b, c, 1975). Em Galactia striata observou-se que a adição de KCC e P 2 0 5 aumentou significantemente a produção de flores estéreis na base da inflorescên- cia. Também ficou evidente a necessidade de polinizadores para a espécie. Conclusão Podemos nestas primeiras observa- ções concluir que: 1 — a espécie necessita de polinizado- res para a fertilização. 2 — a formação dos frutos nas três re- giões da inflorescência teve sensível dimi- nuição na base do racemo para a área adu- bada, provavelmente em conseqüência do aumento das flores estéreis. 3 — as doses de K recomendadas para adubação em pastagens do tipo de solo da área utilizada no experimento correspon- dem a níveis que podem induzir a forma- ção de flores estéreis e que não produzem frutos. Agradecimentos Os autores expressam seus agradeci- mentos pelas sugestões oferecidas pelo Dr. James Robert Coleman durante a rea- lização do trabalho, ao Dr. Celso Abbade Mourão pela orientação estatística e ao Instituto de Zootécnica de Nova Odessa, São Paulo, Brasil, através da Estação Ex- perimental de São José do Rio Preto que possibilitou a execução do trabalho. Literatura Citada BURKART, A. — Las Leguminosas ar- gentinas silvestres y cultivadas. Acme Agency — 2? edição Buenos Aires, 1952, 569 p. COLEMAN, J.R. & COLEMAN, M.T.A. — Reproductive Biology of an andro- monoecius solanum (S. palicanthum Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 45-48, Julho-Dez 85 47 cm 1 SciELO/JBRJ, 14 15 16 17 lí 19 20 cm Dunal). Biotropica (14). 1, 1981, 69-75. DARWIN, C. — The different forms of flowers on plants of the same species. Murray. London. 1877. GARRETT, H.E. - Elementary statistics. Longmans, Green and Co. New York. London, Toronto. 1960. HEITHAUS, E.R.; P.A. OPLER e H.G. BAKER - Bat ativity and pollicra- tion of Bauhinia pauletia: plant pol- linator coevolution. Ecology, 55, 1974,412-419. HOSSAIN, M. — Observation on stylar heteromorphisms in Solanum torvum Sw. (Solanaceae). Bot. J. Linn. Soc. 66, 1973, 291-301. MATTOS, H.B. & ALCANTARA, P.B. - Galactea striata, Promissora Legumi- nosa para o Brasil Central. Zootecnia, Nova Odessa S.P. 74(1), 1976, 51-57. SOKAL, R.R. & ROHLF, J. - Biometry - W.H. FREEMAN AND Co., 779 p. 1969. SYMON, D.E. — Dioecious Solanums Taxon 19. 1970,909-910. Sex forms in Solanum (Solana- ceae) and the role of pollen collec- ting insects. In J.G. Hawkes, R.N. Lester and A. D. Skelding (eds.) The Biology and Taxonomy of the Solanaceae. 1979, 385-397 p. Aca- demic. WAKHLOO, J.L. - Studies on the grow- th, flowering and production of fe- male sterile flowers as effected by different leveis of foliar potassium in Solanum sisymbrifolium Lam. I. Effect of potassium content of the plant on vegetative growth and flow- ering. J. Exp. Bot. 26, 1975a, 425- 432. Studies on the growth, flowering and production of female sterile flowers as affected by different leveis of foliar potassium and applied gib- berellic acid and 6-furfurylaninopu- rine. J. Exp. Bot. 26, 1975b, 433- 440. Studies on the growth, flowering, and production of female sterile flowers as effected by different leveis of foliar potassium in Solanum sisymbrifolium Lam. III. Interaction between foliar potassium and applied daminogide, chlormequat chloride, and chlorflurecol-methyl. J. Exp. Bot., 26, 1975c, 441-450. Tabela I — Análise do solo para a área estudada. % mg/100 ml Mo K P PH Afi Ca Mg 1,2 50ppm 5ppm 5,2 0,1 0,6 0,3 Tabela II - - Número de flores longistilas (L) e brevistilas (B) em duas amostras da área experimental e da área controle em duas coletas (Gh para heterogeneidade; **p>0,01). Experimental Controle Coleta L B L B Gh N9 % NP % NP % N? % 1 142 34 278 66 185 54 157 46 31,78** 2 364 48 390 52 406 54 346 46 4,92** Total 506 43 668 57 591 54 503 46 27,08** Tabela III — Número de flores longistilas (L) e brevistilas (B) por região da inflores- cência de plantas das áreas experimental e controle da coleta 2 (Gh para heterogeneidade;**: p > 0,01 ). Flor Região da Inflorescência Experimental N? % Controle N? % g h A 68 19 72 18 L M 164 45 186 46 0,12 B 132 36 148 36 A 181 47 197 56 B M 113 29 109 32 21,88** B 96 24 40 12 Gh 67,52** 53,93** Tabela IV — Distribuição de frutos nas três regiões do racemo dividido em terços iguais em ápice (A), meio (M) e base (B). Experimental Controle N? % N? % A 19 17,7 6 5,2 M 41 38,3 34 29,5 B 47 43,9 75 65,2 Total 107 - 115 - 48 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 45-48, Julho-Dez 85 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 Arachis prostnata Benth. (Leguminosae-Papilionoideae). Anatomia dos órgãos vegetativos Eurides Marribreu de Menezes Arachis prostrata Benth. é planta herbácea, rasteira, pubescente, raque de comprimem Prof. Assistente-Doutor, Departamento to variável, estipulas concrescidas em parte com o pecíolo, duas jugas de foifoios de Botânica do Instituto de Biociências, oblongos mucronados e de nervação camptobroquidódroma com aréolas bem definidas Letras e Ciências Exatas, UNESP, São e poucas terminações livres. •José do Rio Preto, SP. Foram realizados estudos sobre a anatomia da região internodal da caule aéreo, do nó, pecíolo e peciólulo nas regiões basal, mediana e apical; do folíolo nas regiões da nervura principal, intermediária e do bordo. Os resultados obtidos pelo estudo dos órgãos vegetativos constituem subsídios para uma futura comparação com A. glabrata Benth., como tentativa de solucionar problema de natureza taxonômica. Introdução O gênero Arachis L. pertence à sub- família Papilionoideae da família Legu- minosae; esta é representada na flora mundial por cerca de 500 gêneros e 13.000 espécies (SCHULZE & MENZ, 1904), entre as quais numerosas são invasoras ou tóxicas. Entretanto, em determinadas cir- cunstâncias, algumas podem passar para a categoria das plantas úteis, como certas infestantes de pastagens, as quais têm se revelado boas forrageiras. O presente trabalho refere-se ao estu- do morfológico e anatômico do caule aé- reo, nó, pecíolo, peciólulo e folíolo, vi- sando trazer uma contribuição ao melhor conhecimento da leguminosa invasora Arachis prostrata Benth. distinguindo-se de outra espécie A. glabrata Benth., tendo em vista que alguns pesquisadores as con- sideram como sinônimas por não se co- nhecer bem os órgãos vegetativos das duas espécies. Histórico HOEHNE (1923) já menciona o em- prego de leguminosas na triação do gado, dado o alto coeficiente nutritivo e a enor- me porcentagem de proteína, assinálando a ocorrência de espécies pertencentes a esta família nos campos limpos e cerrados do Estado de Mato Grosso, em que, além das Meibornias brasileiras abundam repre- sentantes de Stylosanthes e espécies de Arachis. HARTLEY (1954) relata, com base na bibliografia consultada, que, dentre 25 gêneros, nos quais se incluem os de im- portância para os pastos tropicais, cerca de 12 possuem seu centro principal de distribuição nos trópicos da América, abragendo vários gêneros entre eles Arachis. Outros botânicos como HOEHNE (1940) e HOEHNE & KUHLMANN (1951) apresentam vasto levantamento de leguminosas tropicais, dentre as quais ci- tam o gênero Arachis. Na Argentina, ocorrem quatro espé- cies silvestres de Arachis, todas com al- gum valor forrageiro nos campos natu- rais, sobretudo A. prostrata que é glabra e tem rizomas compridos. No Paraguai, A. prostrata é muito comum à beira dos caminhos em associação com Paspalum notatum, Cynodon dactylon, Desmodium ca num, Axonopus qompressus e outras ervas (WHITE et al., 1955). Até o presente, apenas um pequeno Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 49-56, Julho-Dez 85 49 SciELO/JBRJ 3 14 18 19 20 cm número de leguminosas brasileiras foi ana- lisado morfológica ou anatomicamente. Dados sobre o assunto encontram-se nos trabalhos de: BAITELLO (1980), BAR- ROSO (1965), CAMARGO (1960), ME- NEZES (1973), MORRETES (1967 e 1980), MORRETES e FERRI (1959) e SOUZA (1981). A estrutura foliar das leguminosas tem sido estudada sob vá- rios aspectos, e é bastante variável devido aos diferentes tipos de folha da família. A venação foliar de leguminosas do cerrado foi estudada por CARVALHO (1967, 1970) e CARVALHO e VALEN- TE (1973). A estrutura do pecíolo das legu- minosas já foi objeto de extensas investi- gações CAMARGO (1960), IRWIN (1964), METCALFE & CHALK (1957), SOLEREDER (1908) eWATARI (1934). O pecíolo tem considerável impor- tância taxonômica, pois sua estrutura pa- rece ser pouco afetada pela variação dos fatores ecológicos (METCALFE & CHALK, 1957). Estes autores recomen- dam o estudo do pecíolo em cortes seria- dos, mas aceitam como "característica" a região distai, juntamente com SOLE- REDER (1908). SINNOT & BAILEY (1915) eWATARI (1934) são de opinião que a base do pecíolo constitui uma das regiões mais importante no sistema vas- cular do órgão foliar. Por outro lado, IR- WIN (1964) considera a região mediana como "característica" na organização do sistema vascular do órgão foliar. Conside- rações têm sido feitas sobre o sistema vas- cular da parte basal do pecíolo, que é ge- ralmente caracterizada pela presença do pulvino, cuja importância fisiológica tem sido objeto de estudos (HABERLANDT, 1908; PREUSS, 1885; SCHWENDENER, 1897; 1898 eWATARI, 1934). METCALFE & CHALK (1957) afir- mam que os cristais constituem caracte- rística particular do mesófilo das legumi- nosas, diferenciando Caesalpinoídeas de Papilionoídeas e Minosoídeas, onde os cristais são quase invariavelmente solitá- rios, de forma romboédrica (especialmen- te acompanhando a bainha dos feixes vas- culares) ou estilóides, este mais caracterís- tico do mesofilo ou da epiderme. Mencio- nam a ocorrência desse tipo de cristais na epiderme e no tecido paliçádico em algu- mas espécies de Arachis. Material e Métodos O material para a realização do pre- sente trabalho foi coletado em terrenos baldios, beira de estradas e pastagens do município de São José do Rio Preto-SP; exsicatas dessas plantas encontram-se de- positadas no Herbário do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas de São José do Rio Preto-SP sob o registro: Arachis prostrata Benth., Eurides Mam- breu de Menezes, n9 19, 23/01/74 (SJRP, n9 1159) e a determinação desta espécie foi feita pelo Dr. Arturo Burkart, do Ins- tituto DARWINION, San Isidro, Argenti- na. A pesquisa anatômica foi executada em plantas fixadas em álcool etílico 70° GL (JENSEN, 1962) e material fresco. Foram feitos cortes transversais à mão li- vre e ao micrótomo, na região internodal do caule aéreo, nas regiões basal, mediana e apical do nó, pecíolo, peciólulo e do fo- I ío lo. Paralelamente aos cortes transversais foram feitos destacamentos das epidermes adaxial e abaxial do caule, pecíolo e fo- líolo. O preparo do material, destinado ao estudo do padrão da venação e seus deta- lhes na região intermediária e bordo do terço mediano do folíolo, foi feito em lâ- minas diafanizadas mediante técnica usual (FOSTER, 1950) e a classificação do pa- drão de venação conforme os tipos bási- cos de ETTINGHAUSEN (1861) segundo FELIPE & ALENCASTRO (1966). A classificação dos folíolos quanto à forma, à base, às margens e ao ápice obe- deceu à nomenclatura dada por LAWREN- CE (1955), e quanto ao tamanho, à escala de RAUNKIAER (1934). Os estômatos foram classificados quanto às células anexas, segundo MET- CALFE & CHALK (1957). Os cortes realizados ao micrótomo foram preparados mediante técnica usual de parafina e tratados conforme o proces- so de dupla coloração safranina-hidroalco- ólica e fast-green. Os desenhos foram elaborados com auxílio de câmara clara; nas mesmas con- dições ópticas foi projetada a escala mi- crométrica correspondente. Caracterização Morfológica dos Órgãos Vegetativos (Fig. 1) Caule com um ramo primário ascen- dente e outros horizontalmente prostra- dos, mas não muito longos e com as folhas mais juntas do que em A. villosa Benth.; revestimento piloso patente ora mais, ora menos evidente; estipulas apenas con- crescidas com um quarto até um quinto do pecíolo e não alcançando com as pon- tas livres a base do primeiro jugo de folío- los; pecíolo com a raquede comprimento entretanto variável, sendo aquele às vezes A prostrata — Aspecto geral da parte aérea da planta (Fig. 1 ). 50 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 49-56, Julho-Dez 85 SciELO/JBRJ A. prostrata — Caule aéreo: vista frontal das epidermes adaxial (Fig. 2) e abaxial (Fig. 3); campos primários de pontuação (Fig. 4); estrutura do caule em corte transversal (Fig 5). curto e então sobrepujado pelas estipulas, variando assim na mesma planta da base ao ápice dos ramos entre 2-6 cm de com- primento; foi Tolos variáveis de oboval- oblongados a oblongados e um tanto es- patulares, com a base arredondada e ápice redondo ou emarginado ou levemente aguçado e mucronado, de 2-3 cm sobre 1 cm de largura mediana, margens levemen- te cintadas, com nervura espessada e or- nada de esparsas cerdas, não cílios (HOEHNE, 1940). Resultados Caule Aéreo: Regiões Internodal e Nodal Ambas as epidermes do caule aéreo na região internodal (Figs. 2-3) são cons- tituídas de células com paredes anticlinais retas ou levemente curvas, diferindo entre si pelo tamanho. A epiderme abaxial mos- tra campos primários de pontuação (Fig. 4). Estômatos ocorrem em ambas as fa- ces, sendo mais freqüentes na adaxial; são do tipo paracítico, segundo METCALFE &CHALK (1957). Ambas as faces são providas de trico- roas tectores, longos, acuminados, unisse- riados, de paredes espessadas e ocorrem com maior freqüência na face abaxial. Os cristais são romboédricos, de oxalato de cálcio, solitários ou contidos em células divididas em dois compartimentos por um se Pto transversal celulósico (Fig. 2), sen- do abundantes em ambas as epidermes. O corte transversal do caule maduro revela epiderme provida de cutícula espes- sa seguida de três camadas de colênquima laminar; as células colenquimáticas apre- sentam pequeno espessamento parietal. Segue-se ao colênquima um parênquima cortical cujas células dispostas irregular- mente deixam entre si espaços interce- tares. Neste parênquima ocorre uma fai- xa de células compridas, formada geral- mente por três estratos celulares. Estas células estão deformadas de tal maneira 9ue em muitas delas as paredes periclinais praticamente se tocam. Limitando os complexos de fibras, ocorre uma bainha Provida de cristais romboédricos. O com- plexo das fibras perivasculares é muito de- senvolvido. No floema secundário não fo- ram registrados fibras ou idioblastos. O câmbio no material seccionado apresen- ta-se com dois estratos de células de pa- redes extremamente delgadas. No xilema secundário ocorrem vasos solitários ou ge- minados. De espaço em espaço ocorrem raios parenquimáticos bem desenvolvidos. A região internodal (Fig. 6) apresenta seção aproximadamente cilíndrica com li- geiro achatamento na face adaxial; o siste- ma fibrovascular é constituído por arco com esclerênquima abundante. As três regiões nodais seccionadas apresentam secção aproximadamente te- tragonal, não se verificando a presença de câmbio. Na região basal do nó (Fig. 7), o sis- tema fibrovascular é formado por um ar- co, observando-se o esboço dos três traços foliares A, B, C que estão voltados para as saliências da secção; na região mediana (Fig. 8) os traços A, B, C já se individuali- zaram do conjunto que apresenta três ar- cos 1, 2 e 3 e na 3 e na região apical do nó (Fig. 9) os traços A, B, C estão bastan- te afastados, havendo a formação de um arco pela fusão dos arcos 1 , 2 e 3. Anatomia do Pecíolo O pecíolo das folhas de A prostrata apresenta secção ligeiramente plano-con- vexa, pulvino e pulvínulos bem desenvol- vidos. Ambas as epidermes do pecíolo (Figs. 10, 11, 12 e 13) são constituídas de célu- las com paredes bastante regulares, dife- rindo entre si pelo tamanho e forma, são estomatíferas e apresentam numerosos idioblastos, contendo cristais romboédri- cos; na epiderme abaxial ocorrem campos primários de pontuação (Fig. 14). Os pêlos (Figs. 15 e 16) são longos, pluricelulares, unisseriados, constituídos freqüentemente por seis a sete células. Os tricomas em questão apresentam paredes espessas e ocorrem em maior número na epiderme adaxial. Os estômatos são do ti- po paracítico, segundo METCALFE & CHALCK (1957). Rodrlguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 49-56, Julho-Dez 85 51 SciELO/JBRJ, 14 15 16 17 18 19 20 cm A. prostrata — Pecíolo: vista frontal das epiderme adaxiai (Figs. 10-11- A. prostrata — Estrutura da região internodal do caule aéreo em corte 12) eabaxial (Figs. 13-14-15); pelo de epiderme abaxial (Fig. 16). transversal (Fig. 6) e das regiões basal, mediana e apical do nò (Figs. 7,8, 9). Nas regiões do pulvino e basal do pe- cíolo em corte transversal (Figs. 17, 18) a secção é circular com sulco adaxiai sua- ve; na primeira o sistema vascular apre- senta-se disposto aproximadamente em semicírculo e na basal em três feixes maiores A, B, C relativamente pobres em esclerênquima e dois feixes menores D, E que se dirigem para as alas. Na região mediana do pecíolo (Fig. 19), a secção é ovalada com sulco adaxiai bem acentuado, os feixes A, B, C estão mais afastados e os acessórios D, E se di- rigiram para as alas. Na região apical do pecíolo (Fig. 20), a secção é ovalada com sulco adaxiai mais acentuado que na região mediana, apre- sentando um achatamento dorsiventral quando comparado com esta última. 0 sistema vascular pouco difere daquele da região mediana, a não ser pelas dimen- sões dos feixes B, C, ligeiramente mais desenvolvidos. Anatomia do Peciólulo As três regiões do peciólulo, basal, mediana e apical (Figs. 21, 22, 23), em corte transversal, apresentam secção cir- cular e sistema vascular bem desenvolvi- do, formado na região basal por um arco rico em esclerênquima e constitui uma bainha que envolve e une os três feixes A, B e C. Na região apical, os três feixes se in- dividualizaram, e estão próximos um ao outro. Morfologia e Anatomia do Folíolo Os folíolos apresentam-se elípticos, ligeiramente assimétricos, de base ligei- ramente oblíqua, inteiros e acuminados, geralmente micrófilos. A nervação quanto o aspecto geral é camptobroquidódroma (Fig. 24) e em ambas as regiões, intermediária e do bor- do (Figs. 25-26), as nervuras menores são espessas, relativamente próximas, forman- do aréolas bem definidas com poucas ter- minações livres sendo que no bordo o nú- mero de aréolas sem feixes terminais é maior; as nervuras secundárias anastomo- sam-se com a nervura submarginal que é bastante espessa. O folíolo é anfistomático. As células das epidermes adaxiai e abaxial, poliédri- cas, apresentam geralmente paredes anti- clinais retas ou levemente curvas. Lado a lado podem ocorrer células maiores e menores (Figs. 27-28). Ambas as epidermes são providas de tricomas tectores longos, acuminados, pluricelulares, de paredes espessadas, unis- seriados (Fig. 29) ocorrendo com maior freqüência na epiderme adaxiai. Os estô- matos (Figs. 30-31) são paracíticos, segun- do METCALFE & CHALK (1957). Do ponto de vista de sua organização interna corresponde ao tipo Amarillis, da classifi- cação de GUTENBERG (1959). Quanto à ontogênese, verificou-se que o tipo é o paramesógeno de FRVNS-CLASSENS & COTTHEM (1973). Os complexos estomáticos teratoló- gicos freqüentes vezes apresentavam esto- masvizinhos e entre eles não se diferen- ciaram as células anexas. Em alguns casos um aparelho estomático apresenta uma célula anexa grande e outra pequena (Fig. 28). Em ambas as epidermes ocorrem cris- tais romboédricos de oxalato de cálcio, solitários ou reunidos em uma célula, em número bastante variável, porém, mais numerosos próximo às regiões das nervu- ras e mais freqüentes na epiderme abaxial. O corte transversal da lâmina foliar 52 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 49-56, Julho-Dez 85 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 cm A. prostrata - Estrutura do pecfolo em corte transversal nas regiões do pulvino, basal. A. prostrata - Aspecto geral da nervaçío (Fig 24); deta- mediana e apical (Figs. 17 a 20) e do peciòlulo, nas regiões basal, mediana e distai ,he da regiâb intermediária (Fig 25) e do bordo com grarv (Pigs. 21 a 23), de número de aréolas sem feixes terminais (Fig. 26). A. prostrata — Vista frontal das epidermes adaxial e abaxial do follolo (Figs. 27-28); pêlo da epi- derme abaxial (Fig. 29); corte transversal do estõmato em ambas as epidermes (Figs. 30-31). (Fig. 32), feito na região compreendida entre a nervura principal e o bordo, re- vela que a epiderme uniestratif içada á re- vestida por fina cutícula. O parênquima paliçádico é representado por quatro ca- madas de células e o parênquima lacuno- so, por três a quatro camadas; as nervuras secundária e terciária inclusas no pa- rênquima lacunoso são envolvidos por um semicírculo de fibras e são circun- dadas por um bainha parenquimática cristalífera que apresenta extensão de bainha. Esta extensão estabelece a liga- ção entre a epiderme adaxial e o feixe vascular. O corte transversal ao nível do bor- do, (Fig. 33), revela que a epiderme é pro- vida de idioblastos cristalíferos. O mesmo tipo de cristal romboédrico registrado na bainha parenquimática da região anterior- mente descrita, também ocorre na região do bordo do folíolo. O parênquima pa- liçádico nessa região perde sua caracterís- tica, pois as células diminuem muito de tamanho e se tornam arrendo ndadas; pró- ximo à margem há um parênquima des- provido de cloroplastídios; o feixe vascu- lar terminal apresenta um semicírculo de esclerênquima, uma bainha parenquimáti- ca cristalífera e extensão de bainha, en- quanto que no feixe subterminal desapa- rece a bainha esclerenquimática, sendo provida, entretanto, de extensão de bai- nha. O corte transversal da nervura central da lâmina foliar (Fig. 34), feito em seu terço mediano, mostra na superfície ada- Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 49-56, Julho-Dez 85 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 cm A. prostrata - Corte transversal de lâmina foliar ao nfvel do terço mediano da região intermediária (Fig. 32). Vêem-se feixes de médio e pequeno pone ambos com bainha de extensão, sendo o de pequeno porte destituído de esclerênquima; do bordo (Fig. 33) e da nervura mediana (Fig. 34). xial, abaixo da epiderme um grupo de cé- lulas parenquimáticas aclorofiladas. O pa- rênquima clorofiliano é interrompido por um grupo de células de dimensões varia- das, desprovidas de cloroplastídios. Entre os elementos condutores do xilema ocorrem raios parenquimáticos. O floema é circundado por um semicfrculo de fibras. Envolvendo o feixe há uma bai- nha parenquimática cristalífera. Na face abaxial da lâmina foliar a nervura é proeminente e o colênquima é bem desenvolvido, exibindo um grupo de células comprimidas de contorno irregu- lar. Tricomas tectores estão aqui presen- tes. Discussão e Conclusões WATARI (1934) afirma que o siste- ma vascular do nó é do tipo trilacunar, constituindo, com poucas exceções, ca- racterística das leguminosas, tendo sido observado alguns casos do tipo unilacunar em gêneros de Papilionáceas e trilacunar em certos gêneros de Cesalpiniáceas e Pa- pilionáceas; quase sempre, apenas um fei- xe se injcia de cada uma das lacunas, po- rém em alguns casos, três ou mais feixes derivam de uma única. Afirma ainda que para o estudo da região nodal, é conveni- ente iniciar com o nó onde a folha está junto do caule. SINNOT (1914) expôs, em seu tra- balho filogenético, que a folha das legu- minosas apresenta quase sempre três tra- ços foliares aproximando um do outro, formando cada um uma lacuna no ci- lindro central do caule, é o tipo trilacu- nar. Entretanto, ocasionalmente, há casos em que se verificam cinco lacunas. ACQUA (1887) in WATARI (1934) acham muito importante o número de tra- ços foliares quando os tipos de sistema vascular se dividem no pecíolo das Dico- tiledôneas e afirma que, em espécies de leguminosas, o tipo mais comum é o trilacunar, podendo ocorrer estruturas com uma ou cinco lacunas. As observações feitas nas regiões ba- sal, mediana e apical do nó revelam cla- ramente 1 a formação dos feixes foliares deixando cada um uma lacuna no cilin- dro central conferindo à estrutura as ca- racterísticas de nó trilacunar, o que vem confirmar as afirmações de WATARI (1934), SINNOT (1914) e ACQUA (1987) in WATARI (loc. cit.). Sendo esta espécie portadora de pul- vino, o sistema vascular nessa região apre- senta os feixes foliares fundidos num anel ou arco, o que coincide com as observa- ções feitas porSINNOT e BAILEY (1915) em leguminosas por eles estudadas. Em relação ao peciólulo, nas regiões basal, mediana e apical, o sistema vascular mostra o padrão mencionado para o pe- cíolo, não tendo sido encontrado, portan- to, peculiaridades no sistema vascular que supre os folíolos laterais, à semelhança do que ocorre em Arachis hypogaea (WA- TARI, loc. cit.). O tipo de venação observado nos fo- líolos desta espécie é o camptobroquidó- droma, padrão esse já apontado para al- gumas leguminosas faboides estudadas por CARVALHO & VALENTE (1973). Anomalias quanto aos estômatos fo- 54 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 49-56, Julho-Dez 85 SciELO/JBRJ ram registradas nessa espécie, semelhante ao que ocorre em Ormosia costulata (MORRETES, 1980), diferindo, porém, daquela apontada para Arachis repens por HANDRO (1958) in CAMARGO (1960) e, por este último, para Hymeneae stilbocarpa, onde as células estomatíferas são geminadas. METCALFE & CHALK (1957) assi- nalam a presença de cristais solitários e agrupados em todas as partes das legu- minosas e apontam como característica pecular do mesófilo os cristais agrupados diferenciando as Cesalpináceas da maioria das Papilionáceas e Mimosáceas onde os cristais são quase invariavelmente solitá- rios. Células secretoras com conteúdo va- riado são comuns no mesófilo das legu- minosas (SOLEREDER, 1908), tendo sido constatadas na espécie estudada cé- lulas de conteúdo tanífero de coloração marrom-avermelhado, ocorrendo com re- lativa frequência próximo aos feixes, o que afigura como um dos elementos secretores apontados para a subfamília, observado em espécies de vários gêneros de Papilionáceas, entre eles Arachis (METCALFE & CHALK, 1957). Segundo ESAU (1959) as células da bainha, com relativa frequência, são pro- vidas de extensões laterais, as quais to- mam parte nos processos de condução, facilitam a comunicação com o tecido es- ponjoso (HABERLANDT, 1928), poden- do ainda armazenar e conduzir água (SHULL, 1934, WYLIE, 1943) in FAHN, 1978. A estrutura do mesófilo de A pros- irata exibe essa extensão da bainha, for- mando uma camada subepidérmica aba- xlal, que provavelmente deve estar rela- cionada às funções acima mencionadas. Principalmente quando se considera a sua Propagação. Referências Bibliográficas BAITELLO, J. B. — Anatomia do desen- volvimento de Bauhinia rufa (Bong.) S teud. L eguminosae-Cesalpinioideae. Tese de Doutoramento apresentada ao Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da Universi- dade de São Paulo. 1 50 p., 1 980. BARROSO, G.M. — Leguminosas da Gua- nabara. Arquivos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. 18 :1 09-1 77, 1965. 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The results obtained by the study of the vegetative organs form a basis for a future comparison with A. giabrata Benth., in an attempt to resolve the taxo- nomic problem involuing these two species. 56 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 49-56, Julho-Dez 85 SciELO/JBRJ, 14 15 16 17 18 19 20 cm Flora do Estado do Rio de Janeiro - Família Trigoniaceae Elsie FrankHn Guimarães 1 João Rodrigues Miguei 2 1 Pesquisadora do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científi- co e Tecnológico (CNPq). 2 Bolsista do Conselho Nacional de De- senvolvimento Científico e Tecnológi- co (CNPq). I — Introdução Sempre foi do nosso interesse o estu- do da flora do Rio de Janeiro principal- mente das Trigoniaceae, dada a estrutura peculiar de suas flores e frutos. Este trabalho tem como finalidade o conhecimento, a descrição e distribuição geográfica das espécies do gênero Trigonia Aublet que ocorrem no referido estado. Para conclusão desse estudo encon- tramos algumas dificuldades, pois as espé- cies de Trigoniaceae são pouco coletadas, provavelmente devido a perda de suas fo- lhas após a frutificação, entretanto, a identificação das espécies é facilitada quando o material se encontra provido de frutos. Procuramos sanar neste trabalho es- sas dificuldades, oferecendo chave analíti- ca e dados que facilitem a identificação das espécies deste gênero. II — Material e Método No estudo das oito espécies de Trigo- nia Aublet, ocorrentes no Estado do Rio de Janeiro, utilizou-se o material vivo e herborizado, depositado em coleções de instituições nacionais e estrangeiras, cedi- das por empréstimo, examinando, tanto quanto possível, os tipos dos táxons. Os desenhos que ilustram o trabalho foram feitos utilizando o microscópio estereos- cópico com o auxílio da câmara clara em diferentes escalas de aumento. Relaciona-se a seguir os herbários uti- lizados e as respectivas siglas: B — Totanishes Museum, Berlin, Ger- npany C — Botanical Museum und Herba- rium, Copenhagen, Denmark G — Conservatoire et Jardin Botani- ques, Genéve, Switzerland GOET — Gottingen, Germany: Sys- tematisch — Geobotanisches ln- stitut, Universitat Gottingen GUA — Departamento de Conserva- ção Ambiental — Herbário Alber- to Castellanos — Rio de Janeiro — Brasil. HB - Herbarium Bradeanum, Rio de Janeiro, Brasil M — Botanischer Staatssammlung, Munchen, Federal Republic of Germany MO — Missouri Botanical Garden, Saint Louis, Missouri - USA P— Muséum National d'Histoire Na- turelle, Laboratoire de Phanéro- gamie France. R — Museu Nacional do Rio de Janei- ro — Departamento de Botânica RB — Jardim Botânico do Rio de Ja- neiro odriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 57-72, Julho-Dez 85 SciELO/ JBRJ 3 14 15 16 17 lí 19 20 cm RFA — Departamento de Botânica, Instituto de Biologia da UFRJ, Rio de Janeiro S — Sektion for Botany Swedish Mu- seum of Natural History (Natur- historiska Riksmusseet) Stoc- kholm, Sweder SP— Instituto de Botânica de São Paulo TUB — Institut fur Biologie I speziel- le Botanik, Lelvibereich US — U.S. National Herbarium, De- partment of Botany, Smithso- nian Institution, Washington — USA VIC — Departamento de Biologia Ve- getal da Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil W — Naturhistoriches Museum, Wien, Áustria Agradecimentos Ao Conselho Nacional de Desenvolvimen- to Científico e Tecnológico pelas bolsas conced idas. À Bióloga Luciana Mautone pela confec- ção dos mapas. Aos curadores dos herbários das institui- ções citadas no texto, pelo empréstimo de suas coleções. III — Resultados: 3.1 Descrição da família TRIGONIACEAE Mart. Martius, Conspec. 51.1835; Endlicher, gen. Plant. 5659 Supp. 4(3): 82-1840; Grisebach, Linnaea 22:27.1849; Warming in Mart. Fl. Bras. 13(2) :1 17.1 875; Barth, Buli. Herb. Boiss. 4:481. 1896; Petersen in Engler et Prantl, Nat. Pflanzenfam. 3(4) :309. 1896. Standley, North Am. Fl. 25(4) :297. 1924; Van Steenis, Fl. Male- siana 1 (4) :58. 1 949. Stafleu in Pulle. Fl. Suriname 3 (2) : 1 74. 1 951 ; Perrier et Lean- dri Fl. de Madagascar 108:1.1955; Reitz in Reitz. Fl. Ilustr. Catarinense 1 (13) 3:1967; Austin. Fl. Panama, Ann. Mis- souri Bot. Gard. 54(3) :207. 1968; Ng. tree Fl. Malaya 1:448.1972; Lleras in Fl. Neotrop. Monog. 19:28. 1978. Árvores, arvoretas, arbustos escan- dentes ou não, subarbustos ou lianas com ramos lenhosos, lenticelados ou não, ere- tos ou flexuosos, não muito raro, alonga- dos que envolvem outras plantas mais al- tas e quando isolados se enrolam sobre si mesmos. Folhas geralmente opostas, rara- mente alternas, estipulas grandes, interpe- ciolares, padrão de nervação broquidódro- mo. Inflorescências em racemos simples, cimeiras ou cíncinos de duas ou mais flo- res, as vezes em panículas. Brácteas linea- res ou lanceoladas, às vezes bífidas. Flores hermafroditas; cálice com 5 sépalas con- crescidos na base e um pouco desiguais entre si, as duas internas um pouco maio- res; corola zigomorfa com geralmente 5 pétalas, apresentando calcar; estames 3- 1 2 dispostos ou não sobre uma membrana que envolve o ovário; geralmente 3-4 estaminódios, dispostos anteriormente aos estames, com filetes glabros ou pilo- sos; ovário trilocular de um a muitos óvu- los por lóculo; estilete terminal com estig- ma imerso ou não. Fruto cápsula trigonal septicida, de forma e tamanho variáveis, interna e externamente glabra ou tomen- tosa, às vezes o pericarpo apresenta-se len- ticelado, rugoso ou com protuberância; a deiscência se inicia ora do ápice para a base ou concomitantemente nas extremi- dades; presença de replo formando seis cordões dos quais pendem as valvas, cons- tituindo três colunas bem distintas ou quase imperceptíveis, às vezes aderentes ao endocarpo, de consistência córnea; se- mentes delicadas em Trigonia são envolvi- das por pêlos longos que tomam o aspec- to de um novelo de lã, em Trigoniastrum obovadas, com endosperma relativamen- te escasso, carnoso e embrião também carnoso, com cotilédones elípticos, arre- dondados, às vezes cordados, com eixo hi- pocótilo-radícula cilíndrico. Apresenta os gêneros Trigonia Aublet, Trigoni astrum Mig. e Humbertiodendrom Leandri. Trigonia Aublet tem cerca de 30 es- pécies distribuídas nas Américas. No Bra- sil ocorrem 18, sendo 8 no Estado do Rio de Janeiro. Trigoniastrum Miq. com 2 es- pécies e Humbertiodendrom Leandri com 1 espécie ocorrem na Malaia. O gênero Euphronia Mart. desta fa- mília, atualmente, faz parte das Vochysia- ceae, segundo Lleras (1976:43-47). É conhecido vulgarmente como famí- lia-do-cipó-de-paina, devido a sua utiliza- ção. 3.2 Descrição do gênero TRIGONIA Aublet Aublet., Hist. PI. Guian. Franc. 1:387, t. 149, 150. 1775; Lamarck, Tab. Enc. 1 (2) t. 347. 1797; Jussieu, Gen. PI. 253. 1789; Vahl, Eclog. Am. 2:52. 1789; Kunth in Humboldt, Bonpland et Kunth, Nov. Gen. Sp. PI. 5:141. 1822; Gandolle in DC. Prod. 1 :572. 1 824; Cambessèdes inSaint- Hillaire, Jussieu et Cambessèdes, Fl. Bras. Mer. 2:112, t. 105. 1829; Meissner, Gen. PI. 1080. 1840; Warming, in Mart. Fl. Bras. 13(2) 122. 1875; Petersen, in Engler Prantl. Pflanzenfam. 3(4) :31 1. 1896. Reitz, Trigoniaceae in Reitz Fl. Ilustr. Cat. 3:1967; Lleras in Fl. Neotrop. Monogr. 19:29. 1978. Hoeffnagelia, Necker, Elem. Bot. 3:68. 1790. Mainea, Vell. Fl. Flum. 275. 1829 (1825); ícones 7. t.8 1831 (1827); in Arch. Mus. Nac. Rio de Janeiro 5259. 1881. Arvoretas, arbustos escandentes ou não, subarbustos ou lianas com ramos le- nhosos, lenticelados ou não, eretos ou fle- xuosos, não muito raro, alongados que en- volvem outras plantas e, quando isolados, se enrolam sobre sl mesmos. Folhas opos- tas, pecioladas, com estipulas inteiras. Flores hermafroditas dispostas em race- mos simples ou em panículas tirsóides. Cálice com 5 sépalas desiguais, duas inter- nas eretas com prefloração quincuncial e 3 externas concrescidas na base, geral- mente providas de pilosidade interna e ex- terna. Corola 5 pétalas, uma externa (es- tandarte) maior que as demais, saciforme, reflexa e alongada na base ou não, pilosa na fauce, geralmente emarginada no ápi- ce; duas laterais (alas) lineares ou espatu- ládas, providas de um tufo de pêlos um pouco acima da base; duas internas (ca- renas), que envolvem os estames e que, por uma torção para a frente, são unidas em forma de quilha, inequilaterais; esta- mes opostos à pétala gibosa e em número de 6-12 (nas espécies do Rio de Janeiro 6-7), com filetes geralmente curtos e unidos na base, formando um tufo mem- branáceo, fendido longitudinalmente diante da pétala calcarada, por onde con- tinua por dois ou quatro nectários loba- dos, constituindo uma espécie de disco; ovário ovado, profusamente tomentoso, atenuado em direção ao estilete, trilocu- lar, multiovulado, com óvulos dispostos em placenta axial, estilete terminal com estigma imerso. Cápsula trigonal, septici- da, de forma e tamanho variáveis, de ápi- ce arredondado ou abruptamente acumi- nado, com valvas naviculares, inteiras ou fendidas no ápice; pericarpo externamente tomentoso ou glabro, liso ou lenticelado, rugoso ou com protuberâncias; endocar- Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 57-72, Julho-Dez 85 SciELO/JBRJ, 14 15 16 17 lí 19 20 po internamente glabro ou seríceo to- mentoso, de ápice bífido ou inteiro dis- sociando-se do pericarpo. Tomando-se por base o tipo de aber- tura das cápsulas e a relação replo-valva, consideramos dois grupos: Grupo I: No qual as cápsulas se abrem do ápice para a base, com re- plo ora visível ora imperceptí- vel. Valvas presas pela base: Tri- gonia eriosperma ( Lam.) , Trigo- nia boliviana Warm., Trigonia paniculata Warm. e Trigonia laevis Aublet. Grupo II: No qual as cápsulas se abrem concomitantemente nas extre- midades, replo formando seis cordões com valvas deles pen- dentes: Trigonia villosa Aublet, Trigonia nivea Camb., Trigonia rytidocarpa Casar, e Trigonia rotundifolia Lleras. O nome Trigonia foi criado por Au- blet (1775), ao descrever o gênero e as es- pécies T. villosa e T. laevis com base na forma trigonal de suas cápsulas. As oito espécies de Trigonia Aublet ocorrentes no Estado do Rio de Janeiro são distinguíveis pelos caracteres contidos na chave: 3.3 Chaves para as espécies A. Frutos apiculados ou acuminados I. Frutos com protuberâncias no epi- carpo a. Folhas glabras no dorso; flores com pétala saciforme glabra exter- namente; fruto tomentoso... 1 — T. rytidocarpa. aa. Folhas tomentosas no dorso; flores com pétala saciforme pilosa exter namente; fruto piloso.. 2 — 7. bo- liviana. II. Fruto com epicarpo liso b. Folhas com margem clara pilosa; nectários glabros 3-7. paniculata bb. Folhas sem margem clara; nec- tários tomentosos 4 — 7. laevis AA. Frutos não apiculados ou raramente subapiculados c. Folhas com tomentos alvo-lanu- ginoso d. Folhas arredondadas . . . 5 — 7. rotundifolia dd. Folhas lanceoladas. . 6 — 7. nivea cc. Sem estas características e. Folhas obovadas, vilosas; frutos longos 5—11 cm de comprimento, externa e in- • ternamente fulvo denso-to- mentosos 7 — 7. v illosa ee. Sem estas características f. Inflorescências em paní- culas; folhas com tomen- to alvo; fruto com valvas angulosas no dorso .... ... 3 — 7. paniculata ff. Inflorescências em tirsos; folhas glabrescentes; val- vas do fruto com dorso arredondado .... 8 — 7. eriosperma 3.4 Descrição e Discussão das Espécies 1. Trigonia rytidocarpa Casareto Figs. 1, 2, 19 a. Casareto, Nov. Stirp. Bras. Dec. 76. 1845; Lleras in Fl. Neotrop. Monogr. 19.59. 1978; Trigonia glazioviana Warming in Mart. Fl. Bras. 13 (2) 129. 1875; Petersen in Engler et Prantl. Nat. Pflanzenfam. 3 (4) :310, fig. 166, 1896. Arbusto escandente, com ramos sub- glabros, profusamente lenticelados. Folhas com pecíolo piloso 6-13 mm de com- primento; lâmina elíptica, oblonga, rara- mente subobovada, brilhante e glabres- cente na face ventral, flocoso-lanuginosa na face dorsal; ápice abruptamente acu- minado, base aguda raramente obtusa, 6-10,5 cm de comprimento, 3-6,5 cm de largura. Nervuras 7-9, oblíquas, ascendentes, salientes em ambas as faces; estipulas caducas, parcialmente pilosas, bífidas. Inflorescências dispostas em paní- culas axilares e terminais de 4,5-18 cm de comprimento, flores cremes ou alvas; cálice alvo-amarelado, de tomentoso a pi- loso; sépaias 2-4 mm de comprimento, 1 mm de largura; estandarte de 4-5 mm de comprimento, obtuso na base, emargi- nado no ápice, glabro na face externa da giba e piloso internamente 2, 1-2,3 mm de comprimento; alas espatuladas, emargi- nadas no ápice 2, 5-2, 9 mm de compri- mento; estames 6-7 com anteras globo- sas 0,5-0,8mm de diâmetro; nectários glabros 2, bilobados; ovários 0,3-0, 8 mm de diâmetro, com estilete tomentoso 0,5-0, 9 mm de comprimento. Cápsula oblonga ou elíptico-oblonga, rugosa, den- so-fulvo-tomentosa, abruptamente acumi- nada, acúmen obtuso com 1-2,5 mm de comprimento, 0,9-1,5cm de diâme- tro; valvas naviculares, com endocarpo bífido no ápice e internamente provido de pilosidade delicada, deiscência do ápi- ce para a base embrião elíptico. Isotypus: "Crescit in collibus apricis circa Rio de Janeiro". G. Distribuição geográfica: Brasil nos esta- dos de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Etimologia: Nome dado devido à seme- lhança com o fruto do gênero Rytidocar- pa da família Cruciferae. Material estudado: crescit in collibus apri- cis circa Rio de Janeiro, Casareto 1956 (1857) G (isótipo); Rio de Janeiro, Schott 5980, W; Glaziou 877, G; fíiedel 660. G; Corcovado et Tijuca, Glaziou 12499 (1882) G; ibidem, Glaziou 733.2506. 579, G (sintipos de 7. Glazioviana) -. entre Tijuca e Jacarepaguá, Glaziou 10729 (10- 1-1879) R,G,S; Reserva Florestal da Fá- brica Aliança, J.G. Kuhlmann ( 1 7-1 II- 1922) RB; Floresta da Covanca, J.M. Vieira (29-IV-1947) 'RB; Petrópolis, Bair- ro do Amoedo, G. Constantino 805 (XII- 1943) RB. Espécie descrita por Casareto em 1845, com base em material por ele cole- tado sob. n9 1956. Na obra original rece- beu o n? 82 que se encontra representado no isótipo da exsicata, depositada em Ge- nève e por nós examinada. O holótipo se encontra no Herbário Regneli Turin. TO Analisamos os sintipos de Trigonia glazioviana Warm. e verificamos serem es- tes exemplares idênticos à Trigonia ryti- docarpa Casar, concordando, assim com Lleras (1978), quanto à sinonímia. 2. Trigonia boliviana Warming. Figs. 3, 4, 19a. Warming in Mart. Fl. Bras. 13 (2): 134. 1875; Lleras in Fl. Neotrop. Monogr. 19.57.1978; Miguel et al. Boi. Mus. Bot. Mun. Curitiba 33:1.1978. Arbusto com ramos de tomentosos a glabros, eretos, lenticelados, de 3-6 mm de diâmetro, entrenós de 1-5 cm de comprimento. Folhas com pecíolo de to- mentoso a piloso, 2-8 mm de compri- mento; lâmina obovada-elíptica ou elíp- tica, membranaceae, de tomentosa e gla- brescente na face dorsal e de pilosa a gla- Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 57-72, Julho-Dez 85 59 cm l SciELO/JBRJ 1 - 14 15 16 17 lí 19 20 Fig. 1 — Trigonia rytidocarpa Casar 1. Detalhe da inflorescéncia — 2. Flor — 3. Ala (Pétala lateral) — 4. Es- tandarte (Pétala saciforme) — 5. Botão Floral — 6. Embrião — 7.8. Péta- las carenadas: visão interna — 7a-8a. Pétalas carenadas: visão externa. — 9. Cápsula. Fig. 2 — Trigonia rytidocarpa Casar. bra na face ventral, base obtusa ou ate- nuada, 2-5 cm de comprimento, 1- 2,5cm de largura; estipulas elipticas, pi- losas, de ápice inteiro, 3-4 mm de com- primento, 1,5-2 mm de largura. Inflo- rescências dispostas em cíncinos, às vézes constituindo panículas axilares ou termi- nais, de raque tomentosa, de 5-8 mm de comprimento; brácteas lineares, tomento- sas com 2,5-3 mm de comprimento; flo- res cremes, congestão, botão floral ovado, levemente acuminado, piloso, 2-5 mm de comprimento, 0,5- 1,5 mm de diâme- tro; cálice amarelo-alvo-tomentoso, sépa- las 3-4 mm de comprimento, 1-2 mm de largura; estandarte piloso externamen- te na base; alas 3-4 mm de comprimen- to, 1-1,3 mm de largura; carenas pilosas internamente, glabras externamente, 2- 3,5 mm de comprimento, 1-2,5 mm de largura; estames 6-7; anteras 0, 2-0,3 mm de comprimento; estaminódios 3-4; ovário tomentoso de 0,5-1 mm de diâ- metro; estilete de tomentoso a glabro no ápice, 2 mm de comprimento; estigma ca- pitado. Cápsula elíptica, abruptamente acuminada com deiscência do ápice para a base; pericarpo provido de protuberân- cias; endocarpo inteiramente glabro, fen- dido no ápice, com 1,5-2,5cm de com- primento, 0,5- 1,5 cm de diâmetro; em- brião 1 ,5-2 mm de comprimento. Holotypus: Bolívia, Cumminng 214. W Distribuição geográfica — Brasil no Esta- do do Rio de Janeiro. Bolívia. Etimologia: Provém do país onde a espé- cie foi coletada pela primeira vez. Material estudado: Brasil: Rio de Janeiro: Petrópolis, mata secundária na Estrada do Contorno ± 700 m, D. Sucre et P.l. S. Braga 354 (23-111-1968) Gua, RB; ibidem. Mata do Judeu, D. Sucre 4215 et P.I.S. Braga 1171 (7-XII-1968) RB; ibidem, Retiro, O.C.Goes et D. Constan- tino 729 (XI-1943) RB. 3. Trigonia paniculata Warming Warming in Mart. F|. Bras. 13(2) : 1 32 t. 125.1875; Lleras, Fl. Neotrop. Monogr. 1 9 :54. 1 978; Pio Corrêa 2 :290. 1931. Tri- gonia schottiana Warm. 1 .c. 133 Arvoreta ou arbusto escandente, de ramos tomentosos, estriados, lenticelados. Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 57-72, Julho-Dez 85 cm 1 2 3 4 5 6 7 SciELO/JBRJ 1 cm Fig. 3 — Trigonia boliviana Warm. 1. Cálice — 2-3. Pétalas carenadas, visão interna — 2a-3a. Pétalas carena- das, visão externa — 4. Ala (Pétala lateral) — 5. Estandarte (Pétala saci- forme) — 6. Detalhe do androceu. — 7. Cápsula. Fig. 4 — Trigonia boliviana Warm. 1-5 mm de diâmetro; entrenós 2-4 cm de comprimento. Folhas com pecfolo to- mentoso, cilíndrico, 2-6 mm de compri- mento; lâmina lanceolada, membranácea de tomentosa a pilosa na parte dorsal e com pilosidade marginal mais clara, glabra na face ventral, de ápice acuminado, base atenuada ou aguda, 3-9,5 cm de com- primento, 1 -4 cm de largura; nervuras 5-9, salientes na face dorsal e impressas na ventral, pilosas em ambas as faces. Es- tipulas tomentosas, lineares, acuminadas, caducas, 1 mm de comprimento. Inflores- cências racemosas, com 2-3 flores, em panículas terminais ou axilares; flores al- vas ou cremes, denso-fulvo-tomentosas; sépalas 3-4 mm de comprimento, 1 mm de largura; estandarte estreito, ereto de piloso a glabro externamente, piloso in- ternamente, 4-4,5 cm de comprimen- to, 1 mm de largura; alas com 3 mm de comprimento, 1-1,5 mm de largura; ca- renas com 3-3,5 mm de comprimen- to, 1-2 mm de largura; estames 6-7; anteras arredondadas com 0,2 -0,3 mm de diâmetro; estaminódios 3-4; ovário 0,7-0,8 mm de diâmetro; estilete glabro 0,7-0, 9 mm de comprimento; nectários 2, bilobados. Cápsula oblonga, externa- mente pilosa, com endocarpo provido de pêlos curtos, valvas com dorso agudo. Lectotypus: Brasil, R. Janeiro, Laranjei- ras Glaziou 2938 (Lheras, Fl. Neotrop: 54.1978), C. Distribuição geográfica; Brasil nos Esta- dos do Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Etimologia: O nome deriva-se do latim e está relacionado com o tipo de inflores- cência. Material estudado: Brasil (herb. W. Bello n9 29) R; ibidem, Riedel 1228, G; ibi- dem, idem n9 2 pp. G; ibidem, Martii Herb. Florae 989 G,W; ibidem, M. Guil- lermin 1839, G; ibidem, Riedel G; ibi- dem, Schuch, W; ibidem, Glaziuou 2938, 3882 (síntipos de T. panicu/ata) C; ibi- dem, Glaziou 5793 W; (síntipos de T. pa- niculata)- Rio de Janeiro: Widgren (1844) S; ibidem, idem n9 505, S; ibidem, Schott 1677 W (Lectotypus T. schottiana); ibidem, Vauthier 168 (1836) G; ibidem, Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 57-72, Julho-Dez 85 61 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 lí 19 20 Fig. 5— Trigonia paniculata Warm. Fig. 6 — Trigonia paniculata Warm. 1. Detalhe da inflorescência — 2. Flor — 3. Estandarte (Pétala sacifor- mel — 4-5. Pétalas carenadas, visão interna — 4a-5a. Pétalas carenadas, visão externa — 6. Ala (Pétala lateral) - 7. Gineceu e androceu — a Corte transversal da cápsula — 9. Cápsula. Schott 5977, W; ibidem, idem 5979 W; Vista Chinesa (22-VI-89) RB; ibidem, E. Pereira, 4256 et A.P. Duarte (29-1-1959) RB, RFA; ibidem. Li ene Dimitri, AP. Duarte e E. Pereira 3/63 (20-V-1958) RB, RFA; ibidem, Schwacke (23-VII-39) R; ibidem, idem (XI-1889) R; Matado Horto, P. Horto Florestal (7-V-27) RB; Reserva Florestal da Fábrica Aliança, J.G. Kulhmann (17-111-1922) RB; Estrada do Redentor, A.C. Brade 11329 (14-11- 1 932) R ; Corcovado, Glaziou 6485 (9-1 1 1- 1873) R,G; (sfntipo de T. schottiana); Pe- trópolis, Carangola, C. Goes e D. Constan- tino 509 (9-1948) RB; Retiro, margem do Rio Piabanha, D.C. Goes e D. Cons- tantino (1944) RB; Mundo Novo, Botafo- go, J.G. Kuhlmann (V-1937) RB; Estrada do Sumaré, Vertente Sta. Teresa, E. Pe- reira 4529 e A. P. Duarte (24-1 1-1959) RB; RFA; Mesa do Imperador, P. Occhioni 565 (1-V-1946) RB; Serra da Carioca, A.C. Brade 10705 (31-111-1931) R; Tere- sópolis. Fazenda Boa Fé, H. P. Vellozo (14-11-1943) R; Est. do Rio, próximo a Parada Modelo, Cortume Carioca, P. Occhioni 6993 (1-11-1975) RFA. 4. Trigonia laevis Aubl. Figs., 7, 8, 19b. Aublet, Hist. PI. Guian. Fr. 1 :390, pl. 150. 1775; Vahl, Eclogae Americanae 2:52. 1798; Candolle in DC Prod. 1:571. 1824; Warming Trigoniaceae in Mart. Fl. Bras. 13(2) :1 31 . 1875; Lleras, Trigonia- ceae in Fl. Neotrp. Monogr. 19:38. 1978. Guimarães, Costa et Miguel, Rodriguésia 36(58) :52. 1984. Trigonia kaieteurensis Mag. Buli. Torrey Bot. Club. 75 (4): 399. 1948. Arbusto escandente ou semi-ereto com ramos cilíndricos, de pilosos a gla- brescentes, lenticelados, 2-4,5 mm de diâmetro, entrenós variando de 2-5 cm de comprimento. Folhas com pecíolo ci- líndrico, piloso, 4-5 mm de comprimen- to; lâmina membranácea, elíptico-ovada, 62 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 57-72, Julho-Dez 85 cm 1 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 Fig. 7 — Trigonia laevis Aublet. 1. Flor, onde se podem observar detalhes do cálice e pétala saciforme. — 2. Pétala saciforme — 3. Pétala lateral — 4a-4d Lacfnios isolados do cálice — 5-6. Pétalas carenadas — 7. Detalhe do androceu — 8. En- docarpo, visão lateral mostrando os pêlos da semente — 9. Valva, visão externa. Fig. 8— Trigonia laevis Aublet. com pêlos em ambas as faces, ápice arre- dondado ou em acúmen brevíssimo, base arredondada, 4-7 cm de comprimento, 2,4-3, 5 cm de largura; nervuras 4, sa- lientes em ambas as faces, com pêlos es- parsos; estipulas interpecioladas, bífidas, inteiramente partidâs, pilosas, 1,5-2 mm de comprimento, elípticas, de ápice agudo. Inflorescências terminais em paní- culas e axilares tirsoideas, 5- 13 cm de comprimento; brácteas elíptico-ovadas, inteiras, acuminadas com 1,0 mm de com- primento. Flores congestas; botão floral ovado, tomentoso, levemente acuminado 1-2 mm de comprimento; cálice piloso, sépalas desiguais, inteiras, pilosas em am- bas as faces, ápice obtuso em algumas e agudo em outras, com 3-5 mm de com- primento, 0,5-1 mm de largura; estan- darte de ápice inteiro, emarginado ou ar- redondado, com 5-6 mm de compri- mento, com pêlos no dorso do lobo; alas com 3-4 mm de comprimento; carenas glabras, de ápice arredondado com 3-4 mm de comprimento; estames 6-7; an- teras com 0,2-0, 5 mm de diâmetro; es- taminódios 3-4; nectários 2 ovados, in- teiros, com pêlos na face superior; ovário ovado, tomentoso com 0,5-0,8 mm de diâmetro; estilete glabro, 2-2,5 mm de comprimento; cápsula de elíptico-oblon- ga a elíptica, 2,5-3 cm de comprimento, 0,8-1 cm de diâmetro, com deiscência do ápice para a base, valvas presas na ba- se; pericarpo membranáceo, denso-rufo- viloso; endocarpo 2-3,5 cm de compri- mento, 0,4-1 cm de largura, replo ereto às vezes imperceptível; embrião plano. Isotypus. "Florebat frutuque ferebat augusto Habitat ad ripam rivuli, prope radicem montis Courou". Leg. Aublet. W Distribuição geográfica: Brasil nos Esta- dos do Amazonas, Rio de Janeiro e Espí- rito Santo. Guianas. Material examinado: Brasil: Rio de Janei- ro, Petrópolis, Carangola, D. Constantino 553 (IX-1943)RB; Campos, A. Sampaio (1939) R; Tapinhoé, O. Machado (V- 1950) RB. Espécie descrita por Aublet 1775, com base em material coletado em Mon- Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 57-72, Julho-Dez 85 63 cm l SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 lí 19 20 tes Couru, nas Guianas, muito próxima a T. microcarpa Sagot, da qual difere pelas folhas membranáceas, inflorescências me- nores, flores maiores, frutos grandes e api- culados. 5. Trigonia rotundifolia Lleras Figs. 9,10,19b. Lleras Flora Neotrop. Monogr. 19:33, fig. 12. 1978. Arbusto escandente, de ramos gla- brescentes, lenticelados, com pêlos ad- pressos e alvos quando jovens; estipulas caducas. Folhas com pecíolo glabrescen- te, estriado, de 1 -2,5 cm de comprimen- to; lâmina arredondada, glabrescente na face ventral, alvo lanuginosa na dorsal, de ápice e base obtusa, 6-15 cm de compri- mento, 3-11 cm de largura. Inflorescên- cias em panfculas terminais ou axilares, raque tomentosa, 10-27 cm de compri- mento; brácteas e bracteolas elfpticas, to- mentosas, 2-3 mm de comprimento; bo- tão floral ovado, tomentoso, 2-4 mm de comprimento, 1,5-3 mm de diâmetro. Flores dispostas em cíncinos 2 raramente 3, com pedúnculo tomentoso, 1-1,5 mm de comprimento; sépalas pilosas na face externa e glabrescente na interna de ápice arredondado, 5-6 mm de comprimento; estandarte provido de pêlos na face inter- na da giba, glabro externamente, lobo do ápice fendido, 6-7 mm de comprimen- to, 1, 5-2,5 mm de largura; alas de ápice arredondado, 6-7 mm de comprimento, 1,5-2 mm de largura; carenas glabras com 4-5 cm de comprimento, 3-4 mm de largura, nectários 2,3 ou 4 loba- dos; estames 6 com anteras de 0,8-1, 2 mm diâmetro; estaminódios 3-4; ovário com estilete tomentoso, com 1,5-2, 5 mm de diâmetro. Fruto jovem tomento- so. Nome vulgar: Cipó caboclo. Holotypus: Rio de Janeiro, woodes above Mangaratiba on road Rio Leg. L.B. Smith e E.L. Willians n9 15441 (14-11-1968) US. Distribuição geográfica: Brasil no Estado do Rio de Janeiro. Material estudado: Rio de Janeiro, Woodes above Mangaratiba on road Rio Claro, L. B. Smith e E.L. Willians 15441 (14-11- 1968) US; Angra dos Reis, Jussaral, A. C. Brade 14927 (29-VI-1935) RB. Espécie próxima a T. nivea Camb.,da qual difere pelas inflorescências panicula- das, flores e folhas maiores, arredondadas. O nome da espécie está relacionado à for- ma arredondada de suas folhas. 6. Trigonia nivea Camb. Cambessèdes in Saint-Hillaire, Jussieu et Cambessèdes, Fl. Bras. Mer. 2 : 1 13.1829; Grisebach, Linnaea 22:29. 1849; Warming Fig. 9— Trigonia rotundifolia Lleras. 1. Botão floral — 2. Flor — 3. Estandarte (Pétala saciforme) — 4. Flor aberta, detalhe das pétalas internas, androceu e gineceu — 5. Ala (Pétala lateral) —6a-6d Sépalas isoladas — 7. Gineceu e androceu. 8e 9a. Pétalas carenadas, visão interna — 8a e 9. Pétalas carenadas: visão externa. Fig. 10— Trigonia rotundifolia Lleras. 64 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 57-72, Julho-Dez 85 cm i SciELO/JBRJ 1 3 14 15 16 17 lí 19 20 in Mart. Fl. Bras. 13 (2) : 134.1875; Reitz in Reitz Fl. Ilust. Cat. 3. 1967. Pio Corrêa 2:290. 1931. Lleras in Fl. Neotrop. Mo- nogr. 19 :50. 1978. = Trigonia candida Warming in Mart.FI. Bras. 13(2). 139. 1875. = Trigonia nivea forma paniculata Chodat et Hassler. Buli. Herb. Boiss. 2 (8) .801 . 1903. = Trigonia ovalifolia Glaziou, Men. Soc. Bot. Fr. 1(3) : 34. 1905. Arbusto escandente, com ramos quando jovens alvos ou cinéreo-flocoso- lanuginosos, glabrescentes com a idade, lenticelados, estriados com diâmetro va- riando entre 1-6 mm; entrenós de 0,5- 12,5 cm de comprimento. Folhas com pe- cfolo flocoso-lanuginoso, canaliculado ou não, de 0,4-1 cm de comprimento; lâmi- na lanceolada, obovada, elíptica, ou sub- espatulada; flocosa-lanuginosa no dorso, ápice agudo, abruptamente acuminado, raramente obtuso, mucronado ou não, ba- se aguda, obtusa ou atenuada, 3-13 cm de comprimento, 1,5-6 cm de largura, margens revolutas; nervuras em número de 6-16 ora impressas na face ventral ora salientes em ambas. Estipulas cadu- cas, lineares estrigosas, bífidas no ápice, tomentosas variando entre 3-9 mm de comprimento. Inflorescência terminal ou axilar, panículas ou racemos 4,5-15 cm de comprimento; botões 2-5 mm de comprimento; flores congestas ou não; brácteas e bracteolas glandulosas na mar- gem ou não, 1 -3 mm de comprimento, 0,5-1 mm de largura. Cálice com sépalas variando entre 5-6 mm de comprimento e 1,5-3 mm de largura. Corola alvo-ama- relada, com estandarte piloso na face in- terna com 5-6 mm de comprimento e com alas e carenas variando entre 4-5,5 mm de comprimento, estames 6-7; an- teras oblongas; estaminódios 3-4; ová- rio subgloboso, de piloso a glabro, estilete trilobado. Cápsula elíptica, oblongo-elíp- tica, rufo vilosa, velutínea internamente ou algumas vezes glabra; valvas cimbifor- mes, carenadas ou não no dorso, seção transversal angular ou arredondada 4-7 mm de comprimento, 1,3-1, 5 mm de diâmetro. Cambessède descreveu Trigonia nivea, com base em material coletado no Rio de Janeiro, mencionando que as cápsulas é alongada, rugosíssima e provida de três ângulos. A comparação do farto material estudado com o typus depositado em Pa- ris forneceu subsídios para discursão des- ta espécie. A análise do material coletado por Glaziou n? 505, depositado em Coppe- nhagen, pertencente a Trigonia candida Warm., nos possibilitou verificar que cor- responde à descrição de Trigonia nivea Camb. As cápsulas deste material, em cor- te transversal, apresentam o dorso irregu- lar e arredondado. O estudo de Trigonia nivea nos con- duziu à análise de outras espécies próxi- mas: Trigonia pubescens Camb. e Trigonia fasciculata Griseb, consideradas por Lleras como variedades de T nivea com o que concordamos. Compreende a espécie três variedades, ocorrendo no Estado do Rio de Janeiro as variedades nivea e pubescens, separá- veis pelos caracteres: A. Folhas alvo-tomentosas; fruto profu- samente ondulado, dorso arredonda- do, ápice geralmente obtuso 6a. Trigonia nivea var. nivea AA. Folhas acinzentadas; fruto liso, dorso agudo, ápice geralmente agudo.. 6b. Trigonia nivea var. pubescens 6a .Trigonia nivea Camb var. nivea Figs. 11, 12, 19b Arbusto escandente lanuginoso quan- do jovem, glabrescente com a idade, lenti- celado, estriado, diâmetro de 1-6 mm; entrenós variando de 0,5-5 cm de com- primento. Folhas com pecíolo lanugino- so, canaliculado, variando de 4-7 mm de comprimento; lâmina lanceolada, obo- vada ou subespatulada, densamente alvo- flocoso-lanuginosa no dorso, de lanugino- sa a glabrescente na face ventral; ápice abruptamente acuminado e mucronado, base aguda, 3-11 cm de comprimento, 1,5-6 cm de largura. Nervuras 10-16, impressas na face ventral salientes na dor- sal, de lanuginosas a esparso-pi losas. Esti- pulas caducas, acuminadas, bífidas no ápi- ce, tomentosas externamente e pilosas in- ternamente, 6,5-9 mm de comprimento. Inflorescências dispostas em panículas axilares ou terminais, de raque tomentosa ou lanuginosa 4,5- 15 cm de comprimen- to; brácteas e bracteolas glandulosas na margem, 1-1,5 mm de comprimento, 0,5-1 mm de largura. Cálice tomentoso, sépalas com 5-6 mm de comprimento. Corola alvo-amarelada, com estandarte pi- loso internamente 5-6 mm de compri- mento; alas emarginadas no ápice 4,5- 5,5 mm de comprimento; carenas 4-5 mm de comprimento; estames 6-7; an- teras 0,5-0,8 mm de diâmetro; nectá- rios 2 bilobados; estaminódios 3-4; ová- rio 1,1 -1,5 mm de diâmetro; estilete de tomentoso a glabrescente no ápice, 1,5- 2 mm de comprimento. Cápsula oblongo- elíptica ou elíptica, rufo-vilosa; valvas cimbiformes, carenadas no dorso, seção transversal angular ou arredondada, 4-7 cm de comprimento e 13-15 mm de diâmetro. Nome vulgar: cipó paina, siebra. lsotypus:St. Hilaire, Fototypus P. Distribuição geográfica: Brasil nos es- tados do Pará, Ceará, Pernambuco, Paraí- ba, Bahia, São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Santa Catarina. Paraguai. Etimologia: o nome da espécie é proveni- ente do latim niveus, a, um — branco co- mo a neve. Material estudado: Brasil Schott 1678 W; ibidem, Gardner 943 (1834) Brasil: Schott 1678 W; ibidem, Gardner 943 (1834) W; ibidem, Schuch\N; ibidem, Pohl W; ibidem, idem 192 W; ibidem, M. Cau- sem 104 G; Riedel 44 G; ibidem, M. Guil- lermin G; ibidem, Vetenant G; ibidem, Riedel et Langsdorf 819 G; ibidem, Freyreis S; ibidem, Widgren 1283, S; ibidem, (19-V-1959) R; Rio de Janeiro, Schwacke 1374 (1873) R; ibidem, M. Gaudichaud 981 (1833) G; ibidem, Wed- dell 202 (1858) G; ibidem, Guillemin 249 (1839) G; ibidem, Widgreen, S; ibidem, 2499 (1 -IX-1874) S; ibidem, Widgreen (1844) S; ibidem, Regnell (1841) S; ibi- dem, H. Mosen 2499 (1 -IX-1874) S; Leblon, E Pereira 102 (12-VII-1942) HB; ibidem, A. P. Duarte (XI-1945) R; Estra- da para Teresópolis, próx. a Parada Mo- delo, P. Ochioni 7003 (1-11-1975) RB; Serra dos Órgãos, M. Gardner 334 (1838) G; Teresópolis, Boa Fé, M. Vellozo (13- V-1943) R; ibidem, idem (5-VIII-1943) R; Mata do Horto Florestal, J. G. Kuhl- mann (23-XI-1 926) RB; Juturnahyba, A. Passareiii 102 (18-VI-1938) R; Matas do Corcovado, A. P. Duarte 102 (4-1946) RB; ibidem, A. P. Duarte et Rizzini 59 (4-1 11-1 946) RB; ibidem, Riedel 1198 G; ibidem, Schwacke (9-V-1889) R; Vista Chinesa, J. G. Kuhlmann 6317 (30-V- 1946) RB; ibidem J. P. Lanna 683 (8- IV-1964) RB, GUA; ibidem, Estação Bio- lógica, C. Angeli 52 (10-11-1960) RB; ibidem, J. P. Lanna 652 (29-XI-1963) RB, GUA; ibidem. Estação Biológica, C. Angeli 52 (X-1960) GUA; ibidem, idem 246 (20-XI 1-1960) GUA; ibidem, £ Ca- rauta 1554 (30-111-1937) GUA; Petrópo- lis. Mata do Judeu, mais ou menos 700 m, D. Sucre 4261 et P.I.S. Braga 1217 (7- XI 1-1 968) RB; ibidem, entre 850-980 m, idem 10650 et all. (5-11-1971) RB; Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 57-72, Julho-Dez 85 65 cm l SciELO/ JBRJ .3 14 15 16 17 18 19 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 57-72, Julho-Dez 85 cm 1 2 3 4 5 6 7 SciELO/ JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 Morro Nassau J. Saldanha 4929 (1879) R; Independência, A. C. Brade 10530 (1-X-1930) R; Ilha de Paquetá, Edm. Pe- reira ( 1 6-XI 1-1 945) RB; Caminho do Brejinho, idem 1258 e A. P. Duarte (29- 1-1959) RB; Morro do Cabrito, F. C. Hoe- ne 32 (XI 1-1914) R; Pedra da Gávea, A. C. Brade 10524 ( 1 4-V 1 1-1 970) R; Itatiaia, Edm. Pereira 48b (11-111-1943) RB; Ilha Grande, Represa, M. C. Viana 118 (27- IV-1973) RB, GUA; Ilha do Governador, Z. A. Trinta 511, et E. Fromm 1587 (21- 111-1964) R; ibidem, idem 1426 et ai (16-XII-1 970) R; Alto da Boa Vista, Pe- dra do Conde, H. F. Martins 124 (8-XII- 1959) RB, GUA; Floresta da Tijuca, M. Emmerich 258 (8-XII-1959) R; Carmo, município de Magé. P. Occhione 6872 (1-1975) RFA. 6b. Trigonia nivea var. pubescens (Camb) Lheras Fig. 13, 14, 19b. Lleras, in Flora Neotrop. Monog. 19:52. 1978. Cambessèdes in Saint-Hillaire, Jussieu et Cambessèdes, Fl. Bras. Mer. 2:114.1829. Warming in Mart. Fl. Bras. 1 3(2) :1 34. t. 26.1875. Reitz in Reitz Fl. Ilust. Cat. 3, figs. 1,2. 1967. Arbusto escandente de ramos ciné- reo-flocoso-lanuginosos, profusamente lenticelados, 1-3 mm de diâmetro, entre- nós variando de 2,5-12,5 cm de compri- mento. Folhas com pecíolos flocoso-la- nuginosos, 0,5-1 cm de comprimento cilíndricos lâmina elíptica, elíptico-oblon- ga, raramente lanceolada, ápice agudo ou raramente obtuso, com acúmen curtís- simo, base obtusa ou atenuada, esparso pilosa na face central, lanuginosa no dorso 3-7 cm de comprimento, 1,5- 3,5 cm de largura. Nervuras tomentosas na face dorsal, pilosas na ventral, em nú- mero de 6-11, salientes em ambas as faces, formando um retículo saliente na face dorsal. Estipulas lineares, bífidas no ápice, tomentosa, com 3 mm de com- primento. Inflorescências dispostas em panículas axilares e terminais, de raque tomentoso-amarelada 5-9 cm de com- primento; flores congestas, brácteas linea- res, tomentosas na face dorsal e de pilosa a glabra na face ventral, com 3 mm de comprimento, botão floral 2-4 mm de comprimento. Cálice com sépalas de 5 mm de comprimento e 2 mm de largu- ra; estandarte piloso na face interna da margem da giba e glabro externamente, 5-6 mm de comprimento; alas 4-5 mm de comprimento; carenas 4,5-5 mm de comprimento; nectários 2, 2-3 lo- bados; estames 6-7; estaminódios 3- 4; ovário com 1 mm de diâmetro; estilete de piloso a glabro, 1,8-2 mm de com- primento. Cápsula elíptico-oblonga, ve- lutínea interna e externamente, com 2- 4 cm de comprimento e 7-14 cm de diâmetro. "Typus: St. Hilaire 2205 Brazil, Minas Gerais, fl. (Holotypus MPU e Isotypus P" (Lheras, Fl. Neotr: 52.1978). Distribuição geográfica: Brasil nos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. Fig. 1 1 — Trigonia nivea Camb. var, nivea 1. Detalha da inflorescéncia — 2. Flor — 3. Ala (Pétala lateral) — 4. Estan- darte (Pétala saciforme) — 5. Cálice, gineceu e androceu — 6. Detalhe do androceu — 7 e 8. Pétalas carenadas: visão interna — 7a e 8a. Pétalas care- nadas: visão externa — 9. Cápsula, detalhe da valva. Fig. 1 2 — Trigonia nivea Camb. var. nivea cm Fig. 13— Trigonia nívea var. pubescens (Camb) Lleras. 1. Flor — 2. Estandarte (Pétala saciforme) — 3. Gineceu e androceu — 4. Ala (Pétala lateral) — 5-6. Pétalas carenadas: visão interna — 5a-6a. Pétalas carenadas: visão externa — 7. Embrião — 8. Cápsula, detalhe da valva com replo. Etimologia: do latim pubescens, tis, pu- bescente, piloso. Material estudado: Brasil Pohl, Schott, W; ibidem, Bowie e Cunnunghan 10 S; ibidem, Warming 5793, W; ibidem, Gaudichaud (1834) G; St. HM (1830) G; Rio de Janeiro: Schott 5982 W; ibidem, Mikam 5983 W; Queimados, Netto (IX- 1876) R; Pedro do Rio Faz. da Rocinha, Freire e L. Xavier (24-11-1936) R; Carmo, Neves-Armond 66 (11-1889) R; Corcova- do a Paineiras, Glaziou 8670 (1886) G. Observação: Embora os herba'rios que contêm os tipos desta variedade não os te- nham remetido, grande número de exsi- catas de outras instituições foram anali- sadas e forneceram subsídios suficientes para que se mantivesse a variedade esta- belecida por Lheras. 7. Trigonia vi/losa Aubl. Aublet, Plant Gui. 1:388.T.149. 1775; Vahl, Eclog. Amer. 2:52.1798; Candolle in DC. Prod. 1:571.1824; Grisebach, Lin- naea 22:28.1849; Warminig in Mart. Fl. Bras. 13(2):137.1875; Lamarck, lllustr. T. 347, 1787; Stafleu, in Pulle Fl. of Suri- nam 30(2) :1 76. 1 951 , Lleras in Fl. IMeotr. Monogr. 19:55.1978; Miguel et Mautone, Rodriguésia 32(54):41.1980. Trigonia mollis Mart. ex Candolle in DC Prod. 1:571.1824; Warming in Mart. Fl. Bras. 13(2):136.1 875. Trigonia parviftora Schott in Sprengel. Cur. Post, Syst. 4(2):409, 1827. Trigonia cepo Camb. in Saint-Hillaire, Jussieu et Cambessèdes, Fl. Bras. Mer. 2: 1829; Grisebach, Linnaea 22:28.1849. Trigonia schottiana Turcz. in Buli. Soc. IMat. Mosc. 36(1 ):560, 1983. Arbusto com ramos cilíndricos, fle- xuoso, lenticelados com pêlos castanhos quando jovens, glabros com a idade. Fo- lhas com pecíolo variando entre 0,3- 1,5 cm de comprimento; lâmina larga- mente elíptica, ovado-elíptica, obovada, membranácea ou subcoriácea, densa- mente fulvo-tomentosa, ápice de aguda, obtusa ou atenuada no pecíolo 4,5-14 cm de comprimento, 2-8,5 cm de largura; Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 57-72, Julho-Oez 85 67 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 cm nervuras impressas na face ventral e sali- entes na dorsal. Estipulas caducas ovadas, obtusas ou agudas no ápice. Inflorescên- cia disposta em racemos axilares e pam'- culas terminais. Cálice tormentoso exter- namente: corola alvo-amarelada; estan- darte 5-7 mm de comprimento; piloso na parte interna até o ápice; alas emargina- das, carenas glabras; nectários bilobados; estames 6-7; anteras oblongas; estaminó- dios 3-4; ovário subgloboso. estilete pi- loso. Cápsula alongada, com valvas na- viculares com o ápice agudo ou obtuso, base arredondada atenuada ou cuneada, às vezes com o dorso carinado semi-alado; epicarpo escabro-tomentoso, rufo-velutí- neo ou amarelo-tomentoso; endocarpo densamente provido de pêlos curtos ou longos, sedosos ou não ao tato com a margem variando entre 2,8- 10 mm de lar- gura. Trigonia villosa recebeu este nome com base nos pêlos longo do endocarpo, e demais órgãos da espécie. A análise dos síntipos permitiu a confirmação das sino- nfmias. Das três variedades da espécie apenas Trigonia villosa var. villosa ocorre no Es- tado do Rio de Janeiro, distinta das de- mais pelo endocarpo com pêlos longos sedosos ao tanto, formando um acolchoa- do. Trigonia villosa var. villosa Figs. 15, 16, 19c. Arbusto com ramos flexuosos de pi- losos a glabrescentes, profusamente lenti- celados, de 4-7 mm de diâmetro, entre- Fig. 1 5 — Trigonia villosa Aublet var. villosa 1. Detalhe da inflorescência — 2. Botão floral — 3. Flor — 4. Estandarte (Pétala saciformel — 5. Detalhe do androceu — 6. Ala (Pétala lateral) — 7-8. Pétalas carenadas: visão interna — 7a-8a. Pétalas carenadas: visão externa — 9. Cápsula, detalhe da valva. Fig. 16 — Trigonia villosa Aublet var. villosa 68 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 57-72, Julho-Dez 85 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 cm nós variando de 1 -2,5 cm de compri- mento. Folhas com pecfolo de 0,7- 1,5 cm de comprimento; lâmina obovado- elíptica, membranácea, densamente fulvo- tomentosa, de ápice agudo, abruptamente acuminado, obtuso, às vezes mucronado, base aguda ou atenuada no pecfolo, 4,5- 13,5 cm de comprimento, 2,5-7, 5 cm de largura, nervuras constituindo um retfculo impresso na face ventral e sali- ente na dorsal. Estipulas caducas, ovadas, tomentosas externamente e subglabras internamente obtusas ou agudas no ápice, 6-7 mm de comprimento, 3-4 mm de largura. Inflorescências dispostas em race- mos axilares e panículas terminais, de ra- que tomentoso, tetragonal, com 3-4 cm de comprimento. Cálice tomentoso externamente e glabro internamente; co- rola alvo-amarelada; estandarte piloso na parte interna até o ápice, glabro exter- namente, reflexos, 5-6 mm de compri- mento; alas emarginadas, 3:4 mm de comprimento, carenas glabras, 4 mm de comprimento, nectários 2 lobados; esta- mes 6-7; anteras 0,5-0, 7 mm de diâ- metro; estaminódios 3-4; ovário com 1 mm de diâmetro com estilete piloso. Cápsula alongada com valvas naviculares, carenadas, interna e externamente velu- tfneas; a pilosidade na face interna do endocarpo é constitufda de pêlos longos, dispostos de maneira congesta formando um acolchoado. Tvnus: Aublet s.n. French Guiana, "Cay- enne 1775 fl. fr., Lectotype, BM. (Lleras, Fl. Neotr. 55.1978.) Distribuição Geográfica: Brasil nos esta- dos do Amazonas, Pará e Rio de Janeiro. Material estudado: Brasil: 72588 R; ibidem, St. HiHaire (1830) G; ibidem, Schush W; ibidem Poh! W; ibidem Wid- green 633 S; ibidem, Sello 368 S; Rio de Janeiro: Schwacke 97 R; ibidem (8-XI- 1886) R; ibidem, M. Monteiro (18-XI- 1949) RB; ibidem, M. Guillhermin 696 (1839) G; ibidem, Riedel 12 (XI-1829) G; ibidem, idem 1083 et Chodat (1832) G; ibidem, M. Vauthier 449 (1839) G, W; ibidem, Gaudichaud 980 (1833) G; ibidem, Schott 5981, W; ibidem Mikan 62 W;. ibidem, Schott 1926 W; Rio de Janeiro, Ilha do Governador: Z. A. Trin- ta 994 et E. Fromm 2070 (14-VII-1970) R, HB; ibidem, idem 1428 e 2431 et E. Santos 2537 (16-XII-1970) R; ibidem. Ponta do Galeão, Baía de Guanabara,*/ Vi dal (18-X-1933) R; ibidem, Jardim Guanabara, G. F. Pabst 5438 (6-XI- 1960) HB; ibidem, idem 4453 (1-V-58) HB; ibidem, idem 7206 (10-XI-1962) HB; Queimados, Netto (X-1976) R; Mor- ro da Babilônia, F. C. Hoene 25 (XI- 1914) R; Campos, J. Sampaio 2901 (111-1918) R; Macaé, Z A. Trinta et E. Fromm 2170 (11 -X 11-1 964) R; Campo Grande, Mendanha, F. Alemão 527 R; Niterói, Barreto, H. Aoé Lallemant (1879) R; ibidem, P. Dúsen 108 (15-XII- 1901) S; Restinga da Tijuca, O. Machado 1085 (22-XI 1-1 944) RB; ibidem, idem 1622 (6-1-1946) RB; Jacarepaguá, Flores- ta da Covanca, A. P. Duarte 5025 (30-1 X- 1959) RB; ibidem,*/. N. (7-1-1947) RB; Botafogo, Mundo Nova, A. P. Duarte 5412 (1 1-X-1960) RB, HB; Jardim Botâ- nico, J G. Kuhlmann (1-X-1942) RB; Vargem de Itaguaf, P. H. Florestal (27-1 X- 1927) RB; Macaé, Z. A. Trinta 1094 et E. Fromm 2170 (1 1-XI 1-1964) RB, HB. 8. Trigonia eriosperma (Lam) Fromm et Santos Figs. 17, 18, 19d. Fromm et Santos, Boi. Mus. Nac. Rio de Janeiro. 41:3.1971; Lleras in Fl. Neotr. Monog. 19:45.1978. = Croton eriospermun Lamarch. Encycl. 2:211.1786. = Mainea racemosa Velloso Fl. Flum. 275.1829 (1825); ícones 7:t Arch. Mus. Nac. Rio de Janeiro 5:260. 1881. = Trigonia crotonoides Cambessèdes in Sa int-Hi llaire, Jussieu et Cambessèdes, Fl. Bras. Mer. 2:115, tab. 105.1829; Grisebach, Linnaea 22:31.1849. Pio Corrêa 5:289.1974. Warming in Mart. Fl. Bras. 1 3(2) :1 27. 1875. = Trigonia crotonoides Camb. var. oblon- gifolia Cambessèdes, l.c.83. = Trigonia crotonoides Camb. var. inca- na Camb. 1 .c. 116. = Trigonia micrantha Mart., Fl. 20(2): 102.1837. = Trigonia crotonoides Camb. var. ellip.- tica Warming l.c.128. = Trigonia racemosa (Vell) Hoehne, Ind. Bibliog. Num. 256.1951. Arbusto com ramo flexuosos, os jo- vens de tomentosos a pilosos, os mais ve- lhos glabros. estriados e profusamente len- ticelados 1-6 cm de diâmetro, entrenós 1- 3,5 cm de comprimento. Folhas com pecfolo piloso, cilíndrico, 3-7 mm de comprimento; lâmina ovado-elfptica ou oblonga, glabra na face ventral e alvo-flo- cosa na face dorsal, acuminada no ápice, obtusa ou atenuada na base, 1, 5-5,5 cm de comprimento, 0,5-2,5 cm de lar- gura; nervuras 4-7 oblíquas, salientes em ambas as faces. Estipulas caducas, pi- losas, lineares, acuminadas, bífidas no ápi- ce, de 1,5-2,5 cm de comprimento. In- florescências em tirsos axilares ou termi- nais; brácteas lineares, 1-1,5 mm de comprimento; cálice tomentoso; sépalas 2- 3 mm de comprimento, 1-2 mm de largura; estandarte arredondado no ápice, com 2-3 mm de comprimento; nectá- rios 2 sinuosos, estames 6-7; ovário 0,3 mm de diâmetro. Cápsula elíptica com deiscência do ápice para a base; val- vas arredondadas no dorso, endocarpo bífido no ápice. Nome vulgar: negra mina. "Typus: In sylvis prope Rio de Janeiro". (Fromm et Santos. Boi. Mus. Nac. 41:3. 1971.) Distribuição geográfica: Brasil nos esta- dos de Brasília, Bahia, Espírito Santo, Mi- nas Gerais, Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro. Etimologia: Nome oriundo do latim, sig- nificando sementes lanuginosas. Material estudado: Brasil: Capanema (V- 1937) RB; ibidem, Martii Herbar Florae 123 (1837) G; ibidem, (XI-1836) R; ibi- dem, Shot 5978\N; ibidem, idem 1680W; ibidem, idem 1679 W; ibidem, ShuchVJ; ibidem, Glaziu 14689 W, S; ibidem, Frey- reis S; ibidem, A. Dusem, S; ibidem, Sello, S; Rio de Janeiro, Wedel 1484 (1838) G; ibidem, Gomez (1836) G; ibidem, Guiller- min 654 (1839) G; ibidem, Casareto 585 (1837) G; ibidem, Wauthier 88 (1833) G, W; ibidem Wedell 684 (1858) G; ibidem, Riedel 10, (1829) G; íbidem, Guillermin 1889) G; ibidem, Lhotzky (1832) G; ibi- dem, H. Delessert (A. R)G; ibidem, Schwarcke ( X I - 1 88 1 ) R ; ibidem, Schuch 5985 W; ibidem, Gaudichaud 978 (1846) W; ibidem, Schot 5984 W; ibidem, Wid- green (1844) S: Serra dos Órgãos, Wau- thier 552 (1833) G, W; Jurujuba; A.C. Brade 1 1354 (21-11-1932) R; Ibidem, A.C. Brade ( 1 5-XI-1 931 ) R; ibidem, Casareto 1535 (1857) G; ibidem, Casareto 1740 (1857) G; Estrada de Grumari, J. Miguel 63 (4-VII-1978) RB; ibidem, D. Sucre 4969 (8-V-1969) RB; Ilha Furtada, Baía Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 57-72, Julho-Dez 85 69 SciELO/JBRJ 1 14 15 16 17 lí 19 20 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 57-72, Julho-Dez 85 cm 1 2 3 4 5 6 7 SciELO/JBRJ, de Sepetiba, D. Sucre 1691 (15-X-1967) RB; ibidem, idem 3607 (25-VI 11-1 968) RB; ibidem, idem D. Sucre 1872 (4-11- 1967) RB; Botafogo, Morro do São João, J.G. Kuhlmann (IV-1914) RB; Macaé, Z.A. Trinta 1096 et E. Fromm 2172 (1 1- XI 1-1 964) RB, R, HB; Estrada de Guarati- ba, E. Guimarães 45 et D. Sucre (22-X- 1966) RB; Ibidem, J. Almeida 1405 (4-1 V- 1972) RB; Santa Maria Madalena, Pedra Dubois, E. Pereira 1246 (16-111-1955) RB; Teresópolis, Estrada do Fagundes, A.P. Duarte e E. Pereira (9-XII-1948) RB; ibi- dem, Bueno (1-1943) R; Natividade, Var- re Sohe, E. Pereira 36 (XI-1941) RB, HB; Itaipu, D. Sucre 5129 et T. Plowmann 2829 (27-V-1969) RB; Raiz da Serra, Schwacke (1876) R; Parafba do Sul, Schwacke (29r1 881 ) R ; ibidem, Diogo (21-11-1904) R; ibidem, Schwacke (XI- 1881) R; Cantagalo, J.G. Kuhlmann (XI- 1916) R; Niteroy, Forte Imbui, Adoipho Lutz 1669 (XI-1921 ) R; ibidem, M. Guil- lermim 181 (1839) G; Restinga de Copa- cabana Glaziou 9717 (26-1-1 870) R; ibi- dem, idem (1879) G; Santana, LuizEmyg- dio 397 (5-XII-1945) R; Estação de Vi- cente de Carvalho, Estrada de Ferro Rio d'Ouro, Manoel Rocha Rêgo (29-111- 1943) R; Serra de Friburgo, Fazenda do Sr. David Barcelos, herb. J. Saldanha 7042 (3,7-11-1883) R; Carmo, Neves A r- mond, R; Ilha de Paquetá, P. D usem (18- X-190DS. IV — Conclusões Através dos estudos que procedemos nas espécies do gênero Trigonia Aublet, ocorrentes no Estado do Rio de Janeiro, verificamos grande variabilidade dentro de uma mesma espécie, no que se refere a forma, tamanho e pilosidade das folhas, assim como aos tipos de inf lorescências, cujas flores variam em número, tamanho e posição; além da diversidade apresenta- da por seus frutos. Em decorrência, há um grande número de formas que, embo- ra não constituindo um táxon distinto, di- ficultam a identificação das espécies. Entre os caracteres assinalados, aque- les que se referem ao fruto tais como for- Fig. 17— Trigonia eriosperma (Lam.) Fromm et Santos 1. Inflorescéncia — 2. Flor — 3. Estandarte (Pétala saciforme) — 4-5. Pé- talas.carenadas: visão externa — 6. Ala (Pétala lateral) — 7. Detalhe do androceu — 8. Detalhe das pétalas internas: visão interna — 9. Corte transversal da cápsula — 10. Cápsula. Fig. 18— Trigonia eriosperma (Lam.) Fromm et Santos cm ma, deiscência, presença de replopilosida- de, número de sementes etc., revelaram- se bastante conclusivos na determinação das espécies de Trigonia, o que nos levou a considerardoisgrupos dentro do gênero. Preferimos, neste trabalho, seguir as linhas traçadas por Vahl (1798) e outros autores, no que diz respeito às formações dispostas na porção anterior do ovário, considerando-as como nectários, enquan- to que outros as conceituam como glân- dulas. Resumo Neste trabalho é feito o estudo taxo- nômico da família Trigoniaceae do Esta- do do Rio de Janeiro, onde foram assina- lados oito espécies e duas variedades. Além da descrição da família, do gênero e das espécies, apresentamos sua distribui- ção geográfica, ilustrações e uma chave dicotômica. Abstract The authors present a study of eight species and two varieties of the Trigonia- ceae familyofthe State of Rio de Janeiro. This work includes a dichotomnous key. descriptions and details of the species, emphasizing the geographic distribution. V — Referências Bibliográficas AUBLET, J.B.C. 1775. Historie des plan- tes de la Guiane Française 1 :387- 392, t. 149-150. AUSTIN, D. 1968. Trigoniaceae in Flora of Panama. Ann. Miss. Bot. Gard. 54 (3) : 208-210. BARTH, F. 1896. Anatomie compare de la tige et de la feuille des Trigoniacees et des Chailletiacées (Dichapetales). Buli. Herb. Boiss. 4(7) :481-520. CAMBESSÈDES, J. 1829. Hipocrateaceae in A. St.-Hillaire, Jussieu et Cambes- sèdes. 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É dada uma cronologia do estabelecimento de outros importantes "Jardins Botânicos" na Europa. Na América são destacados os Jardins Botânicos, existentes no México, conforme en- contrados pelo conquistador espanhol e o papel de Príncipe Maurício de Nassau, como fundador do primeiro “Jardim Botânico”, do primeiro Observatório Astronômico e do primeiro "Jardim Zoológico" das Américas, pós-descobrimento. O artigo é concluído com uma exposição das finalidades de um "Jardim Botânico", na atualidade, a saber as finalidades utilitária, lúdica e educativa. São discutidos os conceitos de jardim e de "Jardim Botânico". São definidos os parâ- metros que definem o jardim como uma modalidade de paisagem construída ou an- trópica, respectivamente as finalidades utilitária, lúdica ou cognitiva. E feito um aprofundamento do conceito de "Jardim Botânico" distinguindo-o de outra modali- dade de jardim, o "Jardim Zoológico", dando-se ênfase à presença de uma coleção de plantas como fundamental para sua categorização. É apresentado numa resumida di- 0 Jardim Botânico é uma categoria de jardim possuidora de atributos espe- ciais que o caracterizam e distinguem das demais classes de jardins. Mas que vem a ser, em realidade, um jardim? A dar crédito às versões bíblicas foi o jardim a obra inicial do Criador, do Deus- Arquiteto que o fez já exercendo a fun- ção de vegetação protetora dos manan- ciais, porque do jardim do Éden: "safa um rio para regar o jardim e da- li se dividiu e se tornava em quatro braços" (Gênesis 2,10) e prossegue: "e plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, da banda do Oriente, e pôs ali o homem que tinha formado" (Gênesis 2,8) por aí se vê que ele próprio fez o jardim e nomeou o jardineiro e, mais ainda, atri- buiu-lhe as devidas obrigações funcionais: "e tomou o Senhor Deus o homem e o pôs no jardim do Éden para o la- vrar e o guardar " (Gênesis 2,1 5). Estavam assim definidas duas das funções necessárias ao jardim, a conserva e a vigilância. Dentro desse quadro das reminis- cências bíblicas infere-se ter sido o pró- prio Deus o primeiro paisagista e Adão o primeiro jardineiro. É curioso que o vocábulo e a noção de paraíso figuram nos textos de dife- rentes religiões com o sentido de lugar de delícias, de sítio ameno, de vivenda dos bem-aventurados, salientando sua identificação como o lazer. Ao mesmo tempo, e ainda pela Bíblia, encontramos que a sistemática é contem- porânea dos atos iniciais da criação, pois, no terceiro dia, precisamente: Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 73-76, Julho-Dez 85 73 cm 1 2 3 4 5 6 7 SciELO/ JBRJ, L3 14 15 16 17 18 19 "e foi a tarde e a manhã o dia tercei- ro" isto é, Deus não realizou ne- nhum trabalho noturno, a criação sendo desenvolvida pela manhã e pela tarde; prosseguindo encontramos: "e disse Deus produza a terra a erva verde, dando semente conforme a sua espécie, e a árvore frutífera, cuja semente está nela conforme a sua es- pécie. E viu que era bom" (Gênesis 1 , 12 ) "e a terra produziu conforme Deus ordenou" (Gênesis 1,12). Vemos assim que a mais antiga clas- sificação botânica, apresentada no Gêne- sis, reconhecia ervas e árvores, todas com sementes. Ao que parece as samambaias e demais plantas sem sementes não chega- ram a existir no Éden. Mas, não é nosso objetivo continuar discutindo sobre esses curiosos textos bí- blicos. Devemos aqui encarar o jardim não mais como objeto da criação, porém rigorosamente dentro de um ponto de vista histórico e reconhecer que represen- ta o jardim uma das mais antigas tentati- vas do ser humano de sobrepor à ordem natural a ordem humana. É fato plenamente conhecido que o jardim, como realização social, retrata com fidelidade o estado cultural alcan- çado por uma comunidade. Quanto mais elaborada e evoluída e estruturada uma cultura, maior requin- te empresta às realizações jardinísticas. Os jardins egípcios, os jardins da Ba- bilônia, os jardins árabes de Sevilha e Gra- nada, o jardim japonês e os jardins euro- peus (italiano, francês e inglês) exempli- ficam bem o que foi afirmado acima. Já as hordas bárbaras, os povos primitivos e os nômades desconhecem em absoluto o jardim. A conceituação do jardim não é pre- cisada nem em dimensão (um jardim pode ter qualquer dimensão), nem em forma, nem pela natureza de sua composição própria. Há mesmo exemplos de jardins sem plantas. Fundamentalmente, o jardim corres- ponde a uma porção limitada do espaço, organizada finalisticamente para a ame- nização, o proveito, a educação, o lazer, o encontro ou à meditação e a contem- plação daqueles que o frequentam. O jardim é pois, numa formulação globalizante, uma expressão localizada e definida em termos de uso, da paisagem artificial, construída ou humanizada. Teorizando sobre o jardim podemos dizer que três grandes parâmetros defi- nem o jardim, o atendimento de finalida- des utilitária, lúdica ou cognitiva. Porém não chegamos ainda a res- ponder à indagação inicial, o que vem a ser um jardim botânico. Aparentemente o qualificativo serve como uma alterna- tiva frente a outro tipo corrente de jar- dim — o "jardim zoológico". E de uso habitual a caracterização do "jardim botânico" como um tipo de jar- dim dotado de uma coleção de plantas or- ganizadas obedecendo a critérios diversos, porém com finalidade científica. Enfim, e deve ser sublinhado, é impossível desvin- cular o "jardim botânico" de atividade científica ou cognitiva, cujo objetivo é conhecer a planta por ela própria, como um elemento extraído e isolado da reali- dade ambiental ou de sua posição na na- tureza. Chegados a esse ponto vale acentuar a condição de ser vivo da planta. Assim ela pode sofrer abordagens de variadíssi- ma natureza. Podemos nos ocupar de sua posição no sistema de classificação, podemos deci- dir se ela já é conhecida ou nova para a ci- ência, estudar sua morfologia externa, seu dinamismo reprodutor, sua atividade fi- siológica aí incluído seu crescimento, sua estrutura interna, com todos os requintes da microscopia moderna, sua composição química e todas as demais propriedades que constituem sua utilidade ou seja o uso humano. Em realidade os aspectos aplicados, embora não sejam de todo des- cartáveis, são melhor apreciados em ou- tros campos de atividade humana como a agricultura, a tecnologia industrial ou a merceologia. Mas, num rápido bosquejo, digamos algo sobre a origem e a história dos gran- des jardins botânicos, em todo o mundo. Os povos cultos da antiguidade ti- veram jardins que se aproximam por suas funções do conceito de "jardim botâni- CO . Assim há referências ao Imperador Chen Nung, cognominado "o orador di- vino", em época tão distanciada como o século XXVIII a.C., que manteve um jardim com finalidades experimentais. O Faraó Tutmés III (1504-1450 a.C), que obteve importantes vitórias militares na Ásia, de volta de suas campanhas trazia plantas e animais introduzidos em jar- dins nos arredores do templo de Karnak, conforme o atestam os baixos-relevos ain- da existentes. Na Assíria um soberano, Teglath Phalazar I (1112-1074 a.C.), outro grande conquistador, manteve em seu jardim uma coleção de plantas indíge- nas e outra de plantas exóticas, entre elas o cedro e trepadeiras raras. No continente americano, dentre os povos pré-colombia- nos, destacavam-se os astecas ou na- hauatl que desenvolveram um notável in- teresse científico pelas plantas e, por oca- sião da conquista por Cortês (1520), em nenhuma nação européia havia nada com- parável ao extenso "jardim botânico" que os espanhóis então encontraram. Esse fato tem repercussões até o presente no México onde o gosto do povo pelas flores constitui uma característica nacional. Devemos ao filósofo grego Aristóte- les o mérito de haver fundado o primeiro "jardim botânico" do ocidente e a respei- to do qu%l temos informações fidedignas. Era liçfado à escola de Aristóteles, o Liceu (ao pé do monte Licabeto), nome deriva- do do deus lobo (Lykos). Esse jardim foi legado por Aristóteles a seu discípulo Teofrasto, considerado o fundador da bo- tânica científica e cognominado o pai da botânica e, sem dúvida, o maior botânico da antiguidade. Na Roma antiga, os jardins botânicos eram utilitários e didáticos. Plínio, o An- tigo, repomendava o jardim de um certo Castor, aos estudantes interessados. Durante a Idade Média, os "jardins botânicos" eram jardins monásticos, vin- dos da época de Carlos Magno. A ciência de então era um monopólio dos monges e o caráter de "jardins botânicos" lhes ad- vinha de terem coleções para estudo. Em muito contribuíram para as ilustrações e os textos botânicos da época. O fenômeno da urbanização, a ascen- são da burguesia e o consequente surgi- mento das universidades geraram como que um antagonismo frente aos mostei- ros-fortalezas. Porém, inicialmente, nas universida- des predominava o argumento de autori- dade e não era valorizada nem tavorecida a observação da natureza. Dessa forma e por muito tempo ain- da os jardins dos conventos seriam os cen- tros de estudo e de cultivo de plantas. Com o Renascimento há um flores- cimento das ciências da natureza, basea- das na observação direta. Iniciado na pri- meira metade do século XV, na Itália, essa onda cultural se espraia pela França e pela Alemanha. O ciclo das viagens de descobrimento gerou um grande interesse 74 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 73-76, Julho-Dez 85 cm 1 2 SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 pela introdução de plantas dos países até então não conhecidos. A taxinomia pro- gride e busca novos objetivos apoiada em coleções de plantas, em "jardins bo- tânicos" e na forma de materiais preser- vados (herbários). Nessa fase, o primeiro "jardim botâ- nico" no sentido moderno é fundado, em Pisa (1544), pelo Professor de Botânica de sua universidade, Luca Ghini (1490- 1556). Depois do de Pisa, surgem "jardins botânicos" em Pádua e Florença, todos decorrentes da benevolência da Casa de Médici. Nesse período é estabelecido o primeiro herbário, também em Pisa, por um discípulo de Ghini, o padre Michele Merini. O jardim de Pisa não subsistiu, porém o de Pádua permanece até os dias atuais e no mesmo sítio. Sucessivamente vão surgindo outros jardins, Bolonha (1547), Zurique (1560), Paris (1597), Oxford (1621), Berlim (1679), Edimburgo (1680) e Amsterdã (1682). O Jardim de Kew é bem mais recente (1760). No Brasil, coube ao Príncipe Maurí- cio de Nassau a glória de ter sido o funda- dor dos primeiros "jardins botânicos" e do primeiro "jardim zoológico", em ter- ras americanas pré-descobrimento, no Recife, em pleno século XVII. Infeliz- mente esses jardins não subsistiram, des- truídos que foram durante o assédio de Recife e as lutas pela reconquista luso- brasileira. Ao final do século XVIII desperta Portugal para a necessidade de melhor ser conhecida a flora brasileira. Firma-se na metrópole uma atitude realista de atentar para os recursos naturais e para sua im- portância. Uma Carta Régia, de 04/1 1/1976, de- termina a criação de um "jardim botâni- co", em Belém. Teve 'efêmera duração, contudo cabe-lhe o mérito de ter sido o modelo para a criação de outros mais, em Pernambuco, na Bahia e no Rio de Janei- ro, onde ora nos encontramos e cuja data natalícia ora festejamos. Em Vila Ri- ca, a então capital do ouro e importante centro cultural, com um contingente de núcleos de apoio entre eles um teatro e um "jardim botânico" que atualmente, e em boa hora, é objeto de um trabalho de reconstituição. De todos esses apenas o do Rio de Janeiro logrou a estabilidade necessária para vencer os séculos, e é por isso que estamos agora aqui reunidos. É curioso assinalar que no mundo de nossos dias quanto mais civilizados e culto um povo maior o número de "jardins botânicos" proporcionalmente a sua superfície territorial. Assim, nos Estados Unidos existem, entre "jardins botânicos" privados e pú- blicos, cerca de uma centena. A Inglaterra com uma área muitas vezes menor tem pelo menos 10 grandes jardins botânicos, em que se destacam como de excepcional valor os de Edimburgo e de Kew. Na França o número desses jardins anda em torno de 15, sendo que os de maior im- portância são os de Montpellier (1594) e de Paris. Na Alemanha são mais impor- tantes os de Berlim, Duisburg, Munique, Dresden e Frankfurt. Rússia, China e fndia também possuem estabelecimentos categorizados. Notável é a posição da Austrália com uma rede de estabelecimentos localizados nas principais províncias botânicas ou re- giões ecológicas do país (Sydney, Bris- bane, Adelaide, Melbourne, Camberra e Hobart, na Tasmânia). Esta digressão teve o objetivo de real- çar a importância para as grandes noções da atualidade na posse de "jardins botâ- nicos". E assim é chegada a hora de discutir as finalidades e o papel que devem assumir os jardins botânicos no mundo contempo- râneo. É sabido que os "jardins botânicos", mormente os grandes jardins tropicais de que o JB do Rio de Janeiro é um paradig- ma, ganham uma importância maior fren- te aos problemas da atualidade que o ho- mem e a sua tecnologia vão criando dia após dia. Em tempos anteriores prevaleceu uma concepção de que o "jardim botâni- co" seria principalmente um local de ver plantas, de reconhecer plantas, ao mesmo tempo que de entretenimento para o pú- blico. No começo deste século circulava o conceito de que sua coleção viva poderia ser organizada em três unidades básicas, uma primeira que buscava apresentar as plantas em ordem sistemática, como se possível fosse enquadrar a diversidade do mundo vegetal na exiguidade de uma área limitada e com condições ecológicas bastante uniformes. Outra parte abrigava as plantas por seus caracteres biomorfoló- gicos apresentando setores definidos como por exemplo plantas suculentas, trepadei- ras, epífitas etc. Representa um maior grau de concessão ao natural. Finalmente uma terceira tenderia a apresentá-los em arranjo obedecendo à fitogeografia com a reunião de grupos integrados por elemen- tos oriundos de uma mesma região com a apresentação de conjuntos de plantas da caatinga, da restinga, do cerrado etc., por exemplo. Atualmente o planejamento dos "jar- dins botânicos" oferece maior liberdade, respeitadas a visão paisagística e a adequa- ção ecológica das plantas respectivas. Isto é o que se cultiva nas condições em que vai ser cultivado. O essencial é que o con- junto resultante configure uma aparência capaz de oferecer a seus visitantes emo- ções e prazeres do real valor intelectual e estético. Porém, vejamos as finalidades de um "jardim botânico" na atualidade: 1) - Finalidade utilitária — um "jardim botânico" se constitui desde logo em importante área paisagística de uma cidade oferecendo a seus habitantes o desfrute ambiental de contemplá- lo como área verde, área de pausa no congestionado tecido urbano. Nessa condição pode ter influência na arbo- rização pública indicando o que plan- tar e como fazê-lo. Contribui para a melhora das condições do ar urbano pela função clorofiliana de suas folhas. Os horticultores profissionais e os núcleos de ensino hortícola podem se beneficiar em alto grau de um intercâmbio e de um relaciona- mento com o "jardim botânico", recebendo sementes e materiais de propagação de plantas raras ou ameaçadas de extinção ou de que haja interesse em difundir para algu- ma outra finalidade. A manutenção de coleções de plantas ornamentais, de "cultivares" selecionados e de di- versa natureza, de híbridos, de plan- tas modificadas por tratamentos quí- micos ou físicos são tarefas bem ade- quadas a essas instituições. 2) - Finalidade educativa — o "jardim bo- tânico" pode participar do assistemá- tico, pela massa de informações que oferece ao visitante de qualquer ca- tegoria, e do ensine sistemático pelo oferecimento de cursos de diversas naturezas. Pode se dizer que ele é, em si mesmo, uma unidade polivalente de ensino. Ao freqüentá-lo, o público se instrui, aprende as mensagens de cunho conservadorista, e é introduzi- do na longa via do deleite através do uso estético das plantas. Atendendo ao nível pós-graduado o "jardim bo- tânico" oferece condições de atendi- mento a um público difeiente forma- Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 73-76, Julho-Dez 85 75 cm l SciELO/JBRJ 1 14 15 16 17 lí 19 20 do pelos estudantes e interessados em produzir teses pós-graduadas e mono- grafias diversas. Não raramente os "jardins botânicos" encerram elementos relacionados ao patrimônio histórico cultural, como é o caso da primeira estátua fundida no Brasil ou da portada da Academia Imperial de Belas-Artes, incorporadas a este "jardim botânico". São bens a zelar cuidadosamente e a transmitir ao longo do tempo, de uma geração dos trabalhadores da casa às gerações subsequentes. Pode o "jardim botânico" abrir pe- riodicamente suas instalações para apre- sentar ao público exposições especializa- das que despertam grande interesse, mor- mente por parte de colecionadores (or- quídeas, flores-de-maio, samambaias, bro- mélias etc.). Estas exposições podem in- clusive, por sua regularidade, virem a fi- gurar nos calendários turísticos. Podem distribuir, por doação ou venda, folhetos, quadros, obras que contribuem para a elevação do nível de consciência do pú- blico, sobre os problemas dos recursos naturais. A presença de um "jardim botânico", especialmente de um "jardim botânico" inserido no conturbado tecido urbano, representa uma área verde, um espaço não-construído, uma pausa, enfim. Ainda é o jardim botânico local de visita para estrangeiros cultos e interessados em co- nhecer os elementos significativos do patrimônio vegetal brasileiro. 3) - Finalidade científica — a presença de um "jardim botânico" tem sempre influência sobre os estudos botânicos de qualquer natureza. A taxinomia, a anatomia, a fisiologia, a ecologia, a fitoquímica etc. e tantas outras dis- plinas botânicas usualmente têm apoio nas coleções vivas ou de mate- riais preservados. Toda a problemá- tica de cultivar e de experimentação sobre plantas é grandemente benefia- da pela colaboração de um "jardim botânico". Queremos insistir no papel do "jar- dim botânico" na defesa de espécies ameaçadas de extinção que podem melhor ser multiplicadas em condi- ções experimentais. Também é fun- damental que essas plantas fiquem resguardadas no "jardim botânico" sob a forma de matrizes. O "jardim botânico" tem papel sali- ente na preservação de coleções vivas de plantas de interesse genético, funcionan- do como banco de genes, e realizando permutas de material reprodutivo (espé- cialmente sementes). A estrutura de um "jardim botânico" exige como complemento indispensáveis ao desempenho de sua missão científica, uma série de elementos de apoio como o herbário, a coleção carpológica, o lami- nário, a xiloteca, a esporoteca, a biblio- teca, instalações para reprografia e foto- grafia, laboratório fitoquímico, sala de balanças etc., afora os apoios indiretos como os serviços de atendimentos aos consulentes e visitantes, bem como os quadros administrativos e auxiliares. Po- rém destaque especial merece o quadro dos cientistas e pesquisadores. Um "jardim botânico" deve pesqui- sar e publicar os resultado obtidos. Deve atender às necessidades de pesquisa botâ- nica tão necessária a um país que é ou foi detentor da mais rica flora de um só país. Deve inclusive atender à principal dela que é a de manter um núcleo científico em evolução, propiciando a seus integran- tes condições de aperfeiçoar-se e de viajar pelo país e de visitar outros centros em países desenvolvidos. Isto garante que os afastamentos por limite de idade, morte ou outras causas não irão criar os hiatos na trans- missão de experiência que tão nocivos tem sido ao desempenho de nossas ins- tituições. Isso permite a substituição por ele- mentos mais jovens, porém já integrados à instituição e beneficiários de assistên- cia adaptativa e da orientação recebida de colegas mais avançados. E toda a ins- trumentalidade da transmissão da expe- riência. No mundo atual em cada "jardim bo- tânico" faz-se necessário que as mentes esclarecidas de seu corpo científico de- volvam o que lhes deu a comunidade em forma de esclarecimentos comunitários, e de uma posição definida em defesa da conservação do meio ambiente como um valor a sustentar, para que a vida conti- nue a ter sentido nesse pequeno planeta. Por fim conhecedor que sou da pre- sente base de recuperação deste "jardim botânico", depois de vencer outras fases não tão promissoras, isto me traz alguma tranqüilidade. Uma última consideração, creio que nesta hora é oportuno encarecer que os órgãos de suporte à pesquisa se movi- mentem em favor de medidas para a ampliação e o rejuvenescimento de seus quadros. É preciso considerar que pes- quisa é a obra do pesquisador. O mais rico herbário e a mais bem-aprovisiona- da biblioteca não fazem ciência por si só e que o "jardim botânico" sem atividade científica poderá até ser um local belo e ameno, mas não será mais um "jardim bo- tânico". É preciso dizer que no caso brasileiro as tradicionais instituições de pesquisa como este "Jardim Botânico" e o "Mu- seu Nacional" devem, em nome da inte- gração da cultura nacional, serem alvos de um tratamento especial e adequado, longe das rotinas de uma burocracia su- perlativa e fastidiosa. A nossa mensagem final nesta tarde aconchegante de junho é um cumpri- mento às autoridades que o administram, a seu corpo científico, aos dignos corpos administrativo e auxiliar e aos jovens estagiários que são, no presente, os re- presentantes de um futuro que se apro- xima velozmente. 76 Rodriguésia, Rio de Janeiro, 37 (63) 73-76, Julho-Dez 85 cm 1 SciELO/JBRJ, L3 14 15 16 17 18 19 2) No caso de artigos de periódicos, citar: autor(es) do arti- go (prenome e outros nomes abreviados; demais observações ver item 1 no caso de livros. . .); ano da publicação seguida de ponto; . título completo do artigo; título do periódico abreviado quando couber (as abreviaturas deverão seguir as normas do Botânico-Periodicum-Huntianum-B-P-H e sublinhadas); número do volume sublinhado; número do fascículo ou parte, se houver, dentro de parêntesis; dois pontos, após o volume ou fascículo e a seguir o número de páginas; estampas e figuras, se houver. Exemplos: ANDREATA, R. H. P. 1979. Smilax spicata. Vell. (Smilaca- ceae). Considerações taxonômicas, Rodriguésia 31 (50):1 05-1 1 5, 6 est. ARBER, A. 1920. Tendrils of Smilax. Bot. Gaz. 69(5):438-442, 22 est. CAPONETTI, J. D. & QUIMBY, M. W. 1956. The compara- tive anatomy of certain of Smilax. J. Amer. Pharm. Ass. 45( 10):691-696. FERREIRA, M. B.; ESCUDER, C. J. & MACEDO, S. A. R. 1982. Dieta dos bovinos pastejando em áreas de cer- rado. I. Composição botânica. Arq. Esc. Veterin. UFMG 34(1 ):1 53-1 65. 3) A lista de referências bibliográficas no final do trabalho deverá ser em ordem alfabética de autor, segundo os exemplos anteriormente enunciados; quando houver repetição do mesmo autor(es), o nome do mesmo deverá ser substituído por um tra- vessão; quando o mesmo autor publicar vários trabalhos num mesmo ano, deverão ser acrescentadas por ordem de publica- ção as letras alfabéticas após a data. 4) Quando houver citação bibliográfica no texto, deverá ser mencionado apenas o sobrenome do autor e a seguir o ano de publicação, entre parêntesis. Observações - Os nomes científicos dos táxons deverão seguir as normas do Código de Nomenclatura Botânica em sua última edição. Os nomes dos gêneros, táxons infragenéricos, específicos e infra-específicos deverão ser grifados em todo o texto do trabalho. Nos trabalhos taxonômicos, no material examinado, os no- mes dos países deverão vir em caixa alta, seguidos dos res- pectivos materiais estudados. Um parágrafo deverá separar a coleção estudada de um país para outro. Os países deverão obedecer a seguinte disposição: MÉXICO; GUATEMALA; EL SALVADOR; HONDURAS; NICARAGUA; COSTA RICA; PA- NAMÁ; CUBA; JAMAICA; HAITI; REPÚBLICA DOMINICANA; PORTO RICO; Ilhas das Antilhas, como BARBADOS, GRA- NADA, etc.; GUIANA FRANCESA; SURINAME; GUIANA; VE- NEZUELA; COLÔMBIA; EQUADOR; PERU; BOLÍVIA; BRASIL (os estados e territórios brasileiros seguirão a ordem: Acre- Amazonas-Roraima-Rondônia-Pará-Amapá (R. Norte); Mato Grosso-Goiás-Distrito Federal-Mato Grosso do Sul (R. Centro- Oeste); Maranhão-Piauí-Ceará-Rio Grande do Norte-Paraíba- Pernambuco-Alagoas-Sergipe-Bahia (R. Nordeste); Minas Ge- rais-Espírito Santo-Rio de Janeiro-São Paulo (R. Sudeste); Pa- raná-Santa Catarina-Rio Grande do Sul (R. Sul); PARAGUAI; URUGUAI; ARGENTINA; CHILE. As citações do material botânico devem ser detalhadas, in- cluindo na seguinte ordem: local, data de coleta, nome e número do coletor (com grifo) e sigla(s) do(s) herbário(s) entre parênte- sis. Exemplos: BRASIL. Rio de Janeiro: Cabo Frio, praia do Forte, 15 X 1914. Kuhlmann 3142 (HB, K, RB). Minas Gerais: Viçosa, 20 III 1945, Ducke s/n ç (RB); Ouro Preto, 13 II 1960. A. Zurlo et al. 1350 (OUPR). No caso do material examinado ser relativo apenas a locali- dades brasileiras, os estados poderão ser separados por pará- grafos e escritos em caixa alta. II) REVISTAS DO JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO Terão prioridade para publicação os trabalhos realizados pelos pesquisadores do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, des- de que aprovadas pela Comissão de Publicações. a) ARQUIVOS DO JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JA- NEIRO - destinado à edição de trabalhos originais, de cunho técnico e/ou científico, inéditos, relativos aos difererentes ramos da botânica, inclusive teses ou monografias; b) RODRIGUÉSIA - destinada à edição de trabalhos de extensão cultural, relativos preferencialmente à área da botâni- ca, traduções ou reedição de matéria pertinente, de conhecido valor e atualidade, além de noticiário relativo àquela ciência, sendo admitida a publicação de trabalhos científicos. c) ESTUDOS E CONTRIBUIÇÕES - destinada a acolher trabalhos de caráter monográfico, relativo à botânica geral, iné- ditos ou não, ou reedição daquela matéria sob amplo conceito, de reconhecido valor e atualidade, ou de valor como elemento de comparabilidade histórica. d) BOLETIM DO MUSEU BOTÂNICO KUHLMANN - des- tinado à edição de trabalhos didáticos, ou de cunho técnico e histórico, referentes à botânica, à biografia de pesquisadores botânicos, ligados ou não. ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e à história deste Jardim. e) PUBLICAÇÕES AVULSAS - destinadas a divulgar tra- balhos referentes à natureza em geral, de interesse do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. As publicações do Jardim Botânico do Rio de Janeiro serão editadas, obedecendo aos seguintes critérios: a) Arquivos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro - duas vezes por ano; b) Rodriguésia - duas vezes por ano; c) Estudos e Contribuições - sempre que houver volume de trabalho que justifique a publicação; d) Boletim do Museu Botânico Kuhlmann - sempre que houver matéria, até quatro vezes por ano; e) Publicações Avulsas - quando convenientes segundo a comissão. COMISSÃO DE PUBLICAÇÕES DO JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO cm i SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 20 ÜH cliÀRDItfl BOTÂNICO RIO »E JANEIRO SciELO/JBRJ